A vida não continua…
Por Artur Perrusi (texto originalmente publicado no blog Torcedor Coral)
Fiquei encarregado de fazer a crônica pós-jogo, pois perdi na porrinha. Quem é doido de produzir um texto sobre esse time bosta? Só perdendo no jogo de azar ou ameaçado de morte pelo Editor-Mor (*).
O que posso dizer sobre o jogo?! Nada. Uma crônica sobre o óbvio é inútil. Mas digo que o time está com a cara da terceirona. É uma cara medonha, um mondrongo, uma vergonha. Posso falar, pelo menos, dos amigos que encontrei: Coronel Peçonha, coitado, desesperado e suando frio, até pedindo um remedinho.
_ Tomei todos, coroné, tô dopado aqui. Só dopado para assistir a essa merda! — disse, para alegrar o ambiente.
Surge o Mameluco, cabra bom, pensando em ONGs tricolores para ajudar as bases do Santinha; depois, no intervalo, aparece Chiló, com aquele seu bom humor característico:
_ A gente ganha de 3×1, dois gols de Saci.
Dou uma gargalhada. Só de imaginar Saci, a assombração, fazendo gols, tenho uma crise convulsiva de risos. Por falar nisso, presenciei o ataque mais inoperante da história do Santinha: Kuki e Saci. Aliás, presenciei muito mais: vi, com esses olhos que a terra e os vermes ainda hão de comer, a pior dupla de zaga de nossa história: Josemar e Aldo. Olhei um louco na lateral direita, Russo, e uma inexistência na esquerda, Jorge Guerra. Vi Paraíba errando os passes mais fáceis, desde que o serumano inventou o futebol. Contemplei fatos e situações que precisam de muita maturidade para aguentar – como sou infantil, dopei-me na base do rivotril com coca-cola.
Depois enxerguei outro amigo, lá embaixo da social. Ele estava completamente inconsolável. Não falei com o cabra. Tais momentos são de luto e vivenciam-se na solidão. Caindo na terceirona, o Arruda lotar-se-á de choradeira e de desespero, e será o Templo das Lágrimas. Quando isso acontecer, sairei rapidinho do estádio. No futebol, só choro de alegria, nunca de tristeza. É uma questão de princípio e de equilíbrio emocional.
Ah, meu Santinha, não temos clube, não temos dirigentes de futebol, não temos jogadores, não temos técnico… só temos torcida! E nós não merecemos isso!
Mas não consigo pensar direito no jogo. Só penso na terceirona. Penso no meu umbigo. O que farei, se o Santinha cair? Não, não quero pensar em mim. Eu faço o possível: sou sócio, paguei a anuidade, o boleto de todos os jogos, venho lá de João Pessoa, perdendo inclusive aulas para ver o Santinha. Eu continuarei na mesma ladainha, apoiando o clube. Mas não apoio mais essa diretoria, caso o Santinha caia de divisão. Só apóio sob uma condição: se eu fosse presidente do meu clube, se sob minha gestão o clube caísse no inferno, eu teria vergonha na cara e renunciaria e entregaria o cargo ao meu vice. O clube caindo, defendo a renúncia de Edinho em prol de Fred Arruda.
Chega desses cardeais, dessa velha-guarda metida a entendida de futebol, desses “experientes”, chega dessa concepção vetusta e amadora de futebol. Passem a bola para o pessoal mais jovem, mais moderno e mais democrático. Saiam do poder, por favor. Que entre o profissionalismo, o planejamento estratégico, a participação dos sócios e a transparência. Infelizmente, essa minha posição é uma pregação no deserto, além de ser baseada na emoção do momento, pois não tenho a mínima condição agora de saber se a renúncia seria a melhor posição política para o Santinha. É uma posição moral. É o que eu faria se fosse presidente. É que enchi o saco. Interpretem minha posição como um desabafo.
Mas quero ir mais além: se o Santinha não cair na terceirona, só apóio a diretoria sob a seguinte condição: realização da auditoria e menos centralismo, mais transparência e profissionalismo no departamento de futebol. Caso não perceba isso, tô fora do apoio, pois o que foi feito esse ano só tem um nome: desgraça! E o que se concretizou na administração foi completamente ofuscado pelo desastre na gestão do futebol. O que adianta “planejamento estratégico” se o clube cair para a terceirona? E se não cairmos, o que adianta continuarmos com um bando de incompetentes que não entende nada do que se faz, atualmente, no futebol moderno? Convenhamos, o que se fez no futebol do clube foi o que se tem de mais retrógado e amador no futebol brasileiro. Sou contra essa filosofia. Não posso apoiá-la.
Querem mesmo saber o que aconteceu no jogo?!
Pois saibam que, se cairmos, a vida não continua… Quem é tricolor sabe disso e muito bem.
(*) Artur se refere ao editor-mor do Blog Torcedor Coral, Dimas Lins (nosso amigo e grande amante das artes eruditas).
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A torcida compareceu, alguns jogadores se esforçaram, mas não deu: esta e outras imagens do jogo Santa Cruz 2 x 2 avaí estão no álbum de fotos do Blog do Santinha.
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