Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 5 de novembro de 2007

Dois perdidos num time arruinado

por Inácio França

Dura missão essa de escrever sobre um time despedaçado e uma torcida desesperada. Até hoje quero saber porque interrompemos aquela campanha do Fora Mauro. Covardemente, nossas convicções foram vencidas pela ilusão de algumas vitórias sem brilho.

Há pouco tempo escrevi que a escolha Mauro Fernandes havia sido o pior erro do presidente. Hoje, acredito que a opção por esse treinador fracassado, com vários rebaixamentos em seu cartel, faz parte de uma série de decisões equivocadas, reflexo de uma concepção caduca de gerir um clube de futebol aqui na periferia do capitalismo.

Édson Nogueira foi imediatista e inconseqüente desde o início da gestão. Acredito em sua honestidade e sua capacidade de suar a camisa horas a fio pelo clube. Mas já não é possível crer que sua visão de mundo possa ajudar o Santa Cruz. Os esforços de diretores e voluntários para resgatar a imagem do clube e para dialogar com sociedade sempre foram desprezados, ridicularizados. Os espaços – ou melhor, pequenas regalias - foram garantidos para quem era capaz de liberar dinheiro imediato, sem maiores contestações.

Dinheiro, diga-se de passagem, usado para suprir as necessidades e dívidas imediatas. Não há aqui qualquer suspeita sobre uso indevido dos recursos. O problema é que o dinheiro foi gasto sem planejamento, sem considerar estratégias a médio prazo, sem respeitar um orçamento. Exatamente como sempre acontece em todos os clubes mal administrados.

A mesmice (quase que escrevo a “mesma mesmice”, mas escapei dessa) se refletiu no futebol. A conseqüência é a zona de rebaixamento e a ameaça da terceirona. E aqui voltamos à opção por Mauro Fernandes, conseqüência direta de quem passou o ano apostando em contratar jogadores sem buscar referências ou em medalhões de passado pouco recomendável (a lista é grande: Cleisson, Alex Pinho, Róbson Luís, Creedence…). Jogadores “da casa” foram e continuam sendo desvalorizados, na contramão de exemplos bem-sucedidos pelo Brasil afora.

Pelo contrário, a aposta recaiu sobre um técnico que criou fama por indicar contratações que interessavam menos ao clubes e mais aos atravessadores (a palavra “empresário” empresta uma dignidade que esses carniceiros do futebol não merecem) e de currículo repleto de rebaixamentos à Segundona (no caso da coisa) e Terceirona (ABC e Gama).

As escalações absurdas e as experiências “científicas” de Mauro espantaram até os torcedores mais distraídos. Só o presidente, agarrado às suas próprias convicções, fé ou teimosia, não percebeu o óbvio que ululava. Acostumado a tomar decisões sem considerar as opiniões alheias, Édson Nogueira avaliou que os fatos eram uma afronta às suas certezas.

O caso do pobre goleiro Anderson é um símbolo do amadorismo e da falta de planejamento. Todos sabíamos que, mais cedo ou tarde, ele falharia num momento decisivo. Todos, menos Edinho e Mauro que, dizem os freqüentadores do gabinete presidencial, o escalou porque o presidente considera que Gottardi “dá azar”. E, por essa razão, não é mais o titular.

No domingo, para quem assistiu ao programa noturno da rede Globo, ficou claro que esse treinador jamais salvará o Santa Cruz da Terceira Divisão. O fracasso revelou a inconsistência e a insegurança por trás da costumeira arrogância.

Pode ser que apostar nas divisões de base desde o início do ano e em mais planejamento com paciência dessem no mesmo. Ao menos, o caminho trilhado teria sido diferente.

Agora, só a torcida pode salvar o Santa Cruz, pois Mauro e Edinho estão completamente perdidos. Deus, se existir, tem mais com o que se preocupar.

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