Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 6 de novembro de 2007

Recordar é viver…

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Por Gerrá da Zabumba

Era 1999. Naquele ano saímos da porta do inferno para os céus. Somente o maior dos otimistas poderia acreditar. O clube parecia mais uma igreja evangélica, era presidido por um protestante e tinha dois pastores nos bastidores da direção. Deixemos os crentes para lá.

Lembro como se fosse hoje, havia operado o menisco e passei um tempo fora dos gramados, ou melhor, fora do cimento.

Voltei ao Arrudão exatamente para ver o jogo Santa Cruz e América de Minas. Fui com meu pai. Caminhando com a ajuda de muletas adentrei no Estádio.

Encontrei com Inácio, que foi logo dizendo:

“Eita, tás fudendo a fisioterapia, né?”.

Pois bem, levamos uma enfiada de 5 a 1. Um jogo de fazer vergonha. Um time sem alma. Um folclórico treinador.

Existia na época um serviço de atendimento ao torcedor, tipo 0800, e a massa coral não cansou de telefonar pedindo a saída do técnico. O treinador era acusado pela torcida de formar panelinhas, e verdade seja dita, aquilo nunca foi treinador. A torcida fez pressão e Artuzinho foi botado pra fora.

Segundo noticiado em um jornal local, o atual técnico do nosso time, sim ele mesmo o MAUro, recusou o convite para vir substituir o baixinho Artur, argumentando que não gostou do elenco. Além dele alguns técnicos também foram cogitados, Evaristo de Macêdo, Lula Pereira, entre outros. Mas não veio ninguém.

Assumiu interinamente Nereu Pinheiro. No comando de um elenco de verdadeiras almas sebosas, após uma vergonhosa partida contra a Tuna Luso, na qual perdemos por 3 a 0, Nereu viu o Santa ficar ali beirando o rebaixamento. Nereu ameçou entregar o cargo, por causa da indisciplina de alguns atletas e foi feita uma limpeza na equipe. O indisciplinado argentino Almandoz foi um dos que pegaram o beco. Alguns comentam até hoje que o Presidente do Conselho Deliberativo, daquela época, foi um dos que exigiram a limpeza do time. Se é verdade, uma atitude digna de aplausos. Não porque deu resultado, mas pelo simples fato da atitude tomada. O regime é presidencialista, mas existe um Conselho Deliberativo e este deve ser atuante.

Na base do tranco, chegamos na última rodada precisando vencer o Sampaio Correia, lá no Maranhão. Além disto era preciso o CRB perder para o Remo, em Maceió. Sete equipes lutavam por três vagas na outra fase.

Foi o Santa Cruz indo pra São Luiz do Maranhão e eu indo pra Natal. Confesso, nessas horas eu abro!!! No começo da noite liguei para o Recife e quando soube do resultado, claro, tomei todas.

No dia seguinte, domingo 31 de outubro de 1999, estava escrito nas páginas do caderno de esportes do Jornal do Commercio:

“Eram vários meninos em campo. A maioria ainda tímidos e vítimas da desconfiança do torcedor tricolor. Mas amor pelo que faz não tem idade. E esse foi o principal ingrediente do Santa Cruz para vencer o Sampaio Corrêa, por 2×1, ontem à tarde, na capital maranhense”.

Pois é, ganhamos com um gol de Batata e outro de Márcio Allan. Daí pra frente, acho que não preciso mais contar. Era pressão no Arrudão. Era o coração no bico da chuteira. Foi o Santa classificado para a Série A.

De vez em quando, refrescar a memória é muito bom pra ficar pensando melhor!!!

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