Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 19 de novembro de 2007

Por uma nova ordem coral

Cardeais

por Inácio França

Estou devendo uma interpretação dos meus delírios, ou melhor digo, dos meus diálogos com as almas penadas de Chico Science e de Lênin. Quem leu aquela história lembra que Lênin se referiu a Kerenski, o sujeito que assumiu o comando de uma junta governativa logo após a queda do czar. Não se tratava de um revolucionário, mas de um sujeito que assumiu um papel de transição e repetiu a prática política do império, excluindo e reprimindo os operários e soldados. Ou seja, continuou agindo como seus antecessores.

Edinho, senhores, é o nosso Kerenski. Sua administração é uma transição e, quer ele queira ou não, seu poder no Santa Cruz tem dia e hora para acabar. Do jeito que está fazendo besteira, vai acabar antes.

Além disso, é absolutamente falsa a idéia de que a única alternativa a Edson Nogueira, seria a família do czar. É verdade que ele errou também ao não matar politicamente o czarismo quando tinha todas as condições para isso. Agora é tarde. Mesmo assim, hoje é difícil imaginar a gestão e recuperação do Santa Cruz sem os milhares de tricolores que debatem, interagem e atuam no mundo virtual.

Foi disso que Chico Science falou: “Que eu me organizando posso desorganizar. Que eu desorganizando posso me organizar”!

Todos que se aglutinaram em tornos de blogs como esse, comunidades do orkut e até lista de e-mails, tem o dever de ultrapassar definitivamente os limites do mundo virtual. Devemos fazer política no clube, como pregam aqui Sérgio Botelho, Eduardo Ramos, Valter Azevedo e vários outros. Devemos nos comportar como um grupo político, coerente, porém democrático e plural.

Não há espaço para salvadores da pátria. O Santa Cruz não se salvará com fanfarrões que dão “murros na mesa”, como não se cansam de repetir os submissos e os oportunistas. O Santa Cruz precisa de muitas pessoas, muitas opiniões, muitos saberes, muitas competências, muitos especialistas.

Só quando passarmos a agir como grupo político, com um mínimo de coesão, seremos respeitados, tantos pelos cartolas tradicionais que se revezam no comando do clube, quanto pelos cardeais, que temem qualquer vento de renovação, pois tratam o Santa Cruz como um patrimônio familiar. Essa é uma iniciativa árdua, dá trabalho, desgasta, muitos ficarão pelo caminho. Acredito que isso é irreversível e imprescindível, pois, juntos, Allan Araújo, Artur Perrusi, Dimas Lins, Diego Galdino, os irmãos Gileno e Gerrá, Fred Dias, Beto Miranda, Marcelo Beltrão, Paulo Araújo, Eduardo Ramos e tantos outros que passam todos os dias por esse espaço, têm mais condições de administrar o Santa Cruz do que todos esses que se acotovelam por um minuto de rádio ou um centímetro de jornal em busca de fama e projeção pessoal.

Para isso, precisamos de ações práticas, como por exemplo estimular os internautas que são sócios inadimplentes a honrarem seus compromissos e se tornarem aptos para votar em dezembro de 2008.

Pra encerrar, deixo os bolcheviques e os caranguejos de lado e recorro a uma velha e surrada canção: ” Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

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Nota de última hora: o presidente Édson Nogueira não dá sinais de que irá agir diferente. O episódio da patética denúncia de corrupção foi mais uma iniciativa isolada, só o presidente da FPF sabia de suas intenções antecipadamente. Os demais diretores ignoravam o fato. Hoje, ele anunciou a contratação de Nereu Pinheiro para a base. Mais uma medida autoritária, de cima para baixo, sem consulta nem mesmo àqueles que vinham se interessando pela base ao longo de 2007.

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