Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 20 de novembro de 2007

Desabafo tricolor

Emília e a Sanfona Coral
Emília entre Alessandra e Chiló: saudade das festas que vamos fazer

Eu hoje acordei quase sem acreditar, quase sem querer. No caminho pras primeiras obrigações da semana, nenhum tricolor de bicicleta. A cidade parecia silenciosa. Pensei no choro de Léo, que eu nem vi. Imaginei o choro de tantos outros.

É preciso, de fato, fazer o luto em alguns momentos da vida. Pra depois continuar a seguir pelas três cores queridas. Aí engoli o choro e o grito preso na garganta desde o último gol no Arrudão. Ao abrir o computador, encontrei a mensagem do padrinho rubro-negro que dizia que tinha assistido todo o jogo do sábado e ficado chateado, porque “não queria ver alguém que ama triste”. Aí pensei no meu afilhado, um menino pequenino que faz careta quando escuta os nomes barbie e coisa e que grita “ti, ti!!” porque ainda não consegue nem falar a primeira sílaba da palavra tricolor.

Pensei em todas as crianças tricolores. Mariá, Tom, Lucca, Pedro, Júlia, Lígia e tantas outras. Pensei também naqueles que já viram tantas e tantas vitórias do santinha, em seus tantos anos de vida. Pensei nas minhas tias - todas mulheres tricolores e arretadas.

Confesso que procurei não achar culpados. Só um sentimento de injustiça incomodava. Injustiça com cada torcedor. Injustiça com aquele que sai de casa numa terça-feira às nove e meia da noite contando os trocados, só pra ver o Santa Cruz jogar. Pensei no otimismo insistente de Chiló. Em Gerrá me convocando a ser a psicóloga coral das divisões de base (falando super sério). Pensei em João dizendo que precisava gostar menos do santinha (e claro que não consegue). Lembrei da kombi.

Ouvi a sanfona coral lá de longe e cantarolei alguns refrões… Senti o abraço do último jogo em casa, quando acreditamos e mostramos que somos uma torcida que enche os olhos do mais cético dos mortais. Pensei que futebol não é besteira coisíssima nenhuma! Passei o dia querendo acreditar, caindo na real…

Mas quero dizer que me sinto ainda mais tricolor! Quero dizer que acho que agora é que precisamos vestir as camisas! Vou dormir com saudade. Saudade dos improvisos que a sanfona ainda há de fazer. Saudade dos gritos de gol que ainda vamos entoar. Saudade das vitórias lindas que ainda hei de ver o Santa Cruz conquistar. Ao lado de vocês.

Emília

N.E.: email enviado pela psicóloga Emília Miranda a seus amigos tricolores na segunda, 19 de novembro de 2007; editamos os nomes dos timinhos locais, de acordo com nosso manual de redação.

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