Carta aberta de Fred Arruda
por Fred Arruda, vice-presidente licenciado do Santa Cruz
O futebol é dessas coisas que não conseguimos explicar. Ficamos a reverenciar 11 “marmanjos” correndo atrás de uma bola. Emoções a flor da pele, deixamos de lado família, amigos, compromissos, trabalho, outras formas de lazer, tudo pela paixão pelo nosso clube. Há exatos quatro anos, retornei em definitivo com a família para Recife. Viemos de São Paulo depois de 2 anos lá, onde fui implantar e desenvolver o escritório de negócios do CESAR, instituição de pesquisa pernambucana que tanto orgulho dá ao nosso estado. Aqui chegando, encontro Misael Wanderley que me convida para fazer parte da Confraria Ninho da Cobra, ao lado de nomes como Tonico Araújo, Ricardo Carvalho, Rodolfo Aguiar, Fernando Veloso, Alexandre Ferrer e tantos outros ilustres e grandes tricolores.
Com a Confraria, apoiei a campanha de Antônio Luiz Neto e Silvio Ferreira à sucessão de José Neves no nosso Santa Cruz Futebol Clube, clube das multidões, patrimônio de uma torcida simples, ordeira, apaixonada e sofrida. Perdemos a eleição e ali começava minha decepção com o mundo do futebol. Eleição fraudulenta, votos fabricados de forma escandalosa, mas ninguém da mídia ou da Justiça queria ver aquilo que era tão óbvio. As provas eram contundentes, mas nada acontecia. “Por quê?”, eu me perguntava. O processo andou lentamente e chegamos ao final da gestão de Romerito Jatobá, após um 2005 que nos encheu de esperança e um 2006 que nos trouxe de volta à dura realidade da série B, do atraso nas contas, da falta de transparência, e de mais sofrimento para a nossa torcida.
Novamente a Confraria entra no processo eleitoral, dessa vez apoiando Edson Nogueira (Edinho), então vice de Romerito, com quem havia rompido, sob a alegação de não ter autonomia para comprar uma garrafa d’água. Estávamos engajados de tal forma, que nem mais um processo vergonhoso de fabricação de votos nos tirava a esperança. No dia 1º de dezembro de 2006, pela primeira vez na história do clube, uma chapa de oposição vencia uma eleição no Santa Cruz. Doce ilusão: do início da “gestão” (se é que se pode chamar isso de gestão) pra cá, foram saindo um a um todos os diretores do clube, todos pelo mesmo motivo que levara Edinho a deixar Romerito. Hoje restam apenas três diretores da composição original, sem contar com a volta de alguns que se contentam com cargos administrativos incompatíveis com suas histórias de dedicação ao tricolor do Arruda.
Do dia 23 de novembro pra cá, quando me licenciei da vice-presidência do clube por não ser consultado para nada e ter algumas das ações que eu coordenava absolutamente travadas, tenho assistido a uma rede de protecionismo sem tamanho ao atual presidente do executivo do clube. Tem de tudo, desde aqueles que possuem duas conversas (na nossa frente, dizem que querem a saída do presidente; quando encontram Edinho, hipotecam solidariedade e apoio), até aqueles que só querem satisfazer sua vaidade e a ilusão de poder, contentando-se com qualquer migalha que o presidente lhe oferece.
Antigos e leais funcionários do clube são trocados por parentes e pessoas do relacionamento mais íntimo de diretores do clube; funcionários do departamento social são demitidos sem consulta ao diretor social do clube; reuniões do Conselho são desmarcadas sem motivo de força maior; moradores de rua já tomam conta das ruínas das lojinhas derrubadas pelo presidente; funcionários continuam com salários atrasados enquanto o presidente anuncia reformas, patrocínios e investimentos, numa prova clara de que as prioridades são invertidas; a adesão à Timemania só se realiza graças ao apoio financeiro de três conselheiros (com conhecimento do presidente do Conselho) que pagam os tributos do clube (mais um dos tantos compromissos assumidos pelo presidente do clube e não cumpridos), alguns ex-presidentes (os famosos cardeais) se desesperam quando sabem de movimentações do Conselho em torno de uma possibilidade de “impeachment” do presidente, dado que este diz publicamente ter pago para subornar um árbitro de futebol. E mais uma vez eu me pergunto: “Por quê?”
É bom termos consciência que o Santa Cruz pode ser enquadrado em dois artigos do código desportivo brasileiro, e ficar de dois a quatro anos excluído de participação em competições. Aguentaríamos isso? É obrigação do Conselho discutir o assunto e decidir se quer correr o risco ou tomar uma atitude mais drástica (como a destituição do presidente), mostrando à sociedade que agiu antes de ser apenado. É preciso refletir sobre isso com maturidade e responsabilidade.
Onde vamos parar? Quando nossos dirigentes vão parar de colocar seus próprios interesses acima do clube? Quando vamos profissionalizar o nosso futebol, já tão achincalhado? Quando vamos moralizar nossas instituições? Quando vamos agir como homens?
Não me licenciei por causa da queda para a série C, da qual sou co-responsável. Sempre assumi minha parte de responsabilidade nessa catástrofe, a página mais triste da história do Santa Cruz. E que continuará triste se não mudarmos já. De minha parte, só volto ao lado de um projeto sério. O Santa Cruz toma o tempo do trabalho e da família. Só vale a pena se for pra fazer um trabalho coletivo, que beneficie o clube e não interesses pessoais e possibilidades individuais de carreira política.
A torcida do Santa Cruz não agüenta mais e pede providências. Queremos providências, não vamos desistir, estamos mobilizados, atentos e vigilantes. Mas não tentemos achar salvadores da pátria, pois esse modelo está vencido. Se quisermos mais uma vez achar um único nome pra tirar do nosso Santa Cruz dessa situação, vamos errar de novo. Precisamos de um modelo novo, com um grupo de pessoas que assuma a administração do clube, respeitando sempre as orientações e decisões soberanas do Conselho Deliberativo.
Não estou em cima do muro, sou oposição assumida aos atuais “gestores” (donos) do Santa Cruz!!!
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Nota de Esclarecimento ATASC (Associação dos Torcedores e Amigos do Santa Cruz)
Recife, 05 de Dezembro de 2007.
Venho por meio desta nota prestar os devidos esclarecimentos sobre a matéria publicada hoje nos diversos meios de comunicação sobre a participação da ATASC - Associação dos Torcedores e Amigos do Santa Cruz no processo de destituição do presidente do executivo do Santa Cruz Futebol Clube, Sr. Edson Domingues Nogueira.
Informo que tal fato não é verídico, pois a ATASC é uma associação apolítica que tem apenas o intuito de zelar apenas pelo patrimônio do clube independente de que corrente política esteja a frente do poder executivo, conforme descrito no capitulo II, artigo 4º, letra a de nosso estatuto transcrito abaixo:
“Incentivar e apoiar, sem qualquer interesse político, inclusive com recursos financeiros, com oportunidade e providências, dentro de suas possibilidades e em obediência a critérios de prioridade, previamente aprovados pelo seu Conselho Diretor, todas as atividades desenvolvidas pelo SANTA CRUZ FUTEBOL CLUBE, contribuindo para a manutenção e o engrandecimento no que diz respeito exclusivamente ao seu patrimônio;”
Contudo, ressalto que nossa associação é formada por pessoas que tem o livre arbítrio para se engajarem individualmente, nunca em nome da associação, em quaisquer correntes políticas dentro de nosso clube como preza o exercício da democracia.
Limitado ao exposto, agradeço antecipadamente.
Eduardo Tiburtius
Presidente da ATASC
Associação dos Torcedores e Amigos do Santa Cruz








