As leis do mercado não explicam o mundo
As faixas da Avante, fotografadas por Júlia
A pirralha pé-quente, logo depois do terceiro gol
Os Romeritos, Edinhos, Mauros Fernandes e Fábios Sacis tentaram, mas a torcida não deixa o Santa acabar
por Inácio França
Deveria ter publicado alguma coisa ontem mesmo, mas o Conselho Editorial do Blog do Santinha decidiu abrir espaço para o oportuno texto do economista Pierre Lucena.
Boa gente esse tal de Pierre, sujeito inteligente, antenado, informado todo. Mas é economista. E por isso ficou de queixo caído com os 16 mil tricolores que foram ao Arruda domingo. Mal sabe ele que as leis do mercado até que servem para explicar a globalização e a concentração de poder e dinheiro nos clubes do futebol europeu. Daí, as tais leis não passam.
Afeto e esperança não são explicados pela lógica da objetividade.
Foi mais ou menos essa certeza que me veio à cabeça quando, junto dos meus amuletos da sorte Júlia e a neo-coral Geórgia, quando arrodeei o Arruda, domingo, pelas ruas das Moças e Rosa Gatorno, para alcançar a tal entrada das arquibancadas. Muita gente na fila do Todos com a Nota, todos com cara de quem estava prestes a assistir ao jogo do século.
Os mais racionais poderiam argumentar que só deu tanto público por causa da promoção do Governo do Estado. É, pode até ser. Vale lembrar, contudo, que o ingresso não é tão barato assim.
Custa horas numa primeira fila para trocar por um famigerado Vale. Depois, custa muito suor numa segunda fila para trocar pelo ingresso. Custa a paciência de enfrentar uma terceira fila para entrar no estádio. Custa alguma humilhações impostas pelos odiados policiais da péssima PM pernambucana. Custa a competição desleal dos cambistas.
É um preço alto a ser pago para assistir a um time recém-rebaixado e formado por jogadores de baixíssimo nível. Mesmo assim, mais 10 mil apaixonados já esgotaram os ingressos da promoção para a segunda partida do campeonato, contra não -sei-quem.
Confesso aqui que, talvez, não me inclua entre esses fanáticos apaixonados. Só fui ao jogo por causa da chuva. Preferi a proteção do anel superior à possibilidade de levar chuva praça do Arsenal para acompanhar uma tal corrida de burrinhas, evento etílico-esportivo organizado pelo zabumbeiro Gerrá.
Acreditava que, para as férias de Júlia e distração do caçula Bruno, as cores do carnaval seriam uma opção mais agradável do que os burrinhos vestidos com a camisa coral. Descobri, no estádio, que minha filha de cinco anos estava se lixando para as burrinhas de Gerrá. A pirralha queria mesmo era maloqueirar no cimento do Arruda, onde ela agora ostenta o invejável cartel de 12 jogos, com oito vitórias e quatro empates.
A euforia de minha filha foi assegurada pelos três gols a favor, é verdade, mas foi alimentada pela garra do pessoal da Avante Santa, a tal charanga desafinada mencionada por Pierre no texto de ontem. Os rapazes dessa pequena torcida merecem um monte de elogios. O pessoal é raçudo.
Na cabeça de Quirino, da Avante Santa, o compromisso com seu time de coração
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