Mamãe, tensiômetro e Prozac
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por Coronel Peçonha (pseudônimo de um alto funcionário público estadual que precisa manter o anonimato)
Já no final do ano passado, com todas as desgraças que ocorreram com o Santinha - capitaneadas pelo Faraó, nunca demais relembrar - não era raro encontrar um santacruzense triste ou mau-humorado.
Pois em um domingos desses, cheguei na casa dos meus pais, para a tradicional filada de almoço, e reclamei de dor de cabeça. Pode ter sido o Santinha, ressaca, excesso de comida, até uma noite insone (por conta do time, claro!). Mas minha santa mãe interpretou como se fosse um ataque de pressão alta e, no característico excesso de zelo, deu-me de presente um tensiômetro automático.
Para quem não se lembra o que é um tensiômetro, é aquele aparelho que aperta o braço e diz se o cara está com a pressão legal ou vai precisar de tratamento médico. O que ganhei da minha santa santacruzense genitora foi um modelo mais moderno, basta colocar a geringonça no punho e apertar um botão, que o serviço é feito.
Eu já estava pensando que o presente não teria sido de muita utilidade, já que, ainda bem e graças ao Divino, minha pressão vem se mantendo no famoso 12×8 nas últimas medições. O Coronel está todo bom!
Mas eis que começa o campeonato estadual e, só então, eu entendo a sapiência e experiência maternas. Mamãe já sabia, só pode, já que não perde uma resenha e deve ter vislumbrado o nosso time de 2008.
A estréia contra o ypiranga já foi um bom motivo para o tensiômetro. Tudo bem, sempre importante lembrar que a “máquina de costura” sempre gosta de aprontar contra a gente. Ano passado, abrimos 4×0 e o esse time empatou. E só não fez o mesmo, no último lance do jogo de domingo, porque Max teve um único segundo de vida e tirou o gol de empate do visitante já após os descontos.
Porém, estréia é estréia e nessa quarta-feira, imaginei, enfrentaríamos o petrolina, de alegre lembrança, pois o nosso último confronto foi em 2005, quando confirmamos o estadual, com uma evolução. Mais tempo de treino, menos pressão, adversário mais fácil, etc.
No primeiro tempo, no entanto, o time adversário engoliu o Santinha, que não entrou em campo. Em um dos únicos lampejos do Santinha, abrimos o placar. E só. O petrolina perdeu 4 gols praticamente feitos, o último após excelente “passe” do nosso zagueiro, que, julgando-se Djalma Santos, a Enciclopédia, quis driblar o atacante. Bola na trave e tensiômetro quase explodindo, se estivesse sendo usado.
De emblemático foi ver os jogadores se reunindo no meio do campo antes de começar o segundo tempo, todos em círculo, atitude que, na minha opinião, mostra que o técnico não opina muito.
No segundo tempo, melhoramos um pouco, perdemos até gols, mas confesso que o petrolina não levou três pontos por falta total de qualidade dos jogadores, pois taticamente ele foi, de novo, melhor. Haja tensiômetro.
O árbitro invalidou um gol do Santinha no finalzinho, a torcida chamou o cara de ladrão mesmo após o final do jogo. Não vou condenar o árbitro ou o assistente. Não são eles os ladrões do Santa Cruz, não foram eles que nos colocaram na Terceira Divisão, não foram eles que insistiram em um técnico burro e péssimo, não foi o sr. Cláudio Mercante quem proclamou aos quatros cantos do mundo que tinha pago (ou recebido) alguns mil reais para ajudar o Santinha na arbitragem, não foram eles que interditaram o Arruda, não foram eles que aceitaram bovinamente a interdição, enfim, por que eu haveria de reclamar contra uma arbitragem de um jogo em que empatamos com o bem treinado mas fraco time do petrolina?
Na verdade, de verdade mesmo, a minha pressão não se alterou nesses dois jogos. Infelizmente, não, pois uma apatia se aponderou de mim desde o afastamento de tanta gente de bem do Arruda, Fred Arruda e Lulinha os mais conhecidos; quando me lembro do rebaixamento em um campeonato de péssimo nível, de tantas fanfarras do Faraó, da mudança de esperança para desilusão com a atual gestão, de como nossa torcida está sofrida, como nosso clube do coração tem sido espoliado por má fé, por burrice, por empáfia ou mesmo por incompetência, não vislumbro um futuro para o Santa Cruz Futebol Clube.
Posso estar sendo catastrófico, tenho esse direito, apesar de esperar que tudo dê certo para o nosso Santinha este ano, porém, perdoem-me, não consigo esquecer do guarani e paysandu (times com títulos importantes que não conseguiram sair da Terceirona), do remo (que voltou de imediato para a Terceira Divisão) e mesmo de união são joão, csa e outros tantos que simplesmente sumiram do noticiário após caírem para o inferno da Série C.
Vou vender o tensiomêtro e comprar remédio para depressão. Mãaaaaaaaaaaaaaae, eu quero é Prozac.
O Santa Cruz é minha pátria e não podemos abandonar o nosso clube nas mãos de facínoras da dignidade tricolor.
p.s.: Pela primeira vez, gostei do futebol de Leandro Phiton. Entrou bem e com personalidade.
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