Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 21 de janeiro de 2008

Recife invadiu Brasília

Foto: Lula Lopes / http://suvacodaasa.zip.net
Suvaco da Asa

Por Clébio Júnior, funcionário público

Sábado, dia 19, foi o dia em que saiu em seu terceiro ano a Troça Carnavalesca Mista Suvaco da Asa, formada por um grupo de pernambucanos que, exilados como eu, resolveram trazer um pedaço do Galo da Madrugada mais um pedaço do Bloco da Saudade (bota saudade nisso) e fazer o frevo tomar conta das ruas da capital federal, assim como já o faz perfeitamente bem nos dias de momo o tradicional Galinho de Brasília.

O nome curioso advém do seguinte: o bloco sai pelas ruas do Cruzeiro Velho e do Setor Sudoeste, que ficam localizados abaixo da parte “côncava” do Plano Piloto, ou seja, no “suvaco da asa” (no caso, Asa Sul).

Confesso que fiquei surpreso com a quantidade de gente que seguiu os estandartes pelas ruas do Cruzeiro, claro que com o trânsito da Estrada Parque Contorno do Bosque devidamente bloqueado. O dia foi embalado pelas canções já tradicionais do carnaval pernambucano que, se já evocam os corações dos amigos exilados, empolgaram ainda mais os candangos que não são acostumados a tanta alegria.

Mas proque estou falando do bloco? Porque tudo que envolve Pernambuco acaba envolvendo Santa Cruz, coisa e barbie. E no meu caso, na falta de camiseta de bloco carnavalesco, botei minha camisa branca com duas faixas no meio, uma preta e a outra vermelha, e me meti pras bandas de lá.

Clébio Júnior e amigos
Clébio é o tricolor do meio

Ao que desço da parada e atravesso a rua, a primeira coisa que visualizo é a fila do banheiro químico com um monte de tricolores indo tirar a água do joelho. Ao que me viram foi uma alegria só. Numa cidade com fama de fria como Brasília, meu astral sempre vai lá em cima quando alguém me saúda com um efusivo “saudações tricolores”. Ainda iria ouvir muito durante o dia.

E ao deparar com a turba na concentração comecei a perceber que tinha um monte de camisas tricolores e, surpreendentemente, a minha era a única da branca. E num levantamento no estilo de pesquisa do Datafoda-se (no olhômetro), contei uma camisa burronegra e quatro alviburras, conta NOVE tricolores. Número que cresceria ao longo da marcha.

Incrível também é como, ao logo do dia, os ânimos futebolisticos foram se revelando, logo no início abri outro sorriso quando ao longe ouvi um coro gritando Tri…, Tricolor…, Tri, Tri, Tri, Tri, Tricolor… e aos poucos ele foi aumentando gradativamente. Claro, como era de se esperar houve quem vaiasse, o que não era de se esperar era que as vaias fossem tão tímidas, quase imperceptíveis.

Deu pra perceber, mesmo depois de aparecer uma bandeira alvirrubra pra rivalizar com o pavilhão tricolor, que ainda estávamos em vantagem no grito. Enquanto eles só soletravam n-a-u-t-i-c-Ú e os que se revelavam burronegros (pois não vestiam a camisa) mal conseguiam soltar meio “cazá”, a gente gritava, cantava o hino, transformava o bloco num pequeno Arruda. Claro, havia quem chamasse a gente de terceira, mas a gente retrucava com um “em 2009 a gente se reencontra, a gente sobe e vocês caem”.

O bloco valeu pra mim como um teste, um regresso às origens, mas, acima de tudo, valeu como um banho na alma. Mostrou que o Santa Cruz, mesmo ainda estando onde está, ainda é o mais querido. E por mais que ainda haja quem tema que o Santa vire um Guarani ou um Paysandu, hoje me mostraram que estamos mais para grêmios, atléticos, e a dupla ba-vi. Pois se os primeiros ainda encontram dificuldade é porque não tem torcedores tão fiéis como os segundos, na verdade são mais flamenguistas e corinthianos que têm um regionalismo parco. Enquanto isso a massa tricolor é, foi e sempre será, única e exclusivamente, grande tricolor e pernambucana.

P.S.: Tem mais, na volta fiquei pensando na moda das torcidas de criar canções demonstrando seu amor ao clube como fizeram os clubes do rio, corinthians e santos. E criei uns versinhos pensando em melodias de frevo, forró, repente e cordel, e quem sabe um dia eles não embalam o mundão. É mais ou menos assim:

Meu coração
Tem as cores que orgulham recife
E que contam a história de um time
Que é trisupercampeão

O vermelho do amor
Com o branco de quem quer a paz
Mais o preto e a gente faz
A bandeira que a gente veste
Do mais querido, terror do Nordeste
Santa Cruz eterno tricolor

Podem mexer e criar uma melodia que melhor se adeque para nossos barra-bravas entoarem no estádio. Não pensei num ritmo ideal.

Abraços tricolores a todos!

Cida e Antônio, respectivamente esposa e herdeiro do mecenas do blog, Cláudio Machado
Cida e Antônio, respectivamente esposa e herdeiro
do mecenas do blog, Cláudio Machado

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