Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 24 de janeiro de 2008

Santa Música Popular - vol. III - Nilton Jr.

nilton-jr.JPG
Nilton Jr, no Pandeiro do Mestre

Por Gerrá da Zabumba

Tomei a liberdade de continuar a série Santa Música Popular. Falei com Júlio Vilanova e ele me mandou meter bronca. Então, meti.

A bola da vez é Nilton Jr., ou Niltinho, para quem já o conhece de outras datas. Fazia tempo que a gente queria postar sobre Nilton. Já tinha falado com ele outras vezes, mas sempre era no calor do Arruda. E aí, por acaso, o encontro na Livraria Cultura. Conversamos sobre música e Santa Cruz, é claro, e acertamos a postagem no blog. Nilton Jr. é aquele tipo que não falta a jogo do Santinha. Chova ou faça sol, ele está lá no Arruda.

Suas atividades como músico começam no final dos anos setenta. No inicio da década de 90, ele inicia pesquisas sobre música indígena e ajuda a fundar a banda “Alma em Água” , com quem permanece até 97, fechando sua participação no grupo após uma grande turnê pelos Estados Unidos. Nesse mesmo ano, ingressa no Chão e Chinelo, com quem grava várias participações em coletâneas nacionais como “Baião de Viramundo”, um tributo a Luiz Gonzaga, e a “Cartografia Musical Brasileira” - projeto Rumos Música do Itaú Cultural. Permanece no Chão e Chinelo até 2002 com quem ainda grava o CD “Loa do Boi Meia-Noite”, considerado pela crítica musical especializada, um dos melhores lançamentos de sua geração. O CD “Loa do Boi Meia-Noite” é considerado uma relíquia no mercado fonográfico.

Coquista, compositor e tirador de versos, Nilton Jr. atualmente é líder do grupo Pandeiro do Mestre. O Pandeiro do Mestre é um coco urbano, formado por pessoas, em sua maioria, nascidas nos subúrbios do Recife; começou no bairro de Afogados, na Vila de São Miguel, no quintal de Dona Darcy e depois no quintal da família Gitirana. É um coco urbano formado por pessoas da capital, porém, religiosamente e afetivamente, ligado ao sertão do toré dos índios e ao samba de coco.

O primeiro CD do Pandeiro do Mestre chama-se “Pandeiro do Mestre - Coco de Toré” e foi lançado no início de 2007. Entre as várias faixas do CD, uma música se destaca: Cobra Coral. Pelo título da música já dá pra ver que é boa e começa assim:

“Plantei a minha emoção

No meio do campo de jogo

Nasceu um capim de fogo

Reino da cobra coral

Qualquer animal

Que cair lá no Arruda

Vai ser um Deus nos acuda

Sua picada é fatal”

Escute esta pérola do cancioneiro coral na Rádio do Santinha:

 
 Cobra Coral - Pandeiro do Mestre [3:34m]: Tocar Agora | Tocar num Popup | Download

Composta por Nilton Jr. e Tiné, outro tricolor dos bons, Cobra Coral aparece como uma celebração, uma verdadeira homenagem ao Santa Cruz Futebol Clube e a todos os torcedores. Nilton Júnior e Tiné encontraram na música uma forma de homenagear o time do coração e os torcedores apaixonados que acompanham o “Santinha” em qualquer situação.

Cobra Coral é uma parceria com Tiné, outro tricolor fanático, grande músico, grande cantor, grande compositor. A música surgiu nas idas e vindas dos jogos, naqueles momentos que, independente do resultado do jogo, você olha em volta, para a nossa torcida e se pergunta - meu Deus, o que é que me traz sempre de novo?“, diz o músico, explicando a origem da música.

Outra composição de Nilton, ainda não gravada, é uma tiração de onda com a dita invencibilidade da leoa da Madalena. E diz assim: “Se o isporti não me vence nem quando é campeão; sou caboclo tricolor, eu sou domador de Leão…”

Perguntamos a Nilton Jr:

1) Quais são suas primeiras lembranças como torcedor do Santa Cruz ?

“Quando criança, meu pai me levava com tanta freqüência aos jogos do Santinha que para mim é impossível precisar isso.”

2) Fale sobre bons momentos que você viu no Santa Cruz, fatos marcantes para você e que fazem você se orgulhar de ser torcedor do Santa:

“Lembro do Rei Pelé completamente anulado no Arruda pelos dois jogadores mais habilidosos, frios e calculistas que eu já vi jogar em toda minha vida: Givanildo e Luciano. Eles não respeitavam ninguém. Zico e Cláudio Adão, e muitos outros, sentiram na pele o que é o meio-campo tricolor que, historicamente, sempre foi nosso melhor setor de jogo. Mas a nossa torcida em massa é o momento mais belo, e que me dá orgulho de ser tricolor.”

3) Como artista tricolor, que mensagem você manda para a torcida do Santa Cruz?

“Se a torcida quiser, o Santa um dia será forte como o Real Madrid. Quando dá público de dez, quinze mil pessoas no Arruda, para mim, é como se a torcida estivesse se escondendo. Isso não corresponde nem à quarta parte de nossa torcida. Tô cansado de ouvir essa história de que o Santinha é “time de pobre”, o Barcelona também é “time de pobre”, mas sua torcida o transformou num dos clubes de futebol mais ricos do mundo e seu brasão é mundialmente reconhecido e vitorioso, sem com isso, deixar de ser o time preferido entre os mais humildes da população.”

Para saber mais sobre o Pandeiro do Mestre:

www.myspace.com/pandeirodomestre

Comunidade do orkut: Pandeiro do Mestre

e-mail: pandeirodomestre@yahoo.com.br

Contatos para shows: Nilton Júnior (81) 8855.2635/ (81) 3448.1155 / Teresa Huang (81) 8856.6611 (produção)

166 comentários