Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 7 de fevereiro de 2008

Quem é mais burro?

caruaru-gildasio.JPG
caruaru-chilo.JPG caruaru-luquinha.JPG
jumento.jpg
Quem é mais burro: os fanáticos que foram a Caruaru ou o técnico Zé do Carmo?

por Inácio França

Assim que o juiz apitou o final de jogo, quase perco a voz berrando, chamando Zé do Carmo de “burro, burro, burro”. Chamei de Feladaputa também.

Saí do estádio de Caruaru disposto a, ao chegar em casa, escrever de madrugada sobre a burrice de Zé do Carmo. O título imaginado para esse desabafo seria curto, simples e direto: Zé do Carmo é burro!

Morto de cansado, desanimado, deixei pra escrever depois. Só agora, perto das 17h, é que percebi minha insensatez. Afinal, me pergunto, quem é mais burro? Um sujeito que enfrenta a escuridão da BR-232 em plena quarta-feira de cinzas para assistir a uma partida de um time treinado por Zé do Carmo ou o um treinador que escala Josemar e mantêm um enganador como Nildo durante 90 minutos?

É verdade, senhores, o jumento que vos escreve cedeu aos apelos do quase-brasiliense Laércio Portela e concordou em acompanhá-lo num Corsa daqueles bem apertadinhos até Caruaru para suportar um Santa x Central. O psicólogo Mané Ferreira foi a outra mula a embarcar na canoa furada. Laércio, para quem não lembra, é o mesmo que gastou uma fortuna em ligações de celular para nos contar, debaixo de chuva e em tempo real, a derrota para o Brasiliense, penúltimo jogo da Segundona.

Pai desnaturado, nas duas ocasiões ele levou seu filho Lucas, de 11 anos, a tiracolo. Depois que ficar ancião, vai reclamar porque seu primogênito gasta um dinheirão com terapeutas.

No caminho, quando ainda estávamos na avenida Dezessete de Agosto, fizemos um balanço das partidas que assistimos em Caruaru. Em 2006, acompanhei a Sanfona Coral num ônibus caindo aos pedaços para ver o Santa perder por 2 x1 para o Central. Em 1995, os dois juntos testemunharam uma derrota para o mesmo placar pela Segunda Divisão. Deveríamos ter voltado para casa no mesmo instante.

Ao final do primeiro tempo, todos nos iludimos, lembrando que tabus são feitos para serem quebrados. Parecia que, finalmente, veríamos uma vitória tricolor contra os caruaruenses.

Zé do Carmo, do alto de sua sapiência, mexeu no time para piorá-lo um bocado. Tirou o único que se aparecia para jogar, o menino Thomas Anderson. Deixou em campo, o inútil, atrapalhado e covarde Roma. Estava claro que da falta de vontade de Nildo não sairia gol algum. Mesmo assim, ele deixou em campo um jogador que se esconde do jogo, não corre, não coloca o pé em divididas e bate faltas com uma displicência que está no limite da irresponsabilidade.

A atitude de Nildo me fez lembrar a do próprio Zé do Carmo, num jogo contra o Ceará pela Copa do Brasil, em 1996. Naquela partida, o ex-jogador em atividade Zé do Carmo se escondia atrás dos marcadores, botava as mãos na cintura e depois reclamava com os colegas de time, numa completa ausência de companheirismo.

O primeiro gol do Central nasceu de uma jogada igual ao primeiro gol do Ipiranga, há uma semana. Será que o comentarista e dublê de treinador percebeu?

No final do texto, me ocorre mais uma pergunta: quem é mais burro: o treinador ou o candidato a vereador que escolheu Charles Muniz, Mauro Fernandes e, agora, Zé do Carmo?

De madrugada, minha mulher se acordou com o barulho que fiz e sacaneou: “também, Zé do Carmo não é nome de técnico, é nome de presidente de agremiação que desfila na avenida Nossa Senhora do Carmo. Algo assim: Zé do Carmo do Maracatu Estrela Apagada”.

192 comentários