Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 13 de fevereiro de 2008

Crônica da desesperança

Foto: Anizio Silva
Torcida Triste

Por Samarone Lima, do Blog do Santinha

Amigos, este velho cronista coral, cansado de guerra, está de volta ao reduto. Passei por Cuba, tive algumas conversas com Fidel, dei conselhos (todos inúteis, o cara é cabeça dura mesmo), assisti peladas memoráveis de beisebol, fumei uns charutos e tomei metade do rum da ilha. Depois encarei uma temporada no Rio de Janeiro, vi os botecos, fui ao Maracanã e conheci um torcedor da barbie que assistiu, há alguns anos, um jogo do Santinha contra o framengo, e torceu loucamente pelo nosso escrete.

Em todos os lugares e situações, durante quase dois meses, sentia aquela fisgada no espírito – e o Santinha?

Pois bem, amigos, parece inacreditável, mas o plano de extinguir o Santa Cruz da face do globo terrestre está de vento em popa. Ontem à tardinha, na Dantas Barreto, encontrei um tricolor da minha faixa etária. Ele sempre andava com o peito estufado, na alegria ou na tristeza, porque nosso clube tinha momentos bons e ruins, mas havia aquilo que mantêm o sujeito vivo, que é a esperança.

Olhei meu amigo cabisbaixo, olhando formiguinhas no chão, em plena Dantas Barreto. Me aproximei, já esperando aquele comentário animado sobre o Santa. Ele nem disse boa tarde, só fez o comentário seco:

“Daqui a uns dias, vamos ter que andar escondidos”.

Em cinco minutos, ele recordou a campanha do clube, os desmantelos da diretoria, o massacre para comprar ingresso e entrar no Arruda, fora a brilhante novidade, de fazer uma preparação de treinador durante o campeonato.

“Nunca fomos tão massacrados”, completou.

Fui para o boteco mais próximo, pedi uma cerveja para me recuperar do impacto. Então fiquei reprisando algumas cenas invejáveis, as grandes alegrias ou mesmo as grandes derrotas, sempre com aquela mistura de desespero, alegria, festa, redenção, os momentos que fomos à lona, mas havia algo pela frente. Lembrei de 2005, quando fizemos aquela jornada memorável, e fui buscar os outros times, que estavam na segundona, lutando para subir. Portuguesa, barbies, Grêmio e Santinha.

Então, vi que a sorte e a desgraça de um clube ultrapassa o tamanho de sua torcida. Temos tido um azar miserável com dirigentes.

Em três anos, a Portuguesa beijou a lona. Foi para a segundona do Paulista e do Brasileiro, enquanto subimos, depois reformulou tudo, mudou treinador, investiu nos talentos de casa, e está de novo na Série A do Paulista e do Brasileiro. As barbies subiram e agora têm mais um ano na primeirona, com dinheiro entrando. Mais que isso, depois daquela tragédia dos Aflitos, a torcida recuperou a auto-estima, as finanças estão equilibradas, enfim. Do Grêmio nem se fala. Saiu da série B e pouco depois estava na final da Libertadores.

E o Santa?

Demos um azar miserável. Conseguimos o impossível, mudamos a diretoria, os corais ficaram de peito estufado, milhares se associaram, havia projetos, planejamentos, enfim. Eu mesmo, um reles cronista do Blog do Santinha, fui recebido algumas vezes pelo próprio presidente, que me apresentava projetos, idéias. “Ninguém vai segurar o Santinha”, era o que eu pensava.

Olho para todos os lados e não entendo mais nada. Quase toda a diretoria que pretendia oxigenar o nosso clube, já saiu. O time segue sofrível, com um futebol miserável. Nem no Pernambucano estamos mais fazendo uma frente.

Nunca pensei que fosse dizer isso, mas vai uma confissão: estou apavorado com a Terceira Divisão.

Por via das dúvidas, já estou em campanha para mudar a diretoria. Tenho certeza que o síndico do prédio do Inácio faria uma gestão menos estúpida.

P.S – Inácio revisou esse texto e manda avisar que o síndico do prédio dele é rubro-negro. É uma pena, porque o prédio tá todo ajeitadinho.

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