Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 19 de fevereiro de 2008

Santa e Rosembrica na terra da sulanca

Ypiranga 2 x 1 Santa Cruz 17/02/2008

Por Gerrá da Zabumba, enviado especial do Blog do Santinha

Sempre acho bom viajar para o interior. Quando se trata de Santa Cruz do Capibaribe, aí é que gosto mesmo. Rever a família, comer carne de bode, tomar cerveja, ouvir boas histórias.

Desta vez, fui como enviado especial do Blog do Santinha para ver o jogo contra o Clube de Costura ypiranga. Peguei a estrada já na sexta-feira. Fiz uma parada obrigatória em Bezerros para dormir na casa do sogro, lá na Serra das Guaribas, e no sábado pela manhã segui para a capital da sulanca.

Ao entrar na cidade vi numa fachada de um prédio: “Clauton Douglas, vidente. Resolve coisas de casal, negócios e etc”. Fiquei animado com o etc e pensei em conversar com ele sobre o nosso Santinha. Tratei logo de perguntar a um primo meu se esse tal de Clauton Douglas era de confiança. “Oxi, aquilo é um trambiqueiro”. Deixei o vidente pra lá.

Passamos o sábado naquela de ir à casa de uma tia, conversar na calçada com um primo, tomar uma cerveja na AABB e comer bastante. Quem é de interior sabe o quanto se come, e que é uma tremenda falta de educação comer pouco.

E eis que chegou o domingo. A cidade respirando o grande jogo da tarde. Confesso que mesmo diante de tanta desgraça, eu estava com uma ansiedade daquelas para ir ver o Santa jogar. Compramos o ingresso logo cedo. Almoçamos e por volta das 14h fomos para o Estádio Otávio Limeira Alves, pois, de acordo com o pessoal de lá, bom mesmo é a preliminar. “Rapaz, eu gosto mesmo é da preliminar. A gente conhece todo mundo do time. No quadro principal só tem jogador de fora”, assim falou um sujeito. E não é que o jogo da preliminar foi melhor mesmo, 3 a 1 pro Santa, com show do lateral-direito George.

Já do jogo profissional, não posso esquecer de três figuras: Seu Luiz, Mário Junior e de um pequeno tricolor, que não lembro o nome.

O pequeno torcedor foi o primeiro a chegar perto da gente. Acompanhado do pai, era a primeira vez que o tricolorzinho estava num estádio vendo o Santa jogar. O pai dele jurava que era primo do gandula e que ele é torcedor do Santa Cruz. “Neto, quando a gente tiver ganhando não precisa pressa não, visse”, avisou ele ao gandula. E não é que Neto olhou pro nosso lado e discretamente fez o sinal de legal.

O segundo foi Mário Júnior. Mário foi se chegando devagar e ficou ali perto da gente. De repente olhou pra nós, eu e a primeira-dama, e disse: “vocês são da Sanfona Coral, né? Eu já vi um jogo perto de vocês. Santa Cruz e São Caetano. Eu todo dia vejo o blog”. Tava dada a senha: Sanfonacoraleblog. Que Mário não saiba, mas Alessandra cochichou no meu ouvido: “ele tem uma cara de surtado”.

E não é que Mário é doido mesmo, mas é pelo Santa. Natural de Santa Cruz, mora em Campina Grande, onde faz o curso de História. Pense, num cabra tricolor!! Mesmo com a miséria que tá o Santinha, este ano ele só não foi pro jogo contra o Petrolina. Quando não pode ir ver o Santa jogar, ele se junta com outros torcedores do mais-querido e fica acompanhando pelo rádio. Mário ficou de mandar uma histórias pro blog, pois segundo ele, lá em Campina Grande tá cheio de torcedor do Santa Cruz.

A outra figura, ou melhor, a outra figuraça é Seu Luiz. “Como é nome do senhor?”, eu perguntei. “Luizzzzzziiiiiii”, falou ele. Agarrado com uma bandeira, que hora tava pelo avesso, hora tava de cabeça pra baixo, Seu Luiz gritava, se ajoelhava e orava pros céus. “Ah! É Rosembrica. Ah! É Rosembrica”, gritava Luizziiii. Pênalti para o Santa. Seu Luiz botou as mãos para o alto e olhou pra gente com cara de choro. Gol do Santa, Seu Luiz foi ao delírio. Na comemoração deu uma tapa nas costas de Alessandra, que deixou a primeira-dama sem voz. “Vou meter esse guarda-chuva nele”. “Tenha calma. Ele é gente boa”, acalmei ela.

Escanteio pra nós. “Vai ser gol. Vai ser gol, meu Deus!”, disse Luiz olhando pra gente. “Vai ser gol Seu Luiz, mas num dê outra tapa daquela não”, eu disse. “Eita minha filha, eu não dou mais não. É muita alegria. É muita alegria”. “Tricolor, tricolor, tricolor”, gritava seu Luiz tentando acompanhar o famoso “tri, tricolor. Tri, tri, tri, tri, tricolor”. O time foi se apagando e a felicidade de Seu Luiz foi se tornando uma mistura de revolta, angústia e tristeza. “Rosembrica, gigolô de Zé Elias!”. “Gota serena, faz esse gol”. “Me ajuda, meu Deus”. No pênalti do time da sulanca, Seu Luiz ficou de joelho e não quis ver o lance. O coitado ficou o resto do primeiro tempo sentado.

Recomeça a partida e Seu Luiz renova as esperanças. “Vai ser 2 a 1 pra gente”, eu disse a ele. Seu Luiz olhou pra mim, não falou nada, e me deu um abraço.

Mas amigos, em pouco tempo só dava o time das costureiras. A tristeza e o desespero foram tomando conta da gente. Seu Luiz já não tem mais a alegria de antes. Não dá mais uma palavra. O pequeno tricolor fica triste e é consolado com a vitória dos juniores. Mário se revolta com os cartolas.

No final, já saindo do estádio, descobri que Zé Elias, do qual segundo Seu Luiz Rosembrica é gigolô, é o vice-prefeito da cidade. E sobre a minha missão de comentar a partida, repito a conclusão tirada por meu pai, que com a experiência de quem viu Pelé jogar, foi certeiro na análise: “o time é ruim e sem preparo”.

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