A noiva cadáver
Por Coronel Peçonha
Não prestem atenção nas ironias desse texto. A situação exige isso.
Vou pouco a cinema, mas me lembro de um filme recente, A Noiva Cadáver. É baseada numa lenda russa, que narra a estória de um cara que pára no meio da floresta e, brincando com o que entendia ser um graveto, bota o anel de noivado no graveto e faz toda a cerimônia como se estivesse se casando. Acontece que o tal graveto era a mão de uma noiva que tinha morrido há muito tempo - a noiva cadáver! - e que passou a cobrar o casamento do mancebo desavisado.
Edson Nogueira é a nossa Noiva Cadáver! Ele insiste no casamento com o Santa Cruz, apenas para levar o Mais Querido para o mundo dos pés juntos. Volta para a sua catacumba, infeliz reencarnação, deixa o clube.
Tá bom, há quem diga que a herança maldita que recebeu foi decisiva para os péssimos resultados, há quem estranhe as arbitragens desde o ano passado, enfim, sempre tem explicação para o inexplicável nível apresentado pelo Santa Cruz. Meias verdades, apenas.
Sim, as indigestões passadas entregaram um clube em situação caótica (não vamos enumerar todas as mazelas, apenas uma, deveras emblemática: TODOS os jogos de padrões do time profissional entregues pelo patrocinador para o ano de 2007 “sumiram” do clube antes da posse da atual diretoria). Muito foi feito desde a posse, mas a noiva cadáver quer uma lua-de-mel no inferno e, por isso, afastou muita gente, ou talvez todo mundo, que queria cooperar com o clube. Nunca vi um isolamento desse tipo!
A noiva cadáver não consegue nem um pajem ou uma dama-de-honra, ou melhor, daminha-de-honra ele tem, que é o Presidente do Conselho Deliberativo - o que poderia ter mudado os rumos do clube desde o ano passado, mas preferiu não criar caso e assustar a assombração. Tenho para mim que o daminha-de-honra morre de medo de alma penada, caipora, mula-sem-cabeça, etc.
Aliás, soube ontem que a daminha-de-honra da Noiva Cadáver vai marcar uma reunião do Conselho lá em abril, quando a situação do Santa Cruz precisaria da colaboração de todos para ONTEM.
Nessa solidão infeliz e de outra dimensão, a noiva cadáver vem matando o Santa Cruz. Se ele considera a renúncia impossível, poderia ter a humildade e a hombridade de constatar a obviedade de que seu modelo de gestão (eu sou único, eu não erro, eu sou bom) está afundando o clube e verdadeiramente possibilitar que verdadeiros tricolores pudessem colaborar.
Sim, alguns poucos abnegados taparam o nariz (por conta da catinga de defunto) e estão ainda dando sua colaboração no dia-a-dia do clube, mas algo insuficiente para as importantes e imprescindíveis reformas que precisamos. Acho que pessoas como Tininho e Jomar, por exemplo, estão tentando é evitar que joguem cal em cima do moribundo Santinha.
A noiva cadáver, no entanto, afastou e vem afastando todas as pessoas e todos os movimentos que pudessem trazer alguma novidade positiva para o Arruda. Ele apostou em nomes inexpressivos como técnico e fomos rebaixados para a Terceira Divisão. Repetiu o mesmo erro este ano e estamos num patético hexagonal da morte, tentando escapar do rebaixamento no estadual, ou melhor, já esperando milagres, pois a derrota de ontem mostra que o time está “falecido” moralmente - e olhe que alguns jogadores têm mostrado muita garra, sem foco ou estabanados, mas garra e até qualidade.
Volte para a sua cova, noiva cadáver. Este mundo não te pertence mais. O Santa Cruz não é seu, reconheça que errou, não minta mais uma vez, dizendo que vai resolver o problema do time no tempo que lhe resta de mandato, seu destruidor da dignidade santacruzense.
Relembro o início do discurso da noiva cadáver na última reunião do Conselho Deliberativo de 2007 (o Conselho virou um ente imaginário também em 2008): “Não admito críticas de quem não está dentro do dia-a-dia do clube”. Sim, a noiva cadáver não admite ser criticado senão por quem esteja dentro do clube, porém, ao mesmo tempo, a noiva cadáver afasta todo mundo do clube.
Portanto, temos de fazer todo tipo de reunião, despacho, descarrego, enfim, temos de nos organizar para retirar esse encosto desgraçado do Arruda, antes que o clube feche.
Não devemos, mesmo assim, achar que eleição é ruim, que naquele tempo era melhor, nada disso. A péssima administração atual não é suficiente para tornar incríveis erros do passado em acerto. Relembro, para que ninguém fale besteira (sem puxar muito pela minha fraca memória): único time do mundo que a Parmalat não conseguiu alavancar, vendas e empréstimos mal-assombrados de jogadores prata-da-casa, não conseguir ficar na Série A por mais de um ano desde o final da década de 80, perder o bonde da história ao não entrar no Clube dos 13 (depois é que ele foi vetado por uma cachorra de peruca), etc.
Mas tudo isso é passado; o que nos preocupa é o futuro, que não teremos se continuarmos na letargia.
Proponho que na próxima terça-feira façamos um encontro na frente da sede do Santa Cruz. É provável que a Noiva Cadáver mande apagar as luzes, fechar a sede, etc, mas não importa. Vamos ao Arruda, ele é nosso e não do Defuntão, o pior presidente de todos os tempos, o cara que sozinho está ganhando de milhões de torcedores, o que não se admite. Quem sabe se, a partir de então, não consigamos manter um estado permanente de protesto, com idéias novas surgindo.
Blog do Santinha, ATASC, Veneno Coral, Inferno Coral, cardeal, padre, pai-de-santo, não importa o nome, CONCLAMO a todos para uma reunião imensa na sede do Arruda na próxima terça-feira, 18 de março, às 19h. Não olhemos o que nos separa ou diferencia, mas sim a nossa diferença para a Noiva Cadáver: nós queremos que o Santa Cruz fique vivo e seja forte.
Por que terça-feira? Por que na sede ainda que fechada do clube? Não sei, sei é que precisamos fazer algo e já que ninguém decide…
O Santa Cruz é minha pátria.
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