Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 15 de março de 2008

Santa Cruz 2 x 1 barbie, 1993

Foto encontrada no blog Futebol de Pernambuco em Fotos
Time do Santa Cruz em 1993
Em pé: Araújo, Marcelo, Reginaldo, Jr. Cordel, Mazo e Quinho;
Agachados: Marcelinho, Washington, Fernando, Marcelo e Serginho

Por Anizio Silva

“Em tempos de vacas magras, magérrimas (se é que ainda há vacas..), o passado continua sendo o nosso alento” (comentário de Tiago Maranhão em um email enviado a Nestor Torres, e que veio parar na caixa postal do nosso editor-mor Inácio França).”

Tricolores: finalmente, depois de meses e meses de promessa, vamos começar a publicar os áudios da narração de gols e jogos históricos do clube coral.

Para começar, a inesquecível virada na final do campeonato pernambucano de 1993, quando derrotamos a barbie aflita. Já havia publicado na Rádio do Santinha, ali na barra lateral, mas faltava divulgar aqui, confira:

 
 1993 - Santa Cruz 2 x 1 barbie [7:23m]: Tocar Agora | Tocar num Popup | Download

Agora eu peço licença a quem comentou sobre a partida no blog “Santa Cruz Jogos Inesquecíveis“, do grande tricolor Valter Azevedo, e republico alguns desses depoimentos. Espero que sirva de inspiração!

Coralnet
Torcida Tricolor

Inácio França
“Tricolores, não fui ao Arruda naquela noite de 1993, nem no Recife estava. Vivia em São Paulo, era repórter de Polícia de um jornal chamado Diário Popular, o lugar mais interessante onde já trabalhei.

Morava num quitinete de merda na rua Martins Fontes, a meio caminho entre a Consolação e o Bixiga, pertinho do jornal. Não havia como acompanhar a decisão, me contentei em ligar o rádio para acompanhar os resultados parciais durante a transmissão de um jogo do Palmeiras.

Só no intervalo o repórter informou que estava 1 a 0 pra barbie, explicando que até o empate dava o título pros alvirrubros e coisa e tal. Depois, disse que Washington tinha sido expulso. ”Então fodeu”, e desliguei o rádio.

Washington, artilheiro do campeonato: expulsão absurda
Washington, artilheiro do campeonato: expulsão absurda

No outro dia de manhã, fui trabalhar. O Diário era o único jornal paulistano que publicava um tabelão com resultados dos estaduais. Para os demais, o Brasil era São Paulo, Rio, Espanha, Itália, França e Alemanha. E nesse tabelão estava escrito: “Santa Cruz 2 x 1 Náutico (0 x 0 na prorrogação, Santa Cruz campeão)”.

“Oxente, será que o pessoal de esportes errou?” Não havia ninguém de esportes na redação, eram umas 10 da manhã, madrugada para a editoria de esportes. Como não havia internet e só os editores tinham acesso às agências, me enfurnei numa salinha onde ficavam as máquinas de telex e comecei a remexer nos rolos de papel de telex, na esperança de confirmar aquela notícia.

Não logrei êxito, como diziam os policiais que eu entrevistava na época.

Aí, me agarrei ao telefone e tentei encontrar algum tricolor que pudesse me confirmar o fato. Manoel Ferreira não estava em casa. Normal, Mané deveria ter tomado todas, com o time ganhando ou perdendo. Ligar para Zé Gustavo… nada feito, não tinha o telefone de Gustavo. De Laércio Portela eu tinha, mas o telefone tocou e ninguém atendeu (anos depois, eu vim saber que ele estava embriagado, trancado no quarto. Parece que Mané estava na sala, mas em pior situação, não escutou nada também).

Só havia uma saída: decidi ligar para a casa de Serginho Sousa Cruz, onde são todos alvirrubros. Alguma notícia eles teriam. Liguei… 341-12xx, “aalllôoo…”, pela voz era Daniel, irmão mais novo de Sérgio. “Oi Daniel, é Inácio, quanto foi o …” . “Vai tomar no cu, porra!” E desligou.

Ele nem precisava dizer mais nada. O Santinha tinha sido campeão. E ele tava arretado da vida, lógico. Mas resolvi ligar novamente, só para aperrear. Precisei insistir, pois nas duas próximas ligações, Daniel nem me deixou completar a pergunta. Na quarta vez, ele berrou: “Tu sabe que foi de virada, sabe que o Santa foi campeão, então vai se arrombar aí em São Paulo, seu feladaputa!!!”

Depois, recusei as pautas que Odilon, o chefe-de-reportagem, quis me entregar. Aleguei que estava esperando uma ligação de um delegado importante sobre um caso misterioso e exclusivo. Ele acreditou (ou fingiu acreditar. Odilon era muito vivo) e fiquei esperando o Globo Esporte. Quando vi as cenas, berrei e pulei como um doido na redação do Diário Popular.”

Jadiel Júnior
“O clássico mais emocionante de todos os tempos foi esse…

Detalhe, no dia desse jogo fui com o meu Pai. Ele saiu de lá aos 30 minutos do 2º tempo, chegou em casa arretado e quando ligou o rádio viu que o santa tinha sido campeão… Será que o pé frio era ele? huahauhuahaua”

Anderson
“Eu tinha 12 anos de idade, morava em Garanhuns na época, e eu, meu pai e meu irmão na época 9 anos, saímos de Garanhuns para vir assistir esse jogo aqui em Recife. Lembro que aos 30 a torcida do Santa saía e muita gente já tinha saído, porém nós continuávamos lá. Eu muito pequeno, já cansado e sem esperanças, tinha me sentado na arquibancada junto com meu irmão e não estávamos mais assistindo ao jogo, só nosso pai que continuava assistindo. Lembro que me levantei e alguns minutos depois o Santa fez o 1º gol.

Comemoramos bastante, mas ainda assim eu estava sem esperança que fizesse o 2º gol. E pouco tempo depois o 2º. Daí então foi uma ansiedade enorme enquanto aguardávamos o fim do jogo. Mas foi uma das maiores alegrias que eu tenho lembrança de minha vida.”

Rubens Sousa
Não pude ir a esse jogo, já morando em João Pessoa e no trabalho, tive que me contentar em escutar o jogo pelo rádio. Escutei todo o segundo tempo em casa, e ao final abri uma garrafa de vodka, tomei um bocado pura mesmo sem gelo e derramei o restante na minha cabeça, a vodka se misturou as minhas lágrimas de emoção. SANTA CRUZ EU TE AMO!

Célio, autor do gol do título de 93
Célio, autor do gol do título de 1993


Piragibe Fernandes

“O jogo começa, chuva caindo fina, gramado ficando molhado e a bola escorregadia. Falta para a barbie. Paulo Leme cobra rasteiro a bola molhada escorrega da mão de Marcelo. E para assustar ainda mais a torcida tricolor Washington, a esperança de gol tricolor, foi expulso. A chuva engrossa. Barbie dá sufoco. Nossa defesa fragilizada e desfalcada.

(..) Por volta dos 37 minutos do segundo tempo a bola é lançada para Fernando, que entra livre, dribla Paraíba com a maior calma do mundo e mete para o fundo da rede. Os amigos do meu irmão que ja estavam no ônibus voltaram. Eu falei bem baixinho para meu irmão: “Eu estou sentido que o Santa vai ser campeão com um gol desse baixinho aí que entrou no ataque (era Célio)” e ele falou para os amigos dele, todos ficaram tirando onda da minha cara, eles falavam que ele era muito ruim e não iria fazer o gol, eu fiquei calado porque na época não era tão ligado nas notícias do Santa. Foi quando Célio recebeu um lançamento de Serginho no bico da grande área e chutou de qualquer jeito uma trivela no canto do goleiro Paraíba. O Arruda “desaba” de tanta alegria tricolor. (…)”

Confira todos os comentários no blog “Santa Cruz Jogos Inesquecíveis

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