A Inferno e o cururu tei-tei
Foto: Marcela Oliveira
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Flagrante do cururu de Limoeiro: ontem
também deu sapo no Arruda
Por Gerrá da Zabumba
Ontem, pra variar, fui ao jogo. Animado com as informações de alguns amigos que foram ver a partida contra o time da terra de Chico Heráclito (ou Heráclio?), me mandei pro Arrudão. Peço desculpas aos tarados por futebol, mas me recuso a comentar sobre a partida. Se for para falar de pelada, prefiro fazer comentários a respeito da que eu jogo toda segunda-feira. Com certeza nosso nível é bem melhor. Na última segunda, por exemplo, ganhei 3 partidas seguidas e dei um show de bola.
No jogo contra o escrete do Petrolina Carranca Carne-de-bode e Clube, o que mais chamou atenção foram os cururus de trovoada da Inferno Coral e um cururu tei-tei que estava debaixo da barra. Os cururus da Inferno deram um show e mostraram para o mundo o que é apoiar a uma equipe de futebol. Foi de emocionar. Teve momento que esqueci o que se passava dentro das quatro linhas e fiquei apreciando a galera da Inferno Coral. O jogo dando calo na vista, os vários Marcelos Helenos fazendo lambança e o povo da Inferno Coral vibrando, incentivando o time e pulando como verdadeiros cururus. Aos poucos, todo o estádio estava contagiado. E aqui abro um parênteses e mando um recado pra diretoria: “Não precisa perder tempo pedindo apoio ao time. A não ser que vocês queiram que a torcida entre em campo para jogar”. Fecho parênteses.
Quando a Inferno cantou a famosa música de Capiba, “Santa Cruz, Santa Cruz, junta mais essa vitória…”, mesmo com o time perdendo o jogo, foi de emocionar qualquer coração e se algum desavisado entrasse no estádio naquele momento, acharia que o Santinha tava ganhando. O gol de empate do Santa quem fez foi a torcida. E se tivesse mais uns cinco minutos de jogo, a torcida virava o placar. A Inferno Coral deu uma aula do que é torcer. Aplaudiu na hora que devia aplaudir e xingou na hora que era pra xingar. Digo uma coisa a vocês, os cartolas e os atletas deviam beijar os pés e agradecer a todos da Inferno Coral e demais torcedores que estiveram presentes ontem. Parabéns para os cururus da Inferno. Tomara que na próxima segunda-feira, no dia 31, vocês estejam na frente da sede e dêem outra aula. Exerçam seu papel de cururus.
Ah, agora quero falar um pouco sobre os cururus. Primeiro é bom esclarecer que cururu é um nome de origem indígena e é como são denominados os sapos do gênero Bufo. Dizem que sua urina pode cegar, mas isso é lenda e eles são inofensivos. Engraçado é que tem gente que fisicamente parece com um cururu. Quase todos nós temos ou já tivemos algum conhecido com o apelido de sapo. Eu mesmo, quando tinha uns 15 pra 16 anos, conhecia um. O cara era gordinho da cintura pra cima, as pernas finas, sem pescoço. Era goleiro do nosso time de futebol de salão. Não lembro o nome dele, pois, todo mundo só o chamava de Sapo. Sapo era aquele tipo de goleiro que faz uma defesa milagrosa e de repente leva um frangaço.
Uma vez, a gente decidindo um torneio interclasse, jogando pelo empate, Sapo me leva um gol no final do jogo. O placar estava 1 a 1. O beque-parado cortou a bola, o ala deles do jeito que vinha chutou, Sapo foi buscar no canto e espalmou, e o pivô adversário de fora da área mandou pra dentro da nossa barra. Apesar do esforço, Sapo não teve agilidade pra ir na bola. E a gente perdeu o torneio. A nossa torcida queira comer o coitado do Sapo. “Porra Sapo, tu parece um cururu tei-tei. Da próxima vez eu jogo sal em tu, pra ver se tu pula”, disse Pedro Manoel, um sujeito lá de Araripina, amigo de turma, que não jogava bola, mas sempre tava com a gente. Depois disso, toda vez que Sapo fazia uma merda a reclamação era a mesma: “puta-que-pariu Sapo, tu parece um cururu tei-tei”.
Não sei por onde Sapo anda hoje, mas no primeiro tempo do jogo de ontem, toda vez que eu olhava para nossa meta me lembrava de Sapo.
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