Nosso beco sem saída e o fato da semana
Por Samarone Lima, do Blog do Santinha
Amigos corais, quando estou sem inspiração para falar do nosso amado clube, recorro a três fontes, para não ser demitido deste cada vez mais afamado Blog. Primeiro, consulto meus guias espirituais, depois, tento captar algo que a torcida anda dizendo, entre um fiteiro e um boteco, e por último, recorro aos meus confrades corais, do Poço da Panela.
A maré está braba, amigos. Meus guias já nem me atendem. São Gerônimo está macambúzio, Oxalá virou a cara, meu Caboclo Sete Flechas está fumando um charuto cubano que lhe dei, e não quer papo. São Francisco pede apenas humildade e paciência, mas aí também é demais.
Nos bares, fiteiros, botecos, entre uma lapada e outra, só escuto murmúrios, mugidos, conversas ranzinzas. O tricolor está num amargor de dar dó.
Tive que recorrer aos meus confrades corais do Poço, para tentar encontrar uma linha de raciocínio. Há pouco, conversei com o nosso patrimônio da gordura coral, o gorduchino Naná (chegou aos 120 quilos ontem). Ele soltou uma frase poética:
“Tá foda”.
Liguei há pouco para Oswaldo “Titio”, que jamais esmorece.
Então, aconteceu o fato da semana.
Titio Oswaldo (ou Oswaldo Titio, como queiram) foi ao jogo contra o glorioso escrete do Petrolina e saiu do estádio todo feliz. Naná, nosso gorducho, já conhece o otimismo secular de Oswaldo e estranhou, mas deixou pra lá. Estava mais interessado na comida japonesa do Tepan, fora as Brahma e as canas geladas.
O fato é que nosso Oswaldo não viu o segundo gol do Petrolina, e saiu do estádio crente que o Santa Cruz tinha juntado mais essa vitória.
“Saí do estádio iludido”, comentou Titio há pouco, numa entrevista exclusiva.
No estacionamento, Naná pensava mais na pinga gelada que no empate. Quando ligou o rádio, Oswaldo tomou um susto. O comentarista analisava com aquela crueldade de sempre, mais um fracasso coral.
“Quando escutei, me veio aquela decepção”, desabafou nosso craque do copo e mestre do meio de campo da vida. “Poderiam ter me deixado sem essa”.
No Tepan, Titio e Naná comeram metade dos peixes dos japas, beberam mais Brahma que o professor Davi, e zeraram o estoque de Pitú gelada. Oswaldo só pensava numa coisa:
“Poderiam ter me deixado sem essa. Pelo menos dormia direito”.
Lá pelas tantas, o garçom trouxe a conta. Titio, como sempre, puxou suas onças e o gordinho não reclamou. Pediram a saideira. O comentário de Naná, no último gole, teve um gosto amargo.
“Que empate merda esse”.
Titio, que jamais desanima, bebeu a cerveja de uma vez e sentiu aquela fisgada na região do joelho esquerdo. Pode ser um desfalque importante na arquibancada, para o próximo jogo.
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Nosso correspondente em Brasília, Clébio Jr, informa:
Agora os torcedores do mais querido que residem na capital federal podem matar um pouco da saudade de encontrar a torcida e relembrar os passados de glória, além de poder contribuir para o futuro glorioso da Santinha. É a Sexta Coral, happy hour que acontece todas as sextas-feiras a partir das 19h no Bar Raízes (110 Norte Bloco D). O evento é promovido pela torcida Planalto Coral.
Nos nossos encontros nosso grande amigo Pablo, que também é tricolor, reserva um espaço especialmente para a torcida coral e decora o bar com as cores preta, branca e encarnada. São servidos também pratos típicos pernambucanos como arrumadinho de charque, sarapatel, entre outros, a preço de custo e somente para o grupo.
Portanto, se você é tricolor e atualmente mora em Brasília ou está de passagem, já tem onde declarar a sua paixão. Venha e engrandeça o evento.
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