Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 8 de abril de 2008

Uma dose de prosa com Vavá

Foto: Samer Farha
Caipirinha

Por Gerrá da Zabumba

Ir ao Edifício Nossa Senhora da Boa Viagem é sempre uma festa. Por lá, tenho boas amizades. Certa vez escrevi aqui sobre Zezinho, porteiro do prédio, torcedor do Santa e querido de todos os condôminos. Falei sobre o comportamento de Zezinho no dia do aniversário de Guilherme. Guilherme, cujo apelido é Guila, é meu padrinho de casamento. Na família deles é assim, sempre um apelido carinhoso. Adriana, por exemplo, é Déa. Rodrigo é Cuca. E todos são torcedores do Santa Cruz. Uma família de bom coração.

Domingo passado foi o aniversário de Anita, filha de Adriana. Feijoada, cerveja gelada, diversão para gurizada e boas conversas. Foi a gente botando o pé dentro do prédio e Vavá, o sogro de Guilherme, me dando as boas-vindas: “Vem cá que eu quero te mostrar um negócio. Uma cachaça que eu ganhei”. E me arrastou para tomar uma lapada de aguardente.

Vavá é pai de uma trupe de mulheres, todas santacruzenses e freqüentadoras do Arruda. Raquel é umas das filhas e é a mulher de Guilherme. Pois bem, tomei três canas, provei dois caldinhos, cumprimentei Zezinho e minha prosa com Vavá durou a tarde toda.

Ficamos ali, separados da multidão. Fizemos um círculo rodeando o carrinho da minha pequena Mariá, que dormia feito um anjo tricolor, e “papeamos” a tarde inteira. Eu, a primeira-dama e Vavá. Logo em seguida chegou Gildo, regueiro do grupo Brasáfrica, nascido e criado na Zona Norte do Recife, local de maior concentração de tricolores por metro quadrado no mundo. Guila encostou também. Murilo conversou um pouco. Enfim, em nosso reduto os tricolores davam uma passadinha, comentavam alguma coisa ou apenas sorriam.

Relembramos noventa e três. A chuva. O gol de Célio. É impressionante como todo mundo tem uma história para contar daquele ano. Até quem não foi pro estádio tem algo para falar. Vavá contou que saiu do estádio e ficou de bar em bar. Valdeci, sua esposa, disse que passou a noite preocupada, “também, naquela época não tinha celular”, falou ela. Pensei na hora, “ainda bem que não tinha. O celular poderia acabar a farra do nobre tricolor”.

Valdeci prometeu que vai me levar para conhecer uma senhora, que é louca pelo Santinha. Segundo ela, esta senhora mora num abrigo e a ambientação do seu quarto é repleta de objetos com as cores do Santa. Dia de jogo do nosso Santa Cruz, ela veste o manto sagrado e cola o ouvido no radinho. Já deixei a visita pré-agendada.

Gildo quer assistir a um jogo com a gente. E eu já disse que quero ver um jogo com ele embaixo do bandeirão da Inferno. Ele sempre está por lá.

Falamos de 2005. A foto postada por Samarone na semana passada no Blog puxou a conversa. Ah, aproveito para esclarecer que aquela foto foi no jogo contra a Portuguesa e a pessoa que aparece de óculos é Alberto, um tricolor que anda meio desaparecido e que naquele ano criou a comunidade da Sanfona Coral no Orkut.

Pois é, falamos muito sobre o Santa Cruz. Somente coisas boas. Sem essa de baixo-astral, derrotas, tristezas. Já basta o momento que estamos passando. A energia e a conversa estavam tão boas que fizeram Mariá acordar tranqüila, com a carinha de quem dormiu e teve sonhos maravilhosos. Senhores, com toda sinceridade, acho que aquele cantinho no qual a gente ficou conversando, foi o melhor ambiente da festa. Por favor, não falem isto para ninguém.

Saímos de lá no momento do segundo gol contra o Porto, vibrando junto com os demais santacruzenses.

Dedico a Vavá, leitor assíduo do Blog do Santinha e que desde o ano passado está com uma garrafa de aguardente para dar de presente a Inácio.

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