Vai encarar?
Por Samarone Lima
Amigos corais, acaba de sair da minha sala, aqui no trabalho, um rubronegro depressivo. Ele veio perguntar se tenho chumbinho, para botar no feijão mais tarde. Quer uma dose de 1.080 para botar no suco de melancia. Motivo: o título conquistado ontem, num clássico monumental contra o Central de Caruaru.
Deu pena o rubronegro. Saiu se arrastando. Os ombros lhe pesam 120 quilos. Mais um ano sem ganhar do Santa Cruz. Ano passado, o cabaço foi embora no último jogo, no Arrudão. Ele me disse que faltou a emoção de um clássico, um reles clássico. Faltou sentir um pouco de medo, aquela tensão de enfrentar o Santinha, mesmo com nosso clube aos trancos e barrancos.
As grandes conquistas são feitas de momentos dramáticos, lances fulminantes, erros infantis, um passe errado. Todas as encarnações de tricolores morrerão, e aquele gol de Célio, em 1993, ficará tatuado até nos ossos dos defuntos. Lembremos o título de 1987, quando Birigui alcançou a condição de santo, fechando a barra em plena Ilha. O nome Birigui, para o torcedor coral, é uma espécie de oração. Já fiz três promessas invocando nosso santo, e fui atendido.
Por isso, apoio incondicionalmente a iniciativa do nosso treinador, Fito Neves.
Ele acaba de lançar um desafio à coisa: um duelo entre o vencedor dos dois hexagonais, para ver quem é o melhor.
A coisa acaba de ganhar o campeonato da forma mais canhestra do mundo. Não jogou com 1/3 dos clubes que disputam o campeonato. Mais que isso, não teve a honra de jogar contra o Santa Cruz Futebol Clube. Ainda levou duas chibatadas de um time conhecido como “Jumento”.
“Vamos jogar? Vamos ver quem é o melhor?”, disse Fito, em entrevista à Rádio CBN.
Agora vamos e convenhamos. O time se declarar campeão estadual sem enfrentar o time das três cores, sem ver pela frente a camisa do Santinha, sem passar pela pressão da torcida coral, é como chupar uma bala com o papel que embrulha. Fica com a bala na boca, mas não tem gosto.
Está lançado o desafio. Aguardemos.
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