Arquivo de julho de 2008
Torcer e agir
Requerimento entregue no clube
O plantão de notícias do Blog do Santinha informa: quatro sócios rigorosamente em dia com o clube -Diego Galdino, Milton Júnior, Gileno Lima e Gerrá - entregaram na secretaria do Santa Cruz requerimento para que o presidente do clube publique oficialmente a relação de todos os sócios em condições de se tornar a aptos a votar nas eleições de dezembro.
A publicação da lista de sócios com antecedência é fundamental para reduzir o risco de fraudes nas eleições. Pode inibir, por exemplo, o fenômeno da “multiplicação das Marias”, ou seja, a criação de sócios-fantasmas em cima da hora, como ocorreu nas eleiçoes anteriores. Contudo, não impede, por exemplo, que inadimplentes incluídos na lista de sócios se tornem adimplentes de uma hora para outra e se tornem aptas a votar num passe de mágica. Outra fraude possível é o voto de sócios já falecidos com nomes que permanecem no cadastro do clube.
Mesmo insuficiente, a publicação da lista de sócios com antecedência é um dos poucos instrumentos de controle do famigerado sistema eleitoral do Santa Cruz, elaborado com a clara intenção de assegurar o poder para quem já o possui.
Com essa iniciativa, Gerrá, Gileno, Milton e Galdino, assumem a postura corajosa dos torcedores de futebol do século XXI. Para quem acredita nas frases feitas repetidas nas resenhas de que “fazer oposição pode tumultuar o ambiente do clube e prejudicar o time”, é bom tomar consciência de nada prejudica mais o Santa Cruz do que o silêncio cúmplice.
ATUALIZAÇÃO: os tricolores Fabiano Pinheiro, Eduardo Tiburtius, Claudemir Pereira, Allan Araújo e Fábio Martorano também assinaram o documento, só que na página seguinte, segundo Diego Galdino.
86 comentáriosEntre Platão e Bajado
Tela de Bajado - Reprodução: Passarinho/Prefeitura de Olinda

Por Laércio Portela (jornalista, trabalha para o governo federal em Brasília)
Você imagina o que é estar dando um cochilo num domingo à tarde e acordar subitamente assustado, virar de lado, procurando o celular para ver que horas são? 16h15. Pular da cama, correr para acessar a Internet e virar pedra?
Eu estava de folga, não tinha nenhum compromisso, mas o meu relógio biológico não me deixou descansar. Em pleno domingo e a mais de 1000 quilômetros do Recife minha mente e meu corpo estavam conectados ao Arruda.
Não acho que seja uma doença, mas também não é amor. É tristeza correspondida. Então, dali até o início da noite eu tremi, gemi, soquei, mordi os dentes (eu juro que mordi) até que pude, enfim, sair daquele transe e beber um copo de água.
Ouvir um jogo pela Internet-rádio é uma experiência que leva o homem a um mundo desconhecido. É algo como a caverna de Platão. Enxergamos sombras, claros e escuros que formam manchas nas paredes de nossas mentes.
Pelas ondas do rádio, pequenos seres ganham o aspecto de um Hércules. Tenho a certeza de que estamos a enfrentar o monstro do lago Ness, o minotauro, o abominável homem das neves e outras lendas. Esse campinense é mesmo infernal!!!
O Santa Cruz já traz no nome seu destino bíblico. Não se enganem meus amigos. Não somos Davi, o pequeno homem da vitória histórica. Nem somos Golias, o grande homem da derrota surpreendente. Somos Lázaro, o ressuscitado. Aquele que morreu para renascer e prosseguir no caminho da dor. Eu mesmo morri 12 vezes na primeira fase da série C.
Terminado o jogo, desligo a Internet-rádio. Minimizo arquivos. E volto ao mundo das cores. Na minha frente, Bajado. A proteção de tela do meu computador traz em preto, branco e vermelho o frevo tricolor do artista irado. Abençoado Bajado!!!
Não tenho mais paciência para diretivas. Para falar claro, ser direto. Por onde quer que eu vá, levo em mim o espírito barroco do torcedor do Santa. Daí esse texto meio não sei o quê.
Domingo eu volto pra minha caverna!!!
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Confiram no álbum do Blog do Santinha no Flickr a farra do tricolor Erick no Rosarinho, e as imagens da excursão de Dani a Caruaru no jogo do dia 23/07/2008.
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Encontros corais em Garanhuns
Mariá e Gerrá na casa de Bacalhau
Por Gerrá da Zabumba
Tirei o final de semana para dar uma desopilada. Descansar, encontrar amigos, beber sem moderação. Fui para o 18º Festival de Inverno de Garanhuns.
Ir a Garanhuns é sempre um prazer para mim, uma cidade cheia de tricolores e que, no Festival de Inverno é invadida por uma multidão tricolor. Só para se ter uma idéia, no começo da noite do sábado, no pau-pombo, onde tem a programação de música instrumental, encontrei Anizio, Samarone, Emília, Pedoca e outros torcedores do Santa.
Toda vez que vou lá tenho que cumprir três obrigações: encontrar Zé da Macuca, visitar Bacalhau e ir até a casa de Marcos, Lígia e Vínicius (Tatai). Fazia dois anos que eu não pisava na cidade das flores, pois, estava aguardando minha pequena Mariá começar a entender as coisas para mostrar a ela àquele lugar, levá-la até a moradia de Bacalhau, brincar com ela no Boi da Macuca, e principalmente, fazer uma visita a Vinícius, o filhote de Marcos e Lígia.
Fui ver Bacalhau, somente no domingo. Mariá chegou dormindo. “Não acredito. Pensei que vocês não vinham mais aqui. Ei, cadê você? Você que vive lá por dentro, porque já não deu um tiro de metralhadora naquele safado?”, foi a recepção que tive. “Lá dentro? Tô nada Bacalhau, se eu tivesse ali já tinha soltado uma bomba”, respondi ao nobre tricolor. Mesmo com a desgraceira do nosso clube, Bacalhau continua o mesmo. Apaixonado pelo Santinha, sabedor das coisas e fazendo loucuras tricolores. O seu novo projeto é sonorizar o túmulo e o caixão de defunto que ele tem, para poder ouvir, mesmo depois da morte, os jogos do Santa.
Mariá logo acordou e ficou hipnotizada com o que viu. As cores do nosso Santa Cruz por todo lado. Como ela já reconhece o escudo e as cores do Santinha, ficou repetindo “ticolhô”, o tempo todo. Fiz minha parte, saí de fininho e fiquei sozinho com minha pequena. Aos poucos, sem muita pressa, fui mostrando tudo a ela. Recortes de jornal, escudos pintados nos tetos, o galo de campina, enfim, todos os detalhes. Tenho certeza que alguma coisa ficou guardada na sua cabecinha.
Vinícius, Lígia, Alessandra, Gerrá, Mariá e Marcos em Garanhuns
Saímos da residência mais tricolor do mundo e fomos até o lar do trio Marcos, Lígia e Tatai (Vinícius). Marcos-garanhuns é assim: apaixonado pelo Santa Cruz, apreciador de boa música e tomador de aguardente. No ano mágico de 2005, ele não perdia um jogo no Arrudão. Quando era no final de semana, vinha pra tomar umas com a galera da Sanfona Coral. Lembro de uma farra nossa lá em Seu Vital. O berço de Tatai armado sob a sombra das árvores e a concentração etílica acontecendo. Bons tempos aqueles. Não existia bafômetro, não existia lei seca nos estádios, não tinha anel superior interditado.
Sim, já tinha encontrado com eles na sexta e no sábado. Na sexta, vimos o excelente show de Fernanda Takai e no sábado tomamos uma no palco de cultura popular. Porém, faltava o grande encontro, o de Vinícius e Mariá. Não sei exatamente o motivo, mas havia uma certa expectativa no ar com relação a este momento de apresentação dos dois pirralhos. Todos os dois carregam nas veias o sangue preto, branco e encarnado, e ambos, são filhos de pais tricolores corais santacruzenses das bandas do Arruda. E não deu outra, os dois se olharam por um instante e se abraçaram, assim como quem comemora um gol do Santinha no cimento da arquibancada. Vinícius com a pureza dos seus três aninhos não titubeou, “ela é bonitinha”. Mariá, por sua vez, deve ter pensado, “ticolhô”.
Bom, domingo eu volto ao Arruda, descansado e tranqüilo, pois, essa fase vai ser mais fácil pra gente.
129 comentáriosNúmeros para alimentar o ego coral
Foto: Felipe Cesar Pereira Pinto

A torcida coral enche o estádio na partida contra o potiguar (20/07/2008)
Por Inácio França
O departamento de pesquisa e documentação do blog acaba de obter dados fresquinhos, que acabam de ser publicados no site da CBF. Após as rodadas de sexta, sábado e domingo das três divisões do Campeonato Brasileiro, o Santa Cruz tem a sétima maior média de público do Brasil. O Flamengo (vice-líder da série A, com 41.435 pagantes), o Grêmio (líder da série A, com 28.543 pagantes ) e o Internacional (23.521) possuem as três maiores médias. A “coisa” e o Cruzeiro aparecem depois, com público na casa dos 21 mil pagantes.
O Corinthians, líder da série B e time mais bajulado pela mídia, tem mais de 24 mil pagantes em média.
O Santa Cruz, que nem sequer foi o líder do seu grupo na famigerada série C, teve média de público de 21. 210 pagantes. A segunda maior média de público foi do Central, com 8.644 pagantes, seguido do Campinense, com 8.207. Ou seja, os dois times que jogaram em casa contra o Santa Cruz foram beneficiados pela invasão da torcida coral. Depois, aparecem o Remo (7.800 pagantes), o Guarani (5.946) e o Paysandu (4.689).
Os três jogos do Santa no Recife foram os três maiores públicos da Série C. O quarto maior público foi Campinense 0 x 1 Central, mas logo depois, na quinta e na sexta colocações respectivamente, estão os jogos do Santa em Caruaru e em Campina Grande.
Agora, imaginem se a turminha da Patrimonial (João “Rasputin” Caixero, por exemplo) tivesse liberado o anel superior como já deveriam ter feito?
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