Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 8 de julho de 2008

Estupidez pouca é bobagem

Ele não seria capaz de tanto

Nem ele seria capaz de tanto

por Inácio França

Eram 8h40min de hoje, véspera de Santa Cruz x Central, quando cheguei à sede do clube para comprar meus ingressos de sócio. Na verdade, não segui direto para os guichês onde são pagas as mensalidades. Minha intenção inicial era trocar algumas notas fiscais por ingressos da campanha do governo, então fui direto para as bilheterias sob as arquibancadas do lado do canal.

Ontem liguei para um telefone do Todos com a Nota e fiz a reserva de três ingressos. A gravação, muito cordial, informou que eu deveria recebê-los no estádio do Arruda hoje, das 8h às 13h. Admito que fiquei surpreso com a organização do negócio. Na hora, esqueci que havia um tal vale-cidadão.

 Havia (ou melhor, ainda deve haver) uma multidão em várias filas. Desisti imediatamente de pegar os ingressos, que iria distribuir entre os vigilantes aqui do prédio onde fica o UNICEF.

Sem saber que estava diante de um desistente, um cambista me ofecereu três vales-cidadão por R$ 1,00. Aí, fiquei sabendo que a operação para trocar notas-fiscais por ingressos é uma tremenda sacanagem com os torcedores. O cara liga pro atendimento telefônico e reserva os ingressos, mas precisa do vale-cidadão (estranho nome para um procedimento que ignora a cidadania de todos que se atrevem a enfrentá-lo), que é trocado em outro lugar. Depois, é que, com a senha que recebe por telefone (aos interessados por jogo do bicho, a milhar da minha reserva era 6028), dá para fazer a troca pelos ingressos em míseras cinco horas, das 8h às 13h.

Pergunta básica para os sacanas (do Governo do Estado? Do clube? Da Federação? Algum culpado tem que existir) que são responsáveis por isso: se o jogo está marcado há dois meses, porque o prazo para troca de ingressos não foi maior?

 Já muito puto da vida, às 9h segui para os guichês para comprar os ingressos de sócios (estou em dia, adiantei o pagamento até agosto). Pedi os ingressos para a partida que acontecerá, se não estou enganado, amanhã. Uma partida que os corais esperam há dois ou três meses.

 Esse foi o momento de uma revelação mística, uma experiência metafísica que outros já viveram antes de mim, mas só hoje fui iluminado. Foi o instante em que enxerguei o óbvio. A resposta da mocinha me revelou que a estupidez humana não tem limites. “Ainda não informaram nada sobre a venda dos ingressos”.

 A princípio achei que a funcionária estava mal informada, era capaz de apostar que sua colega do guichê ao lado tinha centenas de ingressos para me vender. Educadamente, estiquei a mão com o dinheiro e solicitei os ingressos. A resposta foi igual: “Ainda não estão sendo vendidos”.

Falei algo sem sentido, uma frase óbvia: “mas, o jogo é amanhã… as coisas aqui estão cada vez piores” Por trás dela, um senhor de bigodes, calvo, funcionário antigo do clube, com quem já resolvi alguma pendência em outra ocasião, me olhou com ar de compreensão e condescendência.

 Sim, senhores, o Santa Cruz não joga uma partida oficial há quase três meses (aquela porcaria de Copa Pernambuco não conta), a torcida cansou de dar mostras que vai ajudar o time a sair da série C, mas a diretoria consegue se superar em desrespeito, incompetência e burrice a cada episódio.

Parece óbvio que antecipar a venda dos ingressos seria ideal para evitar confusão e garantir mais torcedores no Arruda amanhã à noite. Também parece óbvio que uma torcida desprezada, que tem dificuldades até para comprar ingressos, entra no estádio disposta a protestar ou brigar.

 A diretoria do Santa Cruz, não enxerga o óbvio. Eles não são capazes nem disso.

*****

Gustavo Aguiar, da Secretaria da Fazenda e responsável pelo programa Todos com a Nota, acaba de me telefonar (às 11h40min) para dar sua versão sobre a troca de vales por ingressos. Muito educado ele explicou que essa etapa do processo é responsabilidade dos clubes. Vou tentar reproduzir abaixo as palavras dele:

“A reserva de ingressos é de responsabilidade do Estado. Disponibilizar locais para a troca de notas fiscais por vales também e, atualmente, temos muitas opções de locais. Agora, a troca dos vales pelos ingressos dos jogos é por conta do clube. Em 2007, isso funcionou direito e acredito que quatro ou cinco horas para a troca é um tempo razoável, foi o suficiente em praticamente todos os outros jogos”.

Concordei com ele em dois pontos: a reserva pelo telefone está organizada e, realmente, fui informado que há várias opções para troca de vales. Hoje, eu fui sem os vales porque não tenho hábito de fazer a troca e não sabia desses detalhes, mas isso é problema meu.  E a informação de que a troca final cabe aos clubes organizar, explica muita coisa, afinal conhecemos os limites intelectuais do pessoal que dá as cartas (por enquanto) na avenida Beberibe.

Em relação ao prazo para troca de ingressos, discordo totalmente. Quanto mais tempo para fazer a troca, mas respeitoso com os eleitores, digo, torcedores. Imaginem se algum artista vai se apresentar no teatro da UFPE num sábado e o público tem apenas a manhã da sexta-feira para comprar os bilhetes?

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A Batalha da Itararé

Foto: Anizio Silva
campinense 2 x 1 Santa Cruz - 08/07/2008

Por Roberto Vieira (*)

No domingo 6 de julho de 2008 foi travada em Campina Grande a Batalha da Itararé.

Ao contrário da sua homônima, a Batalha de Itararé, a Batalha da Itararé ocorreu.

Campinense e Santa Cruz disputaram perante suas fanáticas torcidas uma partida de duas grandes equipes. Duas equipes com história e tradição. Duas equipes com direito a sentar na primeira fila do futebol brasileiro. Porque o futebol meus senhores é o espetáculo promovido por Campinense e Santa Cruz. Por suas respectivas torcidas. Futebol não é um produto pré-fabricado nos corredores das confederações, nos happy hours da propaganda, nas vendas seletivas de ingresso aos clientes do patrocinador. Não. O futebol tem alma e história.

A transmissão da partida esteve a cargo da TV Itararé, canal 19 de Campina Grande. A primeira emissora de televisão pública implantada na Paraíba. A retransmissão ocorreu com a TV Universitária em Pernambuco que comemora 39 anos de existência. Para os mais jovens, uma surpresa. Para os mais antigos, uma saudade. Antigamente a TV Universitária transmitia os video tapes das partidas na noite do domingo. Era uma alternativa regional para a invasão de partidas de outros estados. Uma forma de oferecer ao nosso torcedor imagens da sua terra com um sotaque compreensível. Repleto de oxentes e vixe marias.

Quis o destino, a estréia do Santa Cruz na Série C fosse um espetáculo de paixão pelo futebol. O hexacampeão paraibano e a cobra coral trazem de volta uma questão fundamental para quem ama o futebol: Como seria uma Copa Nordeste que valesse realmente alguma coisa? Como seria uma Copa Nordeste que valesse vaga para a Libertadores?

A invasão de Campina Grande pelos tricolores e a vibração paraibana com a vitória respondem a pergunta. A Copa Nordeste seria um espetáculo que mobilizaria a região, empolgaria as arquibancadas e traria uma sobrevida aos clubes eternamente marginalizados no banquete do Clube dos 13.

Alguém pode perguntar: Houve um vencedor na Batalha da Itararé?

Claro, meus amigos. Houve até mais de um vencedor. Os vencedores da batalha da Itararé, meus amigos, foram os apaixonados pelo Nordeste e pelo futebol!

E isso não é pouco. E um dia pode ser tudo.

(*) Roberto Vieira é médico e escritor; no seu blog, escreve (muito bem) sobre fatos históricos e causos do futebol (às vezes o Juca Kfouri publica textos dele)… e tem o péssimo defeito de torcer pela barbie.

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Invasão Coral a Campina - Fotos e vídeos

Confira acima os vídeos que já encontramos no YouTube sobre a festa de nossa torcida em Campina Grande.

Veja também as fotos da excursão em nossos dois álbuns:

http://picasaweb.google.com.br/blogdosantinha/

http://www.flickr.com/photos/blogdosantinha/sets/72157606033467752/

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