Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 10 de julho de 2008

Sem palavras

Foto: Robson SenaAmor tatuado - Foto: Robson Sena

por Inácio França

É sempre assim. Toda vez que a torcida coral faz a festa como a de ontem, empurrando o time, declarando amor a cada lance, sinto que não tenho talento com as palavras o suficiente para traduzir ou descrever as cenas, os gritos, as canções e a emoção. Criei o hábito de escrever fazendo jornalismo. E o jornalismo é limitado, objetivo demais. Por isso, é mesquinho. Com as técnicas que o jornalismo fornece até se faz uma edição razoável de um blog, mas não deixa o redator à altura dos acontecimentos.

Estava tentado a encerrar esse texto por aqui, concluindo que a atitude da torcida coral, ontem à noite, está além da capacidade de minha escrita. O problema é que ajudei a criar esse blog, acabei, assim, assumindo algumas responsabilidades, como de tentar contar as coisas como senti e não exatamente aconteceram.

Durante o segundo tempo, cercado pela torcida enlouquecida, imaginei que seria mais sensato falar do jogo, dos jogadores, enfim me acomodar e fazer uma resenha, sem muita poesia. Acredito que a proximidade com um sujeito boa gente chamado Márcio, de camisa social azul clara, tenha me influenciado durante alguns minutos.

Depois, Dimas, o todo-poderoso do blog Torcedor Coral, me avisou:

“É melhor tu sair de perto de Márcio, senão tu vai achar tudo na vida ruim. Pra Márcio nada presta, ninguém presta”.

A verdade é que fiquei os primeiros 20 minutos do segundo tempo compartilhando as opiniões com o torcedor de camisa social. Depois desse tempo, passei a odiar o camisa 8 do Santa Cruz, o Rafael Oliveira. O povo cantando e Rafael apontando as falhas do novo meia tricolor. “Ele está só enrolando, se escondendo da bola e não volta pra marcar”. Parece que era verdade.

Justiça seja feita, Márcio parece ter gostado muito de Garrinchinha. Também, pudera, com um apelido desses, o jogador já entra com a simpatia de metade da torcida.

A tentação de escrever uma resenha sem graça sobre o jogo já passou. Mas ainda não sei se estou feliz por causa do resultado ou por ter testemunhado a expressão de amor da torcida coral.

Antes de encerrar de verdade, compartilho algumas informações que obtive na Internet. O primeiro jogo, com venda de ingressos, do Bahia na série C de 2007 teve 30.943 torcedores. Pouco mais do que o público de ontem no Arruda, porém as circunstâncias foram completamente diferentes: o jogo contra o Confiança (SE) foi o terceiro do Bahia em Salvador e ocorreu quando o time já estava classificado e tinha vencido duas em casa, com portões fechados e sem público, por cumprir. Ou seja, a expectativa era muito, mas muito maior.

Compare o público do Arruda com alguns públicos da série A: Coritiba 4 x 0 Portuguesa (12.860 pagantes); Fluminense 3 x 0 Atlético-PR (10.482 pagantes); Vitória vice-líder do Brasileirão 5 x 2 Botafogo (26.560 pagantes); Santos 1 x 1 Grêmio (10.138 pagantes). Os demais públicos não estão disponíveis nos sites esportivos.

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ATUALIZAÇÃO - Nova enquete

Você acredita em placar eletrônico, ônibus, reforma da arquibancada superior e contratação de Marcelo Ramos?

  • Sim, e eu também acredito que Sandy é virgem (19%, 57 Votos)
  • Sim, e Ronaldo não sabia que foi pro motel com travestis (20%, 61 Votos)
  • Sim, eu acredito no meu presidente (7%, 22 Votos)
  • Mais ou menos (8%, 24 Votos)
  • Não, nem fud... (46%, 141 Votos)

Total de Votos: 305

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Sou Santa Cruz, sou Tricolor, de coração!

Foto: Jr. Montila
Santa Cruz 3 x 0 central - 09/07/2008

Por Gerrá da Zabumba

Depois de meses sem ir ver uma partida oficial no José do Rego Maciel, fui ontem. O final do expediente parecia que não chegava. Depois das 17 horas, meu celular não parava de tocar. Que eu lembro, ligaram pra mim: Milton, Chiló, João Valadares, Chico Arruda, Sérgio, Inácio, entre outros. As perguntas eram sempre as mesmas: tu vai que horas? Já tás aí? Tu vai ficar aonde?

Fui de carona com Chiló. Quando cheguei ao Arruda, a bola já estava rolando. É que estou entregue ao DM. Antes do jogo fui fazer fisioterapia para curar uma contusão no ombro e, além disto, o congestionamento na Avenida Norte foi grande. No engarrafamento já dava para sentir que a torcida coral mais uma vez iria fazer a sua parte. Aproveito para avisar aos candidatos ao cargo de prefeito do Recife, que aquela avenida precisa urgentemente ser alargada, nela não cabe a massa coral. Voltemos ao assunto.

Quando saí do Arruda a frase que mais escutei foi: “a torcida botou pra f…!”. Meus amigos, botamos mesmo. Que espetáculo. O que a torcida do nosso Santa Cruz nos proporcionou ontem, foi algo digno de fazer os olhos encherem de lágrimas. Lágrimas de alegria. Como diria Odorico Paraguaçu, “a noite de ontem é para entrar nos anais e menstruais do Santa Cruz Futebol Clube”.

Confesso que em alguns momentos da partida, esqueci o que ocorria no gramado e fiquei assistindo ao show das arquibancadas. Crianças vibravam. Senhores cantavam. Ao meu lado João (o peruca) sorria, admirando a infernizada torcida coral. Sua digníssima Manu mostrava o braço arrepiado. A minha primeira-dama não cansava de repetir sua famosa frase: “uma torcida dessa e o clube desse jeito”. Em um determinado momento tive que conter a euforia da minha mulher, que queria tirar o manto sagrado para ficar sacodindo em sintonia com o resto dos tricolores. É, o Santinha faz as pessoas cometerem loucuras.

A voz ecoada ontem no Arruda era escutada até por quem não estava lá. Um amigo meu, que mora próximo a praça do Rosarinho, me disse assim: “rapaz, vocês ontem estavam demais. Do meu apartamento eu tava ouvindo a torcida cantar”. Respondi em pensamento: “nós somos demais”. E digo mais, somente alguém de muita insensibilidade não se comove com essa nossa paixão. Um clube falido, um time desacreditado participando da famigerada série C nacional, uma cartolagem que trata mal os aficionados do clube e uma paixão que não para de crescer. É como já disseram aqui no blog, essa torcida merece um estudo científico.

Hoje o Recife amanheceu mais bonito. O sol brilhando e iluminando as nossas camisas tricolores. O preto-branco-encarnado, colorindo a cidade. O povão despertou em festa. O torcedor santacruzense acordou com aquela musiquinha, “… sou Santa Cruz, sou Tricolor, de coração!”, e com as imagens de ontem na cabeça.

Na boca do povo o assunto não é o jogo, mas a instituição chamada torcida do Santa Cruz. Esta instituição incomoda muita gente. Essa instituição, a torcida do Santa, é digna de dias melhores. A nossa instituição, a torcida do Santinha, deve ser tratada com carinho.

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Que torcida é essa?

Confira em nossa lista de reprodução do YouTube alguns vídeos da emocionante festa da torcida coral durante o jogo de ontem, quando demos uma lapada de 3 a 0 no central exporti crube!

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Tricolores em Angola

Depois do artigo de ontem sobre o upgrade em nosso álbum do Flickr, recebemos algumas fotos para compartilhar com a torcida coral. Estas foram enviadas pelo analista Andrey Bruscky, que vive em Angola a milhares de quilômetros de distância da sua terra e da torcida coral:

Tricolores em Angola Tricolores em Angola
(confira outras imagens no site www.flickr.com/photos/blogdosantinha)

Segue abaixo seu depoimento (enviado antes da partida contra o pinto do agreste):

“Seria um prazer aparecer no blog, apesar de não escrever assiduamente, é através dele principalmente que conseguimos nos manter melhores informados das notícias do nosso amado Santinha.

Neste exato momento que te escrevo, são 23:50 h daqui, o fuso daqui é de 4h a mais que Recife, faltam apenas 40 minutos para começar o jogo, estamos aqui, eu e o André Luiz que divide o apartamento comigo, aguardando o início da partida, para tentarmos escutar por alguma rádio online daí. A internet daqui é sofrível, quando conseguimos escutar sem falhas ou delay é uma alegria, mas todo sacrifício vale a pena.

O jogo deve terminar umas 02h30 da manhã daqui, dormiremos bem pouco, passaremos o dia amanhã com sono e nem sabemos se vamos conseguir escutar algo, mas estamos aqui, na maior ansiedade, parece que vamos ao jogo… Só a nossa torcida é capaz disso.

Estamos aqui há 1 ano e 3 meses, passamos o ano passado sofrendo a distância, foi muito difícil… Sempre fui frequentador do mundão, não perco um jogo.

Por motivos profissionais fui obrigado a me afastar fisicamente do estádio, mas o amor não acaba e nem diminui, só aumenta. Trabalhamos com tecnologia, sou analista de sistemas, trabalhamos num projeto de informatização dos hospitais públicos daqui de Angola e a cada 3 meses, temos 15 dias de férias aí no Brasil, estou chegando aí no dia 17/07 (daqui a 7 dias), irei pegar 3 jogos do Santa - pense numa felicidade!

Já avisei à mulher (barbie… vai rolar stress), família e amigos, que irei para todos os 3 jogos, inclusive o de Caruaru. Existem aqui muitos brasileiros, entre eles, bastante tricolores, na nossa empresa são 25 Pernambucanos, a maioria é tricolor pra variar.

Mantemos peladas e encontros constantes aqui com toda a comunidade Brasileira, e eles ficam espantados com o nosso orgulho, de vestir e se glorificar do nosso time, mesmo na situação que ele se encontra; os torcedores da coisa morrem de inveja. É através desse sentimento que iremos tirar ele da situação que ele se encontra.

Bom, vou ficar por aqui, sempre que possível te enviarei novidades e novas fotos. Espero encontrar essa turma no Arruda dia 20/07… Boa sorte pra gente hoje!

Abração,
Andrey”

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