Caruaru também é minha casa
Por Geovane Vitor Vasconcelos, professor universitário radicado na Paraíba
Sempre soubemos da força da nossa Torcida. Agora, nessa série C, nessa fase regional, constatamos outra realidade, que distâncias não são obstáculos para a Nação Tricolor. Mesmo com 200Km longe de Recife, dividimos o campinho dos paraibanos de Campina Grande, colocando aproximadamente 6 mil tricolores, numa partida que marcou um público de 13.000. É para morrer de inveja, para um estado onde mais de 90% dos torcedores idolatram os times do Rio e São Paulo, os mesmos que a Globo chamou de Caipiras do Flamengo, numa transmissão de uma partida da Copa dos Campeões. Que orgulho!?
Para Caruaru são apenas 120Km. Entretanto, desde quando em Caruaru o Santa joga fora de casa? Que eu saiba nunca! Em encontros memoráveis no passada, contra o central ou o porto, principalmente em jogos decisivos, a torcida do Santa sempre foi a maioria, oriunda de Recife e de Caruaru mesmo, reforçada pelos tricolores de cidades adjacentes, tais como Bezerros, Gravatá, Bonito, Agrestina, entre outras. Nem podemos chamar a isso de invasão, uma vez que a Nação Tricolor é a maior em Caruaru, e coexiste no estado todo.
Caruaru é Pernambuco. Se é Pernambuco é Santa Cruz. Se é Santa Cruz, estamos em casa.
Caruaru é uma casa que a Torcida do Santa tem no interior, que usa para comer bode! Ou será Patativa?
E tem mais. Da pouca torcida verdadeira que tem o central, muitas pessoas são torcedores do Santa, coisa e barbie, que sempre reforçam a torcida de lá, quando jogam com os adversários tradicionais da capital. Isso é cultura, principalmente em Pernambuco, que é o único Estado do Norte-Nordeste do Brasil que não perdeu a identidade com o futebol: gostamos de nossos times. Não somos rivais e nem adversários, somos inimigos mesmo, principalmente da coisa, embora recentemente deveríamos odiar mais as barbies, que vergonhosamente nos tirou o título de Campeão Brasileiro da Segundona, naquela Batalha dos Aflitos.
Se invadimos Campina Grande com 6 mil, vejo pelo menos 10.000 em Caruaru. Eu vou. E você, vai ficar em casa? Aliás, a pergunta não é bem essa, e sim: e você, não vai para sua casa do interior?
Vamos comer bode e patativa, exatamente nessa ordem. Mas se beber não dirija.
PS.: Edinho, CBF, imploramos, abram o anel superior. É paixão demais para um estádio reduzido.
Não deixo o meu Santa Cruz nem no último pau-de-arara.
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Nota da Editoria de Arte: Em março de 2007, recebemos um email do tricolor Felipe Camarão, ora exilado no México, com a imagem acima dos bonecos de barro e a seguinte mensagem:
“Estimados Samarone e Inácio,
acabei de adquirir um livro muuuito interessante, chamado “Futbol a sol y sombra” de Eduardo Galeano. O livro consiste numa coleção de crônicas do grande Galeano sobre as copas, e alguns jogadores, incluindo a muitos brasileiros. Mas o melhor do livro, pelo menos da edição mexicana que comprei aqui na Cidade do México é a capa. Pra minha surpresa a capa traz uma escultura de barro de Zé Caboclo ao estilo “bonecos de Vitalino” com todo um time do Santa Cruz em posição clássica de foto. Essa é a edição que circula aqui no México, estampando uma equipe tricolor de barro.
Pra dar uma olhada: http://www.patriagrande.net/uruguay/eduardo.galeano/el.futbol.a.sol.y.sombra/index.html“
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