Quem perder, raspa o pêlo!
Por Gerrá da Zabumba
Existem alguns lugares especiais para se conversar. Para mim, barbearia, táxi e bar sempre rendem uma boa conversa ou uma história interessante. Esta semana, desafiamos a lei do bafômetro e tomamos uma. O encontro era apenas para matar a fome, mas a sede falou mais alto, e aí, esquecemos a hora e a lei, e saímos quando o bar já estava fechado. No começo a roda de amigos estava formada por cinco tricolores corais santacruzenses das bandas do Arruda. No decorrer da partida, dois abandonaram a tarefa mais cedo e ficamos nós três, eu, Milton* e Sérgio*.
Num determinado momento alguém falou sobre mulheres que vão ao estádio, daí se entrou num papo sobre os casais que vão aos jogos, em pouco tempo o assunto era tricolor que tem companheira burro-negra e de repente a prosa foi uma aposta. Pra quem não sabe, mesa de bar é assim: conversa-se sobre tudo e todos, e entre um gole e outro, o rumo da história muda rapidamente.
O assunto da mesa era uma aposta. Não uma aposta qualquer, do tipo quem perder paga uma grade de cerveja ou uma garrafa de uísque. Nem aquelas bem caretas, na qual o perdedor é obrigado a distribuir cestas básicas. A história foi uma aposta entre um casal, um tricolor e uma burro-negra. Por falar em apostas, havia na Vila do IPSEP um barbeiro torcedor da barbie que apostou uma feijoada com um burro-negro. O barbeiro, que era conhecido por Barbeirinho, perdeu. O torcedor da leoa chegou na barbearia acompanhado de outros maloqueiros para cobrar e tirar onda.
Barbeirinho, que era conhecido pelo seu fanatismo pelo alvirosa, por torcer pela Argentina e por seu bom humor, reconheceu a derrota, foi até a mercearia ao lado, comprou uma lata de feijoada e entregou ao vencedor. A galera foi ao delírio. Lá no IPSEP tinha também Seu Monteiro, ele era amigo do meu pai e especialista em apostar nas rendas. O coroa chegava a torcer pelo time dos outros, caso isso aumentasse suas chances de acertar a renda. Não sei se nos tempos atuais ainda existe esse tipo de apostador. Bom, mas voltemos ao assunto que estava na pauta da mesa do bar.
Sérgio* nos contou que namorava uma burro-negra, dessas bem chatas e que gostam de encher o saco. Eis que às vésperas de um clássico das multidões ele teve a brilhante idéia de fazer uma aposta com a ela. Apostou simplesmente o seguinte: quem perdesse rasparia os pêlos pubianos. Isso mesmo, o pentelhos da região genital. O interessante é que não era cada um raspar o seu. “Se ela perdesse eu raspava os pelinhos da b… dela. Se fosse eu o derrotado, ela raspava meus pentelhos”, explicou o estrategista apostador, dando uma bela gargalhada e, em seguida, tomando uma golada de cerveja. É, senhores, chapéu de otário é marreta e cobra que não anda, não engole sapo.
Confesso a vocês: em toda minha carreira futebolística, nunca tinha visto nada igual, nem parecido. Já vi nego raspar a cabeça, tirar o bigode, pintar o cabelo, porém, raspar os pentelhos do adversário foi novidade pra mim.
Sim, e Sérgio* foi pro jogo. Confiante da vitória nos gramados, ele ainda levou de quebra para servir de testemunha, o filho da companheira. E não deu outra, 1 a 0 para o Santinha, lá dentro da ilha da fantasia. Fiquei imaginando o que se passou na mente do tricolor apostador durante a partida. E na hora do gol? O cara deve ter visto mil fantasias na sua cabeça e ficado de p… duro. Fim do jogo, o cabra deve ter endoidado feito jumento quando ver jumenta no cio. Como diria o cearense Falcão e o tricolor Tiné, vocalista do grupo Academia da Berlinda, “Sérgio* deve ter ficado envernizado”.
Feliz da vida, o nobre tricolor chegou na residência da perdedora, tirou a sua onda, danou o barbeador pra cima e executou a obra. Deixou tudo lisinho como haviam apostado. Junto com a burro-negra raspadinha, ele dormiu feliz da vida. Segundo ele, a noite só acabou no outro dia de manhã.
Imaginem se um assunto desse cai na boca da torcida do Santa. Do jeito que o povão tricolor é criativo e tarado…
No final da noite, já com umas cervas na cabeça, Sérgio* confessou para nós: “eu era doido pra ver aquilo dela bem raspadinho!”.
Milton*, Sérgio* - estes nomes não são reais, qualquer semelhança com alguém que você conheça é mera coincidência.
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