Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 5 de agosto de 2008

O fabuloso destino do Blog do Santinha (série comemorativa dos 3 anos do blog)

Alinhamento dos planetas - Foto: Luis Carreira

Alinhamento dos planetas - Foto: Luis Carreira

por Dimas Lins

Em 10 de agosto de 2005, o universo sofreu uma pequena transformação, imperceptível para o resto da humanidade, mas que fez nascer uma paz quente nas hostes corais. Segundo os astrônomos, sete astros se alinharam no firmamento, como só no dia da bomba de Hiroshima. Este anti-acidente, que teve início às 07h22min e terminou precisamente às 20h31min, transformou o céu em três cores e foi responsável por pequenos eventos, culminando com a mudança drástica da nossa maneira de enxergar o Santa Cruz.

Após uma longa pesquisa, finalmente consegui reconstituir os eventos daquele dia e agora compartilho com todos vocês.

Precisamente às sete horas e vinte e dois minutos da manhã, nascia Marivaldo, pesando um pouco menos de quatro quilos. O pai, orgulhoso, mostrava pelo vidro do berçário a primeira roupinha do Santa comprada para o guri.

Próximo dali, duas horas depois, Seu Joaquim recebia uma carta de seu filho Antônio, que fora tentar a sorte em São Paulo. Na carta, Antônio mandava o dinheiro que prometera ao pai, um senhor de quase setenta anos, para que ele finalmente se tornasse sócio do Santa Cruz. Seu Joaquim, desde então, substituiu a identidade pela carteirinha do clube.

Quase vinte minutos depois, num terreno baldio na várzea, Josival, um garoto de 13 anos, era observado por um olheiro coral quando fez um gol de placa e decretou a vitória de seu time por morte súbita no torneio dos garotos do bairro. Na comemoração, ele formou um T com os braços, em homenagem ao seu time do coração.

No Mercado da Boa Vista, por volta do meio-dia, Paulinho, o popular Barraca, depois de pedir um caprichado sarapatel ao dono do bar, ofereceu um gole de cachaça para o clube do Santo Nome e em seguida brindou com os amigos a alegria de ser tricolor.

pelas quatorze horas, durante uma partida de sinuca, Zezinho Peroba apostou uma grade de cerveja que o Santa voltaria à primeira divisão. Confiante na vitória, ele prometeu fazer sua famosa feijoada para forrar a barriga da rapaziada durante o festejo.

Pouco depois das quinze horas, Nestor, um moleque recém-chegado do interior de Sergipe, se apresentava ao diretor das divisões de base do clube, como o mais novo integrante da equipe de Juniores. Nestor passou mais de meia-hora para conseguir achar a entrada da sede social e, mesmo sem saber do apelido carinhoso, chamou o Arruda de Mundão.

No Morro da Conceição, após as badaladas das 18 horas, João Tenório, um homem de muita fé, acendeu uma vela e se ajoelhou aos pés da Santa para pedir proteção para os jogadores corais na jornada de retorno à Série A. Casualmente, nesse mesmo horário, Pai Kuzé recebia um pedido de Dona Dilma, dona de casa e mãe de cinco filhos tricolores, para preparar uma oferenda para que os Orixás também olhassem pelo time.

O relógio ainda não acusava dezenove e trinta, quando dezenas de pessoas testemunharam o casamento de José Vitorino da Silva com Regina Maria de Azevedo, na Igreja do Carmo. O noivo usava uma camisa do Santa Cruz por baixo do paletó e depois do “sim” cantou baixinho o hino do clube.

Exatamente às vinte horas e trinta e um minutos, os jornalistas Inácio França e Samarone Lima, depois de uma boa carraspana no bar de Seu Vital, publicaram o primeiro artigo do Blog do Santinha. Os fundadores queriam trazer para a internet o clima das arquibancadas e nem faziam idéia que a sua criação se tornaria mais importante do que o Google, o Youtube e o Orkut juntos. Pena que o blog ainda não tenha dado o mesmo retorno financeiro dos outros sites menos famosos.

Após esse dia, o Blog do Santinha tornou-se o mais importante veículo de comunicação da nação tricolor. Por aqui, passaram pequenos personagens e grandes torcedores. Neste pedaço da internet, a lendária Sanfona Coral tocou para animar nossa torcida, demos inspiração à criação do blog Torcedor Coral e abraçamos o Arruda. Também endurecemos contra alguns presidentes, pero sin perder la ternura jamás.

O Blog do Santinha trouxe-nos as alegrias e as tristezas do cimento da arquibancada e projetou em suas páginas virtuais o desapego amoroso de um povo simples, de gente como a gente. Por sua causa, ficou menos doloroso suportar os sucessivos tropeços na séries A e B e fomos capazes de perceber que, apesar de tudo, ainda é possível ter esperanças.

Em busca de dias melhores, o destino traçado pra o Blog do Santinha será ainda mais fabuloso.

Feliz aniversário, camaradas.

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Qual o pernambucano mais famoso da história?

Rivaldo em um time infantil do Santa Cruz

Rivaldo em um time infantil do Santa Cruz (é o 4ª da esquerda pra direita dos jogadores que estão em pé)

Por Pierre Lucena, economista (texto originalmente publicado no blog Acerto de Contas)

Na semana passada André Raboni apresentou um texto aqui no blog, falando dos 70 anos da morte de Virgulino Ferreira, o Lampião (Cangaceiros, coronéis e a nossa república de máscaras).

Um leitor me mandou um e-mail, dizendo que aqui em Pernambuco a população idolatrava um bandido sanguinário, que virou mito, e este seria hoje o pernambucano mais famoso da história.

Fiquei aqui pensando quais foram os pernambucanos que ficaram conhecidos, para ou bem ou mal, pelo mundo afora.

Será que Lampião seria um desses? Acredito que não.

A Rede Globo chegou a fazer algumas enquetes no ano 2000, perguntando à população quem seria o “pernambucano do século”. Tentaram separar as áreas, já que muitos tiveram importância em determinado segmento. Vamos aqui pensar quem seriam as pessoas mais famosas (não estou discutindo importância, mas fama).

Podemos pensar em Lula, em Gilberto Freyre, ou mesmo em Luiz Gonzaga.

Mas realmente não tem para ninguém. Ninguém chegou mais longe do que Rivaldo.

Escolhido melhor jogador do mundo em 1999, craque da seleção em duas finais de Copa do Mundo, sendo decisivo no pentacampeonato de 2002, Rivaldo é uma lenda viva do futebol. Depois de Pelé, é considerado ao lado de Zico como o melhor camisa 10 da história da Seleção.

Me lembro até hoje do dia que estava no Arruda, em 1991, e vi aquele centroavante magrelo entrando em um jogo da Segunda Divisão. Ainda me perguntei: quem será esse?

Rapidamente o camisa 9 fez um gol, que foi um dos poucos que fez no Arruda. Depois de uma temporada, foi vendido ao Mogi-Mirim por uma mixaria, ao lado de Leto e Valber, que se transferiram para o Corinthians mais tarde.

Comprado pelo Palmeiras, foi o destaque do timaço comandado por Luxemburgo, na era Parmalat.

Se transferiu para o La Coruña, e depois para o Barcelona, onde ganhou o mundo. Sua melhor fase foi no time catalão, entre 1998 e 2002, onde foi eleito o melhor jogador do mundo.

Atualmente joga na Grécia, onde foi campeão nas 4 temporadas que disputou (o último título está sendo disputado nos tribunais).

Se tivesse a desenvoltura mercadológica de Ronaldo, teria sido escolhido outras vezes como melhor do mundo.

Dono de um futebol refinado, Rivaldo é sem dúvida o pernambucano mais famoso da história. É até covardia comparar a com as outras áreas, já que o futebol alcança o mundo todo.

Existem alguns vídeos de Rivaldo com gols espetaculares. Mas este que aparece no vídeo acima é um dos mais bonitos que se tem notícia. Foi marcado aos 43 minutos do segundo tempo, no clássico Barcelona x Valencia. A partida estava 2 a 2. É o cartão de visitas do craque. Aumente o som que é de arrepiar.

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