Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

A posição de Rodolfo Bourbon

por Rodolfo Bourbon

Eu peço demissão do Diario de Pernambuco. Mas com algumas condições. Entre elas, se as imagens da câmera instalada na entrada do corredor da diretoria do Santa Cruz mostrarem que estou sem o crachá do Diario de Pernambuco. Outra condição é se Dirceu Paiva tiver a consciência limpa para contra-argumentar os seguintes comentários que fiz a ele:

“Dirceu. Tudo bem? Eu sou Rodolfo Bourbon, que fez a reportagem de conclusão da faculdade sobre o seu Paraíba. Está lembrado? (…) O projeto foi bem aceito, sim. Acabei tirando 10. (…) É o seguinte. Eu quero publicar no Diario de Pernambuco a história das taças abandonadas no depósito (…)”.

Dia, horário e local foram combinados para a realização da entrevista. Antes de me encontrar com o funcionário do clube, comentei:

“Dirceu. Desculpe o atraso. É que eu estou esperando o fotógrafo para ir com ele (…)”.

Uma prova incotestável de que eu estava fazendo a matéria para o Diario. Eis que eu ouvi a recusa de Dirceu. Ele alegou que não seria “legal” fazer imagens, pois o acervo estava muito “desarrumado”. Peguei o carro da empresa e fui sem fotógrafo.

Cheguei ao local – de crachá à mostra – e fui conduzido por Dirceu para falar com o gerente de marketing do Santa Cruz, Sérgio Travassos. Ou seja, ouvir o outro lado da história – fato que o Blog do Santinha, com um contundente discurso sobre lições de jornalismo, não fez, soando contraditória a crítica de uma suposta falta de ética, sem utilizar meios éticos. Voltando ao dia da entrevista. Conversei com Travassos – de crachá e me apresentando devidamente como repórter do Diario de Pernambuco – sobre o projeto de criação do museu. Despedi-me e fui com Dirceu conhecer o depósito onde o acervo do Santa Cruz está literalmente abandonado.

Chama-me atenção outro fato. O texto do Blog do Santinha diz que Dirceu alegou que o local não é úmido e as taças não estão sendo corroídas. Eis alguns comentários de Dirceu: “Um velho de 78 anos não consegue lidar com tanto mofo e poeira”. O “mofo” é causado pela umidade do ar. Outro comentário: “Algumas dessas taças, para serem recuperadas, custam cerca de R$ 600″. Sim. As taças estão corroídas e o local onde estão pode agravar ainda mais a situação. Vi, sim, vestígios da presença de cupim. Ah, sim. As fotos? Capturei por celular. A sala estava escura e o flash era evidente. Ninguém chegou para impedir a realização das fotos.

A entrevista se encerrou com o seguinte comentário de Dirceu Paiva: “Ei. Não pega muito pesado na matéria, não”. (Depois dessa, não tenho mais nada a relatar sobre esse dia de entrevista).

Passo a direcionar meus comentários ao Blog do Santinha. Não seria interessante, logo após ouvir o relato de Dirceu, você ligar para o meu celular, Inácio França? Não tinha o número? Pois bem. Meu e-mail estava na matéria. Não quero pedido público de desculpas, como você e outro representante do Blog foram obrigados a fazer em outra oportunidade com um ex-dirigente tricolor. Peço apenas para que esse direito de resposta seja publicado na íntegra.

Dispenso briga ou confusão. Não guardo mágoas. Lamento que minha imagem tenha sido difamada. Sou repórter (e não repórter-estagiário) e, sim, busco ascensão na carreira. Mas o ataque que vocês fizeram foi infeliz e inoportuno. Sem chances de defesa. Um verdadeiro tiro por trás na ética do jornalismo. Incitando a violência, pois há comentários de internautas no seu texto como “Rodolfo Bourbon, Rodolfo Bourbon, Rodolfo Bourbon… não se esqueçam”.

Enfim, despeço-me, deixando uma sugestão jornalística: por quê o Blog do Santinha não vai ao depósito verificar a situação de abandono de 95 anos de história do Santa Cruz?

Sem mais.

Comentário de Inácio França:

Bourbon teve oportunidade e tempo para apresentar sua versão. Na sexta-feira, dia 10 de julho, o subeditor de esportes do DP, Carlos Lopes, foi contactado por mim e recebeu a informação que estávamos programando a postagem que seria publicada hoje. Solicitei contato com o repórter Bourbon na manhã de sexta, mas ele não estava da redação. Pedi que lhe desse meu celular e que avisasse que o texto seria publicado. O contato só foi feito hoje à tarde, depois da publicação.


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