Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.

Lições do amor de mãe

por Mônica Crisóstomo Johnston, jornalista, repórter do Jornal do Commércio Dizem que amor de mãe é o maior do mundo. Eu concordo e vou explicar os motivos. Desde que cheguei ao Recife, em 1995, fui apresentada ao futebol pernambucano pelo meu pai, o irlandês mais brasileiro que eu conheço. Morávamos na Boa Vista e ele se apaixonou pelo Sport. E obviamente, levou os três filhos para lá. Como éramos ainda pequenos acabamos "sendo levados" pela onda. Virei rubro-negra. Ele nos levava para os jogos, matriculava a gente em atividades esportivas por lá e tudo mais que tinha direito. Bem.. eu cresci.. casei…. tive filhos e aí minha vida mudou. Mudou para melhor é preciso dizer logo! Meu marido é tricolor (daqueles de corpo e alma mesmo)…. mas por mais que ele tentasse me convencer a mudar de lado, eu sempre ligada às minhas memórias de infância, resistia. Mas aí meu filho primogênito nasceu. Matheus sempre foi um menino muito decidido e desde pequeno mostrou a que veio. Aos três anos, quando perguntavam para que time ele torcia, lá vinha a resposta: "pelo time da cobrinha"! E o tempo passou, o menino cresceu e as cobranças também. Ele vivia perguntando porque a "mamãe torce pelo Sport se as pessoas que ela ama tanto são tricolores?".. eu pigarreava de um lado…. tossia de outro e ia levando. A marcação aumentou a medida que ele crescia e seu poder de argumentação ficava cada vez mais apurado. Seu amor pelo Santa entusiasmava. Era mesmo bonito de ver a devoção com que ele assistia aos jogos, ria, chorava e colocava para fora todas as suas observações. Um belo dia, faltando algumas semanas para o Natal de 2004, ele veio com a seguinte pergunta: "Mãe, sabe qual o meu maior desejo para 2005? O presente que eu mais queria ganhar?" Meu primeiro pensamento foi: "agora lascou… estamos pagando apartamento e ele vai dizer que quer uma coisa daquele tipo que dá medo até perguntar o preço ao vendedor…" gelei… e perguntei timidamente, com direito a dedo cruzado e tudo mais. "O quê filho?" A resposta dele foi responsável por uma das principais mudanças de minha vida. "Eu queria que tu virasse tricolor. Por favor, mãe. Nossa família precisa que você seja tricolor para a felicidade ser completa". A essa altura do campeonato a minha filha caçula já estava com sete meses e não teve escapatória, para evitar as más influências, o irmão repetia todo dia para ela: Alanah é tricolor, tricolor… e tome a cantar as músicas do Santa para a pirralha. Bem, voltando ao pedido. Fiquei sem ação. Confesso que já torcia caladinha pelo Santa porque adorava ver Matheus com os olhos brilhando de felicidade. Mas agora, havia chegado a hora de oficializar a viração da casaca. E foi em grande estilo. Em um domingo, vesti a camisa do Santa do meu marido, Pedro, e avisei. Vamos ao jogo hoje e a mamãe vai torcer pelo Santinha. E ele perguntou "pra sempre?". Quando eu disse que sim, ele deu um dos sorrisos mais lindos que já vi na vida! Enfim, a família estava devidamente unida também no futebol. Desde então, a festa tem sido grande a cada jogo, a cada evolução. Hoje, tenho certeza de que fiz a melhor opção. Tudo começou pelo amor ao meu filho e evoluiu com a admiração e respeito a esse time de guerreiros. Sim, eu também sou uma tricolor de corpo e alma. E com orgulho! Esse da foto ao lado e meu filho Matheus, tem oito anos (mas faz nove no próximo dia 20). Alanah tem apenas um ano e meio e não pode ouvir falar em nenhum Carlinhos que de imediato ela emenda um sonoro: BALAAAA! Nota dos editores: o Manual de Redação e Estilo proíbe o uso dos nomes dos outros times locais, mas como o texto de Mônica está tão bom, mas tão bom mesmo, que deixamos do jeito que ela escreveu.

11 Comentários

  1. 1
    hudson

    16 de novembro de 2005 às 17:37

    Que texto lindo!!!! Mônica, sempre é a mãe quem dá a luz a um filho, mas neste caso o seu garoto lhe trouxe à luz. Você tem que ser eternamente grata por este momento!!

    Hudson

  2. 2
    geraldo de fraga

    16 de novembro de 2005 às 18:08

    E deu sorte… depois que ela “virou casaca” o Santa saiu da fila de títulos.

  3. 3
    Julio Vila Nova

    16 de novembro de 2005 às 18:55

    Que depoimento emocionante ! Quanta beleza esse blog tá reunindo sobre essa grande emoção que é ser tricolor, do Mais Querido, Clube das Multidões ! Que venham mais belas histórias, que temos muitas ainda a contar !

  4. 4
    monica

    16 de novembro de 2005 às 19:56

    Gente… vocês não imaginam como foi legal ver o texto no blog. Matheus simplesmente a.m.o.u! Valeu mesmo. Pense numa criança feliz (e numa mãe mais feliz ainda!).

  5. 5
    samarone lima

    16 de novembro de 2005 às 20:32

    Mônica, lindo texto.
    Amigos, agora a apertem os cintos, que vem ai um texto de Laércio que é de fazer a alma gemer.
    Rumo ao título!
    samarone lima

  6. 6
    Anonymous

    17 de novembro de 2005 às 8:46

    Mônica,

    Faz um poster com essa foto.. Muito bom o menino crescer se vendo num poster com o maior ídolo!!

  7. 7
    Anonymous

    17 de novembro de 2005 às 11:49

    Belo texto!!” Sama, ainda mando o meu.
    João Valadares

  8. 8
    Bruno Vasconcelos

    17 de novembro de 2005 às 15:27

    Pessoal,

    Este texto esta muito massa!! Ate chorar, chorei!! Matheus, vamos ser campeões!!

    Abraço,

    Bruno

  9. 9
    Aline Moura

    17 de novembro de 2005 às 22:12

    Mônica Crisóstomo, companheira de pautas em política vez ou outra, estou com os olhos em lágrimas com este depoimento. De VIRADA É MAIS GOSTOSO!!!!!!!!
    Beijos, linda. Fiquei super feliz em saber disso. Saiba, foi realmente a melhor escolha.
    Aline Moura

  10. 10
    Anonymous

    18 de novembro de 2005 às 9:31

    Que texto sensacional.. emoção máxima, seu filho é um anjo que lhe trouxe para o caminho correto!!

    Matheus, pode ter certeza, esse seu texto vai ser tão pé-quente, que seremos campeões, acredito até que por antecipação

  11. 11
    Ivan da burra, o patriota,

    18 de novembro de 2005 às 11:25

    Como diria o Super-Santa depois de uma virada do MAIS QUERIDO em cima da coisa e dentro da Casa dos Festejos: É demais, é demais, é demais, é demaaaaaaais…

    Mônica, belíssimo texto e eu posso te dizer que lá em casa é do mesmo jeito. Toda a família é tricolor e até hoje meus pais vão a todos os jogos no Arrudão.

    Dá-lhe, Matheus!!!