Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

Nem só no boteco da esquina se discute futebol


Pernas tortas tão importantes quanto
“Os Sertões”, do Euclides da Cunha
.

Essa é para quem gosta de ir além da conversa de boteco, movida a espetinho enfumaçado e cerveja de qualquer marca, à beira do estádio. Começou ontem, na UFPE, o seminário “Futebol, Cultura e Globalização”. A palestra de abertura coube ao ex-craque e ex-deputado federal Reinaldo, do Atlético Mineiro. Ele abordou Futebol e Política, mas a gloriosa equipe do Blog estava entregue ao Departamento Médico, e não pôde acompanhar os trabalhos. O ilustre Inácio França estava num morre-não-morre no bico da pequena área do seu apartamento, tendo convulsões por causa da febre, enquanto o também ilustre Samarone Lima, ainda convalescente, foi pego em flagrante, tomando um tremendo chá de alho com limão.

Hoje (quinta-feira), a partir das 9h, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, o lendário CFCH, que a turma chama de “Cefiche”, teremos um debate bastante inovador, sobre um tema que nós tricolores, graças a deus estamos imunes: “a paixão que um clube de futebol desperta em seus torcedores”. Pelo time da barbie, falará um médico, que deverá dar explicações sobre “como levar um gol jogando contra um time com apenas sete jogadores em campo: o caso Grêmio de Regatas”. Do lado da coisa, chamaram um advogado, que, julgamos, deve ser de defesa. Pelo nosso glorioso Santa, foi chamado o senhor João Caixero de Vasconcelos, que foi presidente do clube e diz estar escrevendo um livro sobre o Mais Querido. Vamos ver o que ele tem para dizer. O Blog tinha sugestões mais originais, como, por exemplo o Walmir Chagas, o Véio Mangaba.

Na sessão da tarde, cujo início será às 15h, o tema será “Futebol, Cultura e Identidade”, e o Blog promete estar presente, com gravador e máquina-fotográfica-emprestada-por-Gerrá. O antropólogo Sérgio Leite Lopes vai falar sobre “Futebol e identidade cultural”. Já o cientista político Túlio Velho Barreiro abordará o tema “A invenção do futebol-arte”. Por último, o sociólogo Paulo Marcondes Futebol vai discutir “Futebol e Arte”. Todos os temas, como podemos ver, estão repletos do universo santa-cruzense.

Na sexta-feira (12), o ziriguidum continua, com o tema “Os craques contam suas histórias”. A partir das 9h, jogadores falarão sobre suas experiências dentro dos gramados, um ídolo para cada time pernambucano: Ivan Brondi (barbie), Roberto Coração de Leão (coisa) e o lendário Ramon (Santa Cruz).

À tarde, 15h, o último tema: “Futebol e Globalização”. Pablo Alabarces, sociólogo e professor da Universidade de Buenos Aires vai entrar de sola com o tema: “Mitos e estereótipos nacionais em um futebol globalizado – o caso de Argentina e Brasil”. Nós do Blog discordamos dessa história de “caso” Brasil e Argentina. É pau mesmo.

“Globalização, mundialização e esporte: o futebol como megaevento” é o assunto abordado pela socióloga Tarcyanie Cajueiro dos Santos. Por último, o também sociólogo José Luiz Ratton discorre sobre “Mundialização do futebol e mudanças nas regras”.

Nos demais, solicitaremos um minuto de silêncio, em homenagem ao Seu Jura, pai do lendário sanfoneiro Chiló, que morreu ontem pela manhã.

E vai o registro: hoje é o aniversário da tricolor Andréa Ferraz, que nasceu numa família de barbies, mas botou moral e se tornou a dissidência coral na família. Parabéns, Déa!

13 Comentários

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    Julio Vila Nova

    10 de maio de 2006 às 22:17
    Bom momento para uma matéria com Ramon, artilheiro do Brasileirão de 1973. João Caixero não tá escrevendo porra nenhuma (acho que ele só é bom em matemática….deixa pra lá). Na verdade, ele tem em mãos um livro pronto sobre o Santinha, escrito por Givanildo Alves (jornalista, já falecido, autor de "História do Futebol em Pernambuco" e "85 Anos de Bola Rolando") em parceria com Lenivaldo Aragão e, parece, com a colaboração do próprio Caixero. É um livrão, um calhamaço de umas 500 páginas contando a trajetória do tricolor até os anos 90. Não sei por que ainda está engavetado. Enquanto o prefeito do Arruda não decide o que fazer com ele (deve ser muito bem escrito, a julgar pelos outros trabalhos de Givanildo Alves), bem que poderia disponibilizar uns capítulos para o blog publicar.
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    samarone

    10 de maio de 2006 às 22:29
    Inácio, estou chegando à conclusão que o Blog está reunindo uma tuia de tarados pelo Santa. Sào 1h23 da mandrugada, acabei de postar o texto sobre o seminário, e quando fui olhar se saiu tudo direitinho, 30 segundos depois, já tinha um comentário!
    Agora eu me pergunto: o que um sujeito está fazendo, quase 1h30 da madrugada, cutucando o Blog do santinha?
    Pior que isso: o que eu, em sã consciência, estou fazendo, em plena 1h da manhã, procurando fotos das pernas de garrincha no google?
    Estamos ficando meio malucos mesmo. Ainda bem que a Copa está ai, e vamos poder falar de outra coisa, fora o futebol…
    samarone
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    Julio Vila Nova

    10 de maio de 2006 às 22:41
    Ha ha ha ha !!! Botei o comentário e alguns minutos depois voltei para a matéria e tinha lá a indicação "6 comentários". Fiquei aliviado pensando "porra, pelo menos não sou o único doido !". Mas que nada !
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    O ANALISTA - DF

    11 de maio de 2006 às 7:24
    Que merda,

    Ontem o STJD julgou a bobônica do "Jr. Maranhão" e essa peste só pegou 02 jogos de punição. O STJD tirou todas as minhas esperanças. Esse perna-de-pau tinha que pegar, no mínimo, uns 50 jogos. Aí sim, tava de bom tamanho.
    SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!!!!!!!!!!!

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    Anonymous

    11 de maio de 2006 às 9:10
    Meus parabéns à tricolor Andréa, você é uma pessoa de bom gosto e com consciência social. Gosto de me vangloriar, também, de ter conseguido trazer à razão uma linda menina de 12 anos, vizinha minha em Aldeia e também originária de uma família barbie, tornando-se agora tricolor e, se Deus quiser, minha futura nora. Carlos Tricolor.
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    mauricio

    11 de maio de 2006 às 11:29
    Por falar em "caso" Argentina e Brassil, ontem assisti a Estudiantes e São Paulo, deixei a pelada flamerda e iputinga pra lá, e vi como se comporta um time diante de um "campeão do mundo", ao contrário de outros (Santa Cruz) que medrosamente e quase pedindo autógrafos aos campeões, entregaram-se na partida. O time do Estudiantes não é um clube de estrelas. É simplesmente um time de bons jogadores, semelhante ao Santa, com duas diferenças: CORAGEM e RAÇA. Rapaz, e a torcida deles, incentiva o jogo inteiro, cantando, tremulando bandeiras, faixas… em todo estádio, me arrepiei todo. Até no final do jogo, permaneceram no estádio. Que tal fazermos isso no Mundão do Arruda nos jogos do Santa? meu amigo, toda torcida no Arrudão cantando com faixas, bandeiras tremulando, rapaz, isso incentiva qualquer time. O que vi na Argentina foi verdadeiramente espetacular. Bom, resultado do jogo, 1×0 para o Estudiantes. Poderia ter sido mais não fosse um gol anulado e vários perdidos. Acho que Espinosa deveria pegar a fita desse jogo e passar para o elenco tricolor, para eles verem como se joga com um campeão do mundo e não repitam, no Arruda, o mesmo que no Morumbi, tenho medo disso. SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!
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    Julio Vila Nova

    11 de maio de 2006 às 11:49
    Boa observação, Maurício. O time argentino é até limitado, comparando-se com outros de lá, mas um símbolo da aplicação dos caras foi aquele zagueiro que jogou mancando (foi dele o gol anulado) e segurou a onda. A nossa torcida precisa se espelhar naquilo. Nossa torcida é uma torcida do caralho, mas infelizmente (e não por culpa dos torcedores) às vezes se ausenta, tantas já foram as decepções (é foda ter um Zé Neves no pé do ouvido nas rádios, derramando a sua verborréia). Falta a muitos, porém, o sentido de nação, o entendimento de que aquele clube é uma História de Identidade coletiva, de uma grandeza incomparável a qualquer outra. Somos o povão, e isso deveria bastar para fazer tremer qualquer outra porcaria da Madalena, dos Aflitos ou da casa do caralho. Do mesmo jeito que temos o dever de manter o espírito crítico contra as mazelas que povoam o Arruda (não vale a pena citar aqui de novo os nomes todos), temos o dever de preservar e exaltar essas cores. Vamos todos ao Arrudão domingo ! (vou agora tomar uma, já me preparando para a copa)
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    O ANALISTA - DF

    11 de maio de 2006 às 11:58
    Peraí Julio,

    Tomar uma? Deixa dar pelo menos 15:00 h. Devo aceitar, porém, que barriga não tem prateleira, calendário e muito menos relógio…
    SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!!!!!!!!

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    adairton medeiros

    11 de maio de 2006 às 12:18
    para a torcida do santa cruz se comportar como os argentinos, algumas "cositas" precisavam "cambiar":
    - a social para de xingar já no início da partida;
    - a inferno coral aprender a torcer;
    - o pessoal das cadeiras deixar de arrogância;
    - e por fim, um bom sistema de som para a turma da sanfona coral.
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    Anonymous

    11 de maio de 2006 às 12:39
    Samarone e Inácio,

    Desejo-lhes melhoras. Não fiquem preocupados, pois no namoro é assim mesmo: quando um adoece, o outro vai atrás!

    Gozador

    PS: hahahahahaha

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    Tonho Leveza

    11 de maio de 2006 às 13:06
    O pior foi a deixa: esse negócio de ir atrás é de doer….aí em vocês !
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    andré

    11 de maio de 2006 às 13:31
    vamos deixar o preconceito de lado. qual o problema deles manterem uma relação?
    esquenta não sama e inácio, pra acabar com estas insinuações aqui, vocês deviam assumir publicamente, afinal, o amor não tem barreiras.
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    alexandre

    11 de maio de 2006 às 14:38
    Sobre o comportamento da torcida: lógico que os resultados não estão ajudando, mas irmãos nosso modo de torcer nervoso, rancoroso, está atrapalhando o time e ajudando o adversário. Contra-ataque, o Mago pega a bola e em vez de “ÊÊÊÊÊʔ, pra deixar a defesa contrária intranqüila e fazê-los ir de vez num lance, cometer pênaltis e faltas perigosas, eu ouço um “boooooora” ecoando no estádio, fazendo nosso armador ou qualquer outro que puxe o contra-ataque acabe, com o raciocínio alterado, se precipitando e fazendo bobagem, se livrando da bola e, como quem se livra de algo indesejado, não acompanhando nem mais a jogada. E isso porque tem gente que espera que o Santa tenha a obrigação de conseguir os mesmos placares que barbies e coisetes conseguem no vale dos esquecidos, e eu volto a dizer isso já nos atrapalhou muito nos anos 90 e não vai ser o fracasso desses times que vai por o Santa pra frente e sim o nosso sucesso amplificado pela divulgação que a mídia dá para a série A, a permanência na 1a divisão não vai ser fácil, há essa injustiça de subir 4 da B, mas temos condições de fazer jogos equilibrados contra qualquer time e precisávamos de um treinador que soubesse ganhar jogos nos detalhes, domingo vamos começar a saber se já o temos. Eu sinceramente, exceto naquele apagão moral que rendeu a lembrança do complexo canino pelo Samarone, não vejo falta de raça nesse time, mas insegurança, nervosismo vindo da incompreensão por receber patadas de quem diz que lhe ama.

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