O caminho para o fracasso
por Inácio França e Samarone Lima
Todos lembramos bem do jogo contra a Portuguesa, o jogo decisivo, em que o Santa poderia finalmente voltar à Primeira Divisão. A cidade amanheceu enlouquecida. Melhor: a cidade não chegou sequer a dormir. Estávamos todos nervosos, esperançosos, ansiosos, estávamos felizes, radiantes, com a campanha comandada pelo mestre Givanildo.
Horas antes, a concentração, a festa, a Sanfona Coral rasgando as ruas do Recife, e, nas proximidades do Arruda, havia um formigueiro humano. Gente de todas as idades, todos os credos, pobres, ricos, remediados, fodidos, todos caminhando para o estádio, porque o Santa finalmente estava voltando ao lugar que merecia.
No caminho para o estádio, alguém fez um comentário:
“É uma honra muito grande, o cara chegar à presiência do Santa”.
E nos recordamos de Rodolfo Aguiar, numa longa entrevista para este Blog, há alguns meses. Ele disse que “se preparou”, durante muitos anos, para chegar a ser presidente do Santa. Foi um ritual que durou muitos anos, conhecendo os meandros do futebol, como se contrata, como se articula um bom time, as manhas de cada jogador, a relação com os demais diretores.
Impressionante sua visão de clube, de algo que se perpetuaria no tempo, de que o Santa era mais importante que sua própria vaidade.
Ascensão conquistada, começaram os erros, ainda nos últimos dias de dezembro. Os primeiros equívocos foram simultâneos. Um erro alimentou o outro. Delegar o poder de gerenciar o futebol a um grupo inexperiente e imaturo, sem qualquer vivência no ambiente selvagem do futebol, foi a decisão que desencadeou a tragédia em curso. Dá para imaginar um estudante de Química ser responsável por exportação e importação de açúcar? Pois é algo assim que está acontecendo no Santa Cruz.
Em seguida, Givanildo e a diretoria instituíram o espírito do funcionalismo público no Arruda: os jogadores da campanha de 2005 conquistaram estabilidade. Neto, por exemplo, desistiu de jogar no Juventude pro causa do argumento que não valeria deixar de ser titular no Santa Cruz para se arriscar lá fora. Esse tipo de coisa acomodou vários atletas.
O estadual começou e o péssimo dos adversários mascarou as limitações do Santa. Todos - diretoria, torcedores, imprensa e até os próprios jogadores - imaginavam que Giva iria fazer milagres e consertar o time com algum passe de mágica. Assim, os problemas reais foram subestimados. Pra piorar, os cartolas decidiram priorizar o estadual e anunciaram que o time para o Brasileiro era outro.
O resultado é que o Santa Cruz não se preparou para o Brasileirão. E começou a fazer isso tarde demais, com o campeonato em andamento. Agora, diante de uma campanha tão ridícula, nenhum jogador que se preze tem coragem de vir se arriscar no Recife. A primeira coisa que o cara pensa é “como é que vou receber?”. Qualquer um de nós, com um mínimo de profissionalismo, faria essa pergunta.
O último erro foi a pá-de-cal: a troca de Giba por Valdir Espinosa para satisfazer a vontade de um elenco acomodado e confuso e de diretores que não conseguiam compreender o profissiolismo e a inteligência do treinador paulista.
Chegamos agora ao fundo do poço. Descobrimos que o “Clube das Multidões” se tornou um pequeno reduto, cada vez mais reduzido, de gente que faz e desfaz no clube. Contratações as mais disparatadas, sem embasamento técnico, craques vendidos a troco de nada. Pior que isso, uma grande quantidade de tricolores ilustres, pessoas esclarecidas, inteligentes, capazes de contribuir com o clube, bem distantes do Arruda.
Os homens que montaram o time do ano passado, que nos deu o título estadual, e a volta à Primeira Divisão, saíram no momento em que o time começava a ser campeão. Saíram não, foram enxotados, porque suas práticas não combinavam com as de quem “manda” no clube.
Infelizmente, continuamos sem conseguir postar fotos no Blog. Em compensação, orgulhosamente informamos que, no novo ranking do concurso Coke Ring da Coca-cola, mantivemos a segunda posição.






mauricio
4 de junho de 2006 às 21:09
Pela primeira vez nesse campeonato vou elogiar o Santa. Foi a melhor partida do time nesses 10 jogos. Tirando a desgraça do Zada, vi um bom desempenho dos demais jogadores, principalmente Augusto Recife, que deu mais segurança e consistência ao meio campo. Vontade não faltou, mesmo perdendo, foi bem melhor que o Vasco. Alguém pode até discordar de mim, mas, com esse time, menos Zada, e esse esquema de jogo com os três zagueiros e valdson saindo para armar o ataque, o qual gostei muito, já estou vendo “uma luz no fim do túnel”.
Anonymous
4 de junho de 2006 às 21:17
Valdson realmente jogou muito bem. Mas o time foi bisonho nas finalizações. Uma coisa horrível !! O Vasco é uma merda rala e conseguimos ser piores do que o esqudrão de Furico Mirinda. A coisa está tão desanimadora que demorou a aparecer um comentário. Tô arretado !!
Coronel Peçonha
4 de junho de 2006 às 21:29
Inácio, gostaria de lembrar o nome da Chapa encabeçada por Romero Jatobá quando foi “eleito” presidente do Santa Cruz: SANTA 10.
É verdade!
10 jogos sem vencer
10 Moralizado
10 cendo a ladeira para a Série B
10 Motivado
10 truindo o que conseguiu em 2005
10 tinado ao fracasso
10 orientado
10 governado
10 unido
10 agregado
–
100 NADA
100 VERGONHA
A piada é velha, mas se aplica.
Fora, Valdir 171. NÃO TEMOS MAIS TEMPO PARA ESPERAR.
ponte preta: trocou de técnico e já ganhou.
fortaleza: o espalhafatoso Márcio Bittencourt já voou.
O Santa Cruz é minha pátria.
Inácio Franca/Samarone Lima
4 de junho de 2006 às 21:31
Peçonha,
tenta botar as fotos no metiopé. Vamos fazer aquele teste
Inácio
Coronel Peçonha
4 de junho de 2006 às 21:47
Algumas perguntas:
Cadê Alberto Lisboa?
Cadê Zé Neves, que vivia alardeando ano passado que a gestão de Romerito era continuação da sua?
Cadê Mirinda, que veio para o Depto. de Futebol após o estadual?
Cadê Jonas Alvarenga?
Cadê a campanha de sócios?
Cadê a oposição no Santa Cruz? Ela serviria até para dar idéias à situação.
O Santa Cruz é minha pátria
p.s.: Inácio, fiz o teste e funcionou direito, inclusive com a postagem de fotos novas (que deletei depois)
leonardo jr.
5 de junho de 2006 às 9:58
Infelizmente foram um monte de erros imperdoáveis, e mais do que isso, a olhos vistos. Mestre Giva, que tanto fez em 2005, é culpado em grande parte do que acontece em 2006. Manteve jogadores de qualidade discutível, indicou “bondes” como Gilmar, Alex Oliveira e Marco Brito, e nos deixou numa semana decisiva, sabendo que o barco ia afundar. E essa oposição do Santa Cruz é lamentável…só aparece em época de eleições…vejamos a atitude e as notícias no dia de hoje. Permanecer com o engando r Espinosa vai ser mais um erro imperdoável, e aí, nem a pausa da Copa do Mundo irá nos restar para alimentar nossa esperança. Procurem um técnico guerreiro, que conheça o Nordeste e sua gente e que tenha gana de vencer. Sugestão: Lula Pereira. E tragam jogadores que queiram aparecer no cenário nacional, com fome de bola. A nossa melhor contratação esse ano, foi justo de um dos que menos se esperava: Nene. Esse é o tipo de jogador que o santa tem que buscr. Não me venham com medalhões. Não me venham com o refugo do Palmeiras(como o babaca do Christian, que declarou não querer vir para o Santa). Tragam jogadores do Treze(como Adelino e Beto), vão buscar no Maranhão, em Alagoas, no Piauí, na Bahia. Precisamos de jogadores que corram, matem e morram por uma oportunidde em um time de primeira divisão. Não tem tempo pra testes? Porque não fazer um peneirão durante essa semana que nosso combalido elenco está de folga? Bota a comissão técnica pra trabalhar!!! E porque dar folga a Valdson, Cassio, Augusto Recife, Juninho e Luizinho se eles acabaram de chegar? Valdson os 15 do segundo tempo já estava morto! Bota ele pra treinar a parte física. Não aguento mais esse marasmo!!!!! Precisamos de idéias, mas muiuto mais de ações!