Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.

Porque votarei SIM

Patos (PB), 19 de outubro de 2005
por Inácio França

Convicto de que a discussão midiática em torno da compra de armas e o próprio referendo não tocam nem de leve nas origens da violência no Brasil, votarei SIM no próximo domingo e aponto, aqui no Blog, algumas motivações para isso:

a) A indústria da violência no Brasil é alimentada diretamente pelos fabricantes de armamementos e munição. Eles apostam no medo da população para aumentar seus lucros. Instigam o medo, alimentam o medo. E um povo amedrontado é fácil de ser controlado. Vejo ma propaganda do pessoal da Bancada da Bala os mesmos elementos usados por Bush na sua campanha terrorista contra o terrorismo.

b) Andar armado não é um direito. Não pode e não deve ser um direito. Isso vale para os Estados Unidos da América, onde o sujeito entra num supermercado e sai de lá com uma caixa de cereal Kellogs, um pote de manteiga de amendoim e uma espingarda de repetição. Na escola da esquina, mata seis meninos negros e depois estoura os miolos, depois de aumentar o lucro de um fabricante de armas.

c) Não é possível apostar no armamento da população para combater os bandidos, como se estivéssemos numa guerra civil. Acreditar nisso seria acreditar em milícias armadas, seria acreditar no caos e na desesperança. Se o objetivo de armar o povo fosse tomar o poder, eu votaria não, mas como é alimentar a matança fraticida, voto sim. Foi acreditando que estávamos numa guerra civil, que os milicos torturaram e mataram durante a ditadura. É por acreditar que estamos em guerra, que as polícias militares extorquem, torturam e matam todos os dias em todas as cidades do Brasil.

d) Votarei sim para que fazendeiros armados com arma legais não possam matar sem-terras que ocupam com justiça e legitimidade suas fazendas improdutivas.

e) E, finalmente o mais importante: votarei sim pela proibição de venda de munição no Brasil porque Bala é munição. E se a venda de munição for proibida, nenhum clube poderá comprar Carlinhos Bala, aí ele vai jogar no Santa Cruz até se aposentar.

6 Comentários

  1. 1
    Bosco

    20 de outubro de 2005 às 13:32

    Falou e disse!

  2. 2
    De Coração

    20 de outubro de 2005 às 14:19

    gOntem cheguei em casa no final da tarde e perguntei de chofre (!) pro meu caçula de um ano e 11 meses, enquanto procurava o radinho:
    - João, você soube alguma coisa sobre o julgamento do Carlinhos Bala?
    E ele, que fala apenas algumas palavras, mas entende todas, correu pro varal, onde secava uma camisa do Tricolor, e apontou dizendo;
    - CUZ, CUZ…
    Ou seja, não fala mas já associa o nome do bala ao TRICOLAÇO DO ARRUDA.

  3. 3
    Anonymous

    20 de outubro de 2005 às 16:44

    VOTE SIM.
    se inspire em mim.
    tive por cinco vezes perto da morte com arma de fogo.
    uma dentro da minha casa, resultou num estupro e as outras quatro roubo de carro.

  4. 4
    Bruno

    20 de outubro de 2005 às 19:25

    Nao to acompanhando a campanha pq nao moro no Brasil, os argumentos dados aqui tao bem fraquinhos, o unico que se salva eh o de Carlinhos, haha
    mas ainda votaria no sim

  5. 5
    Anonymous

    22 de outubro de 2005 às 1:08

    Ótimo, Inácio. Adorei os argumentos. A chuvarada de e-mails que tenho recebido do Não, só me tem reforçado a necessidade do sim. Um deles falava da pressão dos EUA para que o Brasil não fosse seu concorrente na exportação de armas de fogo…e aí eu pergunto: e quem disse que eu quero que meu país exporte armas? Tristeza é saber que os vizinhos de New Orleans triplicaram o número de compra de armas, por ocasião do Katrina, para se defenderem dos desvalidos do furacão. Assim, talvez EUA mereçam mesmo serem exportadores de armas, nós é que não. Que o Brasil exporte sim: beleza, alegria, generosidade. E que “o” bala,como bem lembrou, fique por aqui mesmo, sem comercialização nem exportação. Abração. Magna.

  6. 6
    Anonymous

    22 de outubro de 2005 às 1:19

    Desculpem o assunto chato, mas, só pra esclarecer meu comentário anterior, o art.24 do estatuto do desarmamento versa sobre a referida exportação, a qual de fato não será proibida, mas sujeita à autorização e fiscalização.