<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:rawvoice="http://www.rawvoice.com/rawvoiceRssModule/" ><channel><title>Blog do Santinha &#187; Causos e historinhas</title> <atom:link href="http://www.blogdosantinha.com/categoria/causos-e-historinhas/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.blogdosantinha.com</link> <description>Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil</description> <lastBuildDate>Tue, 07 Feb 2012 15:56:12 +0000</lastBuildDate> <language>pt-br</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <generator>http://wordpress.org/?v=3.3</generator> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /><itunes:summary>CrÃ´nicas, opiniÃµes, desabafos e comemoraÃ§Ãµes sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.</itunes:summary> <itunes:author>Blog do Santinha</itunes:author> <itunes:explicit>no</itunes:explicit> <itunes:image href="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/plugins/powerpress/itunes_default.jpg" /> <itunes:owner> <itunes:name>Blog do Santinha</itunes:name> <itunes:email>blogdosantinha@gmail.com</itunes:email> </itunes:owner> <managingEditor>blogdosantinha@gmail.com (Blog do Santinha)</managingEditor> <copyright>2006-2008</copyright> <itunes:subtitle>CrÃ´nicas, opiniÃµes, desabafos e comemoraÃ§Ãµes sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil</itunes:subtitle> <image><title>Blog do Santinha &#187; Causos e historinhas</title> <url>http://www.blogdosantinha.com/wp-content/plugins/powerpress/rss_default.jpg</url><link>http://www.blogdosantinha.com/categoria/causos-e-historinhas/</link> </image> <item><title>Os búzios de Pai Kuzé e o ano de 2012</title><link>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/os-buzios-de-pai-kuze-e-o-ano-de-2012/</link> <comments>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/os-buzios-de-pai-kuze-e-o-ano-de-2012/#comments</comments> <pubDate>Tue, 03 Jan 2012 17:58:57 +0000</pubDate> <dc:creator>Gerrá Lima</dc:creator> <category><![CDATA[Causos e historinhas]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.blogdosantinha.com/?p=9618</guid> <description><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/os-buzios-de-pai-kuze-e-o-ano-de-2012/attachment/buzios-2/" rel="attachment wp-att-9619"><img class="aligncenter size-full wp-image-9619" title="búzios" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2012/01/búzios.jpg" alt="" width="400" height="340" /></a></p><p><strong>Por Gerrá da Zabumba</strong>, do Blog do Santinha.</p><p>Aproveitei a ressaca do ano-novo, a morosidade da tarde de domingo, e fui consultar Pai Kuzé sobre o 2012. Quem foi comigo dessa vez, foi Waldemar.</p><p>- Eu tenho um medo &#8230;</p>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/os-buzios-de-pai-kuze-e-o-ano-de-2012/attachment/buzios-2/" rel="attachment wp-att-9619"><img class="aligncenter size-full wp-image-9619" title="búzios" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2012/01/búzios.jpg" alt="" width="400" height="340" /></a></p><p><strong>Por Gerrá da Zabumba</strong>, do Blog do Santinha.</p><p>Aproveitei a ressaca do ano-novo, a morosidade da tarde de domingo, e fui consultar Pai Kuzé sobre o 2012. Quem foi comigo dessa vez, foi Waldemar.</p><p>- Eu tenho um medo arretado de catimbó. – Waldemar enfatizou.</p><p>- Oxi. Né catimbó, não! O cara vai jogar os búzios.</p><p>- Sim, porra. Mas eu tenho medo também. Sei lá que peste ele vai ver&#8230;</p><p>- Tás feito fresco, é?! Esquenta não que vai dar tudo certo.</p><p>Era umas quatro e meia da tarde quando chegamos à casa do babalorixá. Toquei na cigarra. Bati palmas. E ninguém deu sinal de vida.</p><p>- Acho que ele não tá, não! Bora, embora! – Waldemar disse.</p><p>- Pqp, deixa de tua frangagem. Meu velho, a gente só vai embora quando ver as previsões.</p><p>Bati palmas de novo, chamei e nada. Aí eu apelei, dei dois chutes no portão de zinco e veio aquele latido fino lá de dentro. Era Sirene, a cachorra de Pai Kuzé. Uma vira-lata raceada com poodle.</p><p>- Pqp, tem cachorro aí, é?! – perguntou Waldermar, assustado.</p><p>Logo em seguida a voz de Pai Kuzé gritou:</p><p>- Já vai&#8230;!</p><p>Demorou uns três minutos e o babalorixá tricolor coral santacruzense das bandas do Arruda apareceu. Todo de branco, me abraçou, desejou um ano novo cheio de saúde e muito axé.</p><p>- Vamos entrar, meus queridos&#8230; – convidou o babalorixá.</p><p>Fui entrando e Waldemar ficou lá, parado feito um poste.</p><p>- Venha, meu querido! Qual é a sua graça?</p><p>- Meu nome é Waldemar. E o cachorro? – respondeu, mostrando medo.</p><p>- Ah.., Sirene. É só barulho. Entra Sirene, que Waldemar não simpatizou com você. Entra, menina! – ordenou, Pai Kuzé.</p><p>A cadela foi entrando. Ameaçou voltar. Waldemar deu um passo pra trás. Pai Kuzé bateu o pé. Sirene deu uma disparada e desapareceu.</p><p>Fomos direto para sala dos búzios.</p><p>- E aí, meu querido! Está confiante no Santa? – me perguntou, o babalorixá.</p><p>- É claro! Tenho dito a todos, se o Santa Cruz ficar no quadrangular final, é bi-campeão.</p><p>- E você, Waldemar? Está confiante? – Pai Kuzé, com uma voz macia, perguntou ao meu amigo.</p><p>- An-rã! – respondeu Waldemar.</p><p>Uma jarra d’água em cima da mesa. Três copos vermelhos. E uma garrafa cheia de um preparado a base de cana-de-cabeça e ervas.</p><p>Antes de jogar os búzios, Pai Kuzé botou três lapadas. Fizemos um brinde e tomamos.</p><p>Os olhos de Waldemar encheram d’água.</p><p>- Posso começar? – perguntou o babalorixá.</p><p>- Na hora. – eu respondi.</p><p>- An-rã. – falou Waldemar.</p><p>Práaa-taaaaafi! Os búzios foram jogados. Pai Kuzé fechou os olhos. Waldemar também.</p><p>- huuummmmm! Ahhh! – resmungou, Pai Kuzé. – Tá tudo muito escuro!</p><p>- An-rã. – completou Waldemar.</p><p>Olhei pra ele e fiz o sinal de silêncio.</p><p>- Vamos de novo. – disse Pai Kuzé.</p><p>- An-rã. – disse Waldemar.</p><p>- Concentração! Concentração! – Pai Kuzé falo com voz fina.</p><p>Olhei pra ele, fiz de novo o sinal de silêncio e gesticulei com a boca.</p><p>- Fica calado, carai.!</p><p>Práááááá-taaaaafi!</p><p>- Limpou. Limpou. Hum, vejo rosas despetaladas. Uma enchente. Nuvens carregadas. Uma corda de guaiamum.</p><p>Pai Kuzé botou pra suar. Tomou um copo d’água e jogou os búzios. Práááaaá-taaaafi!</p><p>- Um cabo. Uma associação. Uma cédula. Um título!</p><p>Deu uma tossida, escarrou, botou a mão esquerda na testa e jogou os búzios. Prááááá-taaaafi!</p><p>- Letrinhas! Sílabas! Sonoridades iguais! Um caminho ensolarado. Uma escadaria.</p><p>Olhei pra Waldemar, ele tava com os olhos fechados e todo molhado de suor.</p><p>Tomamos mais três lapadas da garrafada e Pai Kuzé jogou os búzios novamente. Fez alguns segundos de silêncio e de repente esbugalhou os olhos e deu uma gargalhada que mais parecia uma metralhadora antiga.</p><p>- O mar. Uma multidão. Um trem. Uma carreta. – rárárárárá, Pai Kuzé gargalhou.</p><p>O babalorixá fechoos olhos, virou um copo com água, se benzeu, fez uma reza esquisita e foi voltando ao seu normal. Waldemar pingava de suor.</p><p>- Tá com calor meu querido? – perguntou Pai Kuzé a Waldemar.</p><p>- An-rã!</p><p>- Quer uma pastilha?</p><p>- An-rã!</p><p>Pai Kuzé foi buscar uns confeitos de gengibre. Agradeci e nos despedimos.</p><p>No caminho de volta perguntei a Waldemar.</p><p>- E aí, o que tu acha?</p><p>- Rapaz, eu não acredito muito nessas coisas não. Mas pelo que ele disse, a barbie e a leoa se fodem no estadual. E vamos sair da cê e subir. Só não entendi direito a Copa do Brasil.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/os-buzios-de-pai-kuze-e-o-ano-de-2012/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>59</slash:comments> </item> <item><title>Virou Santa Cruz &#8211; Volume I</title><link>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/virou-santa-cruz-volume-i/</link> <comments>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/virou-santa-cruz-volume-i/#comments</comments> <pubDate>Tue, 08 Nov 2011 12:30:46 +0000</pubDate> <dc:creator>Gerrá Lima</dc:creator> <category><![CDATA[Causos e historinhas]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.blogdosantinha.com/?p=9435</guid> <description><![CDATA[<div id="attachment_9436" class="wp-caption aligncenter" style="width: 347px"><a href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/virou-santa-cruz-volume-i/attachment/dsc03884-1/" rel="attachment wp-att-9436"><img class="size-medium wp-image-9436" title="DSC03884-1" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/11/DSC03884-1-337x450.jpg" alt="" width="337" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">A felicidade é ser Santa Cruz</p></div><p style="text-align: center;"></p><p><strong>Por Gerrá da Zabumba</strong>, do Blog do Santinha.</p><p>Era janeiro de 2006. Depois de vários anos, retornávamos para primeira divisão do brasileiro.</p><p>O povão renovava a esperança pela volta do terror do Nordeste. &#8230;</p>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_9436" class="wp-caption aligncenter" style="width: 347px"><a href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/virou-santa-cruz-volume-i/attachment/dsc03884-1/" rel="attachment wp-att-9436"><img class="size-medium wp-image-9436" title="DSC03884-1" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/11/DSC03884-1-337x450.jpg" alt="" width="337" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">A felicidade é ser Santa Cruz</p></div><p style="text-align: center;"><p><strong>Por Gerrá da Zabumba</strong>, do Blog do Santinha.</p><p>Era janeiro de 2006. Depois de vários anos, retornávamos para primeira divisão do brasileiro.</p><p>O povão renovava a esperança pela volta do terror do Nordeste. Renascia na torcida tricolor coral santacruzense das bandas do Arruda, o sonho de ver o nosso Santa Cruz fazer bonito na Série A.</p><p>No mesmo instante, nascia Pedro. Pedro Costa Cabral.</p><p>A família do garoto ficouem polvorosa. Aalegria tomou conta de todos com a chegada do mais novo Costa Cabral.</p><p>“Parabéns querida, seu filho é lindo”. “Cadê a pitoca do titio?!”. “Tão fofinho, dá um sorrisinho, dá!”.</p><p>No meio de tantos carinhos e afagos uma voz disse assim, “não tem como negar, esse já nasceu com cara de rubro-negro!”.</p><p>Sem poder de discernimento e ainda sem juízo suficiente para saber o que era bom ou ruim, o pirralho foi cercado de más influências e se viu obrigado a torcer pelo time do mangue, pois boa parte da família tem esse mau gosto.</p><p>Os meses foram avançando e Pedro se ligando no mundo. Interagindo com as cores, formas e sabores da vida. Desde cedo, viu que tudo aquilo era fugaz. Leãozinho de pelúcia, camisas, bolinhas de futebol, as cores vermelha, preta e amarela não o agradavam muito.</p><div id="attachment_9437" class="wp-caption alignleft" style="width: 239px"><a href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/virou-santa-cruz-volume-i/attachment/dsc03277-1/" rel="attachment wp-att-9437"><img class="size-medium wp-image-9437" title="DSC03277-1" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/11/DSC03277-1-450x337.jpg" alt="" width="229" height="204" /></a><p class="wp-caption-text">O garoto prendendo o choro</p></div><p>Pedrinho tentava dizer que não queria os presentinhos com aquelas cores, mas ninguém lhe dava atenção. Contra sua vontade, enchiam ele de bugigangas, roupinhas e outros adereços. Travestiam o pequeno e diziam que Pedro era torcedor da leoa da ilha. O guri emboloava a fala, a fim de mandar a galera tomar no cu, tentava dar uma dedada, uma banana, mas não tinha controle suficiente dos seus gestos e nem conseguia ainda formular frases.</p><p>O tempo foi passando e todos tinham plena convicção que o menino era mais uma alma que iria torcer pelo time do boi.</p><p>Mas numa equação inversamente proporcional ao que acontecia com o Santa Cruz, o amor e paixão pelas cores preta-branca-encarnada, entraram no coração do guri. Ninguém sabe ao certo como foi, mas Pedrinho foi crescendo e batendo de frente contra tudo e contra todos. Para o desgosto da família, aos três anos ele assumiu que era “Santa Cluz”.</p><p>E eis que chegou o dia do grito de liberdade. Este ano, Pedro foi convidado para um aniversário, cujo tema da festa era o futebol e no convite estava escrito “traje: padrão de time de futebol”.</p><p>Numa atitude digna de quem sabe o que quer, o pivete foi categórico. Falou em alto e bom som que só iria para festa se fosse com o uniforme do Santa Cruz. Ofereceram camisa do Barcelona, Brasil, São Paulo, mas Pedro relutou e fincou a bandeira: “só vou se for vestido com o padrão do Santa. E acabou-se”.</p><p>Aí, amigos, não havia mais volta. A mãe tratou de vestir o filho caçula com o manto sagrado do Santa Cruz Futebol Clube e o levou para festinha.</p><p>Naquele dia, Pedro foi felicidade pura e estampou para o mundo que era torcedor do Santa.</p><p>Viva Pedro e sua paixão pelo Santa Cruz!</p><p>&nbsp;</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/virou-santa-cruz-volume-i/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>64</slash:comments> </item> <item><title>Conversa de barbearia</title><link>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/conversa-de-barbearia/</link> <comments>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/conversa-de-barbearia/#comments</comments> <pubDate>Tue, 01 Nov 2011 02:43:44 +0000</pubDate> <dc:creator>Gerrá Lima</dc:creator> <category><![CDATA[Causos e historinhas]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.blogdosantinha.com/?p=9404</guid> <description><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/conversa-de-barbearia/attachment/bunda2/" rel="attachment wp-att-9408"><img class="aligncenter size-medium wp-image-9408" title="bunda2" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/10/bunda2-450x299.jpg" alt="" width="450" height="299" /></a></p><p><strong>Por Gerrá da Zabumba</strong>, do Blog do Santinha</p><p>Eu ia escrever sobre a minha ida ao Córrego do Inácio, mas deixarei para outra oportunidade.</p><p>É que participei de uma mesa-redonda hoje à tarde, onde o assunto principal foi nossa &#8230;</p>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/conversa-de-barbearia/attachment/bunda2/" rel="attachment wp-att-9408"><img class="aligncenter size-medium wp-image-9408" title="bunda2" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/10/bunda2-450x299.jpg" alt="" width="450" height="299" /></a></p><p><strong>Por Gerrá da Zabumba</strong>, do Blog do Santinha</p><p>Eu ia escrever sobre a minha ida ao Córrego do Inácio, mas deixarei para outra oportunidade.</p><p>É que participei de uma mesa-redonda hoje à tarde, onde o assunto principal foi nossa vitória contra o Cuiabá.</p><p>Pois bem, estou aguardando para cortar o cabelo. Um barbeiro tilinga sua tesoura na cabeleira de um boyzinho. O outro barbeiro, de navalha na mão, faz sua arte na barba grisalha de um senhor. Ao meu lado, um tricolor coral santacruzense das bandas do Arruda, magro, cabelo de tuim,  lê o caderno esportivo da folha.</p><p>- E ontem, Chocó? pensei que a gente se enrolar!  – falou o barbeiro da tesoura, dirigindo a palavra para o leitor que estava junto a mim.</p><p>- Ôxi! Isso é conversa. Tu acha que o Santa Cruz ia perder prum time que começa com cu? – respondeu dando uma gaitada.</p><p>O barbeiro da navalha limpava a espuma num pedaço de papel, alertou:</p><p>- É bom manter o respeito e a humildade!</p><p>O freguês que ajeitava a barba fez um an-rã concordando. O boyzinho não disse nada. E eu aprumei o ouvido.</p><p>O tricolor do jornal, Chocó, sem dá tempo a outra intervenção, rebateu.</p><p>- Agora lascou! E eu sou jogador é?</p><p>O barbeiro que cortava o cabelo do boyzinho cuidou de me colocar na mesa-redonda.</p><p>- E o nobre aí, é das bandas do Arruda ou das bandas de lá?</p><p>Respondi de forma categórica que era Santa Cruz. Mas nessas horas falo pouco. Prefiro escutar mais. Vez por outra mando uma opinião pra apimentar a conversa. E quando é necessário, dou corda para ver se o clima esquenta.</p><p>- Esse Renatinho é o cão. Entrou no lugar de Dutra e deu o cruzamento para virada. – comentou Chocó.</p><p>O boyzinho completou: &#8211; ele é lá de Serra Talhada!</p><p>Passando a navalha no pescoço do freguês, o barbeiro jogou a pergunta no ar: era melhor o segundo jogo aqui ou lá?</p><p>O outro barbeiro disse que tinha suas dúvidas. O boyzinho não deu pitaco. E eu aproveitei pra botar o molho. Defendi que achava melhor jogar a primeira partida aqui no Recife, porque com o Arruda cheio, o time do Santa Cruz fica muito ansioso, etc e tal. O barbeiro concordou comigo.</p><p>- Ôxi! Isso é conversa. No jogo contra o São Paulo e na decisão contra a cachorra, o Arruda tava tão vazio..!!! Eu quero é ser campeão em casa! &#8211; contra-argumentou, Chocó.</p><p>E o papo foi caminhando. Falou-se sobre as escalações de Zé Teodoro. Sobre a proibição de bebidas nos estádios. Na campanha de 99. Na de 2005. Um dos barbeiros lembrou do pentacampeonato.</p><p>Chocó, o leitor, apontou pro jornal e mandou.</p><p>- Olha aí, o Santa vai decidir Tupi ou Oeste!</p><p>- Tu prefere pegar quem? – perguntei.</p><p>- Pode vir Tupi, Rede Globo, SBT&#8230; Oeste, Nordeste, Leste&#8230; pode vir o que vier. O Santa Cruz é campeão. Mas eu queria pegar mesmo era Cilene. Uma morena do rabão que mora na minha rua.</p><p>Abri a risada e fui cortar o cabelo. Chocó perguntou a hora e saiu em disparada.</p><p style="text-align: center;"><span style="color: #ff0000;">***************************</span></p><p><strong>Nota publicitária:</strong></p><p>A promoção com a empresa PE Retrô continua:</p><p>Para concorrer, você tem duas opções:</p><p>1) acesse o site da loja (www.peretro.com.br) e procure a camisa de 1975 do Santa. Na seção de comentários responda a essa pergunta: qual foi o resultado de América-RJ x Santa Cruz, no estádio do Andaraí, no dia 8 de novembro de 1975?</p><p>2) Responda a essa mesma pergunta na página da loja no Facebook. Para chegar lá, basta clicar aqui. Na terça-feira 8 de novembro de 2011, exatamente 36 anos depois da partida, aqueles que responderem certo participarão do sorteio da camisa. Quem vai fazer o sorteio será a dupla de sócios da PE Retrô, mas o nome do vencedor será anunciado aqui no Blog do Santinha.</p><p>Preste atenção em dois detalhes: só valem as respostas certas até às 23h59min do dia 8 de novembro de 2011, na página da camisa que será sorteada. Não valem as respostas nos comentários do Blog do Santinha.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/conversa-de-barbearia/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>94</slash:comments> </item> <item><title>Um dia como exilado</title><link>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/um-dia-como-exilado/</link> <comments>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/um-dia-como-exilado/#comments</comments> <pubDate>Thu, 22 Sep 2011 02:34:39 +0000</pubDate> <dc:creator>Gerrá Lima</dc:creator> <category><![CDATA[Causos e historinhas]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.blogdosantinha.com/?p=9203</guid> <description><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/um-dia-como-exilado/attachment/celular/" rel="attachment wp-att-9204"><img class="aligncenter size-medium wp-image-9204" title="celular" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/09/celular-450x337.jpg" alt="" width="450" height="337" /></a></p><p><strong>Por Gerrá da Zabumba</strong>, do Blog do Santinha</p><p>Eu nunca tinha vivido a experiência de ser um exilado santacruzense das bandas do Arruda.</p><p>Pois é, domingo passado eu estava longe do José do Rego Maciel. Aproveitei uma pequena folga &#8230;</p>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/um-dia-como-exilado/attachment/celular/" rel="attachment wp-att-9204"><img class="aligncenter size-medium wp-image-9204" title="celular" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/09/celular-450x337.jpg" alt="" width="450" height="337" /></a></p><p><strong>Por Gerrá da Zabumba</strong>, do Blog do Santinha</p><p>Eu nunca tinha vivido a experiência de ser um exilado santacruzense das bandas do Arruda.</p><p>Pois é, domingo passado eu estava longe do José do Rego Maciel. Aproveitei uma pequena folga e, já na quinta à noite, me mandei com a família para o Rio de Janeiro. Na verdade fui realizar um sonho antigo da minha pequena Mariá. A pirralha era doida para viajar de avião.</p><p>Meus amigos, só agora eu posso entender as angústias dos nossos torcedores que estão longe de Recife. Vivi isto na pele. Nem internet eu tinha para acompanhar o jogo contra o Alecrim.</p><p>Já no primeiro dia, o pensamento era a partida do domingo. Cuidei de ir ao Cristo Redentor para fazer uma prece e de ligar para Fred Arruda, que está morando no Rio, pra dividir com ele a minha angústia.</p><p>Nos encontramos a noite. Tomamos uns chopps, conversamos amenidades e, por alguns instantes, o jogo saiu da minha cabeça. Fui dormir tranqüilo.</p><p>Bastou acordar no sábado e ver Alessandra vestida com o manto sagrado que Santa Cruz x Alecrim apareceu de novo.</p><p>Pra completar, a primeira dama sai para fazer umas compras e volta com essa: “tu não sabe da maior. O porteiro do prédio é torcedor do Santa. Quando viu a camisa foi logo dizendo: isso aí é que é time de torcida. E domingo, a gente vence?”.</p><p>Lá pras tantas, por volta do meio-dia, uma chamada não atendida no celular. Era Samarone. Por dois motivos não retornei a ligação. Pirangagem e pra ver se esquecia um pouco do Santa. Deu certo. Curti um teatrinho com minha pirralha. Pizza e shopping pra terminar a noite e um sono bom.</p><p>Eis que chega o domingo. E aí meu camarada, não teve passeio no Pão-de-Açúcar, não teve Copacabana, Parque Lage, não teve estratégia que amenizasse a agonia. Estávamos ali curtindo o último dia da viagem, mas a cabeça estava nos arredores do Arruda.</p><p>Saímos para almoçar junto com Fred Arruda e família. E assim foi a pisada, antes, durante e depois da partida:</p><p>12h – uma ligação perdida de Chiló;</p><p>12h30 – mando mensagem pra Chiló: vai?</p><p>12h32 – Chiló responde: E nem duvide! Arquibancada?</p><p>Respondo a mensagem de Chiló: Tou em RJ.</p><p>12h41 – Chiló responde: blz. Vou assegurar a vitória.</p><p>13h10 – Minha amiga Adriana Moura telefona perguntando se eu vou pro jogo.</p><p>O telefone deu um pequeno sossego. Mas cerca de uma hora depois começou a tortura.</p><p>14h19 – Mensagem de Julio Vila Nova: concentração no posto?</p><p>Respondo: Tou no Rio.</p><p>15h58 – outra mensagem de Julio: Santa no gramado. Toma uma cachaça em Ipanema por mim.</p><p>16h05 – Julio Vila Novo de novo:1 a0 pra gente.</p><p>No mesmo instante, Inácio manda mensagem: 1 x 0 Ludemar.</p><p>Pedimos uma rodada de chopp e fizemos um brinde.</p><p>“Hoje é goleada”, eu disse.</p><p>Mas às 16h28, Inácio trata de botar água no nosso chopp. Ele envia uma mensagem curta e objetiva: empataram.</p><p>Ficamos por ali nas nossas lamentações. Por um bom tempo o celular silenciou e o mundo parecia que tinha parado de rodar. Ficamos calados sem dar uma palavra. Exceto minha filhota que na sua santa inocência brincava de desenhar e tagarelava com a mãe e “tia” Cláudia.</p><p>Nosso silêncio era tão grande, que chamou a atenção de Mariá. “Mamãe, porque eles não falam?”</p><p>Por volta das 17h15 o telefone sinaliza uma mensagem. A gente tora. Respirei fundo, tomei um gole de chopp e abri a mensagem. Era Julio Vila Nova avisando que fizemos um gol. “2º tempo,2 a1. Pense num sufoco”.</p><p>Outro brinde e ficamos torcendo e torando aço, esperando o final da partida que demorou a chegar. O álcool fez nossos amigos literalmente esquecerem de avisar que o jogo havia acabado.</p><p>“Puta que pariu, esses porras esqueceram da gente”, eu reclamava enquanto mandava mensagem pra Deus e o mundo, pra saber se o jogo havia acabado e quanto tinha sido.</p><p>“2 a1. Ludemar e Wesley”, respondeu Julio.</p><p>“Scfc 2 x 1 Alecrim. Ludemar e Wesley. 33 mil pagantes”, de Flávio Lins.</p><p>“2 a1. tomei uma cana do carai. Nem o segundo gol eu vi. Só sei que Allan me deve 4 cervas pro primeiro mata-mata&#8230;Abraço amigo Zabumba”. Era Edgar, às 23h01 me avisando do resultado.</p><p>Depois de um nervosismo desses, domingo não fico longe do Arruda nem que dê cachorro em trinta. Se é pra passar mal, prefiro que seja no José do Rego Maciel.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/um-dia-como-exilado/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>132</slash:comments> </item> <item><title>No fiofó da vóvó alvirrubra</title><link>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/familia-papai-vovo-e-filho/</link> <comments>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/familia-papai-vovo-e-filho/#comments</comments> <pubDate>Thu, 08 Sep 2011 11:43:23 +0000</pubDate> <dc:creator>Gerrá Lima</dc:creator> <category><![CDATA[Causos e historinhas]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.blogdosantinha.com/?p=9139</guid> <description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/familia-papai-vovo-e-filho/attachment/briga-ciumes-2/" rel="attachment wp-att-9140"><img class="aligncenter size-full wp-image-9140" title="briga-ciumes-2" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/09/briga-ciumes-2.jpg" alt="" width="448" height="280" /></a></p><p><strong>Por Gerrá da Zabumba</strong>, do Blog do Santinha</p><p>Sebastião Willian da Luz, você aceita Zelma Catarina da Silva como sua legítima esposa, prometendo amá-la e respeitá-la, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a &#8230;</p>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/familia-papai-vovo-e-filho/attachment/briga-ciumes-2/" rel="attachment wp-att-9140"><img class="aligncenter size-full wp-image-9140" title="briga-ciumes-2" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/09/briga-ciumes-2.jpg" alt="" width="448" height="280" /></a></p><p><strong>Por Gerrá da Zabumba</strong>, do Blog do Santinha</p><p>Sebastião Willian da Luz, você aceita Zelma Catarina da Silva como sua legítima esposa, prometendo amá-la e respeitá-la, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?&#8221;</p><p>&#8220;Aceito&#8221;, respondeu William em meio a um largo sorriso, colocando a aliança no dedo da esposa.</p><p>&#8220;Zelma Catarina da Silva, você aceita Sebastião Willian da Luz como seu legítimo esposo, prometendo amá-lo e respeitá-lo, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?&#8221;</p><p>&#8220;Aceito&#8221; respondeu Catarina sorrindo e chorando, colocando a aliança no dedo do marido.</p><p>&#8220;Eu vos declaro, marido e mulher. Pode beijar a noiva.&#8221;</p><p>Os aplausos ecoaram por toda a igreja e o violino fez um lindo solo do Mais Querido de Capiba. Assim como um atacante arranca para área do adversário, o noivo pegou o microfone e puxou o “tri-tricolor! tri-tri-tri-tri-tricolor!”. Foi acompanhado pela maioria dos convidados, fazendo tremer o chão da igreja e deixando acuada a mãe da noiva, Dona Zélia. Assim foi a cerimônia oficial do casamento de William e Catarina.</p><p>A paixão de Catarina e William sempre foi de fazer inveja a qualquer torcedor de futebol. Companheiros inseparáveis nas arquibancadas do Arruda, nos jogos fora do Recife e em tudo que é comemoração do Santa Cruz. Uma relação afetiva quase perfeita, não fosse o amor da sogra pelo time da barbie.</p><p>Dona Zélia é viúva. Não vai a estádio, mas escuta resenhas de rádio, lê jornal e não perde noticiário esportivo na televisão. Em se tratando de futebol, a velha é uma verdadeira cínica. Depois de alguma derrota do Mais Querido, Dona Zélia tem o prazer de falar para o genro, “sabe William, eu estava torcendo pelo Santa”.</p><p>“Catarina, quando tua mãe fala isso, a vontade que dá é de mandar ela tomar no cu”.</p><p>“Calma, meu bem! Mamãe não sabe nem onde fica o estádio. Deixa ela pra lá”, contemporizava a filha.</p><p>O tempo passou, Catarina engravidou e nasceu Sebastião William da Luz Filho, o Tiãozinho. Um dia de festa na maternidade. Bandeira do Santa pendurada na janela, bonequinho tricolor enfeitando o quarto e na porta um cartaz dizendo assim: “Nasci Tricolor. Tiãozinho”. Mas Dona Zélia no auge do seu cinismo teve a ousadia de ir para maternidade vestida com uma blusa branca e uma saia vermelha, e levou um ratinho cor de rosa para o neto.</p><p>“Puta que pariu, Catarina. Tua mãe tá querendo tirar onda. Tá querendo provocar”.</p><p>“Calma, meu bem! Nosso filhote não sabe o que é isso. Tem calma que o Santa Cruz tá no sangue dele”.</p><p>Roupinha do Santa Cruz, almofadas para enfeitar o berço, quadro na parede, enfim, Tiãozinho foi convivendo com as cores sagradas desde a hora do nascimento. Exceto quando ia para casa da vovó Zélia.</p><p>Era o ano de 2006, Tiãozinho estava no auge dos seus quatro anos de idade. Catarina, William e Tiãozinho chegaram cedo à casa de Dona Zélia. Aldair, irmão de Catarina, já estava vestido com o manto sagrado, saboreando sua Brahma gelada e com os ingressos na mão. “A gente precisa sair cedo, vai dar muita gente”, Aldair alertava o tempo todo.</p><p>Enfim, comeram uns brebotes, tomaram umas cervas e se mandaram pro Arruda. William deu um abraço no pequeno filho e fez o T.</p><p>Catarina beijou o filhote e pediu benção a mãe.</p><p>O cunhado Aldair gritou “é tricolor, porra. Bora”.</p><p>E se mandaram para o José do Rego Maciel.</p><p>Era costume, o garoto ficar na casa da avó, quando os pais iam aos jogos do Santa. E foi assim naquela partida contra o São Paulo.</p><p>O fato é que D. Zélia escutou o jogo todo brincando de futebol com seu neto. Tiãozinho chutava uma bola vermelha e branca e ela se fazia de goleiro. Ao final da partida, a velha vibrou com a vitória do nosso adversário.</p><p>Os tricolores, genro, filha e filho, retornaram do mundão emputecidos, mas Dona Zélia, como era de costume, cinicamente falou “eu até que estava torcendo pelo Santa”.</p><p>Quando William escutou aquilo, ficou cego de raiva. Perdeu toda a esportiva e partiu pra cima da sogra, soltando fogo pelas ventas. Mirou os olhos dela e gritou sem piedade, “a senhora tava torcendo um caralho. Um ca-ra-lho. Tome no cu, tome no seu cu, tava torcendo porra nenhuma”.</p><p>Dona Zélia agarrou-se com o neto. William estava tomado pelo ódio. Babando pelo canto da boca e com os olhos esbugalhados gritava sacolejando a sogra, “solte ele. Sooooooolte meu filho!”</p><p>Catarina tratou de pegar o menino e correu pro quintal.</p><p>A velha, soluçando de choro, caiu no sofá pedindo socorro a Aldair, que cheio de cana, cambaleava pela sala gritando “é tricolor porra”.</p><p>William sacolejava a alvirrosa, “tome no cu, to-me- no-seu-cu&#8230;”.</p><p>Dona Zélia não parava de chorar. Estava instalada a guerra dentro daquela casa.</p><p>A confusão só acabou quando Catarina, de forma severa e incisiva, ordenou:</p><p>“William, pare de mandar mamãe tomar no cu. Já basta”.</p><p>“Mamãe, pare de choro. Vá tomar um banho. Entre. A senhora também tem culpa”.</p><p>E assim, aos poucos, o clima foi melhorando e a briga acabou. Mas o genro e sogra passaram cerca de três anos sem se falar.</p><p>Desde aquele tempo, Tiãozinho vai a todos os jogos do Santa, dentro ou fora do Arruda.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/familia-papai-vovo-e-filho/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>223</slash:comments> </item> <item><title>Seabra conta os minutos</title><link>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/seabra-conta-os-minutos/</link> <comments>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/seabra-conta-os-minutos/#comments</comments> <pubDate>Sun, 21 Aug 2011 13:22:13 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Causos e historinhas]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.blogdosantinha.com/?p=9074</guid> <description><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/seabra-conta-os-minutos/attachment/cinco-minutos/" rel="attachment wp-att-9075"><img class="size-full wp-image-9075 aligncenter" title="cinco minutos" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/08/cinco-minutos.jpg" alt="" width="300" height="299" /></a></p><p><strong>por Anderson Seabra, direto dos comentários</strong></p><p>Sábado, 17:00.</p><p>- Mainha, amanhã tem jogo do Santa!</p><p>Domingo, 10:30 da manhã, o almoço já tá pronto sempre mais ou menos a hora que termino de lavar o carro. Antes ia pro estádio &#8230;</p>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/seabra-conta-os-minutos/attachment/cinco-minutos/" rel="attachment wp-att-9075"><img class="size-full wp-image-9075 aligncenter" title="cinco minutos" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/08/cinco-minutos.jpg" alt="" width="300" height="299" /></a></p><p><strong>por Anderson Seabra, direto dos comentários</strong></p><p>Sábado, 17:00.</p><p>- Mainha, amanhã tem jogo do Santa!</p><p>Domingo, 10:30 da manhã, o almoço já tá pronto sempre mais ou menos a hora que termino de lavar o carro. Antes ia pro estádio de ônibus, passando por baixo da catraca.</p><p>Ligo pra Beto, meu parceiro de arquibancada.</p><p>- E aí Negão, vai?<br /> - Tem vaga?<br /> - Tem três, só vai eu e Dedeu. Dedeu é meu irmão.<br /> - Beleza vou tomar banho. Às 13:30?<br /> - Não, cara:  13:27!</p><p>Então, vou tomar meu banho, depois de uma hora “dando o grau no possante”.</p><p>11:01. Já estou devidamente perfumado e uniformizado, traçando o pirão que mainha fez. Ela sabe que dia de jogo do Santa tem que fazer algo com “sustança”.</p><p>12:00. Ligo a rádio pra ver a movimentação. Ai o repórter me deixar preocupado:</p><p>- Movimentação intensa na Rua das Moças!</p><p>Penso logo: Puta que pariu vou ficar de fora!</p><p>Ligo de novo pro Negão.</p><p>- E aí Negão tais pronto?<br /> - Mas tu não dissesse que era de 13:30?<br /> - É porra, mas Silvério disse que as filas já estão chegando no Bompreço.<br /> - Porra!!! então vamos simbora! 12:30?<br /> - Não porra: 12:27!</p><p>12:15. José Silvério: MOVIMENTAÇÃO INTENSA EM FRENTE AO ARRUDA, AS FILAS JÁ ESTÃO CHEGANDO AO BRAZÃO!</p><p>-Puta que pariu, fudeu!</p><p>Ligo pro Negão de novo:</p><p>- E aí Negão? Bora que a fila já tá no Brazão!<br /> - Bora, bora, bora! 12:20?<br /> - Não porra, 12:17!</p><p>Os três minutos antes da hora marcada é para dar carona a algum tricolor que já esteja se encaminhando pro Arruda. Em dias de jogo do Santa só gosto de chegar com o veículo com capacidade máxima, então no caminho sempre dou carona a alguém que esteja esperando o busão.</p><p>Quando chega na Avenida Norte é aquela agonia, anda dois metros e pára. Os sinais estão todos no vermelho. Faltam ainda 3 horas pra começar o jogo, mas a impaciência reina absoluta.</p><p>Puta que pariu, basta eu trocar de faixa para que a que eu estava ficar mais rápida. É só Kombi, Van e ônibus de turismo indo simbora na frente. Só fico mais tranquilo depois que estou embaixo das arquibancadas. Depois que rodo a catraca parece estar garantido meu espaço no Mundão.</p><p>***</p><p>Acabei de classificar minha CNH pra AE e estou pensando em trocar meu carro por um veículo maior, quem sabe um veículo articulado com capacidade para 180 passageiros.</p><p>Caso vocês vejam um ônibus sanfona com direção a João Pessoa podem fazer sinal de parada para ganhar a carona basta está uniformizado com a camisa do Santinha.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/seabra-conta-os-minutos/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>78</slash:comments> </item> <item><title>Oh! Oh! Oh! Palmares é tricolor!</title><link>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/oh-oh-oh-palmares-e-tricolor/</link> <comments>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/oh-oh-oh-palmares-e-tricolor/#comments</comments> <pubDate>Wed, 10 Aug 2011 12:08:11 +0000</pubDate> <dc:creator>Gerrá Lima</dc:creator> <category><![CDATA[Causos e historinhas]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.blogdosantinha.com/?p=9051</guid> <description><![CDATA[<p><strong></strong><a href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/oh-oh-oh-palmares-e-tricolor/attachment/3526774236_191c3933d6_z/" rel="attachment wp-att-9052"><img class="size-full wp-image-9052 aligncenter" title="3526774236_191c3933d6_z" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/08/3526774236_191c3933d6_z.jpg" alt="" width="504" height="296" /></a></p><p>&#160;</p><p><strong>Por Gerrá da Zabumba</strong>, do Blog do Santinha</p><p>Quem gosta de futebol sente um vazio quando não tem jogo no final de semana. Mesmo aqueles que não vão ao estádio, curtem ligar seu radinho pra ouvir o grito &#8230;</p>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong></strong><a href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/oh-oh-oh-palmares-e-tricolor/attachment/3526774236_191c3933d6_z/" rel="attachment wp-att-9052"><img class="size-full wp-image-9052 aligncenter" title="3526774236_191c3933d6_z" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/08/3526774236_191c3933d6_z.jpg" alt="" width="504" height="296" /></a></p><p>&nbsp;</p><p><strong>Por Gerrá da Zabumba</strong>, do Blog do Santinha</p><p>Quem gosta de futebol sente um vazio quando não tem jogo no final de semana. Mesmo aqueles que não vão ao estádio, curtem ligar seu radinho pra ouvir o grito do locutor, as entrevistas, enfim, ficar ligado no clube amado. E aí, quando o time querido não joga, é hora de visitar a família, dar uma volta na cidade, se divertir com a mulher e os filhos.</p><p>No nosso caso, tricolores corais santacruzenses das bandas do Arruda, temos que nos virar, pois nessa famigerada seridê, o time passa quinze dias sem jogar.</p><p>Olhando a tabela, vi que jogaremos no próximo domingo e só voltaremos a campo quinze dias depois. É pra morgar qualquer um.</p><p>Pois bem, aproveitei o vazio do último final de semana e aceitei o convite do meu pai. Fomos até Palmares, ver uns primos do velho. Fazia tempo que eu não ia por ali.</p><p>A cidade ainda vive o drama daquela cheia arrasadora e, entre um assunto e outro, a conversa é sobre a enchente.</p><p>“O governador só fez prometer e não saiu nada. Tá tudo do mesmo jeito. Se vier outra cheia, é bronca de novo”, alertou Evaristo do alto dos seus 70 anos de idade.</p><p>“Semana passada, com a chuva que deu, a gente passou a madrugada levantando a mercadoria”, disse meu primo Ernani.</p><p>Realmente a cidade ainda mostra os sinais da destruição causada pelas águas do rio Una e o governo não fez quase nada do que prometeu.</p><p>Mas o que mais me chamou a atenção não foi isto. Passeando pelo comércio, fiquei impressionado foi com a quantidade de camisas do Santa Cruz andando pelas ruas  daquela cidade.  Por algum momento, pensei até que o nosso Santa ia jogar por lá.</p><p>“Ei, pai! Será que o Santa vai jogar hoje por aqui?”</p><p>“É bem fácil. Nessa série D pode acontecer de tudo&#8230;”.</p><p>Sobral, primo do meu pai, foi o nosso guia. Nos levou as várias casas da família. Já passava do meio-dia, quando ele fez o alerta: “tá na hora de matar a sede”.</p><p>Perguntei aonde tinha uma cerveja gelada com bode guisado. “Bode, eu não sei. Sei de uma cabidela boa danada!”</p><p>Fomos parar no bar do Maurício, no mercado.  Eu, Sobral e um amigo dele, um sujeito que atende por Capacete.</p><p>Cerveja na mesa, pratinho de galinha a cabidela, uma lapada de cana pra Capacete. Na mesa ao lado, um sessentão vestido com o manto sagrado preto-branco-encarnado bebia uma cerva e batia um bolão pra cima de uma morena na faixa dos trinta.</p><p>“Eu quero é você”. A frase do coroa ecoou na nossa mesa.</p><p>Num certo momento, ele beijou o escudo e beijou a mão da companheira da mesa. Ela bebeu um gole de cerveja.</p><p>Minutos depois,  o tricolor botou a mão na perna da morena e romanticamente saiu com essa: “Vamos! Eu quero saber o que você quer. Me diga!”.</p><p>Ainda deu pra ouvir a voz feminina falar: “você tá muito avexadinho”.</p><p>Danado era que a gente só conseguia ouvir partes da conversa, mas fomos ficando por ali, pedindo cerveja, saboreando uns tira-gosto e apostando se na mesa do casal, o jogo ia ser empate ou o Santa venceria.</p><p>“O Santa ganha esse jogo tranquilamente”, eu apostei.</p><p>“Rapaz, tranquilamente eu não sei, mas o Santa Cruz vence com um gol nos minutos finais”, apostou Sobral.</p><p>“Fora de casa, com uma morena dessa, se for empate já é pra comemorar”, comentou Capacete virando outra lapada de aguardente.</p><p>Por volta dos trinta minutos do segundo tempo, numa jogada rápida o tricolor partiu para o ataque e fez um golaço. Meteu um beijo na boca da morena.</p><p>“Puta que pariu, que beijo da gota!”, disse Capacete.</p><p>A torcida foi ao delírio fazendo um brinde e pedindo mais uma cerveja gelada. “Isso merece é uma rodada de cana”, vibrou nosso anfitrião, o Sobral.</p><p>Ficamos ali, tomando uma e esperando o final da partida, pois o jogo só acaba quando termina.</p><p>Carinho vai, carinho vem, deram uma bicota. Pediram a conta. Saíram de mãos dadas e quando passaram do nosso lado deu para ouvir a morena dizer: “&#8230; nunca mais tu vai me esquecer”. A vitória estava sacramentada.</p><p>Pedimos a saideira e demos um viva ao Santa Cruz.</p><p>&nbsp;</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/oh-oh-oh-palmares-e-tricolor/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>143</slash:comments> </item> <item><title>Ah! É Caça-Ratô</title><link>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/ah-e-caca-rato/</link> <comments>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/ah-e-caca-rato/#comments</comments> <pubDate>Tue, 21 Jun 2011 13:09:05 +0000</pubDate> <dc:creator>Gerrá Lima</dc:creator> <category><![CDATA[Causos e historinhas]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.blogdosantinha.com/?p=8833</guid> <description><![CDATA[<p>&#160;</p><p><a rel="attachment wp-att-8843" href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/ah-e-caca-rato/attachment/caca-rato-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-8843" title="caça-rato" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/06/caça-rato1.jpg" alt="" width="800" height="314" /></a></p><p><strong>Por Gerrá da Zabumba</strong>, do Blog do Santinha.</p><p>Levei falta no amistoso contra o América. Mas pelo que soube, o time está arrumado e a torcida gostou do que viu.</p><p>Voltei do interior, passei na casa do meu &#8230;</p>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p><p><a rel="attachment wp-att-8843" href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/ah-e-caca-rato/attachment/caca-rato-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-8843" title="caça-rato" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/06/caça-rato1.jpg" alt="" width="800" height="314" /></a></p><p><strong>Por Gerrá da Zabumba</strong>, do Blog do Santinha.</p><p>Levei falta no amistoso contra o América. Mas pelo que soube, o time está arrumado e a torcida gostou do que viu.</p><p>Voltei do interior, passei na casa do meu pai e a primeira pergunta que fiz foi sobre o jogo. Ele me respondeu sem meias palavras, “três a zero pro Santa”.</p><p>“De quem foram os gols, pai?!”</p><p>“Rapaz&#8230;, eu não lembro de todos não. Sei que Caça-Rato fez o dele. É uma confusão danada. Tem rádio que chama ele de Recife, tem outra que chama de Caça-Rato”.</p><p>“E o senhor, o que acha?”</p><p>“Uma besteira. Jogador tem que ser chamado pelo nome que está dando certo”.</p><p>Abri uma cerveja e ficamos conversando sobre esse negócio de nomes e apelidos.</p><p>Aí nos lembramos de uma prima minha que foi batizada como Severina, em homenagem a São Severino dos Ramos. Ela nunca gostou do nome dela. Daí, ninguém a chama de Severina. Muito menos de Biuzinha. Minha prima Severina é Miriam.</p><p>“Ei pai, tá lembrado de Douglas? Que é casado com Michele&#8230; O nome dele é Douglas Cristian”.</p><p>“Eita!”</p><p>“Ele prefere Douglas de Michelle. E sabe como é nome de Michelle?”</p><p>“Sei não&#8230;”</p><p>“Michelle Severina”.</p><p>“E ela gosta de ser chama de Michele de Douglas?”</p><p>“Não pai. Aí é demais! É só Michele, mesmo.”</p><p>Caímos na gargalhada.</p><p>“Tu lembra de barbeiro, aquele que cortava teu cabelo quando tu era menino?”</p><p>“Claro, pai. Lembro!”</p><p>“O nome dele era Elivio. No cartório o cabra perguntou qual era o nome e o pai dele disse: é Lívio”.</p><p>“Peraí&#8230;, aí o senhor tá tirando onda!”</p><p>“Oxen, todo mundo sabe dessa história por aqui.”</p><p>Entramos pelos apelidos.</p><p>“Rapaz, quando eu era solteiro, lá perto de onde eu morava tinha Espanta Vaca, Chibatô e Mordido. Espanta Vaca era por causa da feiúra, Mordido era porque diziam que ele tinha sido mordido pelo rato e Chibatô eu não sei o motivo!”.</p><p>Abrimos outra cerveja e fui lembrando de alguns apelidos estranhos que fizeram parte da minha adolescência. Meu Louro, os irmãos Pirinho e Popó, Peixe Nu, Pedro Furico, Oi de Mosca, Ana Cu de Pavão, Carla Aqui Tá Fundo, entre outros e outras.</p><p>“O senhor lembra de Carla? Carla Aqui Tá Fundo&#8230;”.</p><p>Meu pai deu uma gaitada e falou: “e então&#8230;, lembro! Num era aquela baixinha que tinha uma perna menor do que a outra. Quando ela vinha vocês diziam “ lá vem Carla” e ficavam repetindo: aqui tá fundo, aqui tá raso! Aqui tá fundo, aqui tá raso! Aqui tá fundo, aqui tá raso!”</p><p>“kkkkk. O senhor tem notícias dela?”</p><p>“Nunca mais vi. Vai ver que tá trabalhando de salva-vidas&#8230;”!</p><p>“Pois é, pai. Não sei por que querem chamar Flávio Caça-rato de Flávio Recife. Não sei quem inventou isso. Pra mim, o único motivo que justificaria a mudança de nome seria alguma dica da numerologia!”</p><p>“Numerologia?!?!? Isso é besteira que a turma inventa pra ganhar dinheiro. Tem isso não. O rapaz sempre fez gols com o nome de Caça-Rato.  Se ele gosta do apelido, deixa do jeito que tá. Fosse assim iam trocar o nome de Pelé, Tostão, Garrincha&#8230;! Quando o povo não tem o que fazer fica inventando moda. Deviam era fazer uma camisa com o nome atrás: Caça-Rato. Ia vender e muito&#8230;”.</p><p>Tomei minha última latinha, pedi abenção ao meu velho pai e fui pra casa com a certeza que “ah, é Caça-Ratô!” soa muito melhor do que “ah, é Flávio Recifê!”.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/ah-e-caca-rato/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>120</slash:comments> </item> <item><title>Marcelo César</title><link>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/marcelo-cesar/</link> <comments>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/marcelo-cesar/#comments</comments> <pubDate>Fri, 10 Jun 2011 19:36:35 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Causos e historinhas]]></category> <category><![CDATA[Belém]]></category> <category><![CDATA[campeão pernambucano 2011]]></category> <category><![CDATA[Estação das Docas]]></category> <category><![CDATA[Mangueirão]]></category> <category><![CDATA[papão]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[Paysandu]]></category> <category><![CDATA[Remo]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.blogdosantinha.com/?p=8809</guid> <description><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-8810" href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/marcelo-cesar/attachment/mondobelemcom_estacao_das_docas_04/"><img class="size-medium wp-image-8810 aligncenter" title="mondobelemcom_estacao_das_docas_04" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/06/mondobelemcom_estacao_das_docas_04-450x294.jpg" alt="" width="334" height="218" /></a></p><p><strong>por Inácio França, temporariamente em Belém (PA)</strong></p><p>Havia uma desilusão aguardando por mim em Belém.</p><p>A visão idealizada de quem está longe e os olhos nublados de turista me fizeram acreditar que o paraense é um povo tão identificado com &#8230;</p>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-8810" href="http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/marcelo-cesar/attachment/mondobelemcom_estacao_das_docas_04/"><img class="size-medium wp-image-8810 aligncenter" title="mondobelemcom_estacao_das_docas_04" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2011/06/mondobelemcom_estacao_das_docas_04-450x294.jpg" alt="" width="334" height="218" /></a></p><p><strong>por Inácio França, temporariamente em Belém (PA)</strong></p><p>Havia uma desilusão aguardando por mim em Belém.</p><p>A visão idealizada de quem está longe e os olhos nublados de turista me fizeram acreditar que o paraense é um povo tão identificado com a riqueza dos seus ritmos e dos seus ritos, de suas formas e de suas cores, a ponto de traduzir o amor pela terra na paixão pelo azul-escuro do Remo e pelo azul-claro e branco do Paysandu. Jurava que, assim como os pernambucanos, os paraenses torciam pelos seus times da terra.</p><p>Errado.</p><p>O paraense pode ser remista e vascaíno, bicolor e santista, remista e corintiano, bicolor e flamenguista. Na saída do Mangueirão, logo depois de um Re-Pa, flamenguistas berravam como loucos por causa dos pênaltis que dera o título carioca ao Flamengo. Repito: o título estadual do Rio de Janeiro! Outros, foram à loucura porque o Corinthians iria à final do Paulistão. Quarta-feira, fogos pipocaram perto da minha janela por causa do Vasco da Gama.</p><p>São raros os exclusivamente “filhos do Triunfo e da Glória” ou apenas torcedores do “Papão da Curuzu”. Em matéria de paixão futebolística, o Pará não passa de uma Paraíba tamanho XG.</p><p>Já estou acostumado com isso. Mesmo assim, dia desses fiquei espantado ao conhecer mais um desses torcedores com dois corações: Marcelo César é Paysandu e&#8230; Santa Cruz Futebol Clube.</p><p>Ele é garçom de um dos bons restaurantes da Estação das Docas, uma dos espaços turísticos mais legais do Brasil. Aportei lá para almoçar com minha pequena Jujuzinha, que veio passar um final-de-semana com o pai. Fiz o prato e, logo nas primeiras garfadas, ele apareceu tentando olhar para o escudo da camisa. Tirou a dúvida que lhe restava e puxou conversa:</p><p>- É a cobra coral! Campeão pernambucano!</p><p>- Isso mesmo.</p><p>- Sempre torço pelo Santa. Deu certo esse ano.</p><p>Pensei que ele estava querendo me enrolar para se fazer simpático e me fazer consumir mais ou lhe dar uma boa gorjeta, mas isso não fazia sentido: o valor a pagar era fixo, independente do tamanho do prato e, acompanhando uma criança, era óbvio que não pretendia encher os cornos.</p><p>Realmente, não se tratava de um enrolão. Ele nem mesmo era o garçom da minha mesa. Os pedidos de água e fanta foram atendidos por outro sujeito, branquelo e caladão.</p><p>- Tenho uma raiva danada daquele Kuki. Quando foi jogar no Santa, o time desceu pra Terceira Divisão.</p><p>- Jogou bosta nenhuma no Santa. Tava velho, só fez tirar dinheiro do time – concordei pra ver até onde ele chegava.</p><p>- Naquele ano Nildo também não resolveu, né? Ele jogou por aqui na época em que jogava o fino, mas no Santa&#8230;</p><p>O sujeito realmente acompanhava o Santa Cruz até nos momentos mais dolorosos.</p><p>Perguntei o porquê.</p><p>- Sou Paysandu e Santa Cruz.</p><p>- Tu és pernambucano?</p><p>- Não.</p><p>- Então é teu pai que é&#8230;</p><p>- Não, minha família é toda aqui de Belém mesmo.</p><p>A explicação para tamanhos interesse e simpatia estava em sua memória:</p><p>- Pai um dia comprou uma caixa cheia de times de botão para mim e meus irmãos. Eu fiquei com o Santa Cruz. Lembro que tinha Birigui e Zé do Carmo. Só jogava com o Santa Cruz, aí comecei a acompanhar o time. Quando ele vinha jogar aqui contra o Remo, eu sempre ia e ficava junto com a torcida de Pernambuco.</p><p>Até pensei em tirar um foto do dito cujo, mas meu celular nem lanterninha tem, imagine câmara fotográfica.</p><p>Quem vier a Belém, pode procurar Marcelo César no restaurante Estação do Sabor, no pavilhão 2 da Estação das Docas. Se trouxerem um chaveirinho ou alguma lembrancinha com escudo do Santa Cruz, pode ter certeza que ele ficará muito grato.</p><p>&nbsp;</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/marcelo-cesar/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>104</slash:comments> </item> <item><title>Meu novo sofá</title><link>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/meu-novo-sofa/</link> <comments>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/meu-novo-sofa/#comments</comments> <pubDate>Fri, 19 Nov 2010 15:19:15 +0000</pubDate> <dc:creator>inacioesama</dc:creator> <category><![CDATA[Causos e historinhas]]></category> <category><![CDATA[Arruda]]></category> <category><![CDATA[futebol]]></category> <category><![CDATA[Santa Cruz]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.blogdosantinha.com/?p=8212</guid> <description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2010/11/Imagem08631.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-8219" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2010/11/Imagem08631-450x337.jpg" alt="" width="450" height="337" /></a></p><p><strong>Por Aline Moura</strong>, do Blog do Santinha</p><p>Estava olhando para meu novo sofá, aqui na sala, todo branquinho, confortável, e me deu uma certa satisfação. Sabe aquela sensação de que algo pode ser mudado, mesmo sabendo que dentro de &#8230;</p>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2010/11/Imagem08631.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-8219" src="http://www.blogdosantinha.com/wp-content/uploads/2010/11/Imagem08631-450x337.jpg" alt="" width="450" height="337" /></a></p><p><strong>Por Aline Moura</strong>, do Blog do Santinha</p><p>Estava olhando para meu novo sofá, aqui na sala, todo branquinho, confortável, e me deu uma certa satisfação. Sabe aquela sensação de que algo pode ser mudado, mesmo sabendo que dentro de pouco tempo as minhas gatas vão arranhá-lo e ele corre o risco de ficar encardido novamente? Ainda assim, é um novo sofá. Para usar e abusar.</p><p>Tivemos um prejuízo enorme com a nova aquisição, mas era necessária. Até então, eu olhava para o móvel velho da sala e só me lembrava do Santa Cruz, do dia que resolvi dar uma de cabeleireira e queimei o couro do sofá com uma chapinha.</p><p>Quase todo dia eu pedia desculpas a Violla pela distração, até que Violla cansou das lamurias e adquiriu um novo esse ano, me pegando de surpresa. Na verdade, ele era o que menos se importava se o sofá estava queimado ou não. Mas vocês sabem como é cabeça de mulher.</p><p>Morar perto do Arruda tem suas vantagens e desvantagens, inclusive para o bolso. Quando eu estou muito ansiosa, trato de fazer coisas de mulher que normalmente deixo em segundo plano. Pinto as unhas, chamo minha irmã para passar um dia &#8220;de meninas&#8221; lá em casa, ou tomo os drinks mais caros do mundo, só por causa da beleza do copo.</p><p>Pois é que um dia desses, enquanto o Santa jogava dentro de casa, um jogo decisivo da série D, resolvi ficar no conforto do lar e chamar a irmã para fazer companhia. Avisei aos amigos que não ia para o jogo e prometi uma farra de mulher. Preparei os ingredientes, maquiagem, perfumes, esmaltes, secadores e chapinhas.</p><p>Enquanto o jogo rolava no Arruda, eu passava chapinha no cabelo de Lara, que não gosta de futebol e estava feliz da vida. Da minha janela dava para escutar os gritos da torcida, o desespero, enquanto eu alisava as madeixas da irmã caçula, de 13 anos. Enfim, o final melancólico. O Santa mais uma vez eliminado, na voz do locutor do rádio.</p><p>A torcida já não fazia mais barulho. Era o silêncio sepulcral. Foi o suficiente para eu sentar no sofá, desolada, e esquecer a chapinha ligada do meu lado. Lara gritou, avisou mil vezes e eu não ouvi até o sofá começar a faiscar. Passei um tempo para assimiliar o resultado. Antes o sofá que o Santa Cruz, mas a perda foi para os dois.</p><p>Agora, depois da posse de Antônio Luiz Neto e várias promessas, torço sinceramente que a torcida, campeã de público no Brasil, a mais fiel, seja honrada. Espero que ALN faça feito Violla, que traga um novo Santa Cruz, mesmo sem eu esperar. Que surpreenda. Os sofás vão e vem. As novas gerações, que estão migrando para outros times, não tem como recuperar.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.blogdosantinha.com/causos-e-historinhas/meu-novo-sofa/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>225</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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