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Faltam só 4, para publicarmos o artigo nº 1000 neste Blog do Santinha.
Faltam 28 dias, 9 horas, 12 minutos e 39 segundos para o apito inicial em Campina Grande, começo de nossa jornada para sair da série c.
Faltam 6 meses para nos livrarmos do diminutivo.
E não falta mais nada para você ajudar o Blog, apontando possíveis erros na atualização que fizemos na madrugada de sexta para sábado!
77 comentáriosTudo novo na Inferno Coral
por Inácio França
Ontem almocei e conversei bastante com Álvaro Luís Melo. Vocês devem estar se perguntando “Ora, grande coisa, quem é esse sujeito?”. Não se trata de nenhuma celebridade, político influente nem de uma jovem promessa para o ataque coral. Mesmo assim, vale a pena guardar esse nome na memória. Ou melhor, anotem seu apelido: Dinho. Ele é o novo presidente da Inferno Coral e pretende, junto com um grupo de dezenas de outros torcedores, mudar a imagem da torcida.
Dinho não quer saber de estrelismos, é um sujeito reservado, de raros sorrisos. Com poucas palavras esclarece que o esforço é coletivo, pois está à frente de um grupo que expulsou o antigo presidente da organizada, Fábio Simpson, e tomou as rédeas da torcida.
As diferenças começam com o perfil do novo presidente. Desta vez, não se trata de nenhum desocupado cheio de ambições. Dinho é educador da ONG Somos todos iguais, que atende crianças e adolescentes da comunidade de Ilha do Joaneiro. Ele coordena oficinas de grafitagem e estamparia. É casado e não tem vontade alguma de ser fichado pela Polícia.

Dinho é o segundo da esquerda para a direita
Durante a conversa, num self-service na Sete de Setembro, Dinho contou com detalhes como foi a “tomada de poder” na Inferno.
Fábio Simpson foi expulso “na tora”. A gota d’água foi uma fraude para modificar o estatuto. A partir daqui reproduzo as palavras do próprio Dinho:
“O pessoal tava insatisfeito há muito tempo. Simpson estava perdendo a liderança por causa de muita coisa errada que acontecia. No tempo de Romerito, por exemplo, a torcida recebia 300 ingressos por jogo, mas ninguém via a cor desses ingressos. Só os cambistas. Ele repassava os ingressos para os cambistas e o dinheiro nunca entrava na torcida. A Inferno ficou de rabo preso com a diretoria a troco de nada. Ninguém sabia quanto as lojas faturavam, quanto ele ganhava. Ele ficou quase 12 anos como presidente e nunca convocou eleições. A Inferno funcionava como uma empresa de um cara, não como uma torcida”.
Pensei: já vi esse filme antes.
Nessa altura, perguntei sobre o que estatuto da Inferno prevê em relação à eleição. Resposta do presidente:
“Ninguém tinha acesso ao estatuto, ninguém nunca tinha visto. Quando ele sentiu que tinha perdido a liderança, chamou uma reunião para tratar de outros assuntos, depois pegou a ata dessa reunião e modificou a primeira página. Na nova página da ata que ele registrou em cartório, ele se transformou em presidente vitalício. A gente só descobriu isso no início desse ano, quando a moçada pagou mais de R$ 140,00 no cartório para tirar as cópias do estatuto. O pessoal ficou muito puto. Descobrimos também que a diretoria que aparecia na página da internet não valia de nada, pois no estatuto só tinha três diretores: ele, Fumaça, que era o braço-direito dele, e a mãe de outro camarada dele”.
“Aí, o grupo que estava sempre à frente da torcida, decidiu ter uma conversinha com ele. Fomos lá num sábado, no final de fevereiro, e dissemos assim: a gente quer que você pule fora, seu tempo passou. Tomamos a Inferno de volta. O pior a gente descobriu na semana seguinte: quando alguém usava cartão de crédito ou Visa Eletron para comprar alguma coisa na loja, o dinheiro caía direto na conta dele”.
Pra Simpson não voltar, as fechaduras foram trocadas. Simples assim.
Mas, e agora, o que isso vai mudar na Inferno Coral, o leitor deve estar se perguntando. Dinho responde: “Muda tudo”.
“A torcida está cadastrando todos seus componentes. Só assim será possível saber quantos e quem são os integrantes da Inferno Coral. Depois disso, vamos convocar eleições em 2010. Tem nego que é fugado (fugitivo da prisão) ou tem passagem pela Polícia que está se recusando a fazer cadastramento. Isso é bom. E tem mais: vai ter que acabar aquela maloqueiragem das galeras que usam a camisa da Inferno e fazem arrastão no estádio”.
As novas camisas, por exemplo, já não têm o desenho de um brutamontes armado até os dentes. Em seu lugar, o perfil de Bob Marley, ícone da contracultura.
O objetivo da nova Inferno Coral é resgatar o prestígio da organizada junto aos outros torcedores. Ele fica incomodado com o fato dos torcedores do Santa Cruz terem medo dos componentes da Inferno. “Se o cara é de uma galera de um bairro e tem rivalidade com a galera de outro bairro, que vá brigar na rua da sua casa. Na Inferno Coral, tem que ser todo mundo Inferno Coral”.
E Dinho promete: “Você viu no jogo contra o Petrolina? Demos força ao time, apoiamos o tempo todo. Vai ser assim. Inferno no estádio tem que fazer festa. Só festa. Já estamos rifando o pessoal que puxa os funks com apologia à violência. A partir de agora, vai ser só sambão e hino apoiando o Santa Cruz. Eu tenho sobrinhos, mas nunca levei para ver os jogos com a gente, tenho medo que se machuquem. O que eu quero mesmo e poder levar os meninos pra junto da torcida”.
“Pra gente, a partir de agora todo jogo do Santa Cruz é decisivo, independente da situação na tabela. Todo jogo é de vida ou morte”.
Mas não esperem um rebanho de cordeirinhos. Dinho avisa, se alguém quiser sair no tapa, vai ter tapa.
Por isso que, desde já, incluiremos um link para o site da Inferno na relação dos nossos sites amigos. Além disso, o Blog do Santinha está à disposição para se tornar também um canal de comunicação para a turma da Inferno Coral.
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A Avante Santa Cruz vai fazer uma homenagem a alguns ídolos da história do clube. Contribua com a compra de materiais depositando na conta abaixo:
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122 comentáriosO arquivo vivo
por Inácio França
Faz mais de seis meses que atravessei o Recife e fui ao Setúbal para conhecer seu Fred, ou melhor, Frederico José Wanderley, tio de Alessandra, que por sua vez é esposa do zabumbeiro Gerrá. A idéia era publicar sua história logo em seguida. Não consegui escrevê-la, queria caprichar no texto e logo me faltaram tempo e sossego. Acabei contraindo uma dívida com o entrevistado, um professor e diretor de colégio aposentado e apaixonado pelo Santa Cruz Futebol Clube.
Simpático, metódico e extremamente organizado, ele abriu as portas do seu apartamento, colocou sobre a mesa da cozinha pilhas de revistas, fotos, cadernos de anotações e livros com recortes de jornais. Aturou-me por quase três horas na esperança que o blog compartilhasse sua dedicação ao Santa Cruz com o restante da torcida.
Começo, agora, a quitar a dívida com Fred e com os leitores do Blog do Santinha.
O material coletado e arquivado pelo professor está em excelente estado de conservação. E ele localiza os dados sem dificuldades, tudo organizadinho. Não é exagero afirmar: Fred Wanderley é o antônimo de Samarone Lima.
Como não estava diante de um historiador, arquivista ou bibliotecário, tive de perguntar por qual razão ele decidiu documentar e preservar todo aquele material.
“Eu sempre gostei de arquivar, registrar e colecionar coisas antigas. Mas meu arquivo sobre o Santa Cruz é, na verdade, uma homenagem ao meu pai, Rui Wanderley”.
A resposta me levou a pensar que o pai exerceu uma influência grande sobre Fred durante a infância e adolescência. Imaginei quantas vezes ele teria ido assistir às partidas do tricolor ao lado do senhor Ruy. Eu estava completamente enganado. Fred continuou, trilhando caminhos da memória que o levaram à infância no bairro de Afogados. O metódico professor encontrou então o menino Fred, vivendo na casa de um avô austero e um tanto racista.
“Eu nasci em 1940. Meu pai morreu em 1942, bem jovem ainda, antes de completar 30 anos. Só o conheço por fotos. Uma das lembranças mais fortes que tenho da minha infância é a imagem de um objeto de madeira, marrom-escuro, com um belo escudo preto, branco e vermelho encravado. Desde pequenininho aquele objeto e o símbolo me intrigavam. Com seis anos, eu perguntei o que era aquilo. Minha mãe respondeu que aquilo era um estojo de caneta-tinteiro e que tinha sido feito por meu pai, que era muito hábil em trabalhos manuais. Aquele símbolo estranho que ele encravou na madeira era o escudo do Santa Cruz Futebol Clube, seu time de coração. Pensei: será meu time também. Se ele gostava, também vou amar. E guardei o estojo, que só se acabou por conta da ação do tempo, quando eu já estava adulto”.
Ainda hoje, passados seis meses, dá um nó na garganta ao escrever. É no Santa Cruz que Fred se relaciona com seu pai. Tenho certeza que ele o encontra vivo em cada torcedor que grita nas arquibancadas.
Ciente que o pai gostava de futebol e torcia pelo Santa Cruz, o menino Frederico passou a juntar informações sobre os resultados, uniformes, os ídolos. Não era uma tarefa fácil na segunda metade dos anos 40, principalmente por causa da oposição do seu avô, que vivia repetindo que futebol era coisa de gente safada, principalmente o Santa Cruz, um “time de negros, de gentinha”. Os funcionários mais humildes da escola de propriedade do seu avô, o Colégio Moderno, eram seus informantes.
De tanto insistir, a família autorizou um desses empregados da escola a levá-lo a uma partida do Santa, na Ilha do Retiro. “Não lembro qual foi o jogo nem o resultado, sei que isso aconteceu em 1948 ou 1949. Jogavam no Santa jogadores como Eloi, Diogo, Amauri…”
Em 1957, o supercampeonato. “Foi muita alegria. Nessa época, nossa torcida vivia sendo gozada porque sempre jogava no campo dos outros, porque no Arruda assistíamos aos treinos sentado em troncos de coqueiros com formigueiros embaixo. Até hoje lembro das defesas de Aníbal, que impediu o empate dos rubro-negros. Ganhamos por 3 x 2″.
Pai de dois filhos, nenhum deles muito interessado em futebol. Seus arquivos porém, despertam a admiração e a cobiça dos sobrinhos, todos tricolores. A fita cassete com a gravação dos gols do final da década de 60 até o início dos anos 80 foi digitalizada por um deles. Para gravar a narração de gols marcados por ídolos como Mirobaldo, Fernando Santana, Joãozinho, Nunes, Hamilton Rocha ou por um tal de Paulo César (não sei quem é, mas jogou e marcou muitos gols no mesmo time que Joãozinho), ele encostava um gravador daqueles grandes, retangulares, no aparelho de rádio enquanto José Santana apresentava seu programa nas tardes de domingo, antes da transmissão das partidas.
De cor, o professor cita alguns dados documentados: “O Santa Cruz foi o primeiro time pernambucano a vencer uma partida jogando fora de casa. Foi em 1916, 4 x 1 no ABC, em Natal. Também foi o primeiro a vencer um time do eixo Rio-SP: 3 x 2 no Botafogo, em 1919. Foi o primeiro time brasileiro a vencer a Seleção Brasileira, em 1934″.
“O ano de 1971 foi especial na história do clube: ganhamos o Torneio Início, a Taça Cidade do Recife, os campeonatos estaduais de Juvenis, Aspirantes e Profissionais”.
“O primeiro gol do Santa cruz em jogos oficiais foi marcado por Mário Rodrigues, em 1915, contra o Recifense. Isso está nos Anais da FPF”.
“Na década de 50, o time juvenil do Santa Cruz permaneceu invicto durante 250 partidas. A revista Cruzeiro registrou esse fato”.
“De outubro de 1978 a junho de 1979, o time profissional ficou invicto durante 52 jogos. Naquele período, o Santa goleou o Kuwait por 4 x 1, o Qatar por 4 x 0, a romênia por 4 x 2 e a Tchecolosváquia por 4 x 0″.
A coleta de dados, porém, foi interrompida em 1990. Segundo ele, por causa da falta de tempo e da vista ruim. A escassez de craques também o afastou do Arruda. Suas três cadeiras cativas são utilizadas pelos sobrinhos, que todos os jogos tentam convencê-lo a voltar ao estádio.
Fred Wanderley, no Arruda em obras
Em breve, colocaremos no ar os gols do Santinha, convertidos para o formato MP3, gravados durante uma década por Fred Wanderley.
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