Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.

Arquivo da Categoria 'Na parede da memória'

1973, Santa Cruz invade o Rio Grande do Norte

américa 2 x 2 Santa Cruz - 1973

Por Roberto Vieira (*)

Em 1973 o Santa Cruz foi enfrentar o América de Natal.

Nada menos que 1500 torcedores invadiram a capital potiguar.

Isso depois de fazer uma história carreata que teve início na Praia do Meio e foi até o Estádio Castelo Branco, o popular Castelão.

Durante o trajeto houve o encontro das torcidas sem qualquer incidente.

A moda na época era levar tamancos ao estádio. E bater com os tamancos para incentivar o time.

Mais de mil tamancos foram confeccionados para a viagem pelo Sr. José Geraldo Gomes, residente nos Aflitos.

Quando chegou em Natal, ele os distribuiu com as crianças da cidade antes da carreata na Praia do Meio. Pra fazer mais barulho.

Em 1973 a torcida potiguar estava unida em torno do América.

O ABC havia sido desqualificado para competições nacionais no ano anterior pela CBD.

A torcida coral teve contra si a união de torcedores do Alecrim, do Força e Luz, do Riachuelo, do ABC e, lógico, do América.

Havia também duas bandeiras do Náutico e Sport tremulando nas gerais. Torcedores vindo da Paraíba.

Não se sabe torcendo pra quem.

Em campo, uma batalha.

O América não contava com o genial zagueiro Scala. Perdeu o zagueiro Emidio, expulso com pouco tempo de jogo. Já o meio campo Careca perdeu a unha e ficou fazendo número em campo.

O Santa Cruz teve Fernando Santana expulso ao trocar gentilezas com Emídio. Mas chegou a estar vencendo por 2 x 1.

Até que o célebre árbitro Valquir Pimentel marcou um pênalti no final da partida. Pênalti convertido com frieza por Afonsinho.

O América iria conquistar invicto a Copa Norte-Nordeste realizada paralelamente ao Brasileirão.

E a torcida do Santa Cruz aplaudiria nas arquibancadas do Castelão seu artilheiro Ramon.

Ramon que viria a ser o artilheiro do Campeonato Brasileiro com 21 gols.

Na frente de Pelé, Leivinha, Dario e cia.

Como detalhe a camisa do goleiro Ubirajara do América.

Camisa com o número 77.

Que no jogo do bicho é peru.

(*) Roberto Vieira é médico e escritor e em seu blog, escreve (muito bem) sobre fatos históricos e causos do futebol (às vezes o Juca Kfouri publica textos dele); é alvirrubro, mesmas cores do potiguar (o “time macho”).

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Laxixa, o supertricolor

Laxixa
O meio-campista Laxixa foi bicampeão pelo exporti em 61-62

Nagel
Nagel com a turma da Sanfona Coral

Por Samarone Lima

Foi um evento que ajudei a organizar, o início da campanha de vacinação do idoso, ontem de manhã. Sugeri que convidássemos idosos dos três clubes, para abrir a temporada de vacinas. Um torcedor da barbie conseguiu Ivan Brondi, 66 e Gena, 65. Um psicopata rubronegro conseguiu Dario, 80, e Laxixa, 68.

Bati cabeça de todo jeito, para localizar os tricolores, com a ajuda do glorioso Lulinha. Foi bom porque consegui falar com vários craques. Ramon, infelizmente, tem apenas 59 anos e meio, e ainda não é um idoso. Aproveitei para marcar uma boa entrevista para nosso blog. Pedrinho tinha acabado de viajar para o Rio de Janeiro. Fernando Santana está de férias na Itália.

Jorginho, supercampeão em 1957, iria fazer uma cirurgia de catarata justamente hoje, declinou do convite. Luciano Veloso, que é amigo de Zequinha , bi-campeão mundial em 1962, me atendeu umas quatro vezes, mas a série de ligações deu com os burros n´água.

Liguei para Gerrá, Gildázio, e lamentavelmente, nosso Inácio França estava fora. Dirceu Paiva me ajudou, mas tudo caminhava para uma terrível goleada dos adversários, que tinham mais idosos que eu.

Fui salvo aos 48 do segundo tempo, com um telefonema para nosso zagueiro Nagel, de 69 anos, que jogou no escrete coral de 1958 a 1962.

Ontem de manhã, o burronegro estava a mil, comemorando seus idosos, até que Laxixa, ao final de todo o trabalho, me apertou a mão com força e disse:

“Saudações tricolores”.

Ele me revelou que é Santa Cruz de coração. O burronegro baixou a orelha e ficou quietinho.

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Santa Cruz 2 x 1 barbie, 1993

Foto encontrada no blog Futebol de Pernambuco em Fotos
Time do Santa Cruz em 1993
Em pé: Araújo, Marcelo, Reginaldo, Jr. Cordel, Mazo e Quinho;
Agachados: Marcelinho, Washington, Fernando, Marcelo e Serginho

Por Anizio Silva

“Em tempos de vacas magras, magérrimas (se é que ainda há vacas..), o passado continua sendo o nosso alento” (comentário de Tiago Maranhão em um email enviado a Nestor Torres, e que veio parar na caixa postal do nosso editor-mor Inácio França).”

Tricolores: finalmente, depois de meses e meses de promessa, vamos começar a publicar os áudios da narração de gols e jogos históricos do clube coral.

Para começar, a inesquecível virada na final do campeonato pernambucano de 1993, quando derrotamos a barbie aflita. Já havia publicado na Rádio do Santinha, ali na barra lateral, mas faltava divulgar aqui, confira:

 
 1993 - Santa Cruz 2 x 1 barbie [7:23m]: Tocar Agora | Tocar num Popup | Download

Agora eu peço licença a quem comentou sobre a partida no blog “Santa Cruz Jogos Inesquecíveis“, do grande tricolor Valter Azevedo, e republico alguns desses depoimentos. Espero que sirva de inspiração!

Coralnet
Torcida Tricolor

Inácio França
“Tricolores, não fui ao Arruda naquela noite de 1993, nem no Recife estava. Vivia em São Paulo, era repórter de Polícia de um jornal chamado Diário Popular, o lugar mais interessante onde já trabalhei.

Morava num quitinete de merda na rua Martins Fontes, a meio caminho entre a Consolação e o Bixiga, pertinho do jornal. Não havia como acompanhar a decisão, me contentei em ligar o rádio para acompanhar os resultados parciais durante a transmissão de um jogo do Palmeiras.

Só no intervalo o repórter informou que estava 1 a 0 pra barbie, explicando que até o empate dava o título pros alvirrubros e coisa e tal. Depois, disse que Washington tinha sido expulso. ”Então fodeu”, e desliguei o rádio.

Washington, artilheiro do campeonato: expulsão absurda
Washington, artilheiro do campeonato: expulsão absurda

No outro dia de manhã, fui trabalhar. O Diário era o único jornal paulistano que publicava um tabelão com resultados dos estaduais. Para os demais, o Brasil era São Paulo, Rio, Espanha, Itália, França e Alemanha. E nesse tabelão estava escrito: “Santa Cruz 2 x 1 Náutico (0 x 0 na prorrogação, Santa Cruz campeão)”.

“Oxente, será que o pessoal de esportes errou?” Não havia ninguém de esportes na redação, eram umas 10 da manhã, madrugada para a editoria de esportes. Como não havia internet e só os editores tinham acesso às agências, me enfurnei numa salinha onde ficavam as máquinas de telex e comecei a remexer nos rolos de papel de telex, na esperança de confirmar aquela notícia.

Não logrei êxito, como diziam os policiais que eu entrevistava na época.

Aí, me agarrei ao telefone e tentei encontrar algum tricolor que pudesse me confirmar o fato. Manoel Ferreira não estava em casa. Normal, Mané deveria ter tomado todas, com o time ganhando ou perdendo. Ligar para Zé Gustavo… nada feito, não tinha o telefone de Gustavo. De Laércio Portela eu tinha, mas o telefone tocou e ninguém atendeu (anos depois, eu vim saber que ele estava embriagado, trancado no quarto. Parece que Mané estava na sala, mas em pior situação, não escutou nada também).

Só havia uma saída: decidi ligar para a casa de Serginho Sousa Cruz, onde são todos alvirrubros. Alguma notícia eles teriam. Liguei… 341-12xx, “aalllôoo…”, pela voz era Daniel, irmão mais novo de Sérgio. “Oi Daniel, é Inácio, quanto foi o …” . “Vai tomar no cu, porra!” E desligou.

Ele nem precisava dizer mais nada. O Santinha tinha sido campeão. E ele tava arretado da vida, lógico. Mas resolvi ligar novamente, só para aperrear. Precisei insistir, pois nas duas próximas ligações, Daniel nem me deixou completar a pergunta. Na quarta vez, ele berrou: “Tu sabe que foi de virada, sabe que o Santa foi campeão, então vai se arrombar aí em São Paulo, seu feladaputa!!!”

Depois, recusei as pautas que Odilon, o chefe-de-reportagem, quis me entregar. Aleguei que estava esperando uma ligação de um delegado importante sobre um caso misterioso e exclusivo. Ele acreditou (ou fingiu acreditar. Odilon era muito vivo) e fiquei esperando o Globo Esporte. Quando vi as cenas, berrei e pulei como um doido na redação do Diário Popular.”

Jadiel Júnior
“O clássico mais emocionante de todos os tempos foi esse…

Detalhe, no dia desse jogo fui com o meu Pai. Ele saiu de lá aos 30 minutos do 2º tempo, chegou em casa arretado e quando ligou o rádio viu que o santa tinha sido campeão… Será que o pé frio era ele? huahauhuahaua”

Anderson
“Eu tinha 12 anos de idade, morava em Garanhuns na época, e eu, meu pai e meu irmão na época 9 anos, saímos de Garanhuns para vir assistir esse jogo aqui em Recife. Lembro que aos 30 a torcida do Santa saía e muita gente já tinha saído, porém nós continuávamos lá. Eu muito pequeno, já cansado e sem esperanças, tinha me sentado na arquibancada junto com meu irmão e não estávamos mais assistindo ao jogo, só nosso pai que continuava assistindo. Lembro que me levantei e alguns minutos depois o Santa fez o 1º gol.

Comemoramos bastante, mas ainda assim eu estava sem esperança que fizesse o 2º gol. E pouco tempo depois o 2º. Daí então foi uma ansiedade enorme enquanto aguardávamos o fim do jogo. Mas foi uma das maiores alegrias que eu tenho lembrança de minha vida.”

Rubens Sousa
Não pude ir a esse jogo, já morando em João Pessoa e no trabalho, tive que me contentar em escutar o jogo pelo rádio. Escutei todo o segundo tempo em casa, e ao final abri uma garrafa de vodka, tomei um bocado pura mesmo sem gelo e derramei o restante na minha cabeça, a vodka se misturou as minhas lágrimas de emoção. SANTA CRUZ EU TE AMO!

Célio, autor do gol do título de 93
Célio, autor do gol do título de 1993


Piragibe Fernandes

“O jogo começa, chuva caindo fina, gramado ficando molhado e a bola escorregadia. Falta para a barbie. Paulo Leme cobra rasteiro a bola molhada escorrega da mão de Marcelo. E para assustar ainda mais a torcida tricolor Washington, a esperança de gol tricolor, foi expulso. A chuva engrossa. Barbie dá sufoco. Nossa defesa fragilizada e desfalcada.

(..) Por volta dos 37 minutos do segundo tempo a bola é lançada para Fernando, que entra livre, dribla Paraíba com a maior calma do mundo e mete para o fundo da rede. Os amigos do meu irmão que ja estavam no ônibus voltaram. Eu falei bem baixinho para meu irmão: “Eu estou sentido que o Santa vai ser campeão com um gol desse baixinho aí que entrou no ataque (era Célio)” e ele falou para os amigos dele, todos ficaram tirando onda da minha cara, eles falavam que ele era muito ruim e não iria fazer o gol, eu fiquei calado porque na época não era tão ligado nas notícias do Santa. Foi quando Célio recebeu um lançamento de Serginho no bico da grande área e chutou de qualquer jeito uma trivela no canto do goleiro Paraíba. O Arruda “desaba” de tanta alegria tricolor. (…)”

Confira todos os comentários no blog “Santa Cruz Jogos Inesquecíveis

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