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Pipa é Tricolor
Por Sergio Travassos
(Nota do Editor Assistente Jr.: este texto foi enviado para nosso email em julho de 2006, e ficou perdido em meio aos ’spams’ que recebemos; ainda estamos de recesso, e voltamos pra valer no dia 6, 7, por aí…)
Companheiros do Blog do Santinha, mesmo curtindo a parada no trabalho para conhecer um pouquinho do Nordeste, não pude me desvencilhar de minhas raízes corais e desfilei por Pipa - localizada na cidade de Tibau do Sul (85km de Natal), com minha camisa Tricolor. E, gente, para minha surpresa, a camisa chamou muita atenção.
Logo na descida para a praia do Amor, topei com um nativo de servia de guia para um mineiro - não recordo o nome deles. Ambos me saudaram com o conhecido e bom “tricolor!”, música para meus ouvidos. Gostei, de cara, da dupla. O mineiro, torcedor do Atlético, disse que só torcia para o Galo e para o Santa Cruz. Falou também que o torcedor do Cruzeiro era chato como o da Suzy rubro-negra. O guia me falou que já saiu de Pipa para o Recife só para ver o Santinha jogar. “Quando junto dinheiro e tem jogo decisivo, saio com os amigos numa Kombi para o Arruda. Assisti o jogo contra a Portuguesa no ano passado”, concluiu.
Nos despedimos na torcida para que, à noite, o Santa Cruz conseguisse, enfim, a primeira vitória e tirasse o queijo logo. Enfrentamos, eu e minha namorada, Olga, do alto dos nossos preparos de sedentários, a escadaria. Uns vinte metros abaixo. Enquanto descia, pensava na subida da volta e não conseguia desvencilhar o pensamento da longa subida que o Santinha tem pela frente.
Quando, finalmente, chegamos ao nível do mar, conheci um barraqueiro, Sandro, que havia saído de Natal para morar oito anos e meio no Recife. Trabalhava como garçom. “Meu time é o Santa Cruz. Gosto mesmo dele, pena que tá na lanterna. Mas vamos vencer hoje, se DEUS quiser”, afirmou. A conversa ainda correu por um bom tempo até Olga me chamar a atenção para a linda paisagem.
Foi a deixa para Sandro oferecer o cardápio de sua barraca. Entre um pedido e outro, explicava para ele como estava a mente da torcida, falava do novo treinador, cabra da região, e sobre os novos jogadores, mas sem me aprofundar muito.
À noite, com o manto colado ao corpo, como primeira pele, segui procurando um bar para assistir ao jogo. Na pizzaria Calígula (ótima pizza, bom atendimento e excelente preço), a Liza, atendente do restaurante, disse que o Todas as Tribus sempre tinha uma TV ligada em algum jogo e uma cerveja gelada para os torcedores de várias crenças.
Mandei-me para lá. Todas as Tribus é uma mistura de bar para quem gosta de assistir a um joguinho, quem gosta de internet, escutar blues, fazer uma comprinhas e, claro, beber. Foi só sentar para perceber que o jogo da noite seria Palmeiras e Vasco. Fiquei dependendo das informações da TV com seus espaços resultados, para saber como andava o jogo no Arrudão. Aproveitei para secar o Palmeiras, enquanto rezava pelo Santinha.
Um senhor com cara de mexicano e sentado numa mesa bem em frente à TV, estava com uma camisa do Independiente da Argentina. Mas, quando ele se virou, deu um largo sorriso e disse: “Sou torcedor do Santa”. Depois da frase, um largo sorriso, exclamando que o Santa estava mal mas iria dar uma virada.
Pôxa, o veio era mago? O jogo estava 0×0 ainda. Depois é que mostraram que o Tricolor perdia por 1×0 para o Goiás. Lançamos um olhar e dissemos uníssono: “Vamos virar”. E ficamos naquela aflição absurda. Pior foi ver que o Palmeiras fazia 3×2.
Uma Heineken aqui, um crepe ali, e o Santinha empatava. Incrível. Não vimos ou ouvimos o gol, mas gritamos quando a TV mostrou o resultado. Um garçom gritou: “Óia o enterro voltando”. Continuamos na aflição, sem ver ou ouvir o jogo e assistindo a um joguinho chato. Palmeiras: 4×2. lá pelas tantas, 2×1 para o Santa Cruz. Fiquei mais tranqüilo. Por fora, apenas. Por dentro tentava lembrar todas as rezas que minha querida mãe, dona Márcia, tricolinda das boas, me ensinara.
O jogo acabou, como sabemos, com a desvirginante vitória Coral. Lanterna, sim, mas entregue, jamais. Saí passeando e fui parar no Babylon, atraído pelo som do reggae. O bar pertence a uns argentinos, mas gente de primeira qualidade. Afinal, foi chegar no balcão e um dos gringos gritou: “Que camisa linda!”. Agradeci e conversamos enquanto ele me servia. A turma era torcedora do Independiente, tinha pôster da torcida, do time, escudo, e tudo mais no bar.
Dancei um pouquinho, bebi um monte e, ao sair para o terraço para respirar um ar menos cabeça - afinal, argentino, brasileiro, cigarrinho e a música, a fumaça era grande. Fui abordado por um cara: “Moço, sou Tricolor, você sabe dizer quanto foi o jogo?”. Ele ficou louco de alegria com o resultado e disse que era de Olinda, torcedor Coral e que morava há oito anos em Pipa vendendo suas artes na feira. Escutava o Santinha pelas rádios Jornal e Clube, quando conseguia pegar o sinal.
Enquanto me detinha a explicar como tinham sido os gols e quem eram Alemão e Mexirica, veio um outro camarada, também Tricolor. Se não fossem tricolores seria uma praga na cidade. Este camarada, Zito, disse que era irmão de Nenê, não o jogador, mas um camarada da Inferno Coral, que estava organizando um cd.
Olga virou-se para mim e disse que tinha mais Tricolor em Pipa que em Porto. Discordei. Mas não tinha como negar a estranheza de encontrar tantos tricolores numa cidade tão distante. Dormi o sono dos justos e felizes e acordei para tomar café com uma ligação de minha mãe. Ela ouvia o hino do Santa daquele cd organizado por Bráulio. Era uma só felicidade. Ah, como é bom vencer, não importa a distância.
142 comentáriosSabonetes Vinolia e canetas Bic
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Da esquerda para a direita: Ze Vicente, Paulo, Tonho e Samarone
Por Samarone Lima (publicado originalmente no blog Estuário)
Teve um reveillon que passei em Buenos Aires, outro no Uruguai, outro no Chile, num povoado chamado Chiu-Chiu. Desconfio que, por conta da tradição andarilha do meu povo, eu tenha herdado esta mania de muitos lugares. Estou novamente na estrada. Na foto acima, estamos fazendo a travessia Imperatriz-Crato, em mil novecentos e setenta e seis. Meu teclado continua sem escrever certos números e acentos, perdão.
Daqui a pouco, estarei embarcando para Havana, retornando somente o ano que vem. Há pouco, terminei a cerimônia de preparação da mochila, que já me acompanhou por tantos cantos do planeta. Ela, a mochila, tem o azul e o amarelo do Boca Juniors, mas prefiro o Vélez Sarsfield, desde um jogo maluco que assisti acompanhado de um garoto francês, de sete anos, que levei ao estádio, numa rara imprudência dos pais e minha, há seis ou sete anos.
Consultei amigos, liguei para meus contatos em Cuba. Descobri que algumas coisas são muito boas de levar de regalo: boligrafos, que são canetas, chaveirinhos, artesanias de Brasil, sabonetes Vinolia e caramelos. Fui hoje ao mercado do Cabo e mandei ver. Enchi minha mochila de canetas Bic, principalmente as de cor preta, um lote bom de sabonetes, e um saco grande de caramelos.
Falei com Nilda, que vai me receber, e no primeiro contato, viramos amigos de longo tempo. No aeroporto, terei que dizer que vou ficar na casa de uma amiga intima. Ela disse que vão me pedir plata logo que eu chegar, e terei que dizer que sou um brasileiro pobre, que veio conhecer Cuba. Como não tenho muito dinheiro e cara de turista mesmo, vai ajudar. Depois do aeroporto, terei que pegar os “Camelos”, que são ônibus muy largos, que levam milhares de pessoas. Irei ao bairro de Vedado, onde ficarei, pela graça divina.
Estou levando o notebook, na esperança de escrever muito sobre as pessoas, o cotidiano, a vida, os sonhos e esperanças dos cubanos. Se a Internet não for tão cara, postarei algo.
Aos meus leitores, bom Natal e ótimo reveillon. Vi hoje no jornal que aboliram os toldos da praia de Boa Viagem, o que me pareceu justo. A praia tem que ser de todos, não de toldos, perdão o trocadilho infame.
Estou levando a camisa oficial do Santa Cruz, que causará, obviamente, um enorme tumulto nas imediações do Malecon, com todos querendo ficar com a camisa do Mais Querido. Trocarei por algo da mesma nobreza, como a camisa oficial da seleção cubana de Vôlei, ou cinco caixas de charutos e dois litros de rum.
Nos demais, fica o registro das coisas minúsculas. O sabonete Vinolia, que nem damos bola, faz um enorme sucesso entre os cubanos. O mesmo serve para as canetas Bic.
Levarei cheiros e tintas para os irmãos cubanos. E meu coração já começa a bater mais forte.
Rob Stradling
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El Malecon, Havana, Cuba
Chris Bury
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Crianças jogando futebol em Havana
Mais viajantes tricolores
Por Anizio Silva
Com o sucesso dos posts anteriores, vamos continuar a colocar algumas imagens de tricolores pelo mundo, classificadas na categoria “Viajante Tricolor“. Colabore enviando sua foto para o email blogdosantinha ARROBA gmail.com.
E pra você que está em Pernambuco, não se esqueça: assista o jogo ponte preta x SANTA CRUZ no TELÃO CORAL, instalado na sede social do clube. O jogo é às 16h, mas a concentração etílica começa às 14h, o acesso é GRATUITO e a Cerveja Frevo geladíssima por apenas R$ 1,00!!! Haverá sorteio de um relógio de pulso e kits da Frevo.
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O tricolor João Bosco Filho - que comenta neste blog com a alcunha de Bosquímano - mora na Espanha, mas tirou estas fotos eróticas em Londres, durante a semana do descabaçamento da hello-kitty (aquela que mora na ilha da fantasia). Confira a seqüência completa no Blog Futebol e outras histórias!
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Erick Ramo, que mora em São Paulo, esteve na Torre Eiffel em Paris exibindo a camisa coral. Eis o seu depoimento:
“Um frio desgraçado! A temperatura era de 2 graus e a sensação térmica era de -3 graus. Eu estava no segundo piso da torre, totalmente agasalhado. O manto sagrado estava por baixo dos casacos.
Não resisti, precisava mostrar aos franceses qual time manda em Pernambuco e no Nordeste, qual time tem uma torcida tão apaixonada que encara todo o frio do mundo para exibir, com orgulho, o manto sagrado! A foto ficou meio borrada, mas valeu a pena.”
131 comentáriosVida de viajante tricolor²
Enquanto não chega a hora de partir para nosso encontro etílico semanal, a Quinta Santa no Bar da Piscina - a partir das 18h -, confiram mais alguns registros de tricolores, mundo afora!
Uma tricolor nas brenhas da Espanha - Por Carolina Vergolino
Estou eu andando nas brenhas da Espanha, quando dou de cara com esse estádio. A cidade chama-se Santo Domingo de La Calzada. O time lá é tricolor. Acho que se juntar o povo odinho da cidade e colocar dentro do nosso Arrudão aqui, não enche em a metade do estádio. Que luxo o nosso né? Ter essa torcida imensa, um mar de gente em três cores, maior do que uma cidade.
Temos sim que ter futebol, quem não faz leva, o lateral isso e o meia aquilo. Enfim, um monte de assunto que eu não entendo nada. O que eu sei é que o povo vibra, a massa fica louca e quando é gol o coração fica se bulindo mais rapidinho e o chão treme. Isso é bom demais.
Confesso ter passado alguns anos torcendo para outro time. Era só o famoso motivo para beber com os meninos da faculdade. Minha mãe ficava indignada, já que meu avô era Santa, muito Santa Cruz. Mas virei a casaca de volta, graças. Honrei a memória do meu avô que vivia de roupa de linho branca, tinha a pele preta e o coração vermelho!
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Esse torcedor não-identificado esteve mês passado
no Festival de Montreux, prestigiando o show do
maestro tricolor Spok e de Alceu Valença
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Mateus é filho de burro-negro, mas é apaixonado
pelo Santa Cruz. Foi num grupo de excursão pra
Gramado, e levou na bagagem o manto sagrado.







