Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

Carrasco: nome ou vocação?

Foto atualizada, enviada pelo ex-craque da camisa 10 tricolor Carrasco em 1978 na sala de musculação do Arruda (foto cedida pelo Diário de Pernambuco para a Confraria Ninho da Cobra)

por Inácio França Em outubro, se não me falha a memória, encontrei uma figurinha amassada daquela coleção Futebol Cards e cismei de sair procurando antigos ídolos da torcida. O primeiro foi Luiz Fumanchu, que atualmente é comentarista esportivo numa rádio de sua cidade, no interior capixaba. Depois decidi que tinha de localizar Wilson Carrasco, um meia-esquerda arretado daqueles timaços do final dos anos setenta. Era apenas um menino de nove anos, no máximo 10, nem lembro do seu futebol, mas iniciei as buscas sabendo exatamente o que me motivava: deixaram marcas na minha memória as transmissões do locutor Ivan Lima, narrando os chutes fortes, as cobranças de falta mortais que saíam dos pés de Carraaaassco, Wiiilllsonnn Carraaaasco. Imaginava um sujeito implacável, com cara de mal, deixando os goleiros dos times do Sul em pânico. Por isso minha primeira pergunta era inevitável: "Carrasco é nome ou apelido por causa dos seus chutes?" "É meu nome de família, sou descendente de imigrantes espanhóis. É um sobrenome espanhol", respondeu Carrasco, com a tranqüilidade e o sotaque de caipira do interior paulista. Admito: passei esses anos todos imaginando que aquele era o apelido digno para um destruidor de defesas. Foi uma decepção, quase que perco a graça de continuar a conversa por telefone. Mesmo sem jeito, ouvi ele me confirmar o que um radialista tinha me antecipado: aos 56 anos, o velho camisa 10 mora nos subúrbios de Araraquara e é treinador dos júniores da Ferroviária, seu primeiro clube, de onde saiu direto para o Santa Cruz por indicação do ídolo Pio (também já entrevistado pelo Blog do Santinha). "O Santa Cruz foi o clube que me abriu as portas do futebol nacional. Tive uma boa passagem, disputei dois campeonatos brasileiros ao lado de Nunes, Fumanchu e Joãozinho. Foi uma excelente oportunidade jogar ao lado deles". Pura modéstia. Carrasco estava a altura dos companheiros.

Em outubro, se não me falha a memória, encontrei uma figurinha amassada daquela coleção e cismei de sair procurando antigos ídolos da torcida. O primeiro foi Luiz Fumanchu, que atualmente é comentarista esportivo numa rádio de sua cidade, no interior capixaba. Depois decidi que tinha de localizar Wilson Carrasco, um meia-esquerda arretado daqueles timaços do final dos anos setenta. Era apenas um menino de nove anos, no máximo 10, nem lembro do seu futebol, mas iniciei as buscas sabendo exatamente o que me motivava: deixaram marcas na minha memória as transmissões do locutor Ivan Lima, narrando os chutes fortes, as cobranças de falta mortais que saíam dos pés de Carraaaassco, Wiiilllsonnn Carraaaasco. Imaginava um sujeito implacável, com cara de mal, deixando os goleiros dos times do Sul em pânico. Por isso minha primeira pergunta era inevitável: "Carrasco é nome ou apelido por causa dos seus chutes?" "É meu nome de família, sou descendente de imigrantes espanhóis. É um sobrenome espanhol", respondeu Carrasco, com a tranqüilidade e o sotaque de caipira do interior paulista. Admito: passei esses anos todos imaginando que aquele era o apelido digno para um destruidor de defesas. Foi uma decepção, quase que perco a graça de continuar a conversa por telefone. Mesmo sem jeito, ouvi ele me confirmar o que um radialista tinha me antecipado: aos 56 anos, o velho camisa 10 mora nos subúrbios de Araraquara e é treinador dos júniores da Ferroviária, seu primeiro clube, de onde saiu direto para o Santa Cruz por indicação do ídolo Pio (também já entrevistado pelo ). "O Santa Cruz foi o clube que me abriu as portas do futebol nacional. Tive uma boa passagem, disputei dois campeonatos brasileiros ao lado de Nunes, Fumanchu e Joãozinho. Foi uma excelente oportunidade jogar ao lado deles". Pura modéstia. Carrasco estava a altura dos companheiros.

 
Do Arruda, chegou a ir ao Morumbi, mas o treinador Rubens Minelli o vetou por considerar que, com 1m72cm, era baixo demais. Seu destino acabou sendo a Portuguesa, onde dividiu quarto com Enéas, maior ídolo da história do clube do Canindé.
 
Depois, o meia rodou. Voltou ao Recife e foi campeão por um time de camisa vermelha-e-preta, com sede na Madalena. Há 20 anos, Carrasco veio pela última vez a Pernambuco para jogar exatamente contra o Santinha. "Foi pelo brasileirão de 1986, estava no Comercial de Mato Grosso do Sul. Empatamos em 0 x 0 no Arruda". Acredito que fui a esse jogo: o Santa perdeu muitos gols e matou a torcida de raiva.
Em 1992, se aposentou quando jogava no Varginha, do interior de Minas. Se aposentou, mas não encerrou a carreira: "Eu era assistente-técnico de Valdir Perez e precisaram de alguém para compor o meio-de-campo num coletivo. Fiz um gol no treino e acabei jogando mais oito vezes pelo time principal da Ferroviária, que na época disputava a segunda divisão do campeonato paulista. Mas aí desisti por causa da condição física, porque futebol eu tinha".
 
Até esse ponto, a conversa fluia num ritmo lento, quase aos empurrões por conta da timidez do entrevistado, sujeito reservado. Até que uma pergunta mudou o tom da sua voz e o ritmo das respostas:
 
"Minha maior emoção quando jogava no Santa? Ah, foi também a maior emoção da minha carreira: empatamos em 2 x 2 com o Operário, em Campo Grande, no Brasileiro de 1977, o que nos deixou a um passo da semifinal. Quando chegamos, tinha umas três mil pessoas no aeroporto. Foi tanta festa que demorei uma hora para chegar em casa, e olhe que eu morava no edifício Transatlântico, na praia de Boa Viagem, que é bem pertinho do aeroporto". Então, de repente, ele se transformou no Wilson Carrasco da minha infância: "Jogar no Arruda lotado era demais. Quando a torcida tricolor gritava o nome da gente, ficava arrepiado, com vontade de degolar os caras".

10 Comentários

  1. Gravatar 1
    Edgar Assis

    10 de fevereiro de 2006 às 5:02

    Matéria muito massa, Inácio !
    Conhecia o Carrasco apenas de ouvir meu pai falar. Sou de 75. Mas é ótimo o resgate da memória de nosso clube. Parabéns pelo trabalho.
    Gostaria de propor reportagens de personagens mais recentes, pelo menos pra mim. Como meu ídolo Marlon. Birigui, com quem entrava de mascote; Jacozinho, Gabriel doido, o matador Django…
    SAUDAÇÕES TRICOLORES !!!!!

  2. Gravatar 2
    samarone

    10 de fevereiro de 2006 às 6:18

    Quem tiver o contato de Birigui, favor enviar para este Blog, porque ele é considerado um santo tricolor, e deve ser entrevistado o mais rápido possível.
    samarone

  3. Gravatar 3
    Júlio C&eacut

    10 de fevereiro de 2006 às 6:49

    Ei Samarone, o Birigui será adversário do Santa Cruz!!! Pois é, ele é o atual treinador do Vila Aurora, atual campeão matogrossense, acredito que o Santinha não precisará do segundo jogo no Arruda, caso contrário, teremos a oportunidade de vê-lo e ovacioná-lo pessoalmente…

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    Júlio C&eacut

    10 de fevereiro de 2006 às 7:09

    Carlinhos Bala é "plano B" para ataque do Santos

    Não é perua não, os dirigentes santistas estão tentando trazer Wagner Love só que o passe do mesmo custa R$ 33,3 milhões e divide a diretoria que tem medo que o mesmo não vingue, segundo entrevista em emissora paulista e em sites da internet Carlinhos Bala seria o plano B, sendo um investimento bem mais barato, podendo ser uma grande contratação para eles, e para nós, seria o quê??? Rebaixamento para a série B, pois, onde que iremos encontrar outro jogador feito Carlinhos Bala??? Vai demorar e muito, o medo que faz são esses caras doido por dinheiro que existem na direção coral, não cometam a heresia de vendê-lo, seria suicídio na certa, precisamos montar um grande time e perder o Bala pro Brasileirão seria realmente uma morte lenta e anunciada…

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    Marcos-Garanhuns

    10 de fevereiro de 2006 às 7:24

    Muito boa a série de reportagens com os antigos ídolos corais, Fumanchu, Pio e agora Wilson Carrasco, graças a Deus tive o privilégio de vê-los jogar, não acredito que tenhamos times iguais aos dos anos 70.
    Sugiro reportagens com Ramon, Pedrinho, Betinho e Joãozinho.

  6. Gravatar 6
    Milton Santos Jr

    10 de fevereiro de 2006 às 8:46

    Do carái, Inácio. Eu tinha 14 quando vi esse jogador fenomenal em campo. Lembrei-me de outro igualmente fantástico que jogou nessa época: Mazinho, o Deus do Ébano.

  7. Gravatar 7
    Cláudio Vieir

    10 de fevereiro de 2006 às 12:44

    Acabei de ler no Site do Terra, como estou em Sampa, gostaria de saber se em Recife já estão falando alguma coisa:

    Carlinhos Bala é "plano B" para ataque do Santos

    O atacante Carlinhos Bala, do Santa Cruz, está nos planos da diretoria do Santos. No entanto, a prioridade ainda é a contratação do ex-palmeirense Vagner Love, do CSKA (Rússia).
    Um dos responsáveis pela volta do Santa Cruz à Série A, Carlinhos Bala é o artilheiro da equipe na temporada com 12 gols em dez partidas.

    Bala seria um investimento mais barato para o Santos. Para deixar o CSKA Moscou, o time santista teria de desembolsar cerca de 9 milhões de euros (R$ 33,3 milhões), o que divide a diretoria.

    AGORA FUDEU TUDO !!!

  8. Gravatar 8
    Anonymous

    10 de fevereiro de 2006 às 14:57

    Ajudem o pessoal do Blog a comprar uma câmara digital: cliquem naquele banner de propaganda lá em cima. Não custa nada. Eu tive que emprestar a minha câmara para eles e quero pegar ela de volta.

  9. Gravatar 9
    Anonymous

    12 de fevereiro de 2006 às 6:18

    mais uma entrevista de grande valia para enriquecer nossas mentes tricolores.
    parabéns inácio.

  10. Gravatar 10
    alexandre

    13 de fevereiro de 2006 às 6:55

    Comecei a torcer pelo Santa em 1978 numa vitória sobre o Palmeiras no Pacaembu por 3 a 1, com Nunes sendo expulso ainda no 1o tempo. Que time, meu Deus!!! O VT daquele jogo passava a todo momento na TV e a narração de Luciano do Vale para o primeiro gol, o gol de Nunes (nosso artilheiro que era Seleção Brasileira) ainda me é nítida nos ouvidos: "Wilson Carrasco, boa velocidade, o cruzamento é ótimo, Nunes, gooooooool". Onde estiver, Carrasco, obrigado por me fazer tricolor.