Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

Fumanchu quer ser mascote

por Inácio França

Fumanchu, Nunes e Joãozinho. Qualquer tricolor de qualquer idade já escutou essa escalação de linha de ataque. Aqueles com menos de 30 anos ouviram dos mais velhos as histórias dos jogos e gols desse trio. Para nós que, mesmo crianças, tivemos a oportunidade de vê-los atuar nos anos 70, citar os nomes dos três, assim nessa ordem, é como declamar o derradeiro verso de uma poesia que nos remete às alegrias da infância.

Depois que essa figurinha amassada de futebol cards (só quem se recorda de futebol cards somos nós, torcedores com mais de 30) caiu de dentro de um livro, o Blog do Santinha decidiu resgatar um pouco da história de Luiz Fumanchu, um dos melhores pontas-direitas do futebol brasileiro daquela época.

Não foi difícil encontrá-lo. Fumanchu hoje é comentarista esportivo de uma rádio de sua cidade natal, a pequena Castelo, no sul do Espírito Santo, perto da fronteira com o Rio de Janeiro. Mas fácil ainda foi entrevistá-lo. Assim que me apresentei como um jornalista do Recife, ele se empolgou e me interrompeu: “E o nosso Santa Cruz, sobe para a primeira divisão, não sobe?”. Ele falou assim mesmo “nosso Santa Cruz”. E explicou que se considera tricolor.

Agora, vou dar voz ao ídolo, reproduzindo trechos da nossa conversa por telefone:

“Morro de saudades do Arruda. Tenho a maior vontade de voltar a entrar no gramado do Arruda, em dia de casa cheia. Bem que o Santa Cruz poderia promover um encontro daquele timaço que nós tínhamos: queria subir as escadas do vestiário com Givanildo, Ramón, Pedrinho, Nunes, Betinho…”

“Se o Santa subir para a primeira divisão, quero entrar em campo como mascote. Gostaria muito de dar um abraço no Giva. Quero ser mascote da torcida do Santa Cruz. Lembro que era uma torcida maravilhosa, alegre e apaixonada. O time entrava em campo embalado pela torcida nas arquibancadas. Queria reencontrar essa torcida que não me esquece, pois volta-e-meia estão me citando em pesquisas na Placar ou coisas do tipo”.

“No Arruda, não perdíamos. Nosso time matava os adversários no segundo tempo. O gramado do Arruda era fofo, mais fofo do que os gramados do Morumbi, do Maracanã ou do Mineirão. Aí, a gente cozinhava eles no primeiro tempo e matava no segundo, quando estavam todos cansados”.

“Tenho vários jogos na memória. Em 1975, a impresa carioca já considerava o Flamengo e o Fluminense como os dois finalistas do Brasileirão. Diziam que eram os dois melhores do Brasil. Então, num sábado com Maracanã lotado, a gente foi lá e sapecou dois no Flamengo, dois gols de Nunes. No dia seguinte, O Internacional enfiou três no Fluminense, com o Maracanã lotado também”.

“Eu tive duas passagens pelo Santa Cruz. A primeira foi em 1975, quando saí do Vasco e fui disputar o Brasileirão pelo tricolor. Voltei para o Vasco em 1976 e retornei para o Santa em 1977. Nesse ano, lembro que tínhamos um jogo importante contra o Palmeiras no Pacaembu. Ganhamos fácil, com dois gols meus e um de Nunes. Nesse jogo fiz um golaço de falta. Aí, a gente se complicou contra o Remo, pois tínhamos que ganhar por uma diferença de dois gols, mas o atacante do Remo, Mesquita, fez um gol no finalzinho da partida”.

Depois do Santa Cruz, Fumanchu foi contratado pelo seu time de coração, o Fluminense. Daí, passou duas temporadas no América do México e voltou para ser reserva do time do Flamengo campeão brasileiro em 1981. “Mas, aí eu já estava ladeira abaixo”, brinca o ex-jogador, que está com 52 anos. Fumanchu é pai de dois filhos e comanda um programa esportivo diário, das 11h às 12h, na Rádio Cultura, de Castelo. Que tiver interesse em ver alguma imagem atualizada do ex-ponteiro, deve ir no site www.culturafmcastelo.com.br ou então esperar que alguém aproveite a ótima idéia de reunir os antigos craques da década de 70 em dia de casa cheia no Arruda.

7 Comentários

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  1. 1
    Enildo

    8 de outubro de 2005 às 15:12

    Fumanchu está enganado:
    Aquele jogo contra o Flamengo no Maracanã foi 3×1 para o Glorioso Santa Cruz, e os gols foram de Ramón (2, sendo 1 de cabeça) e outro de Vôlnei já no fim do 2ºtempo. O gol deles foi de Zico num pênalti arrumado (o jogo tava 1×0 prá nós). No jogo seguinte já valendo pelas semifinais contra o Cruzeiro a CBD (atual CBF) se encarregou de botar um juiz “mais competente” e nos tirou da final contra o Internacional (que também seria no Arrudão e em jogo unico), após validar um gol ilegítimo de Zé Carlos.
    Já o jogo contra o Remo em 1978 (mas válido pelo brasileiro de 1977) só perdemos a vaga às semifinais porque o presidente do Operário-MS comprou o FDP do Joel Mendes e ele fez aquela palhaçada com a torcida aos 44 do 2º tempo depois da cabeçada pífia de um tal de Mesquita. E tem mais um detalhe: Caso tívéssemos nos classificado com certeza passaríamos pelo medíocre São Paulo de Rubens Minelli e Chicão, e faríamos uma final eletrizante contra o Atlético/MG de João Leite, Cerezo, Paulo Isidoro e Reinaldo, com resultado imprevisível. Mas tudo isso nos foi roubado por nosso goleiro gaveteiro…

    Saudações Tricolores!

    Enildo

  2. 2
    Anonymous

    8 de outubro de 2005 às 21:43

    Alguém poderia me contar nos mínimos detalhes a final histórica do campeonate pernambucano de 1983?
    Meu nome é almir moro em Sp e tenho 23 e à época da decisão eu tinha apenas 1 ano de idade, a curiosidade se deve a vários e vários comentários que ouço a respeito desse título. Meu e-mail é almirmisterius@ig.com.br ou almirxavierdasilva@hotmail.com

  3. 3
    sergio travassos

    9 de outubro de 2005 às 1:16

    como podemos sentir saudades do q nem vimos, heim?! pois é, sinto saudades desse e de outros esquadrões do Tricolor. quantos feitos, desse e de outros homens, ficava ouvindo dos meus parentes mais velhos nas rodas de conversa. andei pesquisando e descobri alguns cordéis sobre nossos heróis, que foram imortalizados para sempre na memória dos tricolores.

    sobre a reunião de ex-combatentes corais, é uma sugestão mais q válida. nós jamais tivemos uma diretoria que realmente fosse capaz de homenagear nossos heróis. já não é sem tempo disso acontecer, afinal, uma história rica e sempre lembrada atrai mais torcedores.

  4. 4
    Inácio Franca/Samarone Lima

    9 de outubro de 2005 às 11:48

    Para Enildo: meu velho,você tem esses dados de memória ou possui alguma pesquisa a respeito? Se tiver as informações como resultado de uma pesquisa gostaríamos de conversar a respeito, pois temos a pretensãod e escrever uma biografia do Santa.

    Para Almir que está em SP: Vamos providenciar.

  5. 5
    Enildo

    9 de outubro de 2005 às 18:47

    É memória meus caros. Como uma criança/adolescente tricolor se permitiria esquecer aqueles timaços da década de 70?
    Quando não podia ir ao Arrudão, ficava com ouvido colado na rádio Clube ouvindo os gols do tricolor narrados pelo inesquecível Ivan Lima com os comentários do José Santana “O melhor comentarista do norte/nordeste do Brasil”.
    Na minha próxima ida a Recife, vou ver se dou um pulo no seu Bar prá gente falar sobre o nosso Santa Cruz.
    Qualquer coisa, o Alex dos Anjos tem meu telefone. é só ligar.

    Saudações Tricolores!

    Enildo

  6. 6
    Bosco

    9 de outubro de 2005 às 21:11

    Mais que perfeita a idéia de Fumanchu. Este é mais um tricolor de verdade. seria muito legal a gente já classificados, na última rodada, arruda lotado e a diretoria reunisse todos esses craques para uma homenagem muito mais que devida!
    para quem, como eu que ainda era muito novo, poder ver esses craques que me fizeram virar tricolor… estou emocionado só com a idéia!
    acho que até meu pai, que não frequenta o Mundão desde a final de 83, voltaria…
    quanta a esta final, vou escrever esta semana um textinho no meu blog relatando as minhas lembranças, aos 9 anos, dequele memorável 18/12/83…

    Eu tenho alguns dado em revistas. principalmente uma placar sobre os maiores clubes do brasil, de 79.
    Aliás, estou querendo reproduzir desta revista um depoimento magistral de Capiba!
    tinha vários jornais da década de 50 e 60, que meu pai guardou, mas infelizmente se perderam, para não dizer que foram roubados…
    tenho um amigo, no entanto, que tem um material fantástico sobre futebol e muita coisa sobre o Santinha da década de 70.

    Saudações tricolores

  7. 7
    alexandre

    8 de novembro de 2005 às 14:59

    Tinha eu 10 anos de idade e foi a partir desse jogo Palmeiras 1X 3 Santa Cruz que me tornei tricolor fervoroso. Jogamos com um homem a menos desde o 1o tempo pois José Roberto Wrigth expulsou Nunes. Fumanchu jogou divinamente, o time inteiro esteve fabuloso. Tem de ser levada à frente essa idéia de comemorar os 30 anos daquela geração de craques que faziam nosso Santa ser respeitado por todos os gramados do Brasil. E olha que naquela época ser um dos melhores times do Brasil era muito mais difícil, pois todos os grandes jogadores estavam em clubes brasileiros, ao contrário de agora.
    PS: não sabia essa de Joel Mendes gaveteiro, que decepção!