Virou Santa Cruz – Volume I
Por Gerrá da Zabumba, do Blog do Santinha.
Era janeiro de 2006. Depois de vários anos, retornávamos para primeira divisão do brasileiro.
O povão renovava a esperança pela volta do terror do Nordeste. Renascia na torcida tricolor coral santacruzense das bandas do Arruda, o sonho de ver o nosso Santa Cruz fazer bonito na Série A.
No mesmo instante, nascia Pedro. Pedro Costa Cabral.
A família do garoto ficouem polvorosa. Aalegria tomou conta de todos com a chegada do mais novo Costa Cabral.
“Parabéns querida, seu filho é lindo”. “Cadê a pitoca do titio?!”. “Tão fofinho, dá um sorrisinho, dá!”.
No meio de tantos carinhos e afagos uma voz disse assim, “não tem como negar, esse já nasceu com cara de rubro-negro!”.
Sem poder de discernimento e ainda sem juízo suficiente para saber o que era bom ou ruim, o pirralho foi cercado de más influências e se viu obrigado a torcer pelo time do mangue, pois boa parte da família tem esse mau gosto.
Os meses foram avançando e Pedro se ligando no mundo. Interagindo com as cores, formas e sabores da vida. Desde cedo, viu que tudo aquilo era fugaz. Leãozinho de pelúcia, camisas, bolinhas de futebol, as cores vermelha, preta e amarela não o agradavam muito.
Pedrinho tentava dizer que não queria os presentinhos com aquelas cores, mas ninguém lhe dava atenção. Contra sua vontade, enchiam ele de bugigangas, roupinhas e outros adereços. Travestiam o pequeno e diziam que Pedro era torcedor da leoa da ilha. O guri emboloava a fala, a fim de mandar a galera tomar no cu, tentava dar uma dedada, uma banana, mas não tinha controle suficiente dos seus gestos e nem conseguia ainda formular frases.
O tempo foi passando e todos tinham plena convicção que o menino era mais uma alma que iria torcer pelo time do boi.
Mas numa equação inversamente proporcional ao que acontecia com o Santa Cruz, o amor e paixão pelas cores preta-branca-encarnada, entraram no coração do guri. Ninguém sabe ao certo como foi, mas Pedrinho foi crescendo e batendo de frente contra tudo e contra todos. Para o desgosto da família, aos três anos ele assumiu que era “Santa Cluz”.
E eis que chegou o dia do grito de liberdade. Este ano, Pedro foi convidado para um aniversário, cujo tema da festa era o futebol e no convite estava escrito “traje: padrão de time de futebol”.
Numa atitude digna de quem sabe o que quer, o pivete foi categórico. Falou em alto e bom som que só iria para festa se fosse com o uniforme do Santa Cruz. Ofereceram camisa do Barcelona, Brasil, São Paulo, mas Pedro relutou e fincou a bandeira: “só vou se for vestido com o padrão do Santa. E acabou-se”.
Aí, amigos, não havia mais volta. A mãe tratou de vestir o filho caçula com o manto sagrado do Santa Cruz Futebol Clube e o levou para festinha.
Naquele dia, Pedro foi felicidade pura e estampou para o mundo que era torcedor do Santa.
Viva Pedro e sua paixão pelo Santa Cruz!










