
Foto: Robson Sena
Por Coronel Peçonha
Confesso que antes de marcar a data do meu casamento, que foi em dia de semana, verifiquei se o Santinha ia jogar naquele dia; é que ficaria chato, penso eu, abandonar a festa ou a cerimônia e sair correndo para ver o Mais Querido. Nem quero imaginar o mico que seria assistir ao jogo de paletó, gravata e um cravo na lapela!
Nada que tenha predominância das cores da barbie ou da suzie eu compro e, se ganho de presente algo desse jeito de algum desavisado, vou logo trocar na loja por cores decentes. Minha esposa já sabe disso há muito tempo e certa vez foi até motivo de discussão uma camisa de cores vermelho e azul escuro que ela muito satisfeita tinha me comprado. “Muito elegante e bonita, eu achei”, ela disse, para me ouvir rebatendo de imediato que iria trocar a belezura por conta das cores. “Mas não é rubro-negra”. “Sim, não é mas parece muito e é o suficiente para me dar alergia e, pior, correr o risco de ser confundido. Roupa minha é como a mulher do Imperador César: não basta ser honesta, tem de parecer honesta”.
Por conta dessa e de outras histórias é que eu, tal qual outros milhões de verdadeiros apaixonados pelo Santinha – e certamente existem histórias bem mais interessantes e apaixonadas – sou muitas vezes chamado como o tricolor mais radical na minha família. Ledo engano.
Nem o General Cacimbinhas, que fez teste para treinar futebol no Santinha (por problemas pessoais não pôde continuar, apesar de aprovado) e que tem uma carteira de sócio do ano de 1900 e fumaça (registro n° 4106, acho que da década de 50), também. Meus irmãos, idem.
Para quem conhece, sabe que Dona Ana Rita é a militante radical santacruzense do clã. Relógio do Santinha sempre no pulso, casa decorada com inúmeros adereços tricolores (tem toalha, banco, bandeira, até garrafa de uísque decorada com emblema do clube, etc), vive comprando lembrancinhas tricolores para os filhos e netos, ouve todas as resenhas, fica irritadíssima com comentários maldosos de torcedores de outros times, xinga-os com veemência, liga para os filhos comunicando em caso de notícias quentes (caiu técnico, chegou tal jogador e por aí vai) e, se encontra alguém de outras cores, principalmente as suzies, faz discurso e cara feia, sempre tentando convencer ao incauto a virar a casaca.
Essa é minha mãe, com todo orgulho. Se foi meu pai quem me criou nas Repúblicas Tricolores, reconheço que a força tricolor sempre teve esteio muito forte em minha genitora.
Hoje é o Dia Internacional das Mulheres. Comecei pensando na mais importante delas para mim, depois pensei na minha irmã (hoje ferrenha tricolor), na minha esposa (que só de jamais tentar se opor ao meu amor pelo Santa Cruz, em momento algum nesses quase 15 anos só de casamento, já merece uma homenagem por saber o que é ser tricolor), nas minhas filhas (que já conhecem o que é uma paixão tricolor), na minha tia-mãe Dulce (que reza tanto com sua imensa fé pelo Santinha) e decidi escrever algo para elas, simbolizando a minha homenagem para todas as mulheres.
Entretanto, pensando melhor, achei que todas as mulheres santacruzenses mereceriam homenagem ainda mais especial. Pensei em citar várias delas conhecidas da gente – Alessandra de Gerrá, Bia, Danny, Ana Paula, Adriana Costa, a nossa @blogdosantinha Aline Moura, Nice!, a mulher mistério – mas logo vi que esqueceria tantas que também seria pouco para o universo feminino tricolor.
Como deixar de falar em uma senhora de quase 70 anos que não perde um jogo nas sociais, sempre com seu radinho do Santa Cruz, cujo nome eu nem sei? Ou não prestar homenagem a Dona Neuza, mulher de seu Amaro, que jamais viu uma derrota do tricolor, pois todas as vezes em que vai um empate, no mínimo, é garantido? E como não dizer “parabéns, prezada torcedora, por seu dia” a uma sobrinha de Dimas Lins, cuja imagem chorando após uma das tantas desgraças vividas pelo Santinha até hoje não me sai da cabeça, por ter a esperança de que a verei no futuro sorrindo de novo dentro do José do Rego Maciel? Por qual motivo não me lembrar em Júlia, filha de Inácio, que aos 7 anos já é torcedora de coração do Santinha?
Aliás, que homenagem a mulheres eu poderia prestar, em especial a mulheres santacruzenses, diante da minha pequenez, senão simplesmente dizer parabéns, muito obrigado por existirem e pronto?
É isso.
Feliz Dia Internacional das Mulheres Santacruzenses. Parabéns, muito obrigado por existirem e um beijo em Ana Rita, Geórgia, Nadja, Mariana, Juliana, Dulce, Júlia, Aline Moura, Alessandra, Bia, Danny, Thatiana, Marília, Ana Paula, Valessa, Nice!, Patrícia, Adriana, Paula, Ana Cláudia, Claudinha, Neuza, Sandra, Ângela, Madalena, Roberta, Amanda, Cecília, Virgínia, Alice, Fabiana, Mirtes, Olga, Zélia, Maria do Carmo, Maria das Dores, Maria, Clara, Carolina, Valéria, Beatriz, Doralice, Larissa, Poliana, Leila, Marcela, Fernanda, Mirela, Stela, Ana Maria, Viviane, Márcia, Renata, Graça, Natália, Adalgisa, Daniele, Hilda, Priscila, Suzana, Amélia, Cristina, Lúcia, Angélica, Magali, Gláucia, Laura, Leda, Jaqueline, Vanda, Simone, Mônica, Eliane, Luciana, Tereza…