Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

Retratos de uma torcida apaixonada

Por Gerrá da Zabumba, do Blog do Santinha

Torcida Coral - Santa 2 x 0 potiguar - 15082010

A torcida mais apaixonada do Brasil. Foto: Anizio Silva

Seu Normando ia aos outros estádios, mas depois que levou uma carreira na ilha do chié e foi assaltado ao sair de um jogo na casa da barbie, decidiu que somente o José do Rego Maciel merece a sua presença.“Tomo duas lapadas de uísque, visto minha camisa do Santa Cruz e uma bermuda branca. Sempre branca. E saio pro Arruda. Ali é meu lugar. A bermuda não pode ser nem preta, nem vermelha. É para não encostar o preto com o vermelho. Dá um azar danado. É brabo. Antes de entrar no campo, tomo uma cerveja no canal”.

Juraci, Ubiraci e Valdeci têm em comum a paixão pelo Santa Cruz. Se acostumaram a ir aos jogos nos braços do pai, Seu Aldeir.

“Quando eu vou pro jogo, sempre levo a bandeira que herdei de papai. Se o Santa ganha, eu chego em casa e coloco a bandeira perto do retrato de papai. Acho que ele gosta”, disse Juraci.

“Papai deixou pra mim o boné. Mas eu guardo ele no meu quarto. Perto da imagem de Nossa Senhora da Conceição”, falou Ubiraci.

“Eu só gosto de ir vestido com todo o uniforme. Blusa, short, meião e um tênis preto. Tenho uma camisa que papai me deu. Uma camisa oficial com o patrocínio do Banorte. Mas não visto ela não. É uma relíquia”, relatou Valdeci.

Isauro chegou ao Recife em 1973. “Eu ainda lembro da festa do pentacampeonato. Eu morava no Pina. Naquele ano eu fui a todos os jogos do Santa. Eu sempre acompanhei o Santa. Agora, só vou pra jogo dia de domingo. Bebo umas cervejas com dona encrenca e antes de sair, dou uma chibatada bem dada. Tomo um banho e saio. Se o Santa ganhar, eu não lavo a cueca e no próximo jogo visto ela de novo. A zorba só vê água quando o tricolor perder”.

Paulo “Golou o Ovo” é ajudante de pedreiro e passou um tempão sem ir aos jogos do mais querido. “Golou o Ovo” fica mordido com que diz que ele é pé-frio. “Futebol pra mim tem que ser com bebida. Não sei quem inventou essa história de não poder beber no estádio. Quem já viu?! A gente bebe antes e vai pro campo. Pronto. Toda vez que o Santa Cruz começa atacando pro lado das Rua das Moças, dá um azar arretado. Tu é doido”.

Dona Vânia é viúva. Ele mora com Roberta, sua neta. Dona Vânia vez ou outra vai aos jogos lá no Arruda. “Quando não vou, ligo meu radinho e sento ali naquela cadeira. Aquela almofada foi bordada por mim. Ela dá sorte. E quando vou pro jogo, chego cedo para pegar o lugar de sempre e levo a almofada.”

Romildo já foi mascote do Santa Cruz. Fez parte da Inferno Coral. Com apenas 37 anos, já está no terceiro casamento. “Gosto de ir a pé para o Arruda. Mas vou para o chiqueiro e a casa da barbie, também. E vou com a camisa do Santa Cruz. Não abro pra ninguém. Bebo três lapada de cana e dou uma cusparada antes de entrar no estádio. É pra deixar a mazela do lado de fora.”

Seu Eugênio coleciona camisas do Santa. Ainda joga o seu futebol. Uma vez por semana, ele se junta a outros veteranos e bate sua pelada. Pouco vai ao Arruda, pois tem medo da violência. Na raras vezes que sai para assistir ao Santa Cruz, evita os clássicos e passa longe da torcida organizada. Seu amuleto é um radinho de pilha. Seu Eugênio nasceu surdo e mudo.

Ainda bem que ele não veio

Pote de Balas. Foto: Ludmila Tavares

Bala, só se for dessas aí. Foto: Ludmila Tavares

Por Gerrá da Zabumba, do Blog do Santinha.

Fiquei quatro dias fora da vida na web. Meu correio de eletrônico estava abarrotado. No meio de tantas mensagens, uma vinda da ouvidoria do Santa Cruz, a qual eu nem imaginava que ainda estava funcionando, me perguntou se eu sou a favor ou contra a volta do jogador Carlinhos Bala para o Santa Cruz.

Pense numa coincidência! Fazia uns cinco minutos que Samarone havia me ligado sobre o mesmo assunto. E ontem, encontrei com Eduardo Chaves, o Chaves, no prédio em que estou passando uma temporada e o assunto foi o mesmo, a volta de Carlinhos Bala.

Com quem eu conversei de ontem para hoje sobre esse história, todos foram unânimes em dizer que são contra a contratação do jogador Carlinhos Bala.

Ainda bem que ele não veio e ficou lá no Atlético de Goiás. Quem me deu a notícia foi Seu Luiz. Enfático e meio exagerado ele disse:

“Tricolor, ainda bem que Bala não veio. Aquilo não é Carlinho Bala não, é Carlinho Mala. Aquilo é um desordeiro.”

“Calma Seu Luiz. Calma.”

Meus zamigos, tem certas coisas no futebol que eu não entendo.

O treinador parece que está conseguindo dar liga ao elenco. Os jogadores começam a mostrar mais união e confiança. Givanildo parece ter o comando do time. Brasão parou de falar besteira e bateu um pênalti com decência.  Enfim, quando um clima melhor vai se estabelecendo no Arruda.  Aí, alguém tem a brilhante idéia de querer contratar um sujeito que por onde passa cria confusão dentro do elenco. Um autêntico desagregador.

Só mesmo quem tem a intenção de melar tudo que está se encaixando, para querer trazer esse atleta, como se ele fosse o salvador da pátria. Tenha santa paciência e parem de querer inventar moda. É muita falta de criatividade o sujeito lembrar do nome de Carlinhos Bala.

Tive a curiosidade de ver alguns números desse campeonato.

O Santa Cruz tem a melhor defesa, levou apenas  3 gols. O artilheiro da competição é um tal de Patrick, até agora ele fez  6 gols. Joélson já fez 3. Nossa equipe se classificou com 11 pontos, não ficando atrás de nenhum segundo colocado.

É preciso conter o afobamento. A diretoria, o treinador  e a torcida precisam ter paciência para trazer o jogador certo. Se não for possível encontrar a peça certa, pois dificilmente vão achar um bom jogador, bem preparado fisicamente, sem ser bichado e de bom caráter, que não tragam qualquer um.

É notório que o Santa Cruz carece de um grande artilheiro, mas a essa altura do campeonato não dá para ficar correndo risco. Se é para trazer bomba, é melhor ficar com o que está aí. Digo sem medo de errar, nessa miséria de campeonato, a série D, não há nada muito melhor do que nós temos.

Nota da Redação

O procurador do jogador Carlinhos Bala é o ex-presidente do Santa Cruz, Romerito Jatobá, responsável pela confusa venda do atleta, uma das grandes promessas do futebol brasileiro, ao Cruzeiro.  O Blog do Santinha fica feliz em saber que nem o atleta nem seu procurador vão receber novamente dinheiro do Santa Cruz.

Domingo, dia 05/09, é dia de 60 MIL

Domingo, dia 05/09 é dia de 60MIL. Arte: Anderson Marques

Arte: Anderson Marques

Nota da Redação: Arte enviada pelo tricolor Anderson Marques. Tricolor: ESPALHE!

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Encerramos a enquete questionando a opinião da torcida sobre a volta de Carlinhos espol… digo, Bala ao Santa Cruz, e que foi descartada pelo atlético-go. A pergunta era “Você concorda com a volta de Carlinhos Bala (especulada pela imprensa)?”. Resultados:

  • SIM! Ótimo reforço (45%, 73 Votos)
  • Pode ser… (12%, 20 Votos)
  • NÃO! NÃO! PQP NÃO! (33%, 53 Votos)
  • Não… (5%, 8 Votos)
  • Sei lá (4%, 6 Votos)
  • Outra opção (informe nos comentários do blog) (1%, 2 Votos)

Total de Votos: 161

Livraria

Uma torcida de dar inveja

Por Samarone Lima, enviado especial do Blog do Santinha para Maceió.

Charge de Ronaldo/Jornal do Commercio

Charge de Ronaldo, publicada no JC de hoje

Amigos corais, as diárias fornecidas pelo Blog do Santinha me permitiram viajar no sábado, um dia antes do jogo contra o CSA. Me hospedei no Maceió Mar Hotel, com vista para o mar. Levei três camisas do Santa, por precaução.

Segui ipsis literis as indicações do nosso bravo Tadeu Patriota, que divulgou neste afamado blog o roteiro completo da peregrinação coral. Sábado à noite, fui ao restaurante Parmegianno. O local estava lotado de tricolor. Um grande amigo, torcedor da barbie, chegou por lá, para botar os papos em dia. Ele já foi meu chefe. Cada tricolor que chegava, ele soltava um suspiro.

“Que inveja essa torcida de vocês me dá…”

A gente bebeu bem e comeu parmegianna pacas. Infelizmente, só no dia seguinte fui reler o roteiro de Tadeu, e vi o lance do desconto de 20% atrasado. Perdi a oportunidade de arranjar arenga com garçons, um de meus esportes prediletos.

No domingo de manhã, Maceió estava lotada de cabos eleitorais de Collor, Renan Calheiros, Ronaldo Lessa e Teotônio Filho, mas o que tinha mesmo era torcedor do Santa Cruz, de várias faixas etárias e origens sociais. A animação era tanta, a alegria era tão intensa, que os alagoanoa até fecharam uma parte da beira-mar, para a torcida do Santa passear com mais calma. E contrataram uma banda da Polícia Militar. Infelizmente, as partituras do hino coral não chegaram a tempo. Fica para depois.

No final da manhã, após um bom banho de mar, para tirar as quizilas, fui com a Moça Coral 2005, dona Luciana Teixeira, para o salão de festas do Iate Clube Pajuçara. Fica ao lado do restaurante Parmegianno, e quando os ônibus chegaram, todo o estoque de parmegianna de Alagoas foi embora. O senhor Caco, já devidamente mamado, queria desviar o ônibus direto para o estádio, às 13h, num sol de rechar e sem almoçar. Não conseguiu realizar sua loucura.

Cantamos, vibramos, tiramos fotos, tudo como manda o figurino de nossas muitas viagens. Tadeu Patriota, o anfitrião, estava em estado de graça.

Dessa vez, me lembrei do lance do desconto e fiz uma pequena arenga, logrando êxito total.

Então, começou a invasão ao estádio. Os milhares de corais estavam num setor do estádio que era de longe o mais feliz.

Não sei bem o motivo, mas a torcida do Santa neste domingo foi a mais bela, sonora e feliz do Brasil. Nossa felicidade não cabia dentro do Rei Pelé.

Quando veio o primeiro gol, o estádio veio abaixo. O empate, no final do primeiro tempo, não nos desanimou um segundo.

Seguimos cantando, empurrando o time. Um sujeito no rádio disse que nosso adversário direto pela vaga, o Confiança, estava ganhando de 2 x 0. Eu não sei se era Confiança, Potiguar, sei que era um desses times aí, eu só entendi mesmo é que se levássemos um gol, se perdessemos o jogo, estaríamos novamente fora do campeonato, e isso não iria acontecer em hipótese alguma. Deus não é chegado a crueldades, apesar de ficar desatento, de vez em quando.

A festa estava quase perfeita, mas faltava o gol da vitória. Era uma exigência da torcida, vencer o CSA na casa deles. Um dever moral do nosso Santa. Passamos o dia escutando gracinhas e chistes do tipo “vão perder do azulão”; “vão apanhar de novo”.

Pois Azulão pra mim é nome de sanfoneiro ou de bloco de carnaval.

Perto do fim do jogo, o pênalti. A torcida, num gesto de amor aos que erram, começou a gritar “Brasão! Brasão!”

Ele foi lá, pegou a pelota, lembrou daquele chute de brasinha tosca que ele deu no Arrudão, uma semana antes, aquele traque, então fez carreira, soltou um canhão, que se o goleiro botasse a mão, ficaria aleijado. O gol da vitória.

O estádio enlouqueceu. A santa vitória coral. Abraços, lágrimas, festa. Fim do jogo, e a linda frase: “Santa Cruz classificado!”

A Inferno Coral invade o campo, leva bandeiras, abraça jogadores. A tropa de choque, de tão comovida, tratou a todos como se tivessem vestindo a farda dos escoteiros mirins. Ninguém foi preso, maltratado, como sempre fazem. A torcida do CSA saiu antes, com as bandeiras enroladas. Nós ficamos fazendo festa, imaginando a Sanfona Coral puxando a massa, mas a Sanfona é apenas uma boa lembrança.

Quando saimos do estádio, a pergunta era somente uma:

“Estamos na Zona Norte do Recife, é?”

“Ôx, aqui é Água Fria?”

Nunca uma viagem de volta foi tão feliz. Era uma caravana de felicidade.

Torcedores do Palmeiras, Flamengo, Corínthians, São Paulo, podem tratar de fazer a mea culpa. Admitam que a torcida mais fiel e apaixonada do Brasil é a do Santa Cruz Futebol Clube. Uma torcida de dar inveja a qualquer clube do mundo.

Agora vamos tratar de contratar reforços, treinar duro, botar as mensalidades em dia, acompanhar os treinos, ver onde estamos falhando e preparar a nova invasão.

Agradecimentos especiais ao anfitrião, Tadeu Patriota, que possibilitou tantos encontros em Alagoas.

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