Relatos de um retardatário
Por Samarone Lima, do Blog do Santinha.
Durante o dia, liguei para meu consultor para problemas diversos (PPD), Dom Inácio França.
“França, Silvinha marcou uma apresentação dela sabe para quando?”
“Não”
“Hoje”.
“Sabe que horas?”
“Imagino. Sete e meia da noite”.
“Isso”.
Ele não esperou a pergunta, já foi logo dando o conselho.
“”Samarone, é o seguinte. Tens que pegar a tabela do Estadual e entregar a ela. Informe para não marcar nada nos dias e horários dos jogos do Santa”.
Como era tarde para a tarefa, e eu não sabia onde tinha colocado a tabela, fui ver sua apresentação. O local (Casa Mecane, na Visconde de Suassuna) me levou a um grau maior de sofrimento. Melhor, de suplício. Cheguei lá às 19h, para pegar os ingressos. Na fila, ficava olhando os ônibus passando, lotados, com a galera gritando:
“É tricolor! É tricolor! É tricoloôooôoo..”
Dá aquele friozinho na espinha, mas tudo bem.
A apresentação terminou às 20h15. Saí do teatro e liguei o radinho. Era o final do primeiro tempo. Zé Teodoro dava suas explicações. Dado disse que o time só fez marcar, não jogou. Zero a zero no placar.
Falei com a amada, que percebeu minha aflição. Nessas horas, fico sem respirar direito. Ganhei o salvo-conduto para o segundo tempo.
Na Visconde de Suassuna mesmo, peguei um táxi. Um azar do caralho. O senhor, na faixa dos 65 anos, deslizava placidamente em direção ao Arruda, como se fosse a um piquenique na Jaqueira. Liguei o rádio. O Santa tinha perdido um pênalti. Olhei o celular. Duas ligações de Boy. A turma do Poço estava já lá dentro, curtindo o Arrudão à noite. Inveja, é o nome do sentimento.
Cheguei em cima do segundo tempo. Fui à bilheteria.
“Vê aí o ingresso mais barato”.
O sujeito me deu um ingresso de estudante, anel inferior, por R$ 15,00. Vivo estudando, mas não tenho carteira.
Fui à entrada habitual. Iria começar o segundo tempo. Tudo fechado. Uma imundície do caralho, poças d’água, xixi caindo lá de cima. Tive que dar a volta no estádio. No caminho, aquele estrondo da massa coral. Gol do Santa. Eu, um miserável, do lado de fora.
Cheguei à nova entrada, me botaram para entrar por uma catraca que não rodava. O sujeito pegou meu ingresso, não botou na máquina, dizendo que estava quebrada. O famoso “migué”. Por costume, peguei dois ingressos no chão e guardei.
Comecei a subir, achei que tinha degrau demais. Fui subindo, sentindo aquela tontura, quando vi um sujeito.
“Amigo, cadê as arquibancadas?”, perguntei.
“Aqui é acesso ao anel superior”.
Puta que o pariu, Santa Cruz!
Desci. Eu tenho problemas com altura. Outro dia, conheci um sujeito alto, forte pacas, que se escapela de medo de sapo. Cada um com seu fracasso. Quanto mais longe do chão, mais gelado eu fico, essa é a matemática.
No chão, informei ao gordinho que pegou meu ingresso.
“Amigo, o meu ingresso era para arquibancada”.
Ele subiu dois lances de escada, começou a dar umas porradaa no portão. Tinha uma força medanha, o gordinho. Por causa de um murrinho besta num portão, há alguns anos, à saída do Arruda, acabei dentro de um camburão.
Nada. Mais porradas.
“Devem estar assistindo ao jogo”, comentou.
“Que lindo”, pensei, mas não disse, para não virar o portão.
Daqui a pouco, vem um sujeito e abre o portão.
“Ele vai passar para a torcida do Santa”, disse o gordinho.
Entrei pela torcida visitante, passei para a torcida coral. Seis minutos do segundo tempo, informava o radinho de pilha ridículo, que comprei no último jogo a R$ 8,00 e que fica misturando as rádios o tempo todo.
Deu tempo de ver o chutaço de Renatinho. Era o segundo gol.
Estava tão sozinho, sem amigos, que comprei uma bandeira a R$ 10,00 para meu auto-consolar.
O radinho era uma miséria. Estava no jogo, daqui a pouco sintonizava sozinho numa rádio evangélica. “Porque Isaías, quando sentiu a mão de Deus”. Tzzzip. Xxxx. Eu mexia no controle. “Killing me softly…” Tziippp. Xxxx. “Aqui nos Aflitos…” Tziip. Xxxx. “Vai o Santa com Léo distribuindo a jogada…” Tziiip. Xxxx. “Eu estava sem esperança, quando fui tocada pela mão do Senhor”.
Só dava o Santa em campo. Aquele Anderson Pedra não vai para o banco mais nunca. E Léo se entende bem com a pelota.
À saída do estádio, encontrei a turma da Kombi Coral. Naná mandava bem num sanduba. Todo mundo estranhou eu estar de cara.
“Visse o golaço de Léo?”
Retardatário sempre perde o melhor, pensei em dizer, mas achei melhor abrir logo uma latinha.
“Splich…”
É um barulinho bom pacas, isso não se pode negar.
Nota:
Só sendo muito otário para acreditar que tinham 24 mil pessoas no Arruda…
Nota 2:
Ailton Patriota (post 27).
A TOSA – TORCIDA SANTA ALAGOAS informa que aqui em Maceió assitiremos o jogo lá no Manos Bar (Feitosa). Aproveitamos o ensejo para convocar os integrantes e todos os torcedores corais residentes ou de passagem pelas Alagoas, para assitirmos juntos. O horário do jogo é de 18:00 horas. Entretanto, recomendamos chegar a partir das 15:00 horas, trajando o uniforme coral.
E andar com fé, que a fé não costuma faiá. Sds Corais e Tosenses.





