Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

Números, pessoas, ingressos, esculhambação.

Por Samarone Lima.

Alguns números do último final de semana, referente ao público.

Santos x Portuguesa – 9.135 pagantes.

São Caetano x Corinthians – 4.031 pagantes.

Santo André x Botafogo – 2.247 pagantes.

Total:15.413 pagantes.

Santa Cruz x Cabense – 17.819 pagantes (é que a arquibancada inferior diminuiu de tamanho).

Não sei quantos ficaram de fora.

Ou seja, em um jogo do campeonato estadual, debaixo de uma esculhambação que merecia demissões e explicações à torcida, botamos mais gente no estádio que jogos cheios de craques e estrelas da seleção.

Amanhã teremos um jogo importantíssimo pela Copa do Brasil. Ouvi dizer que colocaram 35 mil ingressos à venda.

Eu acho pouco, mas o que a torcida do Santa acha não conta para a diretoria. Lembremos que uma parte já vai direto para as mãos dos cambistas.

Amanhã eu só quero o que é nosso direito: Ingressos disponíveis, organização, entradas abertas na entrada e saída do Arruda.

Sei que é pedir muito para os burocratas corais, mas sou insistente.

Nota: Aos que reclamam da demora em liberarmos comentários, lembramos que não somos uma multinacional da Internet, e precisamos, sim, liberar os comentários depois da leitura prévia. Infelizmente, algumas pessoas aproveitam o espaço para falar merda, plantar romores, escrever insanidades, demonstrar a falta de educação sob o manto do anonimato, e somos responsáveis por isso.

Elas, do Santa

Novo Uniforme do Santa Cruz Futebol Clube. Foto: Robson Sena

Foto: Robson Sena

Por Coronel Peçonha

Confesso que antes de marcar a data do meu casamento, que foi em dia de semana, verifiquei se o Santinha ia jogar naquele dia; é que ficaria chato, penso eu, abandonar a festa ou a cerimônia e sair correndo para ver o Mais Querido. Nem quero imaginar o mico que seria assistir ao jogo de paletó, gravata e um cravo na lapela!

Nada que tenha predominância das cores da barbie ou da suzie eu compro e, se ganho de presente algo desse jeito de algum desavisado, vou logo trocar na loja por cores decentes. Minha esposa já sabe disso há muito tempo e certa vez foi até motivo de discussão uma camisa de cores vermelho e azul escuro que ela muito satisfeita tinha me comprado. “Muito elegante e bonita, eu achei”, ela disse, para me ouvir rebatendo de imediato que iria trocar a belezura por conta das cores. “Mas não é rubro-negra”. “Sim, não é mas parece muito e é o suficiente para me dar alergia e, pior, correr o risco de ser confundido. Roupa minha é como a mulher do Imperador César: não basta ser honesta, tem de parecer honesta”.

Por conta dessa e de outras histórias é que eu, tal qual outros milhões de verdadeiros apaixonados pelo Santinha – e certamente existem histórias bem mais interessantes e apaixonadas – sou muitas vezes chamado como o tricolor mais radical na minha família. Ledo engano.

Nem o General Cacimbinhas, que fez teste para treinar futebol no Santinha (por problemas pessoais não pôde continuar, apesar de aprovado) e que tem uma carteira de sócio do ano de 1900 e fumaça (registro n° 4106, acho que da década de 50), também. Meus irmãos, idem.

Para quem conhece, sabe que Dona Ana Rita é a militante radical santacruzense do clã. Relógio do Santinha sempre no pulso, casa decorada com inúmeros adereços tricolores (tem toalha, banco, bandeira, até garrafa de uísque decorada com emblema do clube, etc), vive comprando lembrancinhas tricolores para os filhos e netos, ouve todas as resenhas, fica irritadíssima com comentários maldosos de torcedores de outros times, xinga-os com veemência, liga para os filhos comunicando em caso de notícias quentes (caiu técnico, chegou tal jogador e por aí vai) e, se encontra alguém de outras cores, principalmente as suzies, faz discurso e cara feia, sempre tentando convencer ao incauto a virar a casaca.

Essa é minha mãe, com todo orgulho. Se foi meu pai quem me criou nas Repúblicas Tricolores, reconheço que a força tricolor sempre teve esteio muito forte em minha genitora.

Hoje é o Dia Internacional das Mulheres. Comecei pensando na mais importante delas para mim, depois pensei na minha irmã (hoje ferrenha tricolor), na minha esposa (que só de jamais tentar se opor ao meu amor pelo Santa Cruz, em momento algum nesses quase 15 anos só de casamento, já merece uma homenagem por saber o que é ser tricolor), nas minhas filhas (que já conhecem o que é uma paixão tricolor), na minha tia-mãe Dulce (que reza tanto com sua imensa fé pelo Santinha) e decidi escrever algo para elas, simbolizando a minha homenagem para todas as mulheres.

Entretanto, pensando melhor, achei que todas as mulheres santacruzenses mereceriam homenagem ainda mais especial. Pensei em citar várias delas conhecidas da gente – Alessandra de Gerrá, Bia, Danny, Ana Paula, Adriana Costa, a nossa @blogdosantinha Aline Moura, Nice!, a mulher mistério – mas logo vi que esqueceria tantas que também seria pouco para o universo feminino tricolor.

Como deixar de falar em uma senhora de quase 70 anos que não perde um jogo nas sociais, sempre com seu radinho do Santa Cruz, cujo nome eu nem sei? Ou não prestar homenagem a Dona Neuza, mulher de seu Amaro, que jamais viu uma derrota do tricolor, pois todas as vezes em que vai um empate, no mínimo, é garantido? E como não dizer “parabéns, prezada torcedora, por seu dia” a uma sobrinha de Dimas Lins, cuja imagem chorando após uma das tantas desgraças vividas pelo Santinha até hoje não me sai da cabeça, por ter a esperança de que a verei no futuro sorrindo de novo dentro do José do Rego Maciel? Por qual motivo não me lembrar em Júlia, filha de Inácio, que aos 7 anos já é torcedora de coração do Santinha?

Aliás, que homenagem a mulheres eu poderia prestar, em especial a mulheres santacruzenses, diante da minha pequenez, senão simplesmente dizer parabéns, muito obrigado por existirem e pronto?

É isso.

Feliz Dia Internacional das Mulheres Santacruzenses. Parabéns, muito obrigado por existirem e um beijo em Ana Rita, Geórgia, Nadja, Mariana, Juliana, Dulce, Júlia, Aline Moura, Alessandra, Bia, Danny, Thatiana, Marília, Ana Paula, Valessa, Nice!, Patrícia, Adriana, Paula, Ana Cláudia, Claudinha, Neuza, Sandra, Ângela, Madalena, Roberta, Amanda, Cecília, Virgínia, Alice, Fabiana, Mirtes, Olga, Zélia, Maria do Carmo, Maria das Dores, Maria, Clara, Carolina, Valéria, Beatriz, Doralice, Larissa, Poliana, Leila, Marcela, Fernanda, Mirela, Stela, Ana Maria, Viviane, Márcia, Renata, Graça, Natália, Adalgisa, Daniele, Hilda, Priscila, Suzana, Amélia, Cristina, Lúcia, Angélica, Magali, Gláucia, Laura, Leda, Jaqueline, Vanda, Simone, Mônica, Eliane, Luciana, Tereza…

Barrados no baile: só acreditei porque foi comigo

Por Marcony Lacerda, funcionário público e técnico de informática.

Após combinar com um amigo a ida ao jogo Santa Cruz e Cabense, fui ao Arruda no sábado, dia 06.03.2010, e adquiri 01 ingresso de arquibancada e outro de estudante para o meu filho. Como de costume, cheguei as 15h00min à churrascaria Brasão na Av. Beberibe, bem próximo ao estádio do Arruda, e fiquei aguardando o meu amigo chegar, que aconteceu cerca de 40 minutos depois.

Meu amigo chegou junto com o seu sobrinho. Perguntei o porquê de tanta demora. Ele respondeu que teve que comprar o ingresso na bilheteria da Rua das Moças, pois a bilheteria na parte frontal estava fechada e, inclusive, o mesmo foi abordado por cambistas oferecendo o ingresso do Programa Todos com a Nota, imediatamente rejeitado por ele, pois queria ingresso de arquibancada. Então, o cambista falou: “compre este, pois todo mundo vai ficar na parte inferior e a entrada será tudo pelo mesmo lugar”, o meu amigo estranhou e, como não compra ingresso de cambista, se dirigiu à Rua das Moças.

Na churrascaria, conversamos alguns assuntos sobre o Santa Cruz. Por volta das 16h30min, nos dirigimos à entrada de arquibancada do canal onde, costumeiramente, ficam as entradas de arquibancada, e nos deparamos com uma fila descomunal que inclusive chegava até a Av. Beberibe. Estranhamos, pois conforme tinha lido no site do clube, ele tinham disponibilizado apenas 3.000 ingressos de arquibancada e, pela quantidade de gente na fila, tinha alguma coisa errada. Pessoas próximas comentavam que aquilo era um absurdo colocar os torcedores que tinham comprado arquibancada ao preço de R$ 20,00, para entrar no mesmo local dos portadores de ingresso do Todos com a Nota.

Meu amigo Carlos ficou indignado, lembrando do que o cambista tinha falado. Não convencido daquilo, dirigi-me a um policial e perguntei se aquela informação procedia, o mesmo respondeu  que era verdade e que, inclusive, aquilo tinha sido uma determinação da direção do Santa Cruz. Revoltado com toda aquela situação, me dirigi a outro policial para saber se o portão da Rua das Moças estava aberto. Para meu espanto, a resposta veio na hora: “Não, a entrada é esta aqui mesmo”.

O jogo começou e nós, eu, meu filho, meu amigo e seu sobrinho, ficamos do lado de fora com ingressos na mão. Fomos então para a entrada dos sócios procurando informações sobre o local em que se encontra o Juizado do Torcedor. Apareceu um chefe de segurança, que pelo visto não conhece as dependências do clube, pois passou uma eternidade para dar a informação. Dirigimo-nos ao JT e fizemos a nossa queixa.

Fiquei me perguntando:  o que fizeram e ainda hoje fazem com o meu clube de coração?

Devo continuar vindo ao estádio, pagar caro e ter que passar por isto, inclusive não ver o meu clube jogar? E o meu filho e o sobrinho do meu amigo, adolescentes, jovens tricolores, será que continuarão querendo vir ao estádio, depois de sentirem na própria pele tudo isto?

Por que no Santa Cruz não aparece ninguém, ninguém para dar uma satisfação quando fatos desta natureza se repetem várias vezes ao ano?

A vocês, que nos fodem a alma

Estádio do Arruda durante o jogo de hoje: muito torcedor não pôde ver esta cena - Foto: Bruno

Estádio do Arruda durante o jogo de hoje: muito torcedor não pôde ver esta cena - Foto: Bruno

Por Samarone Lima.

Na metade do primeiro tempo saí do Arruda. Não aguentava gritar com os policiais e com os bombeiros que a multidão estava amarrotada, que poderíamos ter uma confusão, que as crianças estavam sofrendo. O anel superior estava fechado, e toda a massa coral se espremia no anel inferior. Como todos sabem, a torcida do Santa é uma massa. A Massa Coral. Quem não sabe disso, que estude, que faça uma iniciação, que comece a ir ao estádio.

Quando saí do estádio, no intervalo do primeiro tempo, havia uma multidão do lado de fora. Gente com e sem ingresso. Uma multidão de desrespeitados, de idiotas, que saíram de casa para empurrar o time. O famoso “Todos com a Nota” estava sendo vendido a R$ 10,00. No último jogo do Vasco da Grama, menos de mil pessoas saíram de casa para torcer. Grande merda, o Vasco.

Saí de propósito. Queria lutar contra minha diretoria. Minha diretoria não, a diretoria que está no Santa. Fodam-se os que acham que FBC só traz coisas boas. Ele veio com um bando de malas, que não sabem nem o que o “S” de Santa Cruz.

Saí porque não suportava ver tanto sofrimento num estádio que foi feito para ser grande, e uma diretoria que teima em ser pequena.

Gritava, a nossa torcida. Queria entrar. Faltavam ingressos, entradas. Faltava respeito a qualquer estatuto, seja do Idosoa, seja do Torcedor.  Queria entrar, nossa gente. A cena era dantesca. Dezenas, centenas, se empurravam para ver o Santa jogar. Um amigo conseguiu entrar, suado, aos 35 do primeiro tempo.

Não sei, talvez nunca saibamos, o nome do imbecil que resolveu tornar o Arruda um estádio da barbie. Em um clube razoavelmente decente, o indivíduo seria demitido com um aviso:

“Vai fazer alguma coisa que te dê prazer, não foder a torcida do Santa, ô imbecil”.

Sim, ontem a torcida so Santa foi tratada por imbecis. Minha única arma é escrever, e aqui deixo meu recado. Nunca maltratem a torcida do Santa em vão, que farei minha parte.

Milhares de torcedores do Santa ficaram fora do Arruda, no jogo contra a Cabense. Enquanto isso, o anel superior estava vazio, fechado.

Desconfio que esse é o problema do Santa. A gente nunca sabe o nome de quem é o responsável. Quem resolveu fechar o anel superior ontem? Minha mãe? Madre Teresa? A puta que o pariu?

Quem é responsável pela confusão que se viveu nas arquibancadas? Teve gente que foi com o filho no ombro, e saiu do Arruda achando que estávamos decidindo a Copa do Brasil.

Quando teremos alguém para dizer o que pensamos, olhando nos olhos? Quando saí, no intervalo do primeiro tempo, falei com a equipe de apoio do Santa, os caras que trabalham nas catacras. Estavam apavorados.

“Eles fodem nosso trabalho, temos que ser responsáveis por um tumulto que não é nosso”, disse um sujeito educado, já pegando o rádio e tentando falar com algum dirigente.

Claro que o contato foi inútil. Quem vai sair do seu camarote para resolver problemas com a torcida?

Escutei o gol ao lado dessa massa que não entrou, num boteco meia tigela.

Nos abraçamos fora do Arruda. A exemplo dos nossos políticos, a direção do Santa sabe muito bem como fazer o espetáculo da exclusão.

Hoje nós devemos ser manchete nacional. Uma diretoria que não consegue deixar que sua torcida entre no estádio.

Em qualquer clube sério, a segunda-feira começaria com uma entrevista coletiva, demissões, explicações. A nós, torcedores, cabe especular sobre o sofrimento da próxima rodada.

A vocês, diretores, que nos fodem a alma, bem que poderiam ficar do lado de fora do estádio, como eu fiquei, querendo ver o Santa jogar.

Infelizmente, vocês têm os camarotes.

Vocês, bando de pulhas, querem somente foder nossa alma. Querem gozar com a santa torcida coral. Querem dizer para a roda de amigos boçais:

“Sabia que sou da diretoria do Santa?”

Estão conseguindo. E não esquecerei o nome da cada um.

Vocês, que nos fodem a alma. Vocês, que fodem o Santa Cruz. Vocês são responsáveis pelo público de ontem, estimado em 17 mil pessoas. Com uma diretoria razoavelmente competente, teríamos 30 mil.

No jogo da Copa do Brasil, vocês querem uma assessoria, bando de incompetentes?

Este texto vai em homenagem aos milhares de torcedores do Santa que ficaram de fora do estádio, no jogo contra a Cabense, dia 7.03.2010. Eu era um deles. Minto, eu não era um deles. Eu saí para ver quem eram eles, e me tornei um deles.

Página 2 de 360123...Última »