Retratos de uma torcida apaixonada
Por Gerrá da Zabumba, do Blog do Santinha
Seu Normando ia aos outros estádios, mas depois que levou uma carreira na ilha do chié e foi assaltado ao sair de um jogo na casa da barbie, decidiu que somente o José do Rego Maciel merece a sua presença.“Tomo duas lapadas de uísque, visto minha camisa do Santa Cruz e uma bermuda branca. Sempre branca. E saio pro Arruda. Ali é meu lugar. A bermuda não pode ser nem preta, nem vermelha. É para não encostar o preto com o vermelho. Dá um azar danado. É brabo. Antes de entrar no campo, tomo uma cerveja no canal”.
Juraci, Ubiraci e Valdeci têm em comum a paixão pelo Santa Cruz. Se acostumaram a ir aos jogos nos braços do pai, Seu Aldeir.
“Quando eu vou pro jogo, sempre levo a bandeira que herdei de papai. Se o Santa ganha, eu chego em casa e coloco a bandeira perto do retrato de papai. Acho que ele gosta”, disse Juraci.
“Papai deixou pra mim o boné. Mas eu guardo ele no meu quarto. Perto da imagem de Nossa Senhora da Conceição”, falou Ubiraci.
“Eu só gosto de ir vestido com todo o uniforme. Blusa, short, meião e um tênis preto. Tenho uma camisa que papai me deu. Uma camisa oficial com o patrocínio do Banorte. Mas não visto ela não. É uma relíquia”, relatou Valdeci.
Isauro chegou ao Recife em 1973. “Eu ainda lembro da festa do pentacampeonato. Eu morava no Pina. Naquele ano eu fui a todos os jogos do Santa. Eu sempre acompanhei o Santa. Agora, só vou pra jogo dia de domingo. Bebo umas cervejas com dona encrenca e antes de sair, dou uma chibatada bem dada. Tomo um banho e saio. Se o Santa ganhar, eu não lavo a cueca e no próximo jogo visto ela de novo. A zorba só vê água quando o tricolor perder”.
Paulo “Golou o Ovo” é ajudante de pedreiro e passou um tempão sem ir aos jogos do mais querido. “Golou o Ovo” fica mordido com que diz que ele é pé-frio. “Futebol pra mim tem que ser com bebida. Não sei quem inventou essa história de não poder beber no estádio. Quem já viu?! A gente bebe antes e vai pro campo. Pronto. Toda vez que o Santa Cruz começa atacando pro lado das Rua das Moças, dá um azar arretado. Tu é doido”.
Dona Vânia é viúva. Ele mora com Roberta, sua neta. Dona Vânia vez ou outra vai aos jogos lá no Arruda. “Quando não vou, ligo meu radinho e sento ali naquela cadeira. Aquela almofada foi bordada por mim. Ela dá sorte. E quando vou pro jogo, chego cedo para pegar o lugar de sempre e levo a almofada.”
Romildo já foi mascote do Santa Cruz. Fez parte da Inferno Coral. Com apenas 37 anos, já está no terceiro casamento. “Gosto de ir a pé para o Arruda. Mas vou para o chiqueiro e a casa da barbie, também. E vou com a camisa do Santa Cruz. Não abro pra ninguém. Bebo três lapada de cana e dou uma cusparada antes de entrar no estádio. É pra deixar a mazela do lado de fora.”
Seu Eugênio coleciona camisas do Santa. Ainda joga o seu futebol. Uma vez por semana, ele se junta a outros veteranos e bate sua pelada. Pouco vai ao Arruda, pois tem medo da violência. Na raras vezes que sai para assistir ao Santa Cruz, evita os clássicos e passa longe da torcida organizada. Seu amuleto é um radinho de pilha. Seu Eugênio nasceu surdo e mudo.














