Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

Agonia todo dia

por Inácio França

Todo dia faço quase tudo sempre igual.

Acordo às seis e pouco da manhã, tomo café atualizando os assuntos com a mulher, tento baixar a barriga proeminente, tomo banho bem tomado e me planto diante desse computador para escrever mais um capítulo do livro sobre os poetas do Pajeú.

Antes de batucar a primeira linha nesse mesmo teclado, visito os blogs de notícias esportivas e os sites dos jornais ávido para ler a notícia da contratação do camisa 9 com sangue-frio o suficiente para meter a bola nas redes. Nada disso, apenas a notícia de que um jogador recém-contratado se machucou e só vai estrear na penúltima rodada do campeonato.

Mudo de sintonia e lá se vão um, dois, três parágrafos contando como a poesia entrou na vida de uma mocinha inspirada que não está nem aí para o Santa Cruz.

Leio e-mails. Samarone pergunta se alguém tem texto novo para atualizar o blog. Gerrá quer saber quem vai fazer o novo layout de grátis. Como sempre não temos dinheiro para nada.

Volto para o Pajeú. O hipotético camisa 9 não me sai da cabeça. Os parágrafos já não fluem no ritmo ideal. Escrevo três míseras linhas, não dá nem para comprar um pão velho.

Antecipo a pausa do almoço. Abro um site de jogos on-line. Evito joguinhos de futebol para não pensar na sandice de tentar contratar um centroavante virtual.

Almoço com meu caçula e minha mulher, que acaba de chega esbaforida da labuta. Percebo que labuta não rima com Caça-rato, mas rima com filho-da-puta, o que dá na mesma. Acho que esse livro sobre a poesia popular vai me deixar sequelado.

Filho na escola, mulher no trabalho, a tarde será silenciosa. Condições ideais para produzir muito. Ou tirar um cochilo, que é o que acabo fazendo depois de quase babar o teclado.

Meia hora e acordo novo, em ponto de bala para fechar mais um capítulo. No início, dá tudo certo, consigo encerrar o texto baseado na entrevista com a jovem poetisa. Em vez de já abrir a transcrição de outro depoimento, resolvo consultar novamente os blogs e sites esportivos, afinal a essa hora já devem ter sido atualizados. Só há especulações: Vitor Hugo, que nem é atacante é; Leandrão, uma bosta; Fabrício Ceará, que tá se dando bem no sertão; Paulista, que deve morrer de saudades de Kiros. Nada de anúncio oficial.

Corro para os comentários do blog. Não sei como, mas de vez em quando são os leitores que furam todo mundo, dia desses o editor-executivo do Diário de Pernambuco, um rubro-negro, comentou isso comigo. Nada aqui também.

A essa altura, minha tarde tá fudida.

Com 15 dias sem jogos oficiais, imaginava que o nome seria anunciado logo no início desse período para dar tempo do cara chegar, treinar, se adaptar e jogar. Agora, fico me iludindo, acreditando que os caras já têm o nome certo, mas só vão anunciar depois da partida de domingo para não desanimar quem vai perder a posição.

A produção foi mínima. Dois parágrafos de merda. Sei que precisarei reescrevê-los, mas deixo para amanhã.

Agora posso revelar. Estou à espera desse atacante desde que estava em Belém. Um dia, ainda no mês de maio, liguei para um diretor de futebol e sugeri a contratação do lateral-direito do Remo, o rápido e abusado Elsinho. O diretor não me deu muita trela, mas perguntou seu eu já tinha visto algum jogo de Leandro Cearense, atacante do Cametá, artilheiro do campeonato paraense.

Desse em dia adiante, fiquei na expectativa de ler a notícia do anúncio desse sujeito, que fez gols que só a peste jogando num time porqueira. Essa semana, vi a escalação do Vila Nova que apanhou da coisa. Leandro Cearense está lá, na reserva. Que se lasque.

O final de tarde chuvosa arrasta para a sarjeta o meu ânimo, que vai descendo pelas tubulações entupidas de garrafas pet sob as ruas da Tamarineira e do Rosarinho.  Antes da janta, desligo o laptop, mas não resisto e ligo novamente antes de dormir para procurar o camisa 9 nos mesmos blogs e portais. Nada.

Ou melhor, menos do que isso: nosso jogador-revelação se machucou, só voltará a jogar no mesmo dia da estréia do recém-contratado. Isso é um time de futebol ou aquela tropa de paraquedistas de Band of Brothers?

Ansioso, tenho pesadelos com a camisa 9. Acordo no meio da madrugada gritando: “Nããããoooo, Fábio Saci de novo nããããããooooo!!!!”

Blog do Santinha + Leia Já

A proposta do portal Leia Já não foi a primeira que nos fizeram: pelo menos em outras duas oportunidades nos procuraram com ofertas semelhantes. Descartamos ambas.

Uma delas veio acompanhada de algo que identificamos como soberba e, de cara, percebemos que poderíamos ser devorados. A segunda proposta iria descaracterizar completamente o blog. Nas duas vezes, não demos muita trela e a coisa ficou na base da sondagem, poucos telefonemas ou rápidas trocas de e-mails.

Desconfio que acertamos ao tomar a decisão de mantermos distância dos grandes portais, afinal foi importante consolidar o Blog do Santinha como uma referência autônoma, com identidade, coragem e humor próprios.

Entretanto contudo todavia,  o tempo passou.

Não há mais o que consolidar. Viramos uma referência não só na torcida coral, mas também como um dos principais blogs de torcedores de futebol do País. Duvido que um blog de torcedores tenha sido notícia tantas vezes na mídia tradicional como esse humilíssimo blog já foi.

O momento agora é de oxigenar e crescer junto com um portal que está nascendo agora, sem ligação com os grupos da mídia da região. Por isso, desde ontem estabelecemos a parceria com o Leia Já, que estará linkado conosco via essa discreta e jeitosa barra na parte superior do blog. O portal, em contrapartida, irá disponibilizar um link em sua primeira página e, sempre que sua equipe julgar conveniente, dar destaque às nossas postagens em seu menu de notícias.

No mais, prossegue o caminho da roça: nosso endereço permanece o mesmo, mas agora os novos e antigos leitores terão a opção de nos acessar por meio do Leia Já.

Não me importa o dono, eu vou!

Por Gerrá da Zabumba, do Blog do Santinha.

Pronto. Confirmado. O jogo contra o genérico vai serem João Pessoa.

De novo, seremos manchete. Outra vez, a 101 norte estará enfeitada pelo preto-branco-encarnado. Portas e janelas irão se abrir para ver a multidão coral passar.

Infelizmente não poderei repetir o esquema que fiz na nossa estréia contra o Alecrim. Juntar a família e fazer do jogo um programa de final de semana. Vou me contentar em ir apenas no domingo.

Teria aqui um monte de histórias sobre jogos que vi do Santa em outras cidades.

Estávamosem Caruaru. EraSantaCruz e Central, num sábado à tarde. Um frio de período junino rasgava o couro de quem não estivesse bem agasalhado. Eu saí várias vezes do estádio, durante a partida, para comprar uísque na Avenida Agamenon para esquentar o corpo. Eu e um amigo. Se não me engano era Edward. Enfim, depois de um tempo, o porteiro nem perguntava mais nada. Liberava sem maiores problemas nossa ida a barraca que vendia uísque. Vencemos a partida, o frio e fomos comemorar no pátio do forró

Certa vez, em Vitória de Santão Antão, fiquei praticamente no alambrado. Juninho Petrolina era o nosso camisa 10. No decorrer do segundo tempo, ele chegou perto nós e perguntou pelo resultado de uma partida que ocorria no mesmo instante aquiem Recife. Dianteda resposta, ele bateu no peito e disse: vou fazer o gol da vitória. E num é que o miserável, fez!

Em um confronto contra o CRB, lá em Maceió, me mandei para capital alagoana já na sexta-feira. Eu e a primeira-dama. No dia do jogo, fomos logo cedo para o Rei Pelé na intenção de garantir o ingresso. Meio-dia. As bilheterias todas fechadas e ninguém para dar informações. Foi quando avistei um sujeito com a camisa do nosso Santa Cruz. De pronto, fui lá para saber sobre os ingressos.

“E aí, tudo bom?”- eu falei.

“Tudo”.

“Já comprasse teu ingresso”.

“Que ingresso”.

“Do jogo. Do Santa. Viesse de Recife?”

“Jogo? Sei de jogo não. Eu sou de Palmeira dos Índios.”

“Oxem. E essa camisa que tu tás usando? Tu né Santa Cruz não, é?”

“Essa camisa eu ganhei. Gosto de jogo não” – finalizou a conversa, o sujeito de poucas palavras.

Como eu disse antes, teria história e mais histórias para contar das minhas viagens para acompanhar o tricolor do Arruda.

Pode ser Caruaru, Garanhuns, Maceió, João Pessoa, Nossa Senhora do Ó, eu estou lá.

E vou sem medo de ser feliz. Sem medo de chuva ou de sol. Passando por cima de pau, pedra e buraco.

E não me interessa se a renda é do adversário, se é do papa ou do bispo Macêdo.

Nunca fui para um jogo do Santa Cruz, levando em consideração quem seria o dono da renda. Nunca tomei a decisão de ir a uma partida do meu time, utilizando essa lógica. Não vai ser desta vez que vou usar.

Vou porque sou Santa Cruz de corpo e alma. No meu coração coral, não há espaço para pantim. Minha cor é preta-branco-encarnado. Não visto rosa. Muito menos, amarelo.

Seabra conta os minutos

por Anderson Seabra, direto dos comentários

Sábado, 17:00.

- Mainha, amanhã tem jogo do Santa!

Domingo, 10:30 da manhã, o almoço já tá pronto sempre mais ou menos a hora que termino de lavar o carro. Antes ia pro estádio de ônibus, passando por baixo da catraca.

Ligo pra Beto, meu parceiro de arquibancada.

- E aí Negão, vai?
- Tem vaga?
- Tem três, só vai eu e Dedeu. Dedeu é meu irmão.
- Beleza vou tomar banho. Às 13:30?
- Não, cara:  13:27!

Então, vou tomar meu banho, depois de uma hora “dando o grau no possante”.

11:01. Já estou devidamente perfumado e uniformizado, traçando o pirão que mainha fez. Ela sabe que dia de jogo do Santa tem que fazer algo com “sustança”.

12:00. Ligo a rádio pra ver a movimentação. Ai o repórter me deixar preocupado:

- Movimentação intensa na Rua das Moças!

Penso logo: Puta que pariu vou ficar de fora!

Ligo de novo pro Negão.

- E aí Negão tais pronto?
- Mas tu não dissesse que era de 13:30?
- É porra, mas Silvério disse que as filas já estão chegando no Bompreço.
- Porra!!! então vamos simbora! 12:30?
- Não porra: 12:27!

12:15. José Silvério: MOVIMENTAÇÃO INTENSA EM FRENTE AO ARRUDA, AS FILAS JÁ ESTÃO CHEGANDO AO BRAZÃO!

-Puta que pariu, fudeu!

Ligo pro Negão de novo:

- E aí Negão? Bora que a fila já tá no Brazão!
- Bora, bora, bora! 12:20?
- Não porra, 12:17!

Os três minutos antes da hora marcada é para dar carona a algum tricolor que já esteja se encaminhando pro Arruda. Em dias de jogo do Santa só gosto de chegar com o veículo com capacidade máxima, então no caminho sempre dou carona a alguém que esteja esperando o busão.

Quando chega na Avenida Norte é aquela agonia, anda dois metros e pára. Os sinais estão todos no vermelho. Faltam ainda 3 horas pra começar o jogo, mas a impaciência reina absoluta.

Puta que pariu, basta eu trocar de faixa para que a que eu estava ficar mais rápida. É só Kombi, Van e ônibus de turismo indo simbora na frente. Só fico mais tranquilo depois que estou embaixo das arquibancadas. Depois que rodo a catraca parece estar garantido meu espaço no Mundão.

***

Acabei de classificar minha CNH pra AE e estou pensando em trocar meu carro por um veículo maior, quem sabe um veículo articulado com capacidade para 180 passageiros.

Caso vocês vejam um ônibus sanfona com direção a João Pessoa podem fazer sinal de parada para ganhar a carona basta está uniformizado com a camisa do Santinha.

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