Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

A ponta de inveja

Por Tacyana Viard, jornalista

Santa Cruz 2 x 0 potiguar

Tricolor, tá na hora de lotar ainda mais o Arrudão! Foto: Anizio Silva

Sabemos que é condenável o ato de sentir inveja. Infelizmente, ontem senti imensa inveja da torcida colorada (N. do E.: texto enviado em 19/08/2010). Ao assistir à vitória espetacular do Internacional em cima do mexicano Chivas, senti uma baita dor deon cotovelo ao não lembrar a última vez que pude comemorar tanto junto ao meu time, o Santa Cruz.

Deitada, vi torcedores emocionados, jogadores ansiosos pelo fim da partida e, depois, para erguer a taça. Os fogos, a fumaça que pairava o estádio, o buzinaço e a vontade de ligar pros amigos que torcem para times rivais… tudo isso está apagado na minha mente.

Como sou nova, não vivi momentos de muita glória com o Mais Querido. Lembro apenas de nossa subida à Série A – e, mesmo assim, se a memória não me falha, não subimos como campeões. Registro que fomos vencedores da Copa Pernambuco, que nos trouxe alegria, mas ainda não foi A (em maiúsculo mesmo) conquista. Restou-me dormir com o cotovelo dolorido, achando que acordaria livre desse sentimento pequeno. Bobagem!

Hoje, ao me arrumar para o trabalho, vi a camisa do Santinha e voltou todo o meu despeito. Não é inveja da má e nem vergonha do nosso tricolor. Jamais! Achei merecida a conquista do Inter. Jogou bem e colocou os mexicanos no bolso. O que senti foi a angústia de não poder gritar ao mundo que somos campeões, de silenciar as torcidas adversárias com nosso orgulho saltando pelas ruas. Mas, como fiéis que somos, vamos seguir em frente atrás desse objetivo. E, com essa conquista, meu amigo, ninguém nos deterá. Colocarei a camisa tricolor e usarei como farda aqui no trabalho. E vão ter que nos aturar.

É disso que falo:

Nota da Redação: Após vencer o time da sopa de letrinhas das Alagoas, a imensa torcida coral não conquistou nenhuma Taça Libertadores, mas está feliz da vida. Com certeza, faremos nossa parte no Arrudão neste próximo dia 05/09 contra o guarany de Sobral; resta à diretoria cumprir sua parte, contratando os reforços que Givanildo – e milhões de torcedores – solicitam.

Livraria

Enviado especial do Blog do Santinha já está em Maceió

Por Samarone Lima, correspondente internacional do Blog do Santinha.

Amigos corais, depois de uma viagem exaustiva pela Real Alagoas, informo que já estou em Maceió, munido do meu bloquinho, três canetas e três camisas do Santa.

Daqui a pouco, vamos ao Parmegianno, onde tem uma ótima dobradinha. Posso informar que vários carros com bandeiras do Santa já circulam pela cidade.

Tentei ligar para dois pé-frios de primeira, não me deram retorno. João Valadares e Jota Peruca devem ficar no Recife mesmo, dando uma singela contribuição para a vitória coral.

Amanhã, logo após o dejeneur (café da manhã, em francês), vamos ao Iate Clube Pajuçara, beber cerveja a R$ 3,20. Tudo isso só foi possível após intensas negociações do senhor Tadeu Patriota, que pode ser o “gestor de relações” na próxima diretoria do Santa.

Ps. Acabei de encontrar com Edward, Marília, Alberto, Norminha e Thaísa. Estão no mesmo hotel. Luciana, a “Moça Coral 2005″ está aqui, linda e bela. Quem não vier, é mulherzinha feito Chiló, o ex-sanfoneiro coral.

Maceió – Roteiro da invasão coral 3.0

Por Tadeu Patriota, funcionário público do estado de Alagoas (colaboração de Samuel Maceió e Anizio Silva)

Amigos Tricolores Pernambucanos :

Cá está, como prometido, a programação dos encontros que tomei mais uma vez a liberdade de tentar organizar para parte da torcida disposta a invadir a cidade de Maceió neste próximo jogo contra o CSA.

Como sei que a nossa torcida é “rocheda” e que por isso mesmo (e como no ano passado) já vai chegar um monte de apaixonado aqui no sábado, já tem programação para esse dia.

A novidade fica por conta de que os locais dos encontros do sábado e domingo são os mesmos, mudando somente a área que ocuparemos; por conta dessa localização, o trajeto para o Estádio Rei Pelé ficará bastante facilitado.

HAPPY HOUR CORAL no Restaurante PARMEGIANNO

Dia e horário: Sábado, 21/08/2010– a partir das 20h
Endereço: Av. Dr. Antônio Gouveia, 1259 Pajuçara.
Ao lado do Iate Clube Pajuçara.

Está devidamente combinado com o proprietário, que é nosso amigo e Tricolor Recifense de Casa Amarela, um desconto de 20%, já que neste estabelecimento se cobra 10% de serviço.

Vale ressaltar que os preços do local são bem atrativos, fazendo um tipo de restaurante conhecido aqui na terrinha como “popular de luxo”, onde o cardápio é bastante variado, oferecendo tira gostos, saladas, parmeggianas, espaguetes, frutos do mar, carne e pizzas, em local bastante confortável e aprazível. As contas serão individuais, e só é servido chopp (R$ 2,79 com o desconto) ou cerveja long neck.

Detalhes importantes:

1) Atentem para o fato de que o nome do restaurante é o mesmo do ano passado, mas o endereço é outro.

2) O local fica aberto até as duas da madrugada.

CONCENTRAÇÃO PARA O JOGO
SALÃO DE FESTAS DO IATE CLUBE PAJUÇARA (ÁREA VERDE)

Dia e horário: Domingo, 22/08/2010 – a partir das 10:30hs
Endereço: Av. Dr. Antonio Gouveia, 1259 Pajuçara

Combinamos com o proprietário: Cerveja SKOL e BRAHMA, ao preço único de R$ 3,20 e prato executivo individual ao preço de R$ 14,30 (com o desconto).

Há ainda a opção de um pedido de prato coletivo, o famoso Parmeggiano Gigante com opções de filé, frango, peixe, camarão e lombo, podendo combinar até duas delas. Dá pra seis pessoas comerem bem e sai a R$ 9,45 por pessoa.

No local também será servido o mesmo variado e saboroso cardápio de tira gosto Restaurante Parmeggiano, com os mesmos descontos de 20% do sábado. Contas individuais aqui também.

Detalhe importante: A Área Verde do Salão de Festas do Iate Clube Pajuçara, tem essa denominação por conta da cor do piso e está reservada somente para A Torcida Mais Apaixonada do Brasil, ficando determinado também que não poderemos utilizar de outras áreas do clube, tendo em vista que não somos sócios de lá.

CARREATA TRICOLOR

Às 14:17 h, em direção ao estádio Rei Pelé, com o devido acompanhamento policial, se este se fizer necessário.

Atenção: Um trecho da orla marítima fica interditada no domingo. Perguntem como se chega no Iate Clube Pajuçara, ou na Feira de Artesanato que fica bem próxima.

MAPA DA FARRA CORAL


Exibir mapa ampliado

INFORMAÇÕES MUITO ÚTEIS

No Estádio: Em conversa com o administrador do Estádio Rei Pelé, fui informado que o acesso ao espaço destinado à torcida visitante se dará pelos portões.

ATUALIZAÇÃO (20/08 – 15h10): Em reunião oficial do comando da Polícia Militar de Alagoas, onde estiveram presentes, eu de enxerido (hehehe), um monte de “‘puliça” das mais diversas patentes, o administrador do Rei Pelé e um representante da diretoria do CSA, ficou estabelecido que o acesso da torcida tricolor será feito por duas entradas.

A primeira pela rampa do portão 10 (ingresso de cadeira alta), que é o mesmo que entramos em 2007, contra o CRB; e pelo portão 11, para quem adquirir ingresso para cadeira baixa (geral). Não vi esse ingresso de geral ser vendido ainda para nossa torcida, mas o espaço está reservado.

A melhor parte fica pela definição de que não encontraremos, como no ano passado, uma única bilheteria, que nos causou tanto transtorno. Serão cinco “guichês”, segundo compromisso da diretoria do CSA. A outra ótima novidade, é que nos será garantido o direito de estacionar carros pequenos, mediante pagamento de taxa de R$ 5,00, na parte de baixo da rampa de acesso do mesmo portão 10. Quem foi em 2007, sabe onde é.

Ainda no Estádio:

  • Não haverá venda de bebida alcoólicas…
  • Ficaremos quase que todos, atrás de uma das “barras” e o restante num dos lados. Relaxem que vai caber todo mundo.Uns sete mil tricolores, mais ou menos.
  • A bilheteria de visitantes é bem próxima.

Ingressos: Estão sendo vendidos 2000 ingressos HOJE (19/08) na sede social do Santa Cruz, no Arruda.

Por fim, gostaria de solicitar a quem puder, que faça o favor de confirmar a presença na página Invasão Coral a Maceió – 22/10/2010, para que os locais dos eventos tenham uma idéia aproximada de quantos Tricolores Pernambucanos vão receber.

Nota da Redação: Durante o dia, atualizaremos este post com mais informações sobre ingressos, estacionamento, mapa dos locais de concentração da torcida coral, etc. etc.

A vida é a batida de um coração

Xavier, de chapéu e rádio no ouvido. A foto é de Adrião Albuquerque

por Inácio França

Xavier virou torcedor de radinho de pilha depois de uma vitória. Muitos dos que desistem do calor dos estádios, daquela eletricidade que toma conta de quem desemboca nas arquibancadas, quase sempre tomam essa decisão doída por causa de uma derrota humilhante ou de uma grande frustração em final de campeonato. Xavier abriu mão de seu divertimento, paixão e aventura das quartas e domingos por causa de um 1 x 0 sofrido contra o Corinthians, com gol de cabeça chorado de Márcio Alemão, na primeira divisão de 2006.

Antes do jogo ele enfrentou a confusão de sempre para entrar no Arruda, empurra-empurra, fila quilométrica. Tormento excessivo para um homem de cabelos brancos. Isso pesou, mas o que o afastou das dores e das glórias de acompanhar seu time foi o medo. Não o medo de descer de divisão ou de perder um clássico, que isso ele nunca teve, mas o de morrer estatelado, carregado por bombeiros a caminho da ambulância.

Xavier ama a vida, gosta de trabalhar, mesmo com idade para requerer a aposentadoria, tem prazer em passear com seus dois cachorros brancos, batizados – não por acaso – com os nomes de Quintana e Drummond. O coração, as artérias, as veias, já davam sinais de cansaço. Há muitos tempos, já tinha aberto mão das farras. Era hora de mais um sacrifício.

Mesmo sabendo disso, sempre que o via no elevador ou nas redondezas do edifício onde moramos, pertinho do Arruda, eu o provocava: “O Santa só tá perdendo porque tu deixasse de ir pra jogo. Vamos comigo amanhã?”. Ele resmungava, dizia que isso era coisa do passado, que o tempo dele tinha ficado para trás.

Sábado, a cena se repetiu, mas o desfecho foi diferente. Eu o convoquei sem ilusões, certo que a resposta seria a mesma de sempre. Dessa vez, ele deu esperanças, não a mim, mas a si mesmo: “Rapaz, tô até com vontade”.

Na manhã do jogo, repeti a proposta. Ele continuou abrindo uma brecha para a alegria entrar.

Horas depois, Samarone, sujeito acostumado a sempre ganhar ingresso de graça quando vacila antes de uma partida, apareceu lá em casa. Enquanto conversávamos sobre pequenas grandes coisinhas da vida, esbarramos em Xavier no térreo. Desta vez, Samarone era quem tinha um ingresso sobrando.

A conspiração do acaso para levar um torcedor de volta ao Arruda se completou no instante em que o ingresso trocou de mãos. Não tinha mais volta.

Xavier ficou tenso, ansioso, como se preparasse para encontrar uma mulher que amou nos tempos em que jogava bola de gude com outros meninos.

Temi que ele desistisse quando chegou mais um vizinho, o Manoel, simpático e falastrão, que botou o dedo na ferida sem dó nem piedade quando soube que seu antigo companheiro de arquibancada voltaria ao estádio: “Toma cuidado! A gente só vai porque tem o coração bom!”.

Pouco antes da bola rolar, já acomodado perto da barra onde o Santa faria dois gols logo mais, com o sol na cara, ele avisou: “Estou preparado”.

No segundo tempo, parecia um menino, cantando e gritando. A emoção compartilhada com outros 25 mil apaixonados parece tê-lo rejuvenescido.

No caminho de volta, fui tomado pelo sentimento que, talvez, junto com o próprio Santa Cruz, meu vizinho tenha redescoberto que o medo não pode nos paralisar e que é preciso vencê-lo para continuar vivendo.

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