
Por Gerrá da Zabumba, do Blog do Santinha.
O final do ano acabou com nosso time aplicando um sonoro9 a3 no adversário. Foi na confraternização do futebol “Bola de Primeira”, a nossa tradicional pelada da quarta-feira.
Como não há torcedor da barbie no grupo, resolvemos fazer um jogo entre tricolores corais santacruzenses da banda do Arruda e a turma da leoa.
Entramos sem muitas firulas e arrodeios. Jogando o famoso feijão com arroz e colocando o coração no bico da chuteira.
Samarone e Celo na zaga. Adilson na frente. Eu, Chico e Lucas compondo o meio campo. No gol, o arqueiro Máscara.
Do outro lado, até um boyzinho de uns quatorze anos, eles botaram pra jogar.
Ao final da peleja, depois dos nove gols que enfiamos neles, foi ótimo ouvir de um aficionado da cachorra o seguinte resmungo: “perder pra uma merda dessa, é foda”.
Quarta-feira da semana passada voltei aos gramados. E voltei por cima.
Consegui curar as dores no tendão de Aquiles e meu time mandou um belo3 a1 na primeira partida de 2012.
Dois gols de Adilson e um golaço que Sama fez de cabelo, sacramentando a vitória. Escanteio a nosso favor, bola cruzada na área e Samarone trisca o cabelo na pelota, ela bate no chão, tira o goleiro da jogada, espirra na trave e morre no fundo do barbante.
No regenerativo, a famosa cerveja pós futebol, brindamos a vitória e me deparei com mais uma conquista do Santa Cruz.
Perguntei ao meu amigo Chico, o Chico do PT, como é que tinha sido a passagem de ano.
Chico é uma figura emblemática. Negro, torcedor do Santa, tomador de uísque e cachaça, cantor de forró, tocador de violão e frequentador assíduo da antiga Catedral da Seresta.
- Amigo Gera – ele respondeu com sua voz macia – meu final de ano foi bom e o começo foi melhor ainda. No primeiro dia do ano, eu ganhei de presente uma cora¹ de trinta e dois aninhos.
A mesa parou para ouvir a história. Choveu perguntas sobre o assunto.
“Trinta e dois anos?”. “Sério, Chico?”. “Tinha filhos?”. “Fazia tempo que não fodia?”
Como se fosse um galã de pornochanchada, Chico deu uma golada no uísque e calmamente foi respondendo as indagações.
- Trinta e dois aninhos! Tem um menino de cinco anos. Faz dois anos que ficou na viuvez. E desde que o marido morreu, a bichinha não teve prazer. Dois anos sem saber o que é amor.
A galera deu corda. “Conta aí, os detalhes”.
Outro charmoso gole no uísque, um pedaço de maminha e o detalhe da partida.
- Meus amigos…, foi lindo! A viuvinha tava carente. Tomamos dois uísque cowboy, fizemos amor, depois fomos almoçar. Oito cervejas e um filé a parmeginana.
E complementou, com seu linguajar redutor de palavras:
- Amigo Samara², começar o ano comendo uma buça³ é sinal de sucesso e conquistas.
E continuou.
- Pode anotar aí, amigo Samara. O Santa Cruz é campeão de novo.
Pois é…!
É por estas e outras que estou tranquilo e calmo para 2012.
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1. Cora – Coroa, mulher vivida.
2. Samara – Samarone.
3. Buça – Buceta, vagina, priquita.