Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

Pra ficar pensando melhor

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Luís Carlos (de boné) num momento sócio-filosófico; Cláudio Machado, numa foto de autoria do filho pequeno

Da equipe do Blog do Santinha

Um empate ali, uma derrota acolá, uma virada aqui e pronto, aconteceu o que os editores do Blog do Santinha sempre temiam: o nível baixou, nossos textos ficaram rasteiros, ralos, superficiais. Aceitamos a pauta de terceiros, imposta na base de xingamentos e pressões. Aí, veio o inevitável: publicamos especulações, dedadas e retribuímos palavrões.
 
É hora do freio de arrumação. Vamos tentar elevar o nível do debate. Quem não conseguir acompanhar ou não estiver interessado, vai descer do bonde cedo ou tarde. Paciência, é a vida, afinal esse blog é feito para quem gosta de pensar. Por issoo título, emprestado de uma música do Nação Zumbi.
 
O surgimento de novos veículos digitais de comunicação, principalmente blogs, e o acirramento da discussão sobre o destino do Santa Cruz nos forneceram a matéria-prima para dar o pontapé inicial numa discussão sobre as infinitas possibilidades de participação da vida do clube por meio da Internet.
 
Por e-mail, conversamos com os criadores desses espaços virtuais, com estudiosos do tema e militantes por democracia na comunicação. Publicaremos, a partir de agora, o resultado desse diálogo. O texto ficou longo, por isso será dividido em duas partes.
 
Em tempo: a publicação na véspera do jogo pela Copa do Brasil não é casual. Nosso compromisso sempre foi, prioritariamente, permanecer a margem das quatro linhas. Para nós, o amor ao Santa Cruz nunca foi determinado por empates, vitórias ou derrotas. E amar também é compreender.

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A idéia de entender o que poderá resultar essa mistura de Internet com a emoção do torcedor começou semanas logo depois da eleição de dezembro. Torcedores, jornalistas e até mesmo gente que torcem pelos times bicolores repetiam que o blog tinha representado um papel fundamental na vitória da oposição. Sabemos que isso é verdade, mas nenhum de nós têm a noção exata de como aconteceu.

É difícil identificar os limites de uma tempestade quando se está dentro dela. Essa foi uma das razões que nos levaram a procurar três sujeitos que, há muito tempo, trabalham para que o mundo fique mais democrático com a Internet. E para que a Internet se torne ainda mais democrática. Pedimos aos três que incluíssem os clubes de futebol nessa equação.

Doutor em Sociologia pela UFPE, Luís Carlos Pinto, afirma que a "instauração das novas esferas públicas autônomas que a Internet permite criar" era algo inevitável também no futebol.

"As possibilidades de democratização trazidas pelos veículos digitais são potencialmente enormes e há diversas razões para isso. Elas permitem que o ponto de vista não-oficial do clube – ou seja, dos torcedores, de quem gosta de escrever sobre futebol, de quem deteste futebol, mas que mesmo assim queira dar uma opinião sobre o assunto -, seja considerado de forma igual ao discurso oficial dum clube, por exemplo. Isso estabelece uma correlação de forças mais igualitária", afirma Luís Carlos, que é jornalista de formação e estuda as relações da web na sociedade.

Mais cético, o mestre em linguística e pesquisador do Labjor (Laboratório de Jornalismo Científico da Unicamp), Rafael Evangelista tem dúvidas sobre a possibilidade dos novos meios de comunicação alterarem as relações de força na estrutura do futebol brasileiro.

"Não sei se as novas tecnologias poderão desempenhar algum papel na democratização dos clubes, mas tem um papel importante ao tornar o torcedor menos dependente dos canais tradicionais. Todos sabemos como certos cartolas (e empresários, o novo ator) compram gente da Imprensa e para divulgar informações ou fofocas. Esses canais tradicionais começam a se enfraquecer, até porque no futebol o boca a boca, o comentário de bar, é muito mais interessante do que o jornalismo insípido tradicional. Torcedor gosta de ouvir notícia feita por torcedor e não por gente dita imparcial. A internet é importante também para os times médios, já que a Imprensa sempre opta por falar muito mais da massa flamengo-corinthians". Em tempo: Rafael Evangelista é palmeirense.

Na opinião de Rafael, as pessoas envolvidas com futebol ainda vão demorar a se adaptar e compreender as mudanças. Com sarcasmo, ele define o futuro próximo numa frase: "Eles ainda vão gastar muito dinheiro com jabá até se tocarem que a imprensa esportiva está perdendo a predominância e o poder de influência porque, agora, há muitas vozes".

De Brasília, onde trabalha como analista de sistema do Datasus, o tricolor Cláudio Machado, co-responsável pela nova tecnologia do Blog do Santinha, não acredita ainda está longe o dia em que as resenhas esportivas e as páginas dos jornais perderão seu poder. O argumento é simples:

"Não há propriamente uma concorrência porque os jornais e, principalmente as rádios e televisões, ainda têm uma penetração infinitamente maior. A longo prazo isso pode mudar, mas hoje ainda é assim".

Mesmo assim, ele diz ter uma visão otimista em relação a um futuro no qual a distribuição de informações para a sociedade não seja exclusividade de algumas empresas, mas direito de todos. "Acredito que o potencial das comunidades vituais, ou veículos digitais, ainda não foi de fato explorado. Podemos ir muito além! Por exemplo, transmissão dos jogos via celular! Isso mesmo, a rede em breve permitirá quebrar o monopólio de transmissão das grandes empresas de TV. É evidente que a qualidade será um obstáculo por muito tempo, mas o monopólio poderá ser quebrado".

Encerramos a primeira parte dessa reflexão com uma análise de Rafael Evangelista, que talvez ajude a explicar porque o Blog do Santinha alcançou a média diária de 869 visitantes únicos e 2737 acessos diários ao longo do mês de fevereiro: "Por enquanto, a maioria dos veículos digitais ainda são do torcedor fanático. Quem conseguir unir paixão com um pouquinho de sobriedade para falar do time vai se destacar".

O novo e exótico Ulbra Ji-paraná

                             

Escudo

           

Segundo a edição especial da revista Placar sobre os campeonatos estaduais, o adversário do Santa na Copa do Brasil, a Ulbra, é a novidade do futebol rondoniense, que sempre foi dominado pelo Ji-Paraná (Sabe-se lá a razão, os clubes da capital, Porto Velho, nunca tiveram vez em Rondônia). Em 2005, o Ulbra, que é bancado pela Universidade Luterana do Brasil assim como seu xará e meio-irmão no Rio Grande do Sul, ganhou a segundona local. Ano passado, desbancou o Ji-paraná e foi campeão estadual. Zebra das grandes. O time joga no estádio Pedro Lira Pessoa, onde cabem 7.000 torcedores. (colaborou Pedro Lopes de França, direto de Vila Rica-MT)

Desculpem a loucura, mas cadê a goleada?

Foto: Robson Sena
Samarone no chiqueiro
Nosso editor fez a festa na ilha da fantasia

Por Samarone Lima, do Blog do Santinha

Durante o dia, passei miséria. O placar mais simples era 5 a zero para a coisa. Goleada histórica, era o que diziam.

Chegamos ao estádio eu, Naná, Oswaldo e Totonho. Na Casa dos Festejos, uma massa coral pequena, mas todos aqueles loucos que bem conhecemos.

Olhei para o cimento quente: Fred Arruda, nosso vice-presidente, com o radinho de pilha e os filhos.

Primeiro tempo: vareio de bola. Só escapamos de uma goleada porque os deuses protegem o Santa.

"Tamo fodido", disse um torcedor gordinho.

"Vamos empatar e virar", respondi.

Mandei Rosembrick tomar no fiofó o jogo inteiro. Queria saber se o Carlinhos Bala iria dar o dedo para a torcida da coisa, se fizesse um gol.

Segundo tempo. Givanildo deve ter dado um esporro na turma que eu vou dizer.

Gol do santa. Eu fiquei louco. Cadê a goleada?

Quase sai a virada.

Saímos de lá do mesmo jeito: gritando para a coisa tomar no fiofó.

Fiquei louco do juízo.

Uma frase linda: "Ei, isporti, vai tomar no…"

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Confira as dedadas de Samarone e outras imagens do jogo
Santa Cruz 1 x 1 coisa no nosso álbum de fotos

Sobre balancos mensais e transparência

O vice-presidente do clube, Fred Arruda, enviou uma mensagem em resposta às cobranças feitas por alguns leitores do blog a respeito da publicação dos balanços mensais do clube. Publicamos abaixo sua mensagem na íntegra.

Em resposta às cobranças sobre transparência, ainda não tivemos como publicar os balancetes, porque optamos por substituir a empresa que fazia a contabilidade do clube. Em função disso, os balancetes de dezembro e janeiro demoraram a serem concluídos. Mas ambos já foram entregues à Justiça e, assim que voltarem para as nossas mãos (com o de acordo da Justiça), serão publicados na Internet (Blog do Santinha, Coralnet, Torcedor Coral).

 A partir do próximo mês, já deveremos estar num ritmo melhor. Da mesma forma, hoje estaremos iniciando a auditoria dos quatro anos que se passaram, e esperamos auditar também os nossos dois anos de mandato, como pediu o Conselho. Seja pra respaldar e referendar o que já foi publicado nas gestões anteriores, seja para recomendar ajustes necessários, cumpriremos a determinação do Conselho, a qual, aliás, também era uma promessa de campanha da chapa Credibilidade e Competência.

Fred Arruda, vice-presidente do Santa Cruz Futebol Clube

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