Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

Um time na escuridão

Foto: Dimas Lins
ivan-patriota.jpg
O Patriota Ivan lê o jornal tricolor durante o jogo. Algo errado no gramado

Por Dimas Lins, transmissão simultânea com o Torcedor Coral

Recentemente, em artigo publicado no Blog do Santinha, sugeri terapia aos torcedores corais mais ansiosos por resultados imediatos, pois esta não é a hora de colher, mas sim de plantar. Continuo mantendo a linha de apoio à diretoria do Santa Cruz e acredito que, apesar dos pesares, devemos manter a calma e acreditar em dias melhores. Mesmo assim, sou obrigado a pedir desculpas ao leitor.

Peço desculpas porque não há como manter a calma e ser paciente diante de um time tão medíocre e incompetente. Também peço permissão ao leitor, para deixar de lado a minha postura de contemporização e agir como torcedor apaixonado, que se sente decepcionado, envergonhado, revoltado e emputecido com, provavelmente, a campanha mais bisonha que o Santa Cruz já fez no campeonato pernambucano em toda a sua história. Peço licença para deixar um pouco de lado minha fé no futuro para hoje, só hoje, agir como um torcedor emputecido que esteve ontem à noite nas sociais do Arruda e sofreu com a apatia dos jogadores corais diante da poderosa equipe da Cabense. Peço licença para desabafar depois de, no dia seguinte, ouvir gracinhas de torcedores da coisa ruinzinha me perguntando sobre o resultado do jogo “Cabou-se” x Cabense. Diante de tanta humilhação, estou jogando a paciência para o raio que o parta e liberando o coração de torcedor para soltar os bichos.

A foto acima representa bem o que foi o jogo de ontem à noite. Nela, vemos Ivan Patriota lendo o jornal O Mais Querido por algum tempo durante a partida. Quem conhece Ivan sabe bem que não é de seu feitio desperdiçar sua atenção no campo em outra coisa que não seja o futebol. Também não é do meu. Mas ontem, passei parte do tempo dedicando minha atenção a meu sobrinho Gabriel, de quatro anos, cantando com ele músicas infantis. Minha atitude, assim como suspeito que tenha sido a de Ivan, foi de auto-preservação. Foi uma maneira de me proteger contra o sofrimento, a vergonha e a revolta que me sucumbiu, por causa da apatia de onze jogadores dentro do campo. É foda, um homem de 40 anos sofrendo por causa de onze apáticos correndo atrás de uma bola.

Sofri de besta. Foi minha culpa não ter reparado no sinal de que não era para assistir ao jogo. Explico-me. Uma pane no gerador deixou o estádio do Arruda às escuras, durante a preliminar, voltando minutos antes do jogo principal. A luz voltou ao campo, mas o breu ficou impregnado no time. E eu que nem dei bola. É ruim não ser supersticioso nessas horas. Se tivesse sacado, teria ido para casa, entrado na minha câmara de privação dos sentidos e dormido uma boa noite de sono. Mas ao invés de ir embora, fiquei até o fim.

Cheguei em casa abatido e acordei revoltado. Puto, mesmo. Me deu um desânimo tão grande que quase não vou ao trabalho. Acho que deveria ter uma lei que acobertasse o tricolor, após uma derrota humilhante como aquela. Afinal, é duro encarar o mundo no dia seguinte.

Esse time me envergonha. Não pela derrota, mas pela apatia. Parece que os jogadores deixaram a alma nos vestiários e apenas seus corpos sem vida entraram em campo. Puta que pariu! O que é que está acontecendo no Santa Cruz? O que faz um profissional exercer seu ofício de forma tão desleixada? Como um homem de bem consegue pegar no sono tranquilamente sabendo que nem de longe fez jus ao salário que recebe? Dá para encarar a mulher em casa mais tarde? E os filhos? Onde está a dignidade profissional desses jogadores? Onde está a vergonha na cara? Onde está o respeito à torcida? É por causa deles que as arquibancadas estão cada vez mais vazias. Apenas 2.320 torcedores estiveram ontem no Arruda por causa de jogadores que não respeitam as nossas três cores.

Alguém aí, acorde! Pois no ritmo que estamos, podemos ser rebaixados para a terceira divisão do brasileirão e aí, adeus, Tonha! O momento não é mais de calma, mas de sacolejar, agitar e acordar esses jogadores, para que honrem a camisa coral.

Hoje, no início da tarde, liguei para Sylvio Belém, a fim de saber as medidas adotadas pela diretoria. Sylvio disse que não adianta desespero. Givanildo foi mantido e ninguém, por enquanto, será dispensado. Toda a diretoria, inclusive o Presidente e a comissão técnica, se reuniu com os jogadores e, juntos, firmaram um pacto em prol do Santa Cruz. Disse o diretor que não há panelinhas, não há problemas por causa da política de bichos e que os jogadores estão satisfeitos com o acordo financeiro acertado com o clube. Disse que os atletas – alguns talvez nem possam ser chamados assim - estão chateados e prometeram dar a volta por cima. Pode ser.

Quanto a mim, continuarei puto e exigindo que os jogadores mostrem em campo que têm dignidade e são merecedores de estar no Santa Cruz. Vou aproveitar também para seguir meu próprio conselho. Vou fazer terapia e, nos dias de jogo, tomar uns calmantes para segurar a onda.

Notícias

O Blog do Santinha nunca teve a proposta de publicar notícias quentes ou especulações no calor da horas, mas se elas caem em nosso colo, não vamos jogá-las fora.

Vamos a elas:

Sobre o futebol: Os dispensados devem ser Róbson Luiz (que veio passear em Recife), Paulo Ricardo (que é ruim até dar uma dor) e Badé (que não tem compromisso nenhum com o grupo e ontem provocou a própria expulsão deliberadamente). Givanildo vai tentar incluir Rafael Porcellis nesse grupo porque cismou com o garoto, que joga um bolão.

Sobre política interna: O ex-superintendente do clube, Josenildo, e a eterna secretária de José Neves e Romerito, de nome Sandra, foram demitidos pelo presidente Édson Nogueira. Uma semana depois, foram reintegrados. Edinho voltou atrás, atendendo inclusive a pedidos de alguns diretores. Algumas pessoas suspeitam de um acordo espúrio sendo costurado. 

PS + opiniäo do Blog: Acabamos de saber, por fonte da mais alta credibilidade, que a decisão de NÃO demitir a dupla de braços-direito de Romerito foi administrativa. Os dois são funcionários com carteira assinada e suas demissões custariam muito aos cofres do clube. O blog acredita que é preciso tomar cuidado com os dois, pois ambos são conhecidos no clube por serem de absoluta confiança dos ditadores.

O Blog do Santinha tomou a decisão de evitar especulações desse gênero, pois só servem para alimentar a crise. E crise é algo da qual o clã Neves-Cavalcanti sempre souberam se aproveitar para conquistar espaços no futebol. Ficam mantidas porém as críticas ao futebol sem-vergonha do time.

Vergonha

cosmic-inferno.jpg

Um time desmoralizado.

Uma torcida desesperada.

Um clube falido.

Falta ânimo.

O empresário que saiu da Inferno

gustavoinferno-1.jpg

por Inácio França

O bandeirão da Inferno Coral empolgou a torcida antes e depois do clássico contra a barbie. Tanto pela bandeira, quanto pela violência nas ruas, a maior torcida organizada tricolor rivalizou com o desempenho da dupla Marco Antônio/Marcelo Ramos na condição de assunto preferido entre os leitores do blog e dos outros espaços virtuais do Santinha no início da semana passada.

Em abril, a Inferno comemora 15 anos de existência. Antecipando-se à festa, o Blog do Santinha decidiu contar a história do empresário Luís Gustavo Albertim. O que uma coisa tem a ver com a outra? Ora, o bem-sucedido Gustavo foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Inferno, na primeira metade dos anos 90.

Gustavo é dono da Tronadon, uma pequena indústria têxtil que, sob encomenda da Finta, fabrica as camisas oficiais para crianças do Santa Cruz, além das camisas, agasalhos e calças de praticamente todas as torcidas organizadas do Pará, Ceará, Alagoas, Bahia e Pernambuco, incluindo a própria Inferno Coral e dos outros dois clubes do Recife. A partir deste ano, os uniformes oficiais do ASA, de Arapiraca, têm a marca Tronadon do lado direito do peito.

Mesmo involuntário, o primeiro passo de Gustavo para se transformar em industrial foi dado quando fundou a Inferno Coral. "A primeira vez que entramos em campo uniformizados foi num jogo contra o Ceará, em abril de 1992. Acho que ganhamos… ou empatamos, sei lá. Só sei que não perdemos", conta. As 200 camisas encomendadas eram brancas, mas como 100 delas desbotaram logo na primeira lavagem, o fabricante forneceu mais 100 para compensar o estrago. "Para dar a impressão que a torcida era maior do que na realidade, emprestávamos as camisas para os torcedores que sentavam perto da gente. Depois, pegávamos de volta".

Ex-integrante da Santamante, Gustavo explica como foi a escolha do nome da torcida: "éramos todos muito meninos e, mesmo dando um duro danado para carregar os bandeirões da Santamante, ninguém respeitava a gente nas arquibancadas. Aí, decidimos batizar a torcida com um nome que impusesse respeito. Deu certo".

Anos depois, a Inferno contratou um empresa paranaense para confeccionar camisas de mais qualidade. Foi aí que a vida do presidente da organizada começou a mudar. "Percebi que o mercado local não tinha uma empresa capaz de fornecer material esportivo com mais qualidade. Me associei à empresa do Paraná e passei a fabricar as camisas da Inferno", explica Gustavo.

Por conta das viagens acompanhando o Santa, a agenda de Gustavo era repleta de contatos com integrantes de outras torcidas no Nordeste inteiro. "Montei minha própria empresa e tive que deixar a torcida. Não tinha mais tempo para nada. Isso foi em 1998". Aos 33 anos, casado com Irlanda e ainda sem filhos, ele está começando um curso de Gestão Empresarial e costuma ir a quase todos os jogos, mas já não vive dentro do clube, como nos tempos da torcida.

"Lembro das muitas vezes em que nossas idéias eram ridicularizadas e descartadas imediatamente por alguns dirigentes. João Caixero, por exemplo, sempre se comportou assim. Uma vez ele fez questão de desprezar uma proposta que apresentei. Sabe qual era essa idéia que Caixero disse ser ridícula e que não existia? A criação de uma categoria de sócio com mensalidade mais cara, mas que não pagasse ingresso. Na época, eu achava que nos excluíam porque éramos muito jovens, hoje entendo que era uma forma de impedir o surgimento de novas lideranças e manter o poder".

*****

Durante a festa dos 93 anos do Santa, o tricolor que assina seus comentários aqui no blog como "insatisfeito" deu uma ótima idéia para quem deseja se divertir e dar boas risadas: inspirado em José Roberto Torero, do Blog do Torero, ele propõe que o Blog promova uma eleição para elegermos o "time dos pesadelos" do Santa Cruz. Para quem ainda não entendeu, a idéia é eleger os 11 piores jogadores de cada posição que já vestiram a camisa coral.

A partir de agora, os internautas podem escalar suas 11desgraças usando os comentários do blog. Vamos computar os votos enviados até domingo. Depois, enviaremos nosso time dos pesadelos para Torero, que está convocando a torcida de outros clubes para escolher os respectivos "times dos pesadelos".  

Página 305 de 445« Primeira...102030...304305306...310320330...Última »