Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

O torcedor que virou goleiro

Por Samarone Lima Amigos corais, estava hoje de manhã aqui no Unicef, onde trabalho com meu amigo Inácio França, tendo uma profunda discussão filosófica sobre o nosso goleiro titular, Anderson. Entre uma Brahma fictícia e outra, à espera de uma reunião de consultoria, fui colocando minhas impressões sobre nosso arqueiro, que assumiu a função com uma responsabilidade desumana: ocupar a vaga do nosso "Cléber Paredão". Avaliei que temos um bom goleiro, que pode se tornar excelente. Aqui vai uma confissão: quando Cléber começou a ir embora, chorei dois dias seguidos, mergulhei numa fossa tremenda. Um grande goleiro para o clube de coração, amigos, é tão importante quanto um grande amor. Foi como a partida de um amigo para a guerra. Quando veremos Cléber novamente no arco coral? Talvez nunca. Então, o sofrimento foi imenso. Passei dias arrastando minha cachorrinha, desolado, triste, descrente. Nunca mais a nossa barra será a mesma, repeti várias vezes, entre um lexotan e outro, entre um porre e outro. E súbito, veio o Anderson. Fui olhando de esguelha, ressabiado, fazendo minha avaliação particular. Um, dois, três jogos, até que senti que ele tinha passado pelo momento mais difícil: os primeiros jogos com Cléber lhe fazendo sombra. A insegurança diante da torcida. Os primeiros e difíceis jogos. Não, não se trata ainda de um paredão completo, como vimos ano passado, mas acho que esse garoto vai longe, se conseguir se firmar mesmo o restante do campeonato. Inácio, que tem fontes em todos os buracos do Arruda, que recebe telefonemas informando até sobre a troca de um azulejo no banheiro, ficou sabendo de um detalhe poético, existencial e metafísico, sobre nosso jovem atleta. O Anderson é louco, apaixonado, doente pelo Santa. Fica debaixo da barra, atento ao jogo, mas gostaria mesmo era de estar no meio da Inferno Coral, gritando e empurrando o time. É mais apaixonado pelo Santinha do que todos os músicos da Sanfona Coral. Dizem por aí que ele sofre intensamente quando leva um gol, mesmo que seja em treino. Está, então, realizando o sonho máximo de um ser humano: é o torcedor que se tornou titular do time que ama. Ouvi algumas críticas ao jovem arqueiro, especialmente no gol que levou do Central. Acho que precisamos de uma dose de paciência e apoio. Não é fácil ser o guarda-metas do Santa, principalmente depois daquele abençoado Cléber ter fechado tudo, antes de ir se tornar o titular do Atlético Paranaense. Tenhamos paciência, torcida coral. Falta pouco para gritarmos, lá da arquibancada: "ão, ão, ão, meu goleiro é paredão!"

Eleição de 2004 vai a julgamento

Extra! Extra! Notícia exclusiva!

Aconteceu ontem à tarde, na Décima-quinta Vara da Justiça a audiência de conciliação entre a chapa que disputou a eleição do Santa Cruz em dezembro de 2004 e a chapa de situação, da dupla Romerito Jatobá-José Neves. A conciliação ficou só no nome da audiência, pois Antônio Luís Neto e seus advogados José Antônio Alves de Melo (ex-presidente da coisa!!!) e Misael Wanderley afirmaram categoricamente que não existia possibilidade de acordo com os integrantes da diretoria do clube. Romero Jatobá e seu advogado Carlos Neves Filho também disseram que não tinham interesse em se conciliar com ninguém.

Agora, o juiz rubro-negro Dorgival Soares de Souza vai marcar a data da audiência de instrução, quando será definida a validade ou não da eleição que manteve o clã dos Neves no poder no clube tricolor do Arruda. Além de alegar descumprimento da lei por conta da não publicação dos editais, a oposição recheou seu pedido com provas documentais de criação de sócios-fantasmas que só apareceram para votar.

Rápido o trabalho da Justiça…

Torcida tricolor 2 x 0 barbie

Sorriso de criança: único alegria possível no primeiro tempo

Torcida tricolor desmente a lógica, a matemática e o bom senso

por Inácio França Partida antecipada para três da tarde, calor de rachar catedrais nas gerais, prévia de carnaval em tudo quanto é canto, praia de manhã, jogo do Ypiranga televisionado e um futebolzinho xoxo no meio da semana. A lógica, a matemática e o bom senso não deixavam dúvidas de que o Arruda seria palco de uma daquelas partidas que só entram para as estatísticas, jamais para a história. Até a metade do segundo tempo, futebol do Santa Cruz e dos cor-de-rosa pareciam confirmar que as oito mil pessoas que pagaram ingressos seriam apenas testemunhas do desfecho medíocre de um evento insignificante. O desolamento das gerais castigadas pelo sol reforçavam essa impressão. Aí, tudo mudou. A notícia de que o adversário havia perdido um pênalti injetou um ânimo inexplicável na torcida tricolor (ora, o placar das duas partidas continuavam exatamente como antes). Foi uma explosão de garra, de energia, de fé, de sei-lá-o-quê. De repente, o barulho era tanto que parecia que o estádio estava lotado. A torcida do coadjuvante cor-de-rosa foi tragada pelo cimento, sumiu. O amor da torcida embalou o time. Os passes ganharam direção, as mãos de Anderson se firmaram e a defesa ganhou confiança. O gol tornou-se o sentido da vida dos 11 jogadores com a camisa de três cores. Pouco importa o tamanho do público pagante registrado no borderô: a torcida do Santa Cruz foi protagonista de um momento épico e ganhou um turno com ajuda do time.

Paixão posta em prática

por Inácio França A reunião começou com atraso de uma hora. Todos esperavam o presidente, Gustavo, aparecer no salão de festas de um condomínio na Jaqueira. Convidado por um dos fundadores, fui o último a chegar à reunião da Atasc, a Associação dos Torcedores e Amigos do Santa Cruz. Em torno de várias mesas de plástico enfileiradas, estão advogados, analistas de sistemas, gerentes, microempresários, universitários com duas coisas em comum: são todos jovens e apaixonados pelo clube das multidões. O perfil de Gustavo, Beto, Jamesson, Fábio, Fred e dos outros participantes é um pouco diferente da maioria da torcida coral. Nada demais, pelos critérios do IBGE, os editores e a maioria dos leitores desse blog também não podem ser considerados "excluídos". O amor pelo Santinha é o traço de identidade que nos une. Eles têm consciência de que a idéia de juntar torcedores capazes de arrecadar dinheiro para investir no patrimônio do clube não é nova. Outros já tentaram fazer o mesmo pelo Santa Cruz ou ainda fazem por outros clubes. O exemplo do Remo, de Belém, é lembrado a todo instante: um grupo de torcedores resolveram juntar esforços para auxiliar o clube, que havia sido rebaixado para a Série C. Hoje, arrecadam R$ 130 mil mensais. Na Atasc, dinheiro ainda é escasso e mal vai dar para bancar o panfleto que será distribuído no jogo contra a barbie. Apesar da idéia não ser nova, parece que há algo de inédito na reunião nesse grupo de rapazes: a franqueza com que todos discutem os próximos passos a serem dados. São sinceros, não medem palavras e não temem discordar uns dos outros. As queixas são feitas às claras, na frente de todos. Algum tricolor mais experiente poderia arriscar que os rapazes são imaturos. O que vi foi honestidade. E não consigo deixar de lembrar os meninos que, no dia 3 de fevereiro de 1914, tiveram uma idéia que, ainda hoje, 92 anos depois é capaz de mobilizar tantos outros meninos. Vida longa à Atasc.

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