Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

R$ 1,00 de amor

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por Inácio França

Há alguns dias, a alvirrubra que tomou conta do meu coração vinha alertando: "temos de comprar gás, esse que está no fogão deve estar perto de acabar". Como tenho preguiça até levantar da rede para dar um telefonema, respondi inúmeras vezes com um eloqüente "tá certo" ou então com sua variante "tá bom, tá bom".

Pois bem, exatamente no sábado 3 de fevereiro, dia em que me programei para sair de casa apenas para a festa de aniversário do clube, o danado do gás acabou pouco antes de começar a fazer o almoço. Sou imune a superstições e crendices em qualquer outro aspecto da vida cotidiana, menos quando elas se referem ao Santa Cruz Futebol Clube. Acabar o gás no dia do aniversário do clube? É óbvio que um fato desses deve ter algum significado oculto, que demorei a captar, mas compreendi imediatamente o recado mais óbvio dado pelo acaso: telefonei para o 0800-726-2266 da Minasgás.

Pois bem, durante os poucos minutos que duraram o telefonema, entendi porque o gás acabou exatamente no sábado: a simpática atendente não fez nenhuma menção ä possibilidade de doação para o Mais Querido. Ela informou apenas o preço: R$ 32,00. Precisei perguntar se o valor já incluía o R$ 1,00 para o Santa Cruz. Foi quando a moça acordou: "ah, o senhor quer fazer a doação. Então são R$ 33,00". Deu vontade de responder que "não, eu deixo de comprar a 29 contos na distribuidora da esquina para comprar por R$ 32 porque sou tabacudo mesmo".

Ou seja, o gás acabou no dia 3 para que o Blog do Santinha pudesse publicar um texto cobrando que a Minasgás oriente seus funcionários a falar da doação para todo e qualquer cliente.

Quando o entregador chegou, fiz uma sequência de fotos dele. O sujeito ficou meio surpreso. Acho que uma simples entrega de gás nunca teve tanto pantim.  

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Pra não dizer que não falamos dos espinhos – adendo: Um repórter que cobre o dia-a-dia do clube por um dos jornais da capital me telefonou ontem à noite para tratar de outro assunto. No meio da conversa, ele me disse que três jogadores não tinham sequer sido relacionados para o jogo contra a Cabense: Alex Pinho, Luiz Paulo e… Porcellis.

- Peraí, Porcellis!? Por que Porcellis? O que ele fez? O sujeito mal jogou e todos os repórteres que cobrem o clube falam maravilhas dele.

- É, no treino ele come a bola, mas Givanildo não dá nem uma chance pra ele. Acho que não vai com a cara dele.

Como todos nós estamos cansados de acompanhar jogadores que são escanteados por treinadores do Santa e depois fazem sucesso em outros clubes, hoje de manhã liguei para um conhecido meu, sujeito que tem contato direto com a comissão técnica tricolor. Perguntei o que se passava na cabeça de Givanildo. Eis a resposta:

- Givanildo acha que ele é muito fominha. Ele e Tiago, que veio do Palmeiras. Givanildo acha que eles não jogam pro grupo e que querem resolver tudo sozinhos.

Minha fonte completou o raciocínio defendendo os dois garotos: "é que eles vem de uma escola onde há liberdade para fazer jogadas individuais".

Antes de desligar minha fonte misteriosa me presentou com uma informação não solicitada: "Givanildo não confia na indicação de ninguém, só gosta de trabalhar com quem ele já viu jogar. Luiz Paulo mesmo, ele já tinha visto. A diretoria queria trazer um lateral que foi revelação no Corinthians, que todos dizem ser um senhor jogador, mas Givanildo nunca viu jogar, indicou Luiz Paulo.

O Blog do Santinha chegou a duas conclusões. Conclusão 1 - Alguém precisa assinar uma TV a cabo para que Givanildo veja muitos mais jogadores em ação. Conclusão 2 – Garrincha, Romário, Cristiano Ronaldo, Maradona e Ronaldinho Gaúcho seriam dispensados no time de Givanildo.

Pra não dizer que não falamos dos espinhos

por Inácio França

O clima estava quente hoje de manhã na redação do Blog do Santinha. Intensos debates dividiram a equipe em dois grupos: de um lado, Samarone defendendo a tese de que, em vez de abordar o desempenho do time e a ridícula derrota para o Vera Cruz, deveríamos publicar um texto lírico, uma crônica sobre o cotidiano ou coisa que o valha. “Deixemos o futebol de lado, vamos dar espaço à poesia, pois a realidade futebolística está muito dura”. Contra-argumentei, afirmando que seria preciso encarar os fatos para atender à demanda dos leitores. “Não podemos fugir do assunto, pode dar a impressão de uma fuga”.

Satisfeito com esse argumento ou com preguiça de enveredar por um intricado debate filosófico, Samarone desistiu. Em compensação, fiquei com a tarefa de encontrar alguém do Departamento de Futebol coral para conversar sobre o assunto. Por isso, na hora do almoço, telefonei para o diretor de Futebol, Sylvio Belém.

Educadíssimo, Belém largou a família na mesa para nos contar que, agora à tarde, ele, Fred Carvalho e Rosemberg Rafael irão se reunir com o presidente Edinho. Ontem à noite, já em Recife, os três já tinham se reunido com Givanildo. Algumas decisões urgentes deverão ser tomadas.

“Não está na nossa cabeça a idéia de sair mudando tudo, refazer tudo de uma hora para outra. Esse tipo de coisa sempre atrapalha e complica ainda mais. Mas é evidente que algumas correções terão de ser feitas. Não dá para jogar sempre a culpa no calor, no gramado e no juiz. Isso não é possível. É hora de cobrar resultados porque não podemos admitir a postura que o time teve no jogo de ontem. O segundo tempo foi simplesmente hor-ro-ro-so”.

Belém não quis adiantar quais seriam as mudanças, mas deu algumas pistas sobre, pelo menos, uma das decisões que serão tomadas daqui a pouco: “Contra o Central, perdemos, mas pelo menos o time lutou. O problema é que, contra o Central, perdemos em 7 minutos um jogo que estava ganho contra um adversário com apenas 10 homens. Por coincidência, quando levamos os dois gols estávamos com a mesma zaga que atuou ontem: Alex Pinho e Adriano. A postura da defesa atuou com uma postura muito ruim, horrível”. Nem é preciso ser gênio para adivinhar qual deverá ser uma dessas decisões.

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Pra não dizer que não falamos das flores, o Blog do Santinha tem o prazer de informar que o músico e professor Júlio Vila Nova, um dos mais fiéis leitores do blog, irá lançar seu livro Panorama de Folião hoje, às 19h, no Museu da Cidade do Recife (Forte das Cinco Pontas). A noite de autógrafos terá como atrações o desfile de blocos líricos e de orquestras de frevo-de-bloco, além da declamação de poemas de Ascenso Ferreira.

O livro é resultado da dissertação de mestrado em Letras, defendida por Júlio em 2006, e enfatiza a importância da canção popular para o estudo e compreensão da realidade brasileira, ao longo de um século de história, desde os primeiros registros fonográficos. No livro, Júlio defende a idéia de que o frevo-de-bloco é um gênero fortemente marcado, em suas letras, pela ênfase na exaltação aos valores da cultura pernambucana. Assim, encontram-se no cancioneiro dos blocos, por exemplo, a reverência a personalidades da nossa história e do universo carnavalesco, a descrição poética de paisagens típicas das cidades (Recife, Olinda e outras) e a louvação à beleza do próprio carnaval.

Nosso aniversário

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Hoje é aniversário daqueles que são tricolores desde sempre

por Inácio França

Ontem, a pedido do repórter João Andrade Neto, do Jornal do Commércio, escrevi uma pequena crônica para marcar o 93º aniversário do Santa Cruz. Como nem todo mundo lê esse jornal,  resolvi  dar uma mexida no texto e republicá-lo aqui.

Todo torcedor de qualquer time sempre tem, na ponta da língua, uma explicação transcendental para explicar sua paixão pelo clube de coração. Toda torcida tem uma frase-feita do tipo "uma razão para viver", "mais do que um clube, uma religião", "ser tricolor é um estado de espírito" ou coisa do gênero. O repertório é vasto.

Mas não acredito que seja preciso recorrer à fé ou à metafísica para encontrar a explicação do amor a um time de futebol. A explicação está a infância, ou no menino que teima em sobreviver dentro de cada um de nós, torcedores. Afinal, mesmo transformado em negócio que movimenta bilhões de dólares mundo afora, o futebol, antes de espetáculo, não passa de um jogo de bola. Um jogo de garotos que, só por acaso, tem barras retangulares e não triangulares, é jogado por 11 de cada lado e não por 10 ou 12.

O Santa Cruz me remete diretamente às tardes de domingo da minha infância, quando saía da longínqua praia de Piedade, vestindo uma camisa de listas verticais com um escudo colado e o número 5 às costas, para viver a delicionsa aventura de me misturar à multidão. Assim, o Arruda foi o palco das minhas mais emocionantes aventuras de menino, quando meus super-heróis se chamavam Ramón, Nunes, Fumanchu, Betinho, Wendell e Givanildo.

O Santa Cruz era a liberdade da quarta-feira à noite, em forma de chicabon, pipoca e uns churrasquinhos esquisitos que, em nenhuma outra circunstância, meu pai usaria como alternativa para me alimentar. Foram raros os jogos noturnos da minha infância, sempre havia aula na quinta de manhã. Por serem raros, inesquecíveis. O gramado brilhando de tão verde, sob as luzes dos refletores, era a coisa mais linda que eu tinha visto aos 10 anos de idade.

É verdade que a fartura de títulos e ídolos adubaram minha paixão, mas só os pragmáticos demais, os neoliberais, os globalizados, podem acreditar que o amor ao clube pode ser alimentado por trófeus e campeonatos. Nesse caso, não haveria amor, só interesse mesquinho. Como explicar então que meu filho, acostumado ao cimento do Arruda durante a escassez de títulos da segunda metade dos anos 90 e primeiros anos desse século, seja tão ou mais apaixonado do que eu?

Sou capaz de apostar que, para ele, o Arruda é o local onde ele pode perder o controle em meio a palavrões , sempre tolhidos em casa ou na escola. É no Arruda onde meu filho recebe do pai os abraços mais emocionados, mais apertados. É no estádio onde, a cada gol, vive uma das mais belas experiências humanas, a confraternização com gente desconhecida, de todas as classes sociais e idades.

Hoje é o aniversário de todos nós, crianças de todas as idades que vestimos preto-branco-e-vermelho para nos divertirmos no Arruda.

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Hoje é aniversário de crianças de todas as idades

O Santa Cruz nasceu e vai viver eternamente

Foto: Anizio Silva

"O Santa Cruz nasceu e vai viver eternamente", já dizia
Alexandre Carvalho, um dos fundadores do clube

Foto: Rodrigo Cantarelli

Pátio da Igreja de Santa Cruz, onde tudo começou

Por Anizio Silva

Assim como os muçulmanos devem efetuar, ao menos uma vez na vida, uma peregrinação à cidade sagrada de Meca, todo tricolor deveria visitar a Igreja de Santa Cruz e seus arredores. Só recentemente fiz isso. Até então, só conhecia o Mercado da Boa Vista, que fica na rua lateral, e os sabores da sua comida regional.

No casarão rosa da foto acima existe uma placa, colocada pela diretoria do clube em 1983, que avisa: "Aqui, há 69 anos, uma plêiade de jovens fundou aquele que seria o maior e mais querido clube futebolístico do Norte-Nordeste do Brasil, o Santa Cruz Futebol Clube".

Com estas imagens, deixo então meus parabéns a toda a torcida tricolor, que neste 03 de fevereiro comemora o aniversário do Santinha!

Mais tarde, nos encontramos no Baile de Carnaval comemorativo dos 93 anos do clube, e de 100 anos do frevo.

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