Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

Enfim…

A Sanfona Coral e a alegria voltam ao Arrudão

por Inácio França
Ainda na arquibancada, logo depois do segundo gol, comecei a me preocupar: como seria possível traduzir a emoção experimentada por todos nós, tricolores, no momento do gol da virada? Não era decisão de campeonato, mas comemorávamos como no jogo mais importante das nossas vidas. O resultado não nos tirou da lanterna, mas nos abraçamos como quem testemunha um momento histórico. Foi nosso reencontro com a esperança. E o reencontro dos jogadores com a vontade de vencer. Durante e depois do jogo, a garra dos nossos jogadores era unanimidade. Mas apenas garra e correria não são capazes de explicar a enorme diferença entre a partida de ontem e as vergonhosas atuações dos 10 primeiros jogos. O time acertou passes, a marcação foi eficiente já na linha do meio-de-campo, o ataque não ficou isolado. A garra de Váldson, a precisão de Cássio e a solidariedade de Nenem extravasaram o gramado, inundaram as arquibancadas e nos fizeram esquecer a sina das humilhações anteriores.
Continuamos na última posição, mas, enfim podemos torcer. Antes, nem isso. Infelizmente, a história é implacável. Com o passar dos dias, a partida de ontem será apenas uma no meio da tabela, mais uma no meio de centenas de jogos do campeonato, mais uma entre dezenas que o Santa Cruz terá disputado até o final do ano. E a frieza dos números ou dos relatos jornalísticos jamais traduzirá a fé que saiu em velocidade dos pés do camisa 11, no instante do chute a gol. As resenhas radiofônicas também são incapazes de reproduzir o sentimento de quem recupera a confiança.
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Diálogos avulsos colhidos por observadores privilegiados e ouvintes atentos na noite de ontem:
 
- A defesa tá uma bosta! Vamos perder de novo!
 
- Que nada, rapá. Levamos o gol por azar. Foi azar.
 
- Ah, é? Então vai no Mercado de São José e pede meio quilo de sorte pra gente – dois sujeitos na arquibancada, logo depois do gol do Goiás.

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- Vai, Tiririca!
 
- É Tiririca não, o nome dele é Márcio Mexerica.
 
- E Mexerica é nome de homem? Vai ser Tiririca, Mexerica é nome de frutinha – outros dois sujeitos próximos à Sanfona Coral, pouco antes do gol da virada.

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Eu jogo melhor que esse Nenem! – o jornalista Júlio Bandeira, depois que Nenem perdeu um gol no primeiro tempo.
- Vou entrar de férias em agosto, entrar em forma e pedir a vaga desse Nenem - o mesmo jornalista, no intervalo da partida.
 
- Vai ser gol de Nenem! Quer apostar que vai ser gol de Nenem? – Júlio Bandeira, quando o Santa já vencia por 2 x 1.

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- Cadê Samarone? Ele tá com medo de vir, é? – leitores do blog, antes do início da partida
 
- Se o Santa ganhar, Samarone pode ficar em casa até o final do ano – leitores do blog, animados com a garra do time.
- Tá tudo certo: o próximo jogo de Samarone vai ser contra o Serrano, em 2007 – os mesmos leitores, faltando cinco minutos pro final da partida.

Pessimismo em campo

Faltam uma hora e quarenta minutos para o Santa Cruz retomar sua participação no Campeonato Brasileiro da primeira divisão e, a julgar pelo resultado da enquete que iniciamos há uma semana e acabamos de encerrar, o time entrará em campo com uma multidão de torcedores pessimistas esperando nas arquibancadas.

Entre os 161 votantes, 113 (ou 70,19% do total) não acreditam que a reestruturação realizada durante o recesso da Copa do Mundo irá dar bons resultados. Outros 25 tricolores (15,53% do total de participantes da enquetes), se dizem otimistas, mas continuam com um pé atrás, ou seja, acreditam que o time irá melhorar, mas não o bastante para livrar o Santinha do rebaixamento.

Os otimistas puro-sangue são minoria: apenas 23 tricolores (14,29%) apostam na permanência na Série A em 2007.

O desejo e a realidade

Por Samarone Lima

Amigos, o que mais este Blog do Santinha fez, desde a inauguração, em 10 de agosto de 2005 (ôpa Inácio, temos que comemorar!), foi empurrar o Santinha, animar a torcida, incentivar olhares críticos para nossa emoção futebolística. Olhei há pouco meu primeiro texto, aqui neste espaço, sobre um jogo do Mais Querido: foi publicado dia 17 de agosto de 2005, após uma vitória por 1 x 0 em cima do rubronegro baiano. Chegávamos aos 37 pontos, naquela jornada maravilhosa de 2005.

Mais que isso, na crônica eu citava o nascimento da Torcida Organizada Musical Sanfona Coral, hoje um patrimônico cultural da torcida do Santa Cruz. Eu, o velho Inácio e dezenas de colaboradores, de leste a oeste do Brasil, e até do exterior, estivemos com o focinho grudado na TV, os ouvidos arregalados nos jogos sem TV, e não deixamos de estar no arrudão, ao lado da já lendária Kombi Coral. Aqui, neste pequeno espaço, organizamos viagens, articulamos a Minha Cobra, encaminhamos feijoadas, publicamos fotos, ampliamos amizades.

Vimos o Santa subir para a Primeira Divisão, acompanhamos cada lance do Estadual 2006, quando deixamos o bi-campeonato escapar por entre os dedos do pé de Lecheva. Começou a Segundona, e o Blog acompanhou, infelizmente, os primeiros jogos. Pela graça divina, chegou a Copa do Mundo.

Claro que iremos ao estádio amanhã, ver o jogo contra a Associação Futebolística-Musical Goiás. Claro que Chiló vai levantar a galera, e há promessas inclusive de termos o retorno da Minha Cobra. Ou seja: a torcida continua fazendo sua parte.

Mas aqui vai a confissão, tirando toda a paixão de lado: nosso time vai entrar em campo dependendo mais da vontade do que do futebol. O Goiás, com 17 pontos, é um time arrumadíssimo, tinhoso, que não tem medo de jogar na casa do adversário, e só pensa na Libertadores. Estão na dúvida se o Johnson, aquele angolano que acabou com a gente, na Série B do ano passado, entra como titular ou não. Johnson, aqui, seria a salvação da lavoura.

Sempre acusei o magro João Valadares de ser o mais pessimista dos tricolores. Dou a mão à palmatória. Hoje, sou o mais pessimista dos tricolores. Acho que temos mesmo um dos piores times da Séria A, quiçá o pior. Não acredito em uma “arrancada fulminante”, como não acredito em Papai Noel. O tempo de uma Copa do Mundo não nos aponta redenções. Penaremos muito para fazer um reles gol no clube goiano, dirigido pelo competente Antônio Lopes. Deus queira que eu esteja errado.

Depender da raça, da correria, é uma maravilha, serve como uma boa chuteira para a Segunda Divisão. Perdemos recentemente, em negociações nebulosas, Carlinhos Bala e o nosso Rosembrik.

Desde que criamos o Blog do Santinha nunca senti um descompasso tão grande entre o meu desejo de torcedor e a realidade do time. Aguardemos até o final dos 90 minutos. Eu quero muito, desta vez, estar completamente errado.

Hora do reencontro

Todos ao Arruda, palco de nossas verdades

por Inácio França

Meu amigo Edmundo Barreiros, jornalista do site do Globo Esporte, torcedor do fluminense e de todos os times tricolores, costuma repetir a tese de que Copa do Mundo é coisa feita pra quem não gosta de futebol: “Isso é show pra entreter boiola e perua. Quem gosta de futebol pra valer, gosta mesmo é do cimento de arquibancada, gosta mesmo é de Olaria x Madureira”.

Está cheio de razão o meu amigo carioca. Depois de um mês de Copa do Mundo e 40 dias sem futebol no Brasil, tenho a sensação que ficamos esse tempo todo acompanhando emoções alheias, como meros espectadores da diversão dos outros.

Ver futebol pela TV – e só pela TV –, sem a esperança de ver o jogo de volta em casa, é que nem assistir aqueles programas de culinária de Ofélia, quando ela fazia cada prato arretado e dizendo que o refogado estava cheirando maravilhosamente bem, que estava saboroso, que isso e aquilo, e o sujeito em casa, resignado com o feijão de ontem.

O bom do futebol é tomar uma cervejinha antes de entrar no estádio, encontrar os amigos, escutar aquela gritaria dos camelôs vendendo bugigangas pirateadas, ver os pais levando as crianças pela mão, chegar à arquibancada e se encantar com o verde do gramado iluminado (em todo jogo à noite, experimento a mesma emoção da primeira vez que o verde do campo do Arruda se abriu à minha frente).

Sofrer e comemorar no estádio, por mais que ele cheire a mijo e o time segure a lanterna do Campeonato, é mais verdadeiro que centenas de jogos transmitidos ao vivo da Europa. Aprendemos muito mais com o torcedor anônimo sentado ao lado, com quem compartilhamos nossas dores e alegria, do que com as análises táticas dos computadores.

É por isso que a torcida tricolor está doida para ir ao Arruda novamente. É hora de reencontrar nossa realidade e nossa ilusão.

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Confirmadíssimo! A Sanfona Coral e a Minha Cobra também retornam às arquibancadas no Arruda nesta quinta-feira. O ponto de encontro será na churrascaria Colosso, uma hora antes da partida.

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