Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube e a torcida mais apaixonada do Brasil

É hoje!



por Marcílio Coelho, engenheiro-civil e lamentavelmente morando em São Paulo há quatro anos

Não queria aqui falar daquele jogo, daquela final inesquecível, tampouco daquela memorável conquista, nem muito menos daquele pesadelo que não nos sai da memória ou do fantasma da frustração que tanto tememos.

Quero falar sim da essência de ser tricolor. Pois bem, quando procuro uma resposta que justifique por que tanto sofrimento, por que nunca, mas nunca mesmo, nada vem fácil para gente, me contento com a frase: “pra tricolor é assim mesmo, tem que ser sofrido”.

Momentos que antecedem a partida o coração tricolor transborda esperança e confiança, não importa o adversário, não importa a situação em que o time se encontra, o tricolor sempre acredita que “é hoje”. Mas algumas vezes nos enganamos e o “hoje” fica para depois. Criticamos do gandula ao presidente, cobramos empenho, queremos qualidade, clamamos por união, lealdade, caráter, e principalmente respeito e amor às três cores que desde cedo aprendemos a sentir algo que, confesso, não sei explicar.

Passados alguns instantes começamos a juntar os cacos. Os mais cabeçudos ainda remoem uma derrota por dias, semanas e até meses e campeonatos, como se pudessem negar ou fugir de sua essência tricolor. “Não, eu não dou mais dinheiro para vê esses caras” gritam uns; “eu que não perco mais meu tempo com esses filhos da puta”, esbravejam outros. Os mais comedidos ainda refletem: “Puxa, passei a semana toda esperando por esse jogo, era no trabalho, era na hora do namoro e até quando ia dormir, não conseguia fazer nada disso direito, minha cabeça estava na contagem regressiva para aqueles 90 minutos, e deu no que deu”.

Ainda me recordo de quantos e quantos jogos do nosso santinha em que fiz tudo isso que descrevi acima mas, o que não me sai da memória são os momentos em que o Santinha toma um gol. E quero falar disto, pois do nosso gol, todos sabemos, é pura felicidade. Mas quando levamos um gol, principalmente deste nosso arqui-rival do qual também não sei definir o que sentimos, só sei que ódio é pouco, muito pouco. Pois bem, é como se abrisse uma ferida, uma parte de nossa confiança e auto-estima é decepada naquele exato momento. Toda a nossa insegurança como seres humanos vem à tona, o medo de perder o emprego, o medo de levar um chifre, o medo de ser assaltado, é difícil explicar, tudo vem junto, levamos um banho de desmotivação.

Clássicos, finais, aqueles jogos importantíssimos em que não tem jeito, todos assistem ao jogo de pé, pois o estádio está cheio. De repente tomamos um gol, a situação começa a virar contra nós, e o que me vem à lembrança neste momento são as pernas em minha frente. É, a partir deste momento estou sentado, não quero ver mais a peleja, no fundo eu acho que isso talvez mude alguma coisa, mas é pura insatisfação e inconformismo. Uma criança numa situação difícil fecha os olhos como se, pelo fato de não estar vendo, não está acontecendo, ou quem sabe doa menos, sei lá, talvez seja isso, o fato é que não queremos é acreditar.

E quando escuto pelo rádio, quantas vezes desligo para dar sorte, não é de raiva como a maioria dos torcedores o fazem, é pura mandinga, “quando eu ligar o santinha já vai ter virado”. Não, de fato, nosso time está longe de ser o melhor de todos, deixemos isto para aqueles que vivem numa ilha, isso mesmo, eles são soberanos, um aglomerado de craques cercados por flagelados por todos os lados.

Do nosso lado aqui estão aqueles que não perdem a confiança, apesar de colecionar derrotas, recentemente seis vices campeonatos, de 1999 a 2004, não perdemos e não desistimos nunca. Somos como aquela propaganda, que poderia muito bem ser dita assim: Sou brasileiro, sou tricolor, não desisto nunca. Não arrotamos soberba, lutamos no dia-dia, saímos de casa cheios de esperança, caminhamos, lutamos e por vezes perdemos, reclamamos, jogamos a culpa em tudo e em todos, mas colocamos a cabeça no travesseiro e refletimos: é… tudo bem, amanhã tudo vai dar certo!

Qualquer semelhança deste desabafo com o cotidiano do cidadão brasileiro, sobretudo, nordestino, não terá sido mera coincidência. Não tenha dúvida, nem receio de gritar aos quatro cantos: “Sou brasileiro, sou nordestino, sou tricolor”.

É isso massa coral, coloquemos a mochila nas costas, levantemos a cabeça, e brademos: “é hoje!” E se tudo der errado, sigamos o roteiro, sem esquecer que amanhã tudo vai dar certo, portanto, à luta. E já!

***

Sérgio Praxedes Filho tem 7 anos de idade, mas seu apelido na escola Anita Gonçalves, em Paulista, é Serginho Bala. Dizem que o menino joga um bolão no futsal. Na sexta-feira, ele dormiu mal, se alimentou mal e quase não presta atenção nas aulas. Estava (e está) preocupadíssimo com a decisão do campeonato.

Ontem, sua mãe Valéria (na foto lá em cima, ao lado do filho) descobriu que tinha um compositor em casa: o menino compôs a paródia enquanto tomava banho. Depois, pegou papel e caneta e botou os versos abaixo no papel. Zelosa, Valéria entrou em contato com o Blog do Santinha e nos enviou a letra de autoria do filhão. Conclusão: só tem fanático e ainda tá chegando mais!!!

TRILILIM,TRILILIM,TRILILIM
A GLOBO LIGOU PRA MIM
TRILILM,TRILILIM,TRILILIM
A GLOBO LIGOU PRA MIM

QUEM É?
SOU EU O REPORTE DA GLOBO, QUE QUERO TE ENTREVISTAR
TÔ NA ILHA DO RETIRO E O NERVOSISMO TÁ PRA MATAR.

VAI TER GOL DO SPORT?
NÃO, NÃO, SÓ DO SANTA
VAI TER GOL DO SPORT?
NÃO,NÃO, SÓ DO SANTA

ACABOU A DECISÃO,ACABOU A DECISÃO, ACABOU A DECISÃO
SANTA CRUZ É CAMPEÃO!!!

Entre a glória e a desgraça

por João Henrique, publicitário inspirado em Henry Miller

Eles estavam jogando de camisas brancas com duas listras horizontais, sendo uma encarnada e uma preta.

Domingo de nervosismo e ansiedade, dia em que até o céu se desequilibrava entre o sol e o nublado. Eles desafiavam o feroz time escuro em suas vestes hostis e a sua torcida amarela que não parava de babar gritos estéricos alucinados.

Eles tinham ao seu lado uma massa apaixonada, de todas as cores, roendo carnes-vivas, cerrando as mãos agitadas. Eles estavam iluminados pela energia do povo e comiam a grama seca, a lama seca. Tragavam o ar a plenos pulmões e poros.

Naquele campo inimigo, o desafio da bruxa avermelhava os olhos, inchava as veias. Eles estavam na dimensão intermediária entre a glória e a desgraça. Uma tela jamais pintada. Eles, a bola, a vontade, o contado, as redes.O final deste dia de domingo, eles não esquecem. E, é óbvio, todos nós sabemos de cor.

Loucos Otimistas


Por Júlio Bandeira, pseudônimo de um jornalista louco pelo Santa.

Aconteceu num sábado, 29 de outubro de 2005. O empate com o Grêmio deixou o Santa Cruz na lanterna do quadrangular final da Série B. O sonho da Primeira Divisão estava longe. Numa mesa de bar, quem esteve no jogo procurava explicações. “Como pode? Temos o melhor time.” Ninguém conseguia vencer as interrogações até surgirem as provocações adversárias.

A resposta veio numa profecia do sanfoneiro Chiló.

“O Santinha vai subir. E quem vai pagar o pato é a Barbie.”

Parecia um desabafo desesperado, sem nexo, irracional. E no futebol, realmente, a razão inexiste Em poucos instantes, Chiló ganharia apoio. O zabumbeiro Gerrá e outros tricolores repetiam a afirmação. A certeza na voz de cada um mostrava que não era apenas conversa fiada.

No dia seguinte, os jornais anunciavam que a “sorte parece que abandonou de vez o Santa Cruz.” A sorte podia sim, ter deixado o time. Nunca os torcedores. Antes da partida seguinte, que podia aniquilar de vez o sonho alimentado durante o ano todo, a legião de otimistas cresceu. Quarta-feira, esses “loucos” esqueceram do feriado e se dirigiram ao Arruda. Treino do Santa Cruz pela manhã. Entre eles Chiló, Gerrá e outros tantos que engoliam com dificuldade a cerveja no sábado à noite.

Protestos até cabiam, mas não foi o caso. Os “loucos otimistas” foram para mostrar aos jogadores que nada estava acabado. Nada de vaias. Aplausos para todos os jogadores. Reinaldo, que perdeu um pênalti no jogo anterior, foi o mais ovacionado. Com certeza, o elenco entendeu a mensagem. Sabiam que, em hipótese nenhuma, podiam abandonar aqueles torcedores. O resultado os tricolores conhecem muito bem.

Contra o Sport, na primeira partida da decisão, quem não podia abandonar o Santa Cruz, abandonou. Mas Carlinhos Bala, Rosembrik e a torcida têm a chance de se redimir. Sem saudosismo mas com a mesma confiança, digo que o Santa será bicampeão. Quem quiser, pode guardar a sua camisa tricolor para utilizá-la na Série A. A minha está pronta para domingo. Pronta para mais uma decisão. Para as lágrimas e os sorrisos.

Para mais um dia de glória.

***
Não perca a ediçao especial do Blog do Santinha rumo ao título:
Sábado (8/04) – “Entre a glória e a desgraça”, texto do colaborador João Henrique
Domingo (9/04) - “É hoje!”, texto do colaborador Marcílio Coelho.
Segunda (10/04) - “Um título inesquecível”.

Tudo sobre a conquista do Bi.

Entrevista exclusiva com Givanildo – “A saudade do Santa está me matando”.
Depois de pegar três penaltis, Anderson desabafa: “Eu sabia que daria a volta por cima”.
Valença: “Quebrei a perna de Geraldo sem querer”.
Paulinho: “Só entro para fazer gol decisivo”.
Bala: “A mundiça se calou”.
Adriano: “Ganhar jogando com 9 jogadores é inesquecível”.
Osmar: “Nasci para ser campeão pelo Santa”.

Todos ao treino!

O Blog do Santinha convida todos os santa-cruzenses de coração a darem uma passada no Arrudão, hoje, a partir das 15h.

Será o último coletivo antes da decisão, e um momento de ajudar nosso elenco a começar a arrancada para o título.

Como a venda de cervejas em treino ainda não foi regulamentada, pedimos que levem um isonorzinho, porque o sol vai estar rachando.

Nota da redação: após insistentes pedidos dos leitores, estamos levantando o telefone da Renata, a “Moça Coral 2006,” clicada pela nossa valorosa equipe de fotógrafos.

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