Por Samarone Lima, do Blog do Santinha.
Estive em Água Preta semana passada, a trabalho. Lá pelas tantas, na janta, o assunto futebol surgiu como um vento atemporal. O prefeito é rubronegro, falou algo, mas seu motorista, Rubens (não lembro se é Rubens, fica sendo, para facilitar a história) soltou logo uma gracinha, falando das vitórias seguidas do Santa, por 2 x 0, uma delas na casa do adversário.
Do lado de fora da casa, comecei a conversar com Rubens. Ele acendeu um cigarro e começou a falar.
“Rapaz, quando estava no Recife a minha mensalidade era em dia, não atrasava de jeito nenhum, pago R$ 30,00 por mês. Agora que estou aqui é a maior dificuldade, não tem como a pessoa baixar um boleto na Internet, pagar numa casa lotérica. Teve uma época que a gente conseguia, mas depois deu um problema no sistema lá, nunca mais funcionou. Em dia de jogo, é aquela confusão, o resultado é que estou com quatro meses de atraso”.
Entre uma baforada e outra, declarações de amor ao Mais Querido.
“Eu faço questão de pagar em dia mas não é para ter vantagem não, é para ajudar o Santa. Em dia de jogo, com a mensalidade em dia, vou na boca do caixa, compro o ingresso. Sabe aquele jogo contra o São Paulo? Assisti foi lá na geral. Eu disse que era sócio em dia, o cara perguntou o que eu estava fazendo ali, eu disse que estava ajudando o Santa”.
Ele comentava sobre um assunto que já escrevemos várias vezes aqui no Blog do Santinha. A absoluta falta de capacidade de um clube de massa como o Santa Cruz transformar isso em números confiáveis, dinheiro certo todo mês, numa parceria torcida+time que é um dos grandes segredos do futebol moderno.
“Estou aqui em Água Preta e vou dizer uma coisa”, prosseguiu Rubens. “Se a diretoria fizesse uma campanha aqui, trouxesse gente para cadastras novos sócios, facilitasse o pagamento, a pessoa podia pagar numa caixa lotérica, debitar na conta, um boleto bancário,qualquer coisa que facilitasse nossa vida, eu garanto que só aqui, fariam uns duzentos sócios em dois dias. Eu não sei quantos sócios a gente tem em dia, mas era para ter, por baixo, uns vinte mil atualizados. O problema é que os caras não facilitam a vida da gente”.
Faltava pouco tempo para começar meu trabalho, tempo de Rubens complementar seus pensamentos.
“Estão prometendo uma nova campanha para sócios, o que não é novidade, agora eu fico pensando. A gente ganhou o estadual em cima da principal adversário, ganhamos na casa deles, um time bom, cheio de meninos da base, a torcida estava empolgada, chegando junto. Pensei que a diretoria iria aproveitar o embalo, facilitar a vida para novos sócios, pegar o embalo, chamar gente que nunca se associou, garanto que iria ter um monte de gente para ajudar o Santa, mas o que aconteceu, desde a conquista do título? Nada. Ficou essa promessa de uma nova campanha, mas perdemos o embalo”.
Terminando seu cigarrinho, Rubens não escondeu seu incômodo.
“Estou atrasado com minha mensalidade porque nunca mais fui ao Recife. Mas eu não gosto. Detesto atrasar. Sei que é um dinheiro pouco, mas importante para o clube. Junta o meu pouco com o de muita gente, fortalece o Santa Cruz, a gente pode contratar jogador, pagar os funcionários em dia. Acho que de novo, perdemos uma oportunidade arretada de atrair mais sócios. É uma pena”.
Quanto mais Rubens falava, mais eu concordava com ele.
Pago quase todas as minhas contas no mercadinho, que funciona no térreo do meu prédio (é uma agência bancária também), no caixa eletrônico, perto do meu trabalho, ou na casa lotérica, entre minha casa e o trabalho. O que não dá, peço para minha mulher pagar pela Internet.
Todas as minhas contas estão em dia, exceto a mensalidade de sócio do Santa.
Os idiotas vão dizer que é culpa minha, mas há muito tempo eu desisti de pegar filas, especialmente em dia de jogo. Eu vou é me concentrar com meus amigos em uma barraca, ao lado do Arruda, para encarar 90 minutos de seca geral e muito nervosismo.
Com alguma inteligência, o clube um dia conseguirá facilitar a vida dos seus sócios, para Rubens pagar sua mensalidade lá de Água Preta, outros tricolores pagarem de Brasília, Rio de Janeiro, Goiás, Amapá ou qualquer lugar do Brasil.
Com alguma honestidade (ou cobrança da torcida), os ingressos dos sócios e seus dependentes não serão mais vendidos desavergonhadamente, pelos cambistas de sempre, até dentro da própria sede.
Nota:
Após a publicação deste texto, recebemos a seguinte informação:
“O presidente do Santa Cruz, Antonio Luiz Neto e o vice, Joaquim Bezerra, convidam todos os Conselheiros d’O Mais Querido a participar do lançamento da campanha publicitária “Guerreiro fiel”. O lançamento ocorrerá na próxima quarta-feira, 6 de julho, às 20:00h., na área do parque aquático da sede do Clube. Na referida ocasião, a Traffic fará uma explanação sobre a peça publicitária a ser lançada”.
Esperamos que seja, de fato, uma campanha que resolva este grave e antigo problema do clube.