Carta social para Zé Teodoro
Ilmo. Sr. José Teodoro Bonfim Queiroz,
o senhor deve estar estranhando essa formalidade, mas acredito que, de agora em diante, não há mais condições da torcida continuar lhe chamando de Zé. Deixemos de intimidade.
Tentarei escapar da tentação de abordar assuntos de ordem técnica ou tática, como, por exemplo, a insistência de escalar Carlinhos Bala no meio, a teima em deixar o menino Renato no banco ou a doidice de colocar Leo como meia numa partida e como volante três dias depois. Isto sem falar na titularidade de Arroz.
A presente missiva tem como objetivo falar da sua atitude, da sua postura.
Na véspera da partida, suas palavras foram merecedoras de elogio. Pena que, ao declarar respeito diante dos amazonenses, suas palavras não eram sinceras. O senhor não hesitou em fazer um discurso politicamente correto, desprovido de substância, elaborado apenas para cumprir o figurino. Em público, o senhor disse apenas aquilo que todos esperam que diga um treinador em sua posição.
O comportamento do time em campo me dá o direito de supor que sua orientação foi no sentido oposto. O Santa Cruz sob sua direção subestimou o adversário, esperando o jogo em seu campo de defesa na certeza que poderia fazer gols quando bem entendesse. O Santa Cruz se recusou a suar, quando os 11.600 e poucos apaixonados que fomos ao Arruda esperavam a coragem e a dignidade de um time que vai para cima para resolver o jogo.
O senhor e seus jogadores não respeitaram o Penarol.
Seus braços continuaram cruzados enquanto o time relaxava, numa provável demonstração que suas orientações estavam sendo cumpridas. E também trataram com imenso desrespeito a própria torcida. Quem compareceu ao estádio, pegou ônibus, atravessou a cidade, deixou a família, pagou ingresso. E, por tudo isso, mereciam ser tratados com respeito.
E isso, senhor José Teodoro Bonfim Queiroz, não aconteceu.
Ao contrário, o senhor passou a acreditar que pode dar ordens naqueles que pagam seus salários. Pelas notícias que escorrem dos corredores do Arruda, era só isso que lhe faltava. As pessoas dizem que o senhor despreza os diretores de futebol e ignora opiniões da comissão técnica. Talvez agora acredita que pode mandar na torcida.
Sua arrogância foi punida. Infelizmente nós é que pagamos pelos seus pecados.
Não, não lhe vaiei no primeiro tempo, mas vi sua reação histérica ao escutar os apupos e senti uma enorme vontade de mandá-lo à merda.
Como não podia fazê-lo naquele momento, o faço agora.
É, realmente, nossa relação chegou a um ponto insustentável.
Se me encontrar na rua, finja que não me conhece.
ass. Um torcedor do Santa Cruz
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