Momentos eternos no Arruda…
Por Samarone Lima Ir ao Arruda é algo misterioso, e tenho em mente que minha vida teria sido muito mais pobre se eu não tivesse vivido as emoções que já vivi naquele estádio, junto aos que quero bem e na companhia dos milhares de desconhecidos que são amigos de infância logo que começa o jogo. Alguns desses momentos foram vividos no jogo de ontem, a vitória maravilhosa contra o Avaí, por 5 x 1. Vamos lá: 1 Chego ao estádio com um ingresso a mais no bolso, pois a moça perdeu o horário. Saio por ali, oferecendo meu ingresso para alguém, como um cambista desajeitado que não inspira confiança. Depois de rodar feito um tabacudo, oferecendo um reles ingresso, resolvo dar um presente a algum tricolor liso. Olho, olho e nada. Não quero dar o ingresso a um liso, mas a um fodido, o cara que não teve, naquele dia, a mínima esperança de ver o seu clube em campo - e talvez há tempos não faça isso. Até que vejo um sujeito de uns 50 anos, com uma pequena banca de isqueiros, ali na rua das Moças. Caralho, o sujeito vendendo isqueiros numa sexta-feira à noite… "Quer assistir ao tricolor?", pergunto. Ele me abre um sorriso cristalino. "ôx, e não, é?" Dou o ingresso para ele. Arquibancada, que custa R$ 14,00. Ele me abre um sorriso e começa a recolher os isqueiros, apressado. Já esqueci de muitas coisas na vida, mas daquele sorriso não esquecerei. 2 Estamos com a Sanfona Coral, animadíssimos, cantando e sorrindo de tudo. Em um dos muitos gols do Santa, procuro os amigos para abraçar, mas ao meu lado, com a sanfona calada, está Chiló. Olho para ele, e vejo aquele sorriso de felicidade, dou um abraço no meu amigo, ficamos os dois comemorando. "É tricolor, porra", repete Chiló, quase chorando, em silêncio. A cerveja dos muitos tricolores ao lado voa em cima da gente. Eu, timidamente, protejo a sanfona. 3 Rosembrick é amado pela torcida. Ele sabe disso. Cada jogada maravilhosa, escuta um coro: "Ah, é Rosembrique!". Olho para o lado e dou uma de profeta: "Estamos assistindo as últimas partidas do Mago no Santinha". E me veio a impressão de que Rosembrick jamais vai esquecer isso. Foi no Santa Cruz que ele assumiu que era craque. Antes, ele apenas sabia, mas não tinha coragem de dar um drible seco só porque sabe dar um drible seco em qualquer lugar do campo. Daqui a pouco, muito pouco, levarão nosso Mago. 4 O juiz marca um pênalti escandaloso contra o Santinha. Um sujeito olha para mim, me dá um cutucão e diz: "Bota o telefone deste fila da puta no blog!". 5 Inácio quem viu, mas me contou, então vale. Depois do jogo, chegamos com a Sanfona no Amarelinho, e um sujeito que estava tomando uma cerveja olhou a sanfona, a animação, e parou tudo. Limitou-se a ficar beijando o escudo do Santinha, repetidas vezes, com os olhos marejados. ** Teria muitas cenas para relatar. Mas fiquemos com algumas, só para inspirar os leitores tricolores a nos mandarem seus "momentos eternos no Arruda". Que venha o quadrangular, com a final no Arruda… Em tempo: Acuso a melhor partida de Neto no Santinha, bem como um jogo incrível do nosso Osmarzinho. Além disso, é importante que Leonardo cresça, porque a experiência vai valer ouro nesta reta final.






Mack Costa
15 de outubro de 2005 às 13:43
Percebi ter virado Tricolor esse ano, quando passei a frequentar o Arruda em nome do amor… O namoro até já acabou, mas a paixão pelo Santinha cresce a cada jogo, a cada palavrão indignado, a cada abraço de comemoração e palma de reconhecimento.
Ontem, lá no estádio, vi uma amiga rubro-negra chegando com a camisa do Santa. Sua primeira vez também estava sendo em nome do amor. Bem que dizem: “Mulher de rubro-negro só fode com tricolor!”, tem jeito não! Ela cantou com a Sanfona, ficou feliz com o primeiro gol, quase adoece depois do pênalti roubado e ganhou cada vez mais saúde com o chegar da goleada. No final do jogo, ela me olhava com um sorriso confiante, o rosto corado e o peito levemente estufado, como se tivesse partido dos pés dela cada jogada daquele 5 x 1. “Eu dei sorte, né?”
Algo me diz que o leão acaba de perder mais um…
Terror coral
15 de outubro de 2005 às 15:15
Procura saber sobre esse fdp que apitou o último Grêmio x santa no olímpico e expulsou injustamente carlinhos.
Soube que dias atrás ele mudou a súmula visando ferrar a ” BALA ” do arruda no julgamento da próxima quarta-feira.
Marcos Velloso
15 de outubro de 2005 às 15:37
“Bota o telefone deste fila da puta no blog!”.
Rapaz, foi a primeira coisa que eu pensei quando infeliz marcou aquilo. “Vou passar a noite ligando pra casa dele”. E eu tava na social, bem próximo ao lance.
E quando terminou o primeiro tempo, nós ficamos xingando-o e já pensando no que poderia acontecer à ele fiquei gritando: tu tá fudido!
Mas, o Santa resolveu a parada pra esse FDP.
Inácio Franca/Samarone Lima
15 de outubro de 2005 às 21:27
Temos o prazer de informar que esse blog não é e não pretende ser uma instituição democrática. É um blog de tricolores para tricolores. Se torcedores de outros clubes tiverem interesse em deixar comentários que o façam elogiando o Santa Cruz ou próprio Blog (somos modestos, por isso não nos autoelogiamos). Comentários ofensivos ou críticos ao Tricolor do Arruda serão deletados.
Se quiserem democracia, recomendamos encomendar uma máquina do tempo e voltar para a antiga Grécia. Ou façam seus próprios blogs)
Cumpra-se e revogue-se as disposições em contrário.
Bosco
16 de outubro de 2005 às 21:15
Mas isso é democracia…
poder do povo, e o povo é tricolor
TC
17 de outubro de 2005 às 23:55
Samarone,
eu fui uma das pessoas para quem vc ofereceu o ingresso…
Cara… ainda bem que você não ganha seu pão como cambista, caso contrário vc tá …
Bom… parabéns pelo blog… está fantástico… emocionante…
Infelizmente não tenho podido acompanhar a Sanfona na torcida, pois “sou obrigado” a ir pro camarote do meu chefe. Mas vou fazer o possível para encontrá-los no Garrafus nos proximos jogos.
Abraços. E continuem o bom trabalho…