Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.

Um cronista sem visão do jogo

O jogo, na visão embaçada de um ébrio

Por Samarone Lima Amigos corais, aqui vai uma confissão. Na última partida, em nosso estádio, não vi o empurra-empurra de Bala x Gentil, não reparei que Bala deu as costas em um lance importante e nem de longe tive a menor idéia de que o mago Rosembrick não passava a bola para o Tubarão-Gentil. A sorte deste Blog é que temos o Inácio França para fazer a análise cuidadosa de tudo. O tricolor vai perguntar: sim, mas se tu não visse nada, estavas aonde, tabacudo? Amigos, estava na arquibancada de sempre, porque sou homem de arquibancada, ao lado da Sanfona Coral e da patuléia de sempre: Inácio, Emília, João Valadares (mais morto que vivo), Ritinha, Nana, Oswaldo Titio etc. Cheguei bem antes do início do jogo e fiquei num ótimo lugar. O céu estava limpo e tudo iluminado. Lembro até quando o Santa entrou em campo, aquela emoção de sempre. O único detalhe era o grau alcoólico no organismo, que embaçou completamente minha visão de jogo. Usando a terminologia do nosso Saulo Profeta, confesso que ceguei. Está me faltanto visão do jogo. Então me dediquei a repassar o filminho do domingo, antes do jogo. Comecei com Naná, tomando uma cervejinha enquanto preparávamos o “Churrasco Coral”, aqui no Poço da Panela, defronte ao bar de Seu Vital. Depois, a moça alvirrubra chegou com um litro de Rum Montilla. Era uma dose pra ela, duas pra mim, duas pra mim, uma pra ela, e assim foi terminando a manhã. Como se não bastasse, chegou o pai de um tricolor, que esqueci até o nome, com uma garrafa de Serra Preta, uma cachaça paraibana que é uma delícia. “Vê que cachaça boa”, disse ele, cheirando, como quem cheira o pescoço da mulher amada. Mandei ver. A alvirrubra conseguiu entrar no estádio com o restante do Rum. Antes do início do jogo, a citada bebida já estava no estômago, a caminho do fígado e do cabeção. Para completar o quadro, no estádio tem acontecido esse estranho milagre da multiplicação das cervejas. Estou quieto, no meu canto, e vem um copão de cerveja, geralmente bancado pelo Oswaldo Titio, que tem este apelido porque parece mesmo um tio da tricolorzada. Naná também é meio gastadorzinho. Basta chegar ao Arruda, que puxa aquela nota de cinqüenta e sai rasgando de cerva. É Nova Schin, mas de graça, meus amigos, vai até Bossa Nova, aquela desgraça, que segundo um amigo meu, “tem gosto de lama”. Em noventa minutos, dá para beber um bocado, garanto, e foi o que fiz. Não lembro direito como foi o gol da coisa, os lances mais importantes, pensei que nosso empate tinha sido uma cabeçada fulminante do Paulinho, e minha memória agora tem esta dependência física de um objeto. Só lembro dos melhores lances depois de assistir Lance Final ou os telejornais matinais. Sou capaz de cancelar qualquer trabalho somente para assistir ao Globo Esporte do dia seguinte aos jogos do Santa, somente para ver o que vi no dia anterior, no estádio, mas, estranhamente, não vi. Lembro de um fato realmente inacreditável. Quando fizemos o gol, fiquei tão louco, os óculos voaram arquibancada abaixo. Fiquei tateando cegamente no cimento (4,5 graus de miopia no olho esquerdo; 4,75 no olho direito), enquanto milhares pulavam, possivelmente em cima dele. Lá pelas tantas, encontrei o dito cujo, mas estava sem a lente esquerda. Puta merda, agora é que não vejo nada mesmo, pensei. Um sujeito me olhou muito preocupado e disse: “Vamos procurar”. Eu já tinha perdido as esperanças, achava que a lente já tinha virado poeira, quando ele, dois ou três minutos depois, encontrou a lente debaixo dos pés de alguém e me entregou, com um sorriso. Estava sem um arranhão. Encaixei no óculos e voltei a enxergar. Foi aí que o jogo acabou. Amanhã, vou me comportar, prometo. Uma cervejinha de leve na Colosso e nada de exageros. Daqui a pouco, os leitores deste Blog vão começar a dizer que não tenho visão de jogo. Terei que concordar e fazer somente uma correção: está me faltando é a visão do jogo.

18 Comentários

  1. 1
    Edgar Assis

    28 de março de 2006 às 11:26

    Realemnte Samarone, em dias de jogo fica difícil ter aquela visão de jogo… ou do jogo. Quem gosta e muito daquelas loiras geladas, é lasca mesmo. Pequenos detalhes passam despercebidos. Mas lembrem do jogo contra o Vitória. Nos gols, nenhuma comemoração entre ambos. Nos erros, muita cara feia. Estourou no domingo. Mas creio que isso é fato acabado e consumado.
    Voltando ao texto, vou ser sincero. Certo jogo do santa, não lembro contra quem… sei que foi aquele que o “gerador” pifou e ganhamos… dos gols eu me lembro, pelo menos dos vultos. Cheguei em casa depois de ter dormido no ônibus e perdido a parada. No outro dia, o ingresso estava intacto, isso mesmo, intacto em minha carteira. Dois eu não comprei. Agora, que eu entrei no estádio eu entrei. Como eu não sei.
    TODOS AO ARRUDÃO NESTA QUARTA. vAMOS COSTURAR NOSSA FAIXA DE BÍ E A LEÔA DEPRESSIVA SERÁ COSTURADA PELA COSTUREIRA.
    SAUDAÇÕES TRICOLORES !!!!!

  2. 2
    Anonymous

    28 de março de 2006 às 11:56

    Sama,

    Pra ajudar a refrescar sua memória, segue um link do gol anulado. Maior absurdo dos ultimos tempos no futebol de PE.

    e Pensar que podíamos ter perdido o cabaço com esse roubo…

    http://ferdines.sites.uol.com.br/impedimento.htm

    Abraços,

    Saulo - O profeta

    P.S: Sama, valeu pelo texto!!! O Blog ta voltando e o Santinha junto!

  3. 3
    Anonymous

    28 de março de 2006 às 12:30

    Eu tive visão. Tava doente, quase morrendo, mas vi tudinho. Vi o santinha ser assaltado dentro de casa. Roubaram na mão grande. A Globo ainda colocou um tira-teima com a imagem fechada do lance de Júnior Maranhão. Em qualquer outra emissora, o gol foi legítimo. Bala brigou sim no primeiro tempo. O Santa no ataque e ele, feito uma rapariga de cego, olhando p/ baixo.
    Mas vamos ser campeões novamente.
    João Valadares

  4. 4
    Gabriel Bezerra

    28 de março de 2006 às 12:35

    fica tranquilo, samarone… que não é só contigo q isso acontece nos jogos do mais querido não rsrsrsrsrs

    abração

  5. 5
    samarone

    28 de março de 2006 às 13:53

    Bem, pelo menos a cronica conseguiu arrancar uma informação inédita: João Valadares ainda está vivo.
    Domingo, no Arruda, tinha um cadáver, de olheiras, olhando o jogo.
    Que dava medo, dava.
    samarone

  6. 6
    O ANALISTA - DF

    28 de março de 2006 às 14:25

    Caro Samarone,

    O que acabo de ler, me parece mais uma carta de despedida de um suicida do que uma crônica sobre o clássico Santa X coisa. Mêrmão, tú aloprou de verdade? Senão, vejamos: 1) O cabra abre os trabalhos (matinais) com algumas geladas. 2) Dá prosseguimento ao projeto, ingerindo algo mais leve, tipo run. 3) Acreditando que ao invés de carne e osso, fosse constituído de alguma liga especial de titânio, eis que o meliante parte para uma esperiência metafísica, quando resolve gargarejar a tal pinga paraibana. 4) Chegando ao Arruda, Deus sabe como, lava tudo com uma tuia de schin, todas na casa dos 30 ºC. 5) Por úlitmo, ainda fui informado (fonte segura) de que na conta do churrasco pré-clássico, lá no Bar de Vital, constava na relação, 01 garrafa de vinagre, 1/2 litro de querosene e 02 detergentes limpol, líquidos claro, o que gerou muita confusão entre os participantes. Advinha quem bebeu? Pois é, apesar de saber que da garganta pra baixo é tudo escuro, sem relógio, calendário ou prateleiras, tenham certeza, este cidadão só tá vivo por milagre e, dessa forma, nao reunia as mínimas condições pra acompanhar/avaliar, sequer uma briga de galos.
    SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!!!!!!!!!!!

  7. 7
    O ANALISTA - DF

    28 de março de 2006 às 14:27

    “esperiência” foi foda! Perdão.
    eXperiência!

  8. 8
    Anonymous

    28 de março de 2006 às 15:35

    puta merda, se Sama tivesse achado a lente uns 5 minutos depois a gente tinha feito o gol da vitória. Era questão de tempo, a coisa tava morta.

  9. 9
    Carlos Arruda

    28 de março de 2006 às 21:25

    rapaz, eu num tava tão bebado q nem samarone, mas também não vi esse detalhes.
    aqui prá nós o cara conseguir ver que carlinhos bala deu as costas numa jogada que osmar vinha com a bola, é foda. só tando em outra dimensão, em outra perspectiva tangencial, em outro expoente.
    acho q esses caras inventam estas estórias e um bocado de doido vai atrás.

  10. 10
    ivan da burra, o patriota

    28 de março de 2006 às 21:57

    Sim, mas onde será o aquecimento de amanhã? Braseiro? Bar do Neno? Seu Vital? Porto Ferreiro? Colosso?

    Estarei apto a começar os trabalhos às 18h53.

    Saudações tricolores,

  11. 11
    Gerrá

    28 de março de 2006 às 22:23

    bora pro colosso. 20 horas dá prá mim.
    vamos todos prá geral???

  12. 12
    Rubem

    29 de março de 2006 às 9:41

    Bom dia!!

    Porra Gerrá, tu marca e não vai, marcaram um levantamento de copos no Brazão no jogo contra o Derrota / BA e ninguém apareceu, levei até minha nega veia prá assistir o jogo e dançar um forrozinho, e nada de pitibiriba…

    Saudações Tricolores

  13. 13
    Anonymous

    29 de março de 2006 às 10:19

    Colossal marcado!!! todos lá hoje!Ivan,deixa de ser lendário e aparece!! J e K2, ,tá na hora de darem o ar da graça!!

    19:30 eu chego na colossal!!!

  14. 14
    Anonymous

    29 de março de 2006 às 10:20

    obs: mensagem de cima, esqueci de assinar.

    Saulinho

  15. 15
    Rubem

    29 de março de 2006 às 10:27

    Só aparece macho nesse Blog , mulherada vamos dar o ar de sua graça….rsrsrsr

  16. 16
    Inácio Franca/Samarone Lima

    29 de março de 2006 às 11:24

    Antes de ir ao Arruda, Samarone vai experimentar álcool em gel. Ele quer comer com biscoito, como se fosse geléia.

    Inácio

  17. 17
    ivan da burra, o patriota

    29 de março de 2006 às 11:35

    Já tô lá já, vi?

  18. 18
    k2

    29 de março de 2006 às 15:55

    7:38 no Colosso