Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.

Alegria maior

por Sérgio Travassos, assessor de Imprensa do núcleo de esportes da Universo

Desde 29 de janeiro de 1984, em uma partida entra o nosso Santinha contra a Portuguesa (0×0), acompanho incondicionalmente o Mais Querido. Eu, que sempre torci para que o Santinha acertasse a sua vida e nos desse títulos e subisse para a primeira divisão. Eu, que resmunguei erros, gritei incentivando o Tricolor, sorri nos nossos gols, tenho uma confissão a fazer.

Tive uma alegria maior do que ver o Santinha campeão da série B ( por 15 minutos, me acostumando, gostando e querendo mais), e vê-lo subir à divisão A do nosso futebol protecionista e conturbado. É isso mesmo. A emoção de subir foi ótima, mas vivi algo ainda mais sublime .

Tenho uma filha, 10 anos de idade, de nome Luiza Maria de Oliveira Corrêa, uma tricolinda de verdade. Desde os quatro anos de idade, ela tornou-se uma companheira de arquibancadas. E é pé-quente. Só viu o nosso time perder em três oportunidades, e olha que ela vai muito aos jogos! Luiza sempre curtiu as cores, as roupas, a farra, os xingamentos (nos estádio eu a deixo dizer uns impropérios), as músicas. Músicas que serviram para acalentá-la quando bebê.

Ah, lembro do primeiro presente que comprei: uma camisa do Santinha, quando ainda estava na barriga da mãe. Mas a minha alegria maior, confesso agora, foi ter a prova dos nove.

Estávamos abraçados em um cantinho do Arruda, ela à minha frente, olhando o gramado, o coraçãozinho dela batia mais que o meu – bom sinal. Depois sentiu vontade de fazer xixi, na hora do pênalti, no que foi prontamente atendida. Depois, desandou a xingar quando a Portuguesa se defendia. Pensava eu: é tricolor mesmo essa minha filha. Porém, no segundo gol do Santa, enquanto pulava com todos, a vi sdesaguando em lágrimas. Pensei: “Deus, alguma coisa deve ter batido nela, ela se machucou!”. Abaixei-me e perguntei porque chorava. Ela disse, e eu nunca mais vou esquecer: “porque o santinha virou o jogo”.

Depois de títulos, vitórias, rebaixamentos e derrotas, eis que uma tricolinda com lágrimas nos olhos, vem me dar a maior emoção no futebol. Não porque veste-se como tricolor, mas porque sente como tricolor. À minha filha, este texto que me fez chorar mais do que o próprio Santinha.

9 Comentários

  1. 1
    J.

    6 de dezembro de 2005 às 9:58

    BRAVO!!!!!!!!!!!!

    J.

  2. 2
    samarone

    6 de dezembro de 2005 às 10:06

    belo, belo, belo.

    sama

  3. 3
    Raul Cavalcanti

    6 de dezembro de 2005 às 10:14

    É isso aí Sérgio… Tal pai, tal filha. Parabéns! É assim que se educa uma criança! Abração.

  4. 4
    Franklin

    6 de dezembro de 2005 às 12:07

    LINDO TEXTO. CONFESSO QUE ME EMOCIONEI. PARABÉNS!!

    FRANKLIN

  5. 5
    Julio Vila Nova

    6 de dezembro de 2005 às 22:41

    Lindo texto, Sérgio ! Parabéns !! Meu coração acelerou imaginando as emoções que ainda vou viver com minha Lívia, que faz três anos em julho de 2006. Este ano, ela vai ver o time em ação ao vivo pela primeira vez !

  6. 6
    Anonymous

    7 de dezembro de 2005 às 14:00

    A emo;’ao de ser tricolor [e inexplicavel. Tu chorou Sergio, mas saiba que n’ao foi o unico. Luiza emocionou todos os tricolores de verdade, chorei tambem com muita emocao de saber que o mais querido tem uma nova geracao de torcedores apaixonados como nos.

    sauve o santa cruz

    cobra coral - df

  7. 7
    malvina

    7 de dezembro de 2005 às 14:59

    lindo texto serginho.

    Luiza é linda.
    sou testemunha de sua frequência nos jogos, já assisti muitos ao seu lado e adoro vê - la resmungando e dando carão no que verifica estar errado.

    bj grande Luíza

    malvina

  8. 8
    soninha

    8 de dezembro de 2005 às 16:12

    fiquei imaginando a cena, a emoção. lembrei dos tempos em que meu pai me levava p assistir o Santinha. Sinto saudades de ter meu pai aqui comigo. foi-se o elo, ficou a lembrança.

  9. 9
    ...esse torcedor é de 1ª...

    11 de dezembro de 2005 às 11:56

    Sou um marmanjo de 38 anos mas ao acabar de ler esse testemunho confesso que meus olhos se encheram de lágrimas. O sentimento dessa “Tricolinda” foi a de todos os tricolores presentes ou não no estádio. Só que uma criança, graças a Deus, jamais esconde seus sentimentos. Abraços.